5 de abril de 2019

Capítulo 9

Matt esticou o pescoço para olhar por cima do ombro de Stefan e pela porta rangente do ancoradouro abandonado. O interior estava escuro e tinha cheiro de mofo, e a mão de Matt apertou automaticamente a de Chloe.
— Este deve ser um lugar seguro — disse-lhes Stefan.
Elena e os outros tinham voltado ao campus, trêmulos e calados da luta, mas Chloe não tinha para onde ir.
— Não sei o que fazer agora — dissera ela. — Não posso voltar para a casa da Vitale. Você vai me ajudar?
Matt pegou sua mão, sentindo-se dominar por uma onda de compaixão e culpa. Quem dera não tivesse confiado em Ethan. Os outros candidatos da Vitale foram vítimas inocentes, mas Matt conhecia vampiros. Por que não ficou desconfiado?
— Aonde quer que você vá, eu vou com você — disse ele obstinadamente. Então Stefan os levara pra lá.
Matt esfregou a nuca e olhou em volta. Seguro ou não, o velho ancoradouro certamente tinha uma aparência melancólica. Stefan dissera que os estudantes não frequentavam mais o lugar, e Matt podia tranquilamente acreditar nisso.
Antigamente este ancoradouro era da equipe de remo da Dalcrest, mas novas docas e ancoradouros foram construídos mais perto do rio. Desde então, o pequeno lago artificial para o qual ele se defrontava tinha assoreado. Agora, a água salobra e coberta de algas tinha pouca profundidade no lago lodoso, e o próprio ancoradouro fora abandonado e estava apodrecendo. A água malcheirosa batia abaixo da madeira macia e úmida. No alto, o telhado apodrecido permitia vislumbres do céu noturno.
— Não sei bem se Chloe deve viver assim — disse Matt lentamente, sem querer ofender Stefan.
Os lábios de Stefan se curvaram num sorriso amargurado.
— A primeira lição que os dois precisam aprender é que ela não vai viver assim. Ela não está viva... não mais.
Ao lado de Matt, Chloe curvou os ombros protetoramente e cruzou os braços.
— Eu me sinto viva — murmurou.
Matt esperou pela torção irônica da boca com covinhas a que ele se acostumara na Chloe humana, mas ela se limitou a olhar sombriamente para os próprios pés.
— É assim que tem que ser, Chloe — disse-lhe Stefan. Sua voz era impassível. — Até que aprenda a sobreviver sem caçar humanos, não pode ficar perto deles. Qualquer cheiro ou som pode incitar você. Levará muito tempo para chegar ao ponto em que poderá confiar em si mesma e, até que consiga, se esquivará nas sombras, existindo nos lugares aonde nenhum humano iria. Esgotos. Cavernas. Lugares como este ancoradouro são um luxo.
Chloe assentiu, fitando Stefan com olhos bem abertos e francos.
— Farei o que for necessário — disse. — Esta é minha segunda chance... eu entendo. Vou me corrigir.
Stefan lhe abriu um leve sorriso.
— Espero que sim, Chloe — Esfregando a ponte do nariz entre dois dedos num familiar gesto de cansaço, ele se virou para Matt. — Há coisas que você pode fazer para ajudá-la. Ela é jovem. É importante que tenha muito sangue, ou não conseguirá pensar em mais nada.
Matt começou falar, mas Stefan o interrompeu.
— Não o seu sangue. Sangue animal. Se você for com ela ao bosque quando ela estiver caçando, pode ajudar a mantê-la obstinada e longe dos humanos. Pode trazer animais quando ela julgar que não pode sair. — Matt assentiu, e Stefan se virou para Chloe. — Agora você é rápida e forte; conseguirá pegar cervos, se quiser. Caso se concentre, talvez consiga pegar animais menores... aves e coelhos. Pode tentar não matá-los, se quiser, mas provavelmente os matará, pelo menos até que aprenda a se controlar.
— Obrigada, Stefan — disse Chloe solenemente.
— Pratique a respiração profunda — disse-lhe Stefan. — Meditação. Ouça seu própria coração bater, aprenda o novo ritmo mais lento que ele agora tem depois que você se transformou. Às vezes ficará bem agitado, e deve descobrir como se acalmar. Faça isso com ela, Matt. Vai ajudá-la a manter o foco.
— Tudo bem. — Matt enxugou as mãos suadas nos jeans e assentiu novamente. — Podemos fazer isso.
Seus olhos encontraram os de Stefan, e Matt ficou surpreso com a expressão do vampiro. Apesar do tom pragmático que usava, ele sabia que Stefan estava preocupado.
— É perigoso para você — disse Stefan gentilmente. — Eu não devia deixá-lo com ela.
— Eu não o machucaria — disse Chloe. Seus olhos se encheram de lágrimas, e ela os esfregou raivosamente com o dorso da mão. — Nunca machucaria o Matt.
Stefan voltou o mesmo olhar solidário a ela.
— Sei que você não ia querer machucá-lo, mas também sei que você pode ouvir o sangue de Matt correndo enquanto o coração dele bate, que você sente o cheiro doce e dominador do sangue a sua volta. É difícil pensar direito quando ele está perto, não é? Parte de você só quer rasgar, abrir a pele macia de seu pescoço, encontrar a veia cheia de sangue quente e suculento, pouco abaixo da orelha.
Chloe cerrou o maxilar, mas a extremidade branca de um dente deslizou pela linha firme de sua boca, cortando o lábio. Com um estremecimento, Matt percebeu que os caninos afiados de vampira de Chloe tinham descido enquanto Stefan falava, que ela estava pronta para morder.
Controlando-se, Matt reprimiu o instinto de fugir e, em vez disso, aproximou-se mais e colocou o braço nos ombros dela.
— Vamos superar isto — disse ele com firmeza.
Chloe respirou fundo e devagar, depois repetiu o que Matt disse, claramente tentando se acalmar. Depois de um momento, seus ombros relaxaram um pouco e, parecendo ter relaxado a mandíbula, Matt achou que seus dentes tinham voltado ao normal.
— O que mais devemos fazer? — perguntou Chloe a Stefan, com a voz determinada.
Stefan deu de ombros e colocou as mãos nos bolsos. Andou até a porta e olhou a água escura do lago.
— No fim, a única coisa que importa é que você realmente queira mudar. Se seu desejo for suficiente e se tiver muita força de vontade, conseguirá. Não vou mentir, não é fácil.
— Eu quero mudar — disse Chloe, os olhos brilhando de lágrimas mais uma vez. —Não vou machucar ninguém. Esta não sou eu, nem mesmo agora. Nos últimos dias... não posso ser essa coisa. — Ela fechou os olhos e as lágrimas se derramaram sobre os cílios, escorrendo em linhas prateadas pelas bochechas.
— Você não pode se alimentar de ninguém. — Stefan a alertou. — Se Matt ou qualquer outro sair machucado, mesmo que você lamente, farei o que for necessário para proteger os humanos daqui.
— Você vai me matar — concordou Chloe, com a voz fina. Seus olhos ainda estavam fechados, e ela se envolveu defensivamente com os próprios braços. — Tudo bem. Não quero viver assim.
— Assumo a responsabilidade por ela — disse Matt, a voz soando alta aos próprios ouvidos. — Não deixarei que nada de ruim aconteça.
Chloe se aproximou um pouco mais dele, aparentemente encontrando conforto em seu braço. Matt a abraçou. Chloe podia ser salva, ele sabia disso. Não tinha sido cuidadoso o suficiente, não percebeu o que Ethan era. Mas Chloe não estava perdida para ele. Ainda não.
— Tudo bem — disse Stefan serenamente, olhando de um para outro. — Boa sorte. — Ele trocou um aperto de mãos com Matt, virou-se e partiu, mais rápido do que os olhos de Matt puderam acompanhar, sem dúvida voltando para Elena.
Chloe se apertou ao lado de Matt e deitou a cabeça em seu ombro. Ele pousou a face no alto de sua cabeça, sentindo no rosto o cabelo escuro e cacheado de Chloe. Isso seria perigoso, um pequeno e infeliz nó no estômago o lembrava, e ele não sabia exatamente o que estava fazendo.
Mas Chloe respirava lentamente a seu lado, e só no que conseguia pensar era: pelo menos eles tinham uma chance.


— Eu estou bem, Bonnie — disse Zander, rindo um pouco. — Sou durão, lembra? Superdurão. Sou um herói. — Ele puxou sua mão, tentando colocá-la na cama ao lado dele.
— Você está machucado, é isso o que você está — disse Bonnie incisivamente. —Não tente bancar o machão pra cima de mim. — Ela puxou a mão e estendeu o saco de gelo para ele com a outra. — Coloque isto no ombro — ordenou.
Eles se encontraram na frente da biblioteca pouco depois do amanhecer e ela imediatamente viu que Zander estava ferido. De volta a sua forma humana, ele parecia quase gracioso, como sempre, correndo com a Alcateia no trote tranquilo habitual, mas se afastava dos empurrões e da implicância brincalhona do restante dos meninos, a afeição rude e interativa que era seu jeito padrão quando não estavam de serviço. Quando saiu levemente do alcance dos braços de Marcus e Enrique e se esquivou de uma chave de braço de Camden, Bonnie percebeu que Zander devia estar machucado.
Então o levou ao refeitório e o encheu de ovos com bacon e os cereais açucarados que ele adorava. Eles voltaram ao alojamento de Zander e ela o obrigou a tirar a camisa para examinar os danos. Normalmente, Bonnie teria ficado babando para a barriga bem-definida de Zander, mas agora o hematoma escuro e arroxeado que começava a se formar em seu ombro e se estender pela lateral do corpo estragava a visão.
— Não estou realmente machucado, Bonnie — insistiu Zander. — Não precisa me paparicar. — Mas ele estava deitado na cama e não tentou se levantar, então Bonnie decidiu que Zander se sentia um pouco pior do que estava disposto a admitir.
— Vou pegar ibuprofeno pra você — disse, e ele não protestou. Ela vasculhou a mesa até encontrar o frasco e virou os últimos dois comprimidos na mão, levando a ele com uma garrafa de água. Zander se apoiou nos cotovelos para tomar os comprimidos e estremeceu.
— Deita — disse Bonnie. — Se prometer ficar na cama e tentar tirar um cochilo, posso preparar pra você meu chá curativo especial.
Zander sorriu para ela.
— Por que não deita comigo? — sugeriu ele. — Aposto que ficaria muito mais confortável com você aqui. — Ele deu um tapinha no colchão.
Bonnie hesitou. Era de fato muito tentador. Estava prestes a se aconchegar com ele quando houve uma batida ríspida na porta.
Ela gesticulou para Zander voltar para a cama quando ele começou a se levantar.
— Eu atendo. Deve ser um dos meninos. — Os companheiros de Alcateia de Zander não se incomodavam muito em bater, mas talvez estivessem tentando ter boas maneiras, supondo que Bonnie estava ali.
Outra batida incisiva foi dada enquanto Bonnie atravessava o quarto.
— Já vou, espere um pouco — murmurou ela, abrindo a porta.
No corredor, com a mão erguida para bater mais uma vez, havia uma completa estranha, uma menina de cabelo louro cortado na altura dos ombros. As feições miúdas e precisas espelharam a própria surpresa de Bonnie.
— O Zander está? — perguntou a menina, de cenho franzido.
— Hummm — disse Bonnie, desconcertada. — Sim, ele está...
E então Zander apareceu atrás dela.
— Ah, oi, Shay — disse ele, com a voz levemente insegura. Mas sorria. — O que está fazendo aqui?
A garota — Shay, pensou Bonnie, mas que nome era esse? — olhou para Bonnie em vez de responder, e Zander corou.
— Ah — disse ele. — Bonnie, esta é a Shay, uma amiga da minha cidade. Shay, essa é minha namorada, Bonnie.
— É um prazer conhecê-la, Bonnie — disse Shay friamente, erguendo uma sobrancelha. Seus olhos percorreram o peito despido de Zander, demorando-se por um momento no hematoma arroxeado, e seu rosto ficou rosado. — Estavam ocupados? — perguntou ela.
— Entre — disse ele, afastando-se da porta e pegando a camisa. — Eu, hmmm, estava colocando um pouco de gelo no ombro.
— É um prazer conhecê-la, também — disse Bonnie, meio tarde demais, enquanto dava espaço para Shay passar. Desde quando Zander tinha amigas? Além de Bonnie e dos amigos de Bonnie, ele vivia num mundo exclusivamente masculino.
— Preciso falar com você. A sós — disse Shay a Zander, lançando-lhe um olhar ameaçador e depois olhando para Bonnie de maneira incisiva.
Zander revirou os olhos.
— Sutil, Shay — disse ele. — Mas tudo bem. Bonnie sabe sobre mim e o resto da Alcateia.
A outra sobrancelha subiu na testa de Shay, unindo-se a primeira.
— Acha isto sensato?
Os lábios de Zander torceram-se no meio sorriso que Bonnie adorava.
— Pode acreditar, não é a coisa mais estranha que Bonnie sabe.
— Tudo bem — disse Shay lentamente. Ela fixou em Bonnie um olhar longo e especulativo, e Bonnie empinou o queixo em desafio, encarando-a também. Finalmente, Shay deu de ombros. — Acho que perdi o direito de lhe dar conselhos já faz algum tempo. — Agora ela baixou a voz, como se temesse que mais alguém ouvisse do corredor. — O Alto Conselho dos Lobos me mandou aqui. Eles não estão satisfeitos com o que souberam sobre vampiros na Dalcrest. Pensaram que talvez eu pudesse ajudar vocês a encontrar alguma orientação.
Zander contraiu o maxilar.
— Nossa orientação é ótima, obrigado — disse ele.
— Ai, não seja assim — disse Shay. — Não estou tentando ser sua Alfa. — Ela estendeu a mão e tocou levemente seu braço, deixando que a mão se demorasse ali. —Foi uma boa desculpa para fazer uma visita — continuou, com uma brandura ainda maior. — Lamento por como as coisas terminaram da última vez em que nos vimos.
Bonnie baixou os olhos. Shay estava tão concentrada em Zander que Bonnie começou a se perguntar se havia desaparecido, fazendo com eles pensassem que estavam a sós. Mas não, ela continuava bem sólida.
— Ah — disse, assustada, como se tudo o que Shay dissera de repente se encaixasse. — Você é uma lobisomem.
Ela devia ter percebido de imediato: apesar do cabelo elegante e solto e das feições femininas de Shay, ela se movimentada como Zander e a Alcateia, com uma espécie de elegância sólida, como se estivesse o tempo inteiramente consciente de seu corpo, sem sequer precisar pensar nele. E tinha tocado em Zander como ele tocava os rapazes da Alcateia, tranquilamente, como se o próprio corpo quase fizesse parte do corpo dele.
Ele não tocava em Bonnie assim. Não tinha do que reclamar sobre o modo Zander tocava nela; era doce e seguro, como se ela fosse a coisa mais preciosa que ele tinha. Mas ainda assim, não era a mesma coisa.
Não havia ninguém ali, mas Shay fuzilou Bonnie com os olhos.
— Fale baixo — sussurrou ela agressivamente.
— Desculpe — disse Bonnie —, é que não sabia que existiam lobisomens Originais mulheres.
Os lábios de Shay se curvaram num sorriso malicioso.
— Claro que existem — disse ela. — De onde acha que todos os lobisomens Originais vêm?
— O Alto Conselho dos Lobos em geral divide os lobos mais jovens em alcateias ou de meninos, ou de meninas, quando nos enviam para ficar de olho nas coisas — disse Zander a Bonnie. — Eles acham que se nos misturarmos vamos nos distrair de nosso trabalho.
— Pelo visto, não consideram as outras maneiras com que alguns de nós podem se distrair — Shay disse acidamente. Seus olhos eram frios nos da outra, mas Bonnie não atravessou o inferno e voltou no ano passado para deixar que uma garota lobisomem mandona e presunçosa a intimidasse.
Bonnie estava prestes a abrir a boca para dizer a Shay que era melhor ela perder a pose quando Zander, parecendo sentir sua reação, segurou a mão dela.
— Escute, Shay, eu preciso muito descansar um pouco — disse ele rapidamente. — Vamos colocar tudo em dia mais tarde, está bem? Ligue para mim ou para um dos outros e vamos nos encontrar.
Bonnie teve a impressão de que Shay ficou sobressaltada, mas Zander apressou Shay para fora do quarto, fechando a porta.
— E então... uma amiga da sua cidade? — perguntou Bonnie depois de algum tempo. — Acho que você nunca falou nela.
— Hmmm. — Os longos e lindos cílios de Zander roçaram o rosto quando ele baixou os olhos, desviando-os de Bonnie, e ela podia ter ficado distraída com a expressão meiga dele. Só que Zander parecia nitidamente culpado.
Bonnie de repente sentiu o estômago embrulhar.
— Tem alguma coisa que você não está me dizendo? — perguntou. Zander se remexeu pouco à vontade de um pé a outro, corando, e o estômago dela embrulhou ainda mais. — Chega de segredos, lembra?
Zander suspirou.
— Só acho que vai parecer maior do que realmente é.
— Zander.
— O Alto Conselho dos Lobos queria que eu e Shay ficássemos juntos — confessou Zander. Ele ergueu os olhos para ela. — Eles, hmmm, acho que pensavam que éramos parceiros. Que talvez fôssemos nos casar e ter filhos lobisomens quando terminássemos a faculdade. Achavam que formávamos uma boa dupla.
Bonnie piscou. Seu cérebro parecia entorpecido, ela percebeu. Zander e Shay tinham pensado em se casar?
— Mas não podíamos continuar — Zander disse apressadamente. — Eu juro, Bonnie, nunca nos entendemos. Brigávamos, tipo, o tempo todo. Então terminamos.
— Hmmm — Bonnie estava tão surpresa que até formular as palavras representava um esforço imenso. — Então o Alto Conselho dos Lobos controla com quem vocês se casam? — perguntou ela finalmente, escolhendo a pergunta mais genérica de todas as que tomavam sua mente.
— Eles tentam — Zander a olhou com ansiedade. — Não podem... não podem me obrigar a fazer nada que eu não queira. E não iam querer isso. São justos. — Seus olhos azuis-celestes, daquele tom tropical, encontraram os dela e ele sorriu hesitante, as mãos quentes em seus ombros. — É você que eu amo, Bonnie — disse. — Acredite em mim.
— Eu acredito em você — disse Bonnie, porque ela acreditava, isso reluzia nos olhos de Zander. E ela o amava também. Zander se retraiu um pouco quando ela o abraçou, e Bonnie afrouxou os braços, atenta aos hematomas. — Está tudo bem — disse ela baixinho.
Mas ao levantar a cabeça para beijar Zander, não conseguiu afastar da mente uma sensação que a fazia se contorcer de ansiedade.
Tensão.


Stefan e Elena estavam enroscados na cama dele, a cabeça de Elena em seu ombro. Stefan se deixou relaxar sob o toque, sentindo a suavidade de seu cabelo no rosto. O dia parecera interminável. Mas Elena agora estava segura, por enquanto. Só por este momento, estava nos braços de Stefan e nada a machucaria. Ele apertou o abraço.
— Chloe vai ficar bem? — perguntou Elena.
Stefan reprimiu um risinho de incredulidade, e os cantos da boca de Elena se viraram pra cima em resposta.
— Que foi? — disse ela.
— Você está preocupada com Chloe. Klaus prometeu matar você e você quer saber se Chloe, que você mal conhecia quando ela era humana, vai ficar bem. — Mas ele devia saber. Elena tinha uma essência de aço. E nada era mais importante para ela do que proteger seus amigos, sua cidade, o mundo.
Talvez, pensou Stefan, ela sempre tenha sido uma Guardiã.
— Não paro de pensar no que Klaus disse — disse-lhe Elena, e Stefan sentiu seu corpo tremer contra o dele. — Estou com medo. Mas não posso deixar de me importar com os outros também. Matt precisa de Chloe, então ela também importa para mim. Tenho medo de que talvez não reste muito tempo. Devemos todos ficar com as pessoas que amamos. — Ela beijou Stefan, só um leve roçar dos lábios nos dele. Quando voltou a falar, a voz estava trêmula. — Acabamos de nos reencontrar, Stefan. Não quero perder nada. Só o que quero é te abraçar.
Stefan a beijou, dessa vez mais intensamente. Te amo, disse ele em silêncio. Eu a protegerei com minha própria vida. Elena interrompeu o beijo e sorriu para ele com os olhos cheios de lágrimas.
— Eu sei. Eu também te amo, Stefan, muito. — Ela afastou a cabeça e a virou, convidativa, expondo o pescoço longo e magro.
Stefan hesitou — já fazia tanto tempo, desde antes de a relação terminar e ser reatada —, mas Elena conduziu a boca dele até o pescoço dela.
O fluxo do sangue de Elena — tão inebriante, tão cheio de vitalidade que parecia ao mesmo tempo champanhe e um néctar doce — deixou Stefan tonto, inundando-o de calor. Não havia barreiras entre eles, nenhum muro, e ele sentiu com um assombro enorme a ternura imutável que encontrou em Elena.
Eles adormeceram abraçados. As trevas os ameaçavam de todos os lados, mas por esta noite eles ficariam juntos, seriam a luz um do outro.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!