10 de abril de 2019

Epílogo - Um amor que nunca se esgota


A RAINHA SENTOU-SE em seu trono enquanto trabalhadores fadas entravam e saíam da sala.
Tudo havia mudado. A cor do triunfo era de ouro e o rei Unseelie estava morto. Seu filho favorito havia se
tornado o conselheiro mais próximo da Rainha e seu amigo leal. Depois de tanto tempo imersa no gelo da
tristeza pela perda de Ash, a Rainha começara a se sentir viva novamente.
Trabalhadores tinham polido o chão de mármore, removendo os sinais de queimadura. Jóias tinham sido
colocadas nas paredes onde havia buracos: elas brilhavam agora como olhos piscando, vermelhos, azuis e
verdes. Borboletas com asas brilhantes circulavam o telhado, lançando padrões prismáticos e mutáveis sobre o
trono coberto de seda e os sofás baixos que haviam sido transportados para os cortesãos acomodarem-se.
Logo o novo Rei Unseelie, Kieran, faria uma visita e ele não encontraria a sala do trono menos do que
deslumbrante. Ela estava curiosa sobre o jovem rei. Ela o conhecera antes, um dos filhos ferozes do Rei
Unseelie, ferido e apoiado pelos Caçadores de Sombras. O que a surpreendeu foi que ele havia se levantado
rápido. Talvez ele tivesse outras qualidades ocultas.
A nova proximidade dos Caçadores de Sombras e da Corte Unseelie era preocupante, é claro. Ela havia
perdido vários bons cortesãos para as artimanhas dos Caçadores de Sombras, Nene entre eles. Talvez ela
devesse ter tentado mais para conseguir que o menino Blackthorn e a garota Carstairs destruíssem a runa
parabatai e enfraquecessem seu exército. Mas ela só pode plantar as sementes da discórdia; ela não podia ter
certeza de que cada uma delas cresceria. O jogo foi longo e a impaciência não serviu bem a ninguém.
Ela também estava perturbada com a perda do filho. Ela estava procurando por ele desde então, mas com
pouca esperança. Outros mundos não tinham uma magia que as fadas entendiam bem.
A cortina de veludo dourado que pendia na entrada da sala do trono farfalhou e Fergus entrou. Ele usava uma
expressão permanentemente azeda hoje em dia, já que seu lugar a seu favor se tornara o de Adaon. Havia mais
do que acidez agora, no entanto. Houve mais do que um pequeno alarme.
— Minha senhora — disse ele. — Você tem visitantes.
Ela levantou-se em sua cadeira para mostrar seu vestido de seda branco, agarrado e leve, para melhor
proveito.
— É o Rei Unseelie?
— Não — disse ele. — Um Caçador de Sombras. Jace Herondale.
Ela fechou os olhos para Fergus.
— Jace Herondale está proibido de entrar na minha sala do trono — a última vez que ele esteve lá, ele quase a
esfaqueou. Foi irresponsabilidade de Fergus esquecer tal coisa. — Você está doente, Fergus? Por que você não o
mandou embora?
— Porque acho que você vai querer vê-lo, minha senhora. Ele entregou suas lâminas para mim de bom grado,
e ele não… está sozinho.
— É melhor valer a pena o meu tempo, Fergus, ou vai custar-lhe o seu segundo quarto. — Ela acenou com uma
mão irritada em sua direção. — Deixe-o entrar, mas volte também para ficar de guarda.
Fergus foi. A Rainha distraidamente considerou ter Jace bicado por duendes, mas parecia um problema e
incomodaria desnecessariamente o novo governo dos Caçadores de Sombras. A palavra era que eles tinham
colocado Alec Lightwood no comando – lamentável, como ela não gostava dele desde que ele matou Meliorn, seu
último campeão – e ele provavelmente não perdoaria problemas provocados em seu melhor amigo.
Talvez fosse por isso que Jace estava aqui? Forjar uma aliança? Ela tinha acabado de pensar quando a cortina
sussurrou novamente e Fergus entrou, escoltando dois companheiros, um vestido e encapuzado.
O outro era Jace Herondale, mas não era o Jace Herondale que ela conhecia. O Jace que ela conhecia era lindo
como os anjos eram lindos: esse Jace era mais velho, abatido. Ainda bonito, mas à maneira de um penhasco de
granito queimado por um raio. Não havia gentileza em seus olhos, e ele era musculoso como um adulto, sem
nada de infantil nele. Havia uma luz escura sobre ele, como se ele carregasse um miasma de mágoa com ele
onde quer que ele andasse.
— Eu tenho suas lâminas. — disse Fergus. — Você pode querer vê-las.
Ele as colocou nos pés da Rainha. Uma espada maior com estrelas impressas em sua lâmina de prata escura,
com punho e punho revestidos em ouro. Uma espada menor de ouro negro e adamas, um padrão de estrelas no
cume central.
— Heosphorus e Phaesphorus — disse a Rainha. — Mas elas foram destruídas.
— Não no meu mundo — disse Jace. — Em Thule, muitos que aqui estão mortos, lá estão vivos. E muitos que
estão mortos lá, vivem aqui. Em seu mundo, Rainha.
— Você com enigmas — disse a Rainha, embora seu antigo coração tivesse começado a bater com uma rara
rapidez. A terra de Thule é a própria morte. E vai chover morte aqui. — Você é do mundo que o Rei Unseelie
chamava de Thule?
Ele varreu um arco zombeteiro. Suas roupas estavam sujas de poeira, e elas não se pareciam com nenhum
equipamento de Caçador de Sombras que ela já tinha visto.
— Eu não sou o Jace Herondale que você conhece ou já conheceu. Eu sou seu espelho escuro. Eu realmente
vim desse mundo. Mas meu amigo aqui nasceu aqui, em sua corte.
— Seu amigo? — A Rainha respirou.
Jace assentiu.
— Ash, tire seu capuz.
O companheiro levantou as mãos e recuou o capuz do manto, embora a Rainha já soubesse o que veria.
Cachos de prata branca caiam sobre a testa. Ele estava alguns anos mais velho do que quando atravessou o
Portal na sala do trono do Rei Unseelie. Ele parecia um mortal em sua adolescência, seu rosto já começando a
mostrar sinais de sua própria beleza. Seus olhos eram verdes como grama, como os olhos verdadeiros de seu pai
tinham sido. Ele a olhou com um olhar calmo e direto.
— Ash — ela respirou, levantando-se. Ela queria lançar os braços em volta do filho, mas se conteve. Ninguém
deu algo por nada em sua corte. — Você traz meu filho para mim — disse ela. — E por isso eu agradeço. Mas o
que você deseja em troca?
— Um lugar seguro para Ash viver. Para ficar com ele enquanto ele cresce.
— Ambos os desejos podem ser facilmente concedidos — disse a Rainha. — Não há mais nada?
— Há mais uma coisa — disse o Jace que não era Jace, seus olhos dourados e duros. — Eu quero que você me
traga Clary Fairchild.

6 comentários:

  1. Eita que o negócio vai ficar louco. Como eu odeio essa rainha...

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  2. Já tem alguma coisa sobre a continuação desse livro como por exemplo o nome?

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    1. Haverá uma série chamada The Wicked Powers, ou Os Poderes Perversos, que se passará três anos depois desses eventos. Mas deve lançar só lá pra 2023, 2024...

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  3. Não acredito que acabou 😢
    Que venha As últimas horas🙌

    Ana Santos

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  4. Gzuisssss nos acuda.....ESTOU SENTINDO UMA TRETA

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  5. isso vai dar muita tetra

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Boa leitura, E SEM SPOILER!