5 de abril de 2019

Capítulo 41

— Tem certeza que isso vai fazer o que precisamos? — Elena perguntou a Bonnie. Eles escolheram o quarto espaçoso e organizado de Stefan para convocar a Guardiã Principal. Quando Elena ligou para Bonnie, ela veio para cima, a mão apertada na de Zander. Ela parecia tão feliz, mas quando entregou a Damon a poção que tinha feito para ele, seu pequeno rosto se franziu de ansiedade.
— Acho que sim — disse ela. — A valeriana vai diminuir sua frequência cardíaca ainda mais do que o habitual, e o acônito deve tornar sua respiração realmente superficial. Provavelmente será bem estranho — ela disse a Damon — mas não acho que isso vai te machucar.
Damon olhou para a mistura verde espessa no copo.
— Claro que não vai — disse ele tranquilizadoramente. — Você não pode envenenar um vampiro.
— Eu coloquei mel para deixar o gosto melhor — disse Bonnie.
— Obrigado, ruivinha — disse Damon, e beijou-a levemente na bochecha. — Não importa se este plano vai funcionar ou não, eu sou grato. — Bonnie sorriu, um pouco nervosa, e ele acrescentou: — É melhor você e seu lobo irem embora. Nós não queremos que as Guardiãs pensem que você estava envolvida. — Zander e Damon acenaram um para o outro e Zander pegou a mão de Bonnie novamente.
Quando eles saíram, restaram apenas os três: Elena, Damon e Andrés. Stefan queria vir, para ficar ao lado do irmão no que poderiam ser os último momentos de Damon, mas Damon não deixou. Um Guardião zangado é perigoso, ele disse. E, na melhor das hipóteses, Mylea  ficaria muito zangada.
Damon bebeu a poção de Bonnie em um longo gole e fez uma careta.
— O mel não ajudou muito — comentou ele. Elena o abraçou e ele gentilmente esfregou suas costas. — Aconteça o que acontecer, não é sua culpa — disse ele. Então ele estremeceu e recostou-se na parede, pressionando uma mão no peito. — Ugh — gemeu ele fracamente. — Eu não sinto... — Seus olhos rolaram para trás e ele deslizou pela parede, aterrissando em uma pilha amassada no chão.
— Damon! — Elena chorou e depois se conteve. Isso deveria acontecer. Ele parecia vulnerável assim, ela pensou, e menor, e ela arrastou os olhos para longe dele. Isso seria mais fácil se ela não olhasse para Damon.
— Você está pronto para chamar a Guardiã? — Elena perguntou a Andrés, e ele assentiu, segurando firmemente a mão dela. Sua boca estava tensa e não havia o calor e o humor habitual em seus olhos.
Elena concentrou-se no elo entre ela e Andrés, a energia fluindo de um lado para o outro entre eles, movendo-se tão firme e ritmicamente quanto a maré. Quando essa energia encontrou um equilíbrio e começou a crescer, ela forçou a abrir as portas do Poder dentro de si mesma.
OH. Assim que seu Poder foi liberado, tudo nela se desviou, estalando em direção a Damon. Ela queria... ela não queria machucá-lo exatamente; não era raiva que o Poder estava alimentando dentro dela, mas algo frio e limpo que queria destruí-lo. Não vingança, não paixão, mas uma instrução fria e urgente: isso precisa ser eliminado.
Isso devia ser o que era ter uma tarefa não cumprida. Seria tão fácil ceder àquela urgência fria, fazer o que se esperava que ela fizesse. O que ela queria fazer.
Não. Ela não podia fazer isso. Ou, pelo menos, ela não o faria.
Com um esforço físico, ela voltou sua atenção para Andrés. Com as portas dentro de sua mente bem abertas, ela podia ver sua aura expansiva, tremeluzindo verde brilhante em torno dele, enchendo metade do quarto. Usando uma concentração imensa, ela tentou mover sua própria aura, misturando seu dourado no verde de Andrés. Lentamente, as cores deslizaram e se misturaram, enchendo o quarto. O Poder cantou através das veias de Elena, e tudo o que ela podia ver foi tocado pela luz. Ela encontrou os olhos de Andrés, e seu rosto estava cheio de admiração. Eles eram mais fortes assim, mais que duas vezes mais fortes, e ela sentiu a convocação sair com o Poder de um grito.
— Guardiãs — disse Elena, segurando a mão de Andrés. — Mylea. Eu chamo você. Minha tarefa está completa.
Nada aconteceu.
Por um longo momento, eles ficaram assim, de mãos dadas, olhos um no outro, auras expandidas para encher o quarto com Poder, e não sentiram nenhuma mudança.
Finalmente, algo mudou infinitesimalmente, apenas um pequeno ajuste no universo. Não houve mudança física, mas Elena sabia que alguém estava escutando, finalmente, como se tivessem ligado o botão de chamada em espera num telefone.
— Mylea — disse Elena. — Eu matei Damon Salvatore. Agora que minha tarefa está completa, venha e me liberte de minha compulsão.
Ainda não houve resposta. E então Andrés se enrijeceu lentamente. Seus olhos rolaram para trás e sua aura se desvaneceu, mudando de verde para uma clara camada de branco. Seus dedos tremeram nos de Elena.
— Andrés! — ela chamou, alarmada.
Seus olhos, sem ver, se fixaram nos dela. A estranha aura branca ao redor dele latejava.
— Eu estou indo, Elena. — A voz de Mylea veio através da boca de Andrés, soando agudamente profissional. Elena podia imaginá-la assinalando o nome de Elena de uma prancheta antes de entrar em algum tipo de escada rolante interdimensional.
Libertado, Andrés ofegou e cambaleou. Fazendo uma cara como se houvesse um gosto estranho na boca, ele disse:
— Isso foi... estranho.
Elena não conseguia se impedir de olhar para Damon. Seus ossos se destacavam distintamente, como se sua pele pálida tivesse diminuído, e seu cabelo preto e liso estivesse desgrenhado. Ela poderia estalar o pescoço dele com a mente, pensou ela, e mordeu o interior da bochecha com força, desviando o olhar novamente, tremendo.
Mylea apareceu do nada e entrou no quarto. Os olhos dela foram imediatamente para Damon.
— Ele ainda não está morto — disse ela friamente.
— Não. — Elena respirou fundo. — E eu não vou deixar Damon morrer — disse ela. — Você tem que revogar a tarefa.
A Guardiã Principal suspirou brevemente, mas seu rosto era, Elena pensou, ligeiramente simpático, e quando ela falou, sua voz estava calma.
— Eu estava preocupada que uma tarefa tão ligada à sua própria vida seria difícil para você como seu primeiro dever — disse ela. — Eu peço desculpas, e entendo por que você me chamou aqui para concluir o trabalho. Você não será punida por sua tola ligação com o vampiro. Mas Damon Salvatore deve morrer. — Ela estendeu a mão para Damon, e Andrés e Elena se moveram para proteger o corpo inconsciente do vampiro.
— Por quê? — Elena explodiu. Era tão injusto. — Há vampiros piores que Damon — disse ela, indignada. — Até recentemente, ele não tinha matado ninguém — ela não tinha certeza, percebeu, e este não era seu argumento mais forte, de qualquer maneira — há muito tempo — ela terminou sem jeito. — Por que me enviar atrás de Damon quando os vampiros verdadeiramente do mal como Klaus e seus descendentes estavam por perto? — Ela podia ouvir o que quase dizia: ele é só um assassino cruel a maior parte do tempo. Deixe ele ir.
— Não é seu trabalho questionar as decisões da Corte Celestial — Mylea lhe disse severamente. — Mais de uma vez, Damon Salvatore provou ser incapaz de controlar suas emoções. Ele não tem nenhum conceito de certo e errado. Nós sentimos que ele pode se tornar um perigo tão grande para a humanidade quanto qualquer um dos Antigos.
— Pode ser — disse Elena. — Você quer dizer que acha que ele poderia facilmente ir para o outro lado. Mas há uma grande chance de que ele nunca mais vai matar.
— Não é uma chance que estamos preparados para aceitar — disse Mylea categoricamente. — Damon Salvatore é um assassino e assim perdeu seu direito a qualquer consideração de nossas peças. Agora, saia de perto.
Era hora de jogar. Elena respirou fundo.
— Você precisa de mim — disse ela, e a Guardiã franziu a testa para ela. — Eu sou a filha de uma Guardiã Principal. Eu matei Klaus, e posso destruir os mais perigoso dos Antigos, aqueles que você não encontrou outra maneira de se livrar. Mas não vou ajudá-la se você matar Damon.
Ela olhou de relance para Andrés, apenas o menor dos olhares, e ele assentiu. Eles concordaram que a parte mais difícil do plano deles era fazer a Guardiã acreditar que Elena não iria lutar com os Antigos, deixaria as pessoas inocentes sofrerem se não conseguisse o que queria. Aparentemente, Andrés, pelo menos, achava que ela soara convincente o suficiente para Mylea acreditar nela.
Mylea inclinou a cabeça para o lado e olhou fixamente para Elena, como se estivesse examinando um novo espécime interessante sob algum tipo de microscópio especial de Guardiã.
— O vampiro é tão importante para você que você correria se arriscaria a ser punida, arriscando ser tirada de sua casa e designada para a Corte Celestial?
Elena assentiu, sua mandíbula cerrada.
— O vampiro deve estar consciente disso — disse Mylea. Antes que Andrés e Elena tivessem a chance de bloqueá-la novamente, ela se ajoelhou ao lado de Damon e pressionou dois dedos na testa dele. Ele piscou e se mexeu, e Mylea se levantou e deixou-o sem olhar para ele, voltando o olhar para Elena.
— Você arriscaria sua vida por Damon Salvatore? — Mylea perguntou a ela.
— Sim — respondeu Elena imediatamente. Não parecia haver mais nada para adicionar.
— E você, vampiro? — perguntou Mylea, olhando por cima do ombro de Elena para se dirigir a Damon. — Você se importa tanto com Elena que mudaria sua vida por ela?
Damon se levantou e sentou-se apoiado na parede.
— Sim — disse ele firmemente.
Mylea deu um sorriso ligeiramente desagradável.
— Suponho que vamos ver — disse ela, e estendeu a mão para os dois. Ela pressionou as mãos deles juntas, e Elena apertou a mão de Damon e deu-lhe um pequeno sorriso. Ele apertou os dedos dela tranquilizadoramente.
— Pronto — disse Mylea depois de um momento. — Está feito.
Aquela atração por Damon, a sensação de que ele era um problema que precisava ser eliminado, desaparecera completamente. Era como se essa conexão tivesse acabado de repente. Mas tinha sido substituída. Ela ainda se sentia conectada. Havia uma grande sensação de Damon permeando-a, como se o ar que respirava fosse feito dele. Seus olhos se arregalaram, e ela percebeu que podia sentir o coração dele batendo em sincronia com o dela. Assombro vinha de Damon, atravessando a conexão entre eles, e o mais leve toque do medo. Concentrando-se, ela tentou ver a aura do Damon.
Uma corda trançada de luz parecia ir de seu peito a Damon, sua aura dourada e azul e o preto de aura de Damon torcidos juntos.
— Agora vocês estão conectados — disse Mylea com naturalidade. — Se Damon matar, Elena morrerá. Se Damon se alimentar de um humano sem a sua permissão consciente - sem uso de Poder ou ilusão, mas acordo verdadeiro - Elena sofrerá. No caso de Elena morrer, o vínculo - a maldição - passará a um membro da família dela. Se o vínculo for de alguma forma quebrado, Damon retornará à nossa atenção e será eliminado imediatamente.
Os olhos de Damon se arregalaram. Através do vínculo entre eles, Elena sentiu uma pontada de desânimo.
— Vou morrer de fome — disse ele.
Mylea sorriu.
— Você não vai morrer de fome — disse ela. — Talvez seu irmão lhe ensine seus métodos mais humanos da alimentação. Ou talvez você encontre humanos dispostos, se puder ganhar honestamente sua confiança.
A ligação estava vibrando agora com uma curiosa mistura de nojo e alívio, mas o rosto de Damon estava tão fechado como Elena jamais vira. Ela esfregou reflexivamente o peito, afastando as emoções intensas.
— O vínculo perderá parte de sua intensidade ao longo do tempo — disse Mylea, quase com simpatia. — Vocês sentem as emoções um do outro fortemente porque é recente. — Ela olhou entre eles. — Isso irá conectá-los para sempre, e isso pode ser fatal para um ou ambos no final.
— Eu entendo — Elena disse a ela, então, ignorando Mylea, ela se virou para Damon. — Eu confio em você — disse a ele. — Você fará o que tiver que fazer para me salvar. Como fiz por você.
Damon olhou fixamente para ela por um longo momento, seus olhos escuros insondáveis, e Elena sentiu a conexão entre eles se inundar com uma afeição dolorosa.
— Eu vou, princesa — prometeu ele.
Seus lábios se curvaram em um sorriso que Elena nunca tinha visto no rosto de Damon: nem seu sorriso amargo rápido nem seu sorriso breve e brilhante, mas algo mais quente e gentil.
E então a conexão entre eles se encheu de amor.

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