5 de abril de 2019

Capítulo 43

Acima das cabeças de Elena e Damon, as estrelas brilhavam em longas faixas através da noite escura. O ar estava claro e frio com os cheiros do outono, e o céu parecia tão profundo que Elena sentia como se pudesse cair nele, nadar mais e mais entre as estrelas para sempre.
— Então — disse Damon secamente. — Você conseguiu evitar me matar. Suponho que eu deveria ser grato?
O vínculo entre eles cantarolava com humor irônico e mais do que um toque de nervosismo. Era estranho poder ler as emoções de Damon assim, vendo mais do que ele se permitia mostrar no rosto.
— A gratidão seria boa — disse ela cautelosamente —, mas não é necessário. Apenas tente continuar retornando o favor, ok?
Ela sentiu-o assustar-se um pouco ao lado dela, um choque ao longo de sua ligação, e então ele disse:
— Ah, eu quase me esqueci. Você está confiando em mim para não machucá-la, certo?
Elena parou de andar e colocou a mão no braço de Damon, fazendo-o parar ao lado dela.
— Sim — disse ela, olhando firmemente em seus olhos, deixando-o ver o amor que ela carregava por ele. — Eu estou. Você tem sido um monte de coisas, Damon Salvatore, mas sempre foi um cavalheiro.
Os olhos de Damon se arregalaram, e então ele deu a ela o adorável sorriso doce que ela tinha visto pela primeira vez no quarto de Stefan.
— Bem — disse ele —, eu quebraria todas as regras do cavalheirismo para decepcionar uma dama.
Elena inclinou a cabeça para trás e olhou para as estrelas por alguns minutos, apreciando a brisa fresca da noite que tirou o cabelo dela do rosto. Com Klaus e seus descendentes mortos, com Damon tranquilo e calmo ao lado dela, era bom poder desfrutar a noite.
— Sua grande confiança em mim significa que você está planejando levar os dois irmãos Salvatore para mais uma rodada? — perguntou Damon, ainda olhando para as estrelas. Seu tom definitivamente era de brincadeira agora, um pouco áspero, mas Elena podia ouvir uma corrente de desejo nele, e sentir sua melancolia na conexão entre eles. De certa forma, seria tão fácil: ela passou muito tempo entre o irmãos, amando Stefan, querendo Damon. Era quase confortável, neste momento, amar os dois. Mas ela tinha crescido pelo menos um pouco agora, ela pensou, e, talvez, fosse hora de fechar aquelas portas para sempre, para escolher seu verdadeiro caminho.
— Você sempre terá uma parte de mim, Damon. — Ela pressionou a mão no peito, onde podia sentir o leve puxão do vínculo entre eles. — Mas eu quero que minha eternidade seja com Stefan.
— Eu sei — disse Damon. Ele se virou para encará-la e passou a mão pelos cabelos dela, descendo para os ombros. — Acho que talvez seja hora de eu seguir em frente. Há uma grande mundo lá fora, e há alguns lugares que eu ainda não vi. Talvez haja outro lugar ao qual eu pertença.
Inesperadamente, Elena se viu chorando, lágrimas grandes e gordas correndo quentes por suas bochechas e pingando pelo queixo.
— Você não precisa ir — ela se engasgou. — Eu não quero que você vá.
— Ei — disse Damon, assustado, e aproximou-se, passando a mão delicadamente em suas costas. — Eu não vou embora para sempre. Acho que essa coisa ligeiramente alarmante entre nós — ele tocou o peito de leve — significa que nunca estarei muito longe.
— Ah, Damon — murmurou Elena.
Damon olhou para ela seriamente por um longo momento.
— É a coisa certa, você sabe — disse ele. — Não que eu tenha estado particularmente interessado em fazer a coisa certa. Tenho uma sensação de que estou prestes a aprender.
Ele se inclinou e roçou um leve beijo na boca dela. Seus lábios eram suaves e frios, e para Elena, eles tinham gosto de lembranças. Afastando-se, ele ficou com ela por um momento mais sob as estrelas, sua pele pálida e perfeita brilhando à luz da lua, seus olhos reluzentes, seu cabelo aveludado tão escuro quanto a noite ao redor deles.
— Adeus, Elena — disse ele. — Não me esqueça.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!