5 de abril de 2019

Capítulo 6

Stefan, Elena e cinco lobisomens vigiavam atentamente de uma colina que dava para o esconderijo às escuras dos Vitale. Esperavam por algum sinal que indicasse que a parte do plano de Meredith e sua equipe estivesse dando certo e que os vampiros Vitale estivessem correndo pelos túneis secretos e entrando no esconderijo.
Quando consultado por telefone, Alaric sugeriu que os vampiros Vitale fariam o ritual de ressurreição à meia-noite do equinócio, então Stefan e Meredith decidiram partir para a ofensiva antes do pôr do sol, quando os vampiros provavelmente estariam no subterrâneo, evitando a luz do dia. Agora, no final da tarde, a luz do sol se refletia nas janelas do esconderijo, impedindo o vislumbre de qualquer movimento em seu interior.
Um dos colegas da Alcateia de Zander, Chad, estudante de química, foi fundamental para preparar o gás com o estoque de verbena de Meredith e os dispositivos cronometrados semelhantes a bombas que o liberaria nos túneis. Em algum lugar sob seus pés, pensou Stefan, Meredith e sua equipe — Matt, Zander, e outros três lobisomens — colocavam recipiente após recipiente do gás, fechando uma rota de fuga atrás da outra, até que os vampiros não tivessem para onde ir, apenas o esconderijo. Bonnie, protegida por outro membro da Alcateia, estava na biblioteca, trabalhando em seus feitiços e encantos para evitar que os vampiros subissem pelo túnel que dava ali. Stefan se remexia, inquieto, desejando estar com os outros nos subterrâneos. Ouvia explosões distantes abaixo deles, embora só alguém com a audição de um vampiro conseguisse escutar. A seu lado, Chad estava agitado, e Stefan corrigiu o que pensava: a audição de um vampiro ou de um lobisomem.
Chad, como Zander, era um dos lobisomens que podiam mudar de forma sem influência da Lua. Agora era um lobo, andando em silêncio por Elena e Stefan, de olhos fixos na casa. Bufou suavemente pelo nariz e se sentou, colocando as orelhas para trás.
— Chad disse que a essa altura o gás de verbena já deve ter preenchido os túneis — disse um dos outros lobisomens, este na forma humana, traduzindo a linguagem do lobo. — Devermos ver alguma coisa em breve.
Elena se aproximou de Stefan e eles se olharam. Era estranho ver a Alcateia em ação: deixavam de ser um monte de garotos brigões, desbocados e palhaços e se transformavam numa equipe séria e competente. Cada um dos lobisomens na forma de lobo era alerta e ativo, os corpos musculosos e luzidios claramente sintonizados com qualquer cheiro ou som que lhes alcançasse. Os lobisomens na forma humana reagiam rapidamente a cada movimento de seus irmãos lobos, como se houvesse uma comunicação silenciosa e constante entre a Alcateia.
Talvez fosse verdade. Stefan não sabia, mas pensou que ser um lobisomem provavelmente era muito menos solitário do que ser vampiro. Se você tivesse um bando. Chad se levantou, eriçando o pelo das costas, com as orelhas aprumadas.
— Eles entraram — disse rapidamente um dos lobisomens em forma humana; Stefan achava que seu nome era Daniel, e assentiu. Ouviu o alçapão do porão da casa se abrir e o barulho de Meredith, Matt e a outra metade da Alcateia saindo dos túneis. Se as bombas de verbena funcionaram, os vampiros devem ter se abrigado no esconderijo.
— Vamos — disse Stefan. Zander ordenou que nesta missão a Alcateia obedecesse a Stefan, e eles se perfilaram sem discutir, os humanos ombro a ombro, os lobos agrupados ao lado deles.
Elena assentiu em resposta ao olhar indagativo de Stefan: era pra ele correr e deixar que ela o seguisse. Meredith e os outros entrariam numa luta e ele devia estar presente. Stefan se afastou dela com o que parecia uma dor física — já estivera em perigo tantas vezes —, mas sabia que ouviria se ela precisasse dele.
Stefan canalizou seu Poder e começou a correr. Os lobisomens acompanharam-no facilmente, homens e lobos estranhamente semelhantes em suas longas e rápidas passadas. O Poder deles, tão incompreensivelmente diferente do dele próprio, era forte e concentrado. Uma rajada desse Poder, viva, selvagem e bruta, envolvia Stefan. Era revigorante.
Eles pararam na clareira, perto do esconderijo da Vitale Society, isolado do bosque perto do campus. Havia alguma coisa errada.
Chad ergueu a cabeça e soltou um ganido baixo e suave. Os outros lobos também o entenderam, dois deles andando ansiosamente pela frente da casa.
— Estão dizendo que os vampiros não estão ali — contou Daniel.
Stefan já percebera isso. Ouvindo com atenção, distinguira passos e palavras abafadas enquanto Meredith e sua equipe passavam pela pequena casa. Mas nada além disso. Mais do que isso, o Poder de Stefan devia ser capaz de sentir um grupo de vampiros tão grande quanto os Vitale.
— Vamos — disse Stefan, avançando para a porta da frente.
Ele conseguiu quebrar o cadeado com um rápido movimento do pulso e entrou com facilidade — nenhum humano morava ali havia muito tempo. Um leve cheiro de verbena subiu da entrada do túnel no porão e enevoou sua cabeça por um momento, mas ele o afugentou.
— Somos nós — falou ele baixinho quando os pés dos amigos hesitaram no andar de cima, e um dos lobos retraiu os lábios como se estivesse rindo pra ele. Eles, é claro, não precisavam alertar aos outros; os companheiros de Alcateia sempre sabiam exatamente onde cada um estava.
Todo o grupo subiu para encontrar os outros, amontoando-se no corredor estreito do que antes deve ter sido uma cabana de caça. Zander, que tinha se transformado em um lobo impressionantemente belo, inteiramente branco e com os mesmos olhos azuis-celestes que tinha como humano, rosnou baixinho, e sua Alcateia se aproximou dele enquanto Stefan ia ao encontro de Meredith e Matt.
— Os túneis estavam vazios quando passamos — disse Meredith com raiva. — Ou existem outras saídas que não conhecemos, ou eles não estavam lá quando soltamos o gás.
— Você acha que estão todos caçando? — perguntou Matt, os olhos arregalados e preocupados.
Stefan meneou a cabeça.
— Mesmo com os broches dos aspirantes dos Vitale protegendo-os do sol, eles não caçariam durante o dia. A luz do sol é cansativa demais para vampiros novos — disse ele categoricamente. — Chegamos atrasados. Eles devem ter partido para começar o feitiço de ressurreição. Talvez façam isso ao nascer da lua, e não à meia-noite. — Frustrado, ele se virou e esmurrou a parede, deixando uma longa rachadura no reboco.
Ouviu-se um breve e assustado movimento em algum lugar do outro lado da parede agora rachada. Todas as cabeças dos lobos se ergueram a um só tempo, e Stefan enrijeceu junto com eles.
— Tem alguém aqui — traduziu Daniel. — Zander disse que ela está no quarto ao final do corredor.
Ela. Não Ethan, então, mas uma das seguidoras dele.
Stefan liderou o caminho até a porta em silêncio, Zander andando a seu lado, Meredith pouco atrás com o bastão preparado. Ele estava ciente de Matt e o resto da Alcateia, tensos e alerta, recuando para lhes dar espaço.
Com um chute brutal e súbito, Stefan arrombou a porta, erguendo os braços para repelir algum ataque.
Nos fundos do quarto, do outro lado da porta, uma menina de cabelos cacheados se encolheu, os braços erguidos para proteger o rosto, os olhos arregalados de medo. Parecia tão vulnerável que Stefan hesitou por um momento, embora soubesse imediatamente quem era.
Meredith passou por ele em disparada e levou o bastão ao peito da menina, pouco acima do coração.
— Não! — gritou Matt da porta, abrindo caminho pela Alcateia. — Parem, vocês dois. — Ele atravessou o quarto e parou na frente da menina. A garota baixou os braços e sua expressão se tornou curiosa.
— Matt — ela sussurrou.
— Ah, Chloe — disse Matt com tristeza. Ele ergueu a mão para ela, mas hesitou antes de tocá-la, parando no meio do movimento.
Matt é amigo de Chloe, lembrou-se Stefan. Aquela era a primeira garota com quem Matt pareceu se importar desde que namorou Elena, antes de Stefan o conhecer.
A mão de Matt voltou ao lado do próprio corpo e Stefan se perguntou se ele se lembrava da assassina cruel que sua amiga Beth se tornara, se já estava se resignando com o destino de Chloe.
— Onde estão os outros vampiros? — perguntou Meredith com frieza, pressionando o bastão contra o peito da menina.
— Foram para o bosque — disse Chloe numa voz baixa e apavorada. — Vão fazer o feitiço de ressurreição lá.
Stefan balançou a cabeça.
— Ethan não pode fazer o feitiço da ressurreição sem o sangue de Damon. — Ele ouviu o tom quase suplicante na própria voz.
Chloe deu de ombros, olhando para ele e os outros.
— Não sei — disse ela, impotente. — Ele disse que tinha tudo que precisava.
Ethan cortara Damon durante a briga. Era possível que tivesse conseguido coletar algum sangue, ou encontrado o suficiente depois da batalha, para o que precisava. Stefan engoliu, a boca repentinamente seca.
— Por que você não foi com eles? — perguntou Meredith.
— Eu não quis — disse a menina, a voz trêmula. Seu olhar fixou em Matt, e ela franziu o cenho ansiosamente, como se fosse importante que a compreendesse. — Sinto que... Parte de mim sente que Ethan é o centro do universo, mas em minha mente sei o quanto ele é terrível. Estou tentando lutar contra isso. Não quero machucar ninguém. — Seus olhos estavam cheios de lágrimas, e Matt cerrou os dentes, infeliz e incerto.
— Você está tentando combater o vínculo entre você e seu criador — disse Stefan gentilmente. — É difícil, mas pode ser feito. E sua compulsão em relação a Ethan enfraquecerá em pouco tempo. Você pode rejeitar esta vida, se realmente quiser.
— Eu quero — disse Chloe desesperadamente. — Por favor. Pode me ajudar?
Stefan começou a falar, mas Matt o interrompeu:
— Pare — disse ele novamente. — Stefan, Beth disse a mesma coisa... que não queria machucar ninguém, que precisava de ajuda. Mas estava mentindo.
Zander, ágil e silencioso, avançou. Aproximando-se lentamente de Chloe, farejou suas mãos. Ele se ergueu nas patas traseiras, colocando as dianteiras nos ombros de Chloe. Ela se encolheu, mas ele afocinhou seu rosto sem a menor preocupação, por um bom tempo, olhando fixamente em seus olhos.
— Ela está nos dizendo a verdade? — perguntou Meredith.
O enorme lobo branco caiu sobre as quatro patas e se afastou, olhando os membros em forma humana de sua Alcateia.
— Ele disse que ela está sendo sincera — contou Daniel —, mas que está fraca. Reprimir sua natureza é quase demais para ela.
Chloe soluçou, com um ruído áspero e desesperançoso.
Meredith, ainda posicionada com o bastão para matar, ergueu uma sobrancelha indagativa a Stefan, irresoluta. Matt também se virou para ele, os olhos reluzindo uma esperança ansiosa. Todos olhavam para ele, percebeu, esperando por uma decisão.
— Vamos ajudá-la — disse Stefan devagar —, mas primeiro você precisa nos ajudar.
Matt soltou um suspiro de alívio e diminuiu a distância entre ele e Chloe. Ela se encostou nele, agradecida, mas assentiu para Stefan, as lágrimas escorrendo pelo rosto.
— Se quiser deter Ethan — disse ela —, teremos de correr.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!