5 de abril de 2019

Capítulo 40

Cubos de gelo tilintaram levemente em seu copo quando Damon o levantou em um brinde a Katherine.
— Este é para você, querida — disse ele. — A última sobrevivente do exército de Klaus. Sorte que você perdeu a batalha, não é?
Com um sorriso manhoso, Katherine tremulou os cílios expressivamente, tomando um gole de sua própria bebida, e deu um tapinha na almofada do sofá ao lado dela, convidando Damon a sentar-se.
— Obrigada por me avisar — disse ela. — Eu devo ter ficado em dívida com Klaus por me trazer de volta, mas não acho que eu deva a ele outra morte. Eu nunca tive qualquer intenção de lutar com você e sua preciosa princesa novamente. Posso ser mais velha e mais forte que você, mas sempre tive muita sorte ao meu lado.
— Não minha preciosa princesa — disse Damon com uma careta. — Stefan. Ela nunca foi realmente minha.
— Ah, bem — disse Katherine levemente —, acho que sempre foi um pouco mais complicado do que isso, não é?
Damon estreitou seus olhos.
— Você sabia que Elena era uma Guardiã, não sabia? — perguntou ele. — E você nunca contou a Klaus. Por quê?
Um pequeno sorriso ligeiramente presunçoso cruzou o rosto de Katherine.
— Você deveria ter aprendido agora que nunca pode pedir a uma garota que desista de todos os seus segredos. E eu estou cheia de segredos. Sempre.
Damon franziu a testa. Ele nunca foi capaz de fazer com que Katherine lhe contasse qualquer coisa que ela não quisesse.
Uma batida na porta os interrompeu, e Damon se levantou e abriu a porta para encontrar a própria Elena do lado de fora. Seu rosto estava pálido e tenso, e seus olhos lápis-lazúli pareciam enormes enquanto eles olhavam um para o outro. Damon arqueou uma sobrancelha e lançou seu sorriso mais brilhante, recusando-se a reconhecer o tremor de nervosismo que o percorreu.
Ela se importava com ele — ele sabia disso. Ele tinha tentado jogar esse fato de volta em seu rosto, negar, e não funcionou. Mas também havia algo nela que a estava levando a matá-lo, sua tarefa Guardiã pressionando para ser realizada. Desde que ele a salvou no elevador, ele pôde sentir que Elena estava se segurando. E ele ainda a amava, provavelmente sempre a amaria. Parte dele queria curvar a cabeça diante dela, receber a punição que ela deveria lhe dar.
E o que quer acontecesse com ele, ele provavelmente merecia.
Elena olhou além dele para Katherine e empalideceu ainda mais, embora ele não tivesse pensado que isso era possível. Damon se virou e descobriu que Katherine estava totalmente parada a poucos metros de distância, olhando para Elena com um leve sorriso secreto.
— Então agora você sabe — disse Katherine para Elena. — E você é inteligente o suficiente para usá-lo.
— Você sabia? Quando nos conhecemos? — Elena perguntou abruptamente, como se as palavras tivessem sido arrancadas dela contra sua vontade.
Katherine balançou a cabeça.
— Você aprende muito quando está morto, às vezes — disse ela, com o leve sorriso se ampliando.
— Sabia o quê? — perguntou Damon, olhando para frente e para trás entre elas.
Katherine chegou mais perto, passando os dedos levemente pelo braço de Damon.
— Como eu disse — disse ela — uma garota precisa ter seus segredos. — Ela piscou para Elena. — Vou deixar a cidade por um tempo. Acho que é melhor se eu ficar fora do seu caminho a partir de agora.
Elena assentiu.
— Você provavelmente está certa. Adeus, Katherine — disse ela. — E obrigada.
Um lampejo de humor cruzou o rosto de Katherine.
— O mesmo para você — respondeu ela, e por um momento, a semelhança entre as duas atingiu Damon mais fortemente do que nunca.
Então Elena, toda negócios agora, virou-se para Damon.
— É hora de enfrentarmos as Guardiãs. Você está pronto? — perguntou a ele.
Damon bebeu o resto de seu drink rapidamente, depois bateu o copo na mesa de centro de aço polido e amaldiçoou interiormente sua tolerância vampírica ao álcool. Poderia ser mais fácil, pensou ele, enfrentar o que estava por vir se estivesse um pouco bêbado.
— Pronto como sempre estive  — disse ele com voz arrastada.


Bonnie cheirou os perfumes ricos e variados enquanto revirava seu estoque de ervas.
— Para onde este vai? — Matt perguntou a ela, segurando um saco de pétalas roxas.
— Isso é acônito. É usado para proteção — Bonnie respondeu. — Coloque lá com o corniso e a agrimônia.
— Entendi — disse Matt, colocando o acônito em uma pilha em meio a outras ervas, como se fosse a tarefa mais normal.
Por suas vidas, estava praticamente o mais normal possível. Ela estava com poucas ervas, sem surpresa, depois de todos os feitiços de proteção e força que vinha executando nas últimas semanas. Ela teria que ir até Fell’s Church em breve e pedir à Sra. Flowers para ajudá-la a reabastecer seus suprimentos, agora que as coisas estavam quietas.
Ela se contorceu de prazer ao pensar em uma boa e normal visita a casa. Era tão bom se sentir segura; fazia tanto tempo desde que se sentira assim.
Meredith e Elena estavam ambas fora, e Bonnie aproveitou o quarto e o tempo sem elas para espalhar pilhas de ervas secas e frescas pelo chão. Suas melhores amigas eram aberrações completas e sem dúvida se queixariam da poeira perfumada e dos pedaços de folhas que isso deixaria para trás. Era simplesmente incrível se preocupar com algo tão comum quanto o que Meredith diria quando pisasse nos restos de uma pilha de celidônia (que era útil para a felicidade e auxiliava a escapar de armadilhas).
Quase incrível. Havia uma dor constante dentro dela nos últimos dias, uma lembrança do que ela tinha perdido, uma que não podia ser curada por erva nenhuma. Mas ela não era a única que estava com dor.
— Eu acho que você é realmente corajoso, Matt — disse Bonnie. Matt olhou para ela, assustado com a mudança abrupta na conversa.
— Quando a vida lhe der limões... — Matt se afastou, nem mesmo capaz de completar a brincadeira desanimada. Ela sabia que ele estava devastado por perder Chloe, mas ele nunca deixaria isso mudá-lo. Bonnie admirava isso.
Antes que ela pudesse dizer isso a ele, houve uma batida na porta e ela ficou tensa. Uma batida inesperada na porta normalmente significava desastre.
No entanto, ela se levantou e abriu a porta, conseguindo no último minuto evitar de chutar uma pequena pilha de sementes de cinamomo (para dar sorte e trazer mudanças) nos chinelos de Elena.
Encostado no batente da porta, as mãos enfiadas nos bolsos da calça jeans, estava Zander. Ele sorriu para ela timidamente.
— Posso entrar? — perguntou ele.
Ele cheirava tão bem, ela pensou. E era lindo também, e Bonnie só queria envolver os braços ao redor dele e segurá-lo. Ela sentira muito a falta dele ultimamente.
Mas perdera o direito de agarrar Zander sempre que quisesse, afinal, ela que tinha ido embora. Então, ao invés de pular em seus braços, Bonnie apenas recuou para deixá-lo entrar, sentindo algum tipo de folhas em pó desmoronar sob seu calcanhar nu.
— Ah, olá, Matt — cumprimentou Zander quando entrou no quarto, e então parou abruptamente, seus olhos se arregalando enquanto ele observava as pequenas pilhas de ervas sobre em todas as superfícies disponíveis.
— Ei, Zander — disse Matt. — Eu já estava de saída, na verdade. Treino de Futebol.
Matt deu a Bonnie um olhar aguçado que dizia: Não estrague uma segunda chance. Bonnie sorriu para o amigo quando ele saiu pela porta.
— Jesus — disse Zander, impressionado enquanto explorava mais do quarto. Bonnie o seguiu. — Meredith vai te matar. Você quer ajudar para limpar isso?
— Hum — Bonnie olhou ao redor. Agora que via o quarto pelos olhos de Zander, parecia muito pior do que que ela tinha percebido. — Uau. Talvez, sim. Mas sei que não é por isso que você está aqui. O que está acontecendo?
Zander pegou a mão de Bonnie e, juntos, eles cuidadosamente percorreram o caminho sem derrubar nenhuma pilha. Quando finalmente chegaram na cama dela, que era provavelmente a superfície mais limpa do quarto — ela não gostava do cheiro de ervas misturadas em todos os lençóis — eles se sentaram e ele segurou as mãos delas nas suas grandes e quentes.
— Escute, Bonnie — disse ele. — Eu estive pensando sobre o que você disse, que ser o Alfa da Alcateia é uma responsabilidade tão importante, e que eu preciso de outra lobisomem ao meu lado que realmente entenda isso, para ser minha parceira e me ajudar. E você está certa. Shay é perfeita para isso.
— Ah — disse Bonnie, sua voz minúscula. Alguma coisa estava se desintegrando dentro dela, tão frágil quanto uma folha morta. Ela tentou afastar suavemente as mãos das de Zander, mas ele as apertou ainda mais.
— Não — disse ele, angustiado. — Estou dizendo isso errado. Deixe-me começar de novo. Bonnie, olhe para mim. — Ela olhou para cima, sua visão nublada de lágrimas, e encontrou os olhos azul-marinho de Zander. — Você, Bonnie— disse ele suavemente. — Eu te amo. Quando nós estávamos lutando com o exército de Klaus, eu vi você lançando feitiços para proteger a todos, com esse tipo de luz feroz no rosto. Você foi tão forte, tão poderosa, e você poderia ter sido morta. Ou eu poderia ter sido morto, e nós não estaríamos juntos no final. Isso me fez perceber o que eu deveria saber o tempo todo: você é a única que eu quero.
A coisa se desintegrando no peito de Bonnie parou sua desintegração e começou a derreter, enchendo-a de calor. Mas ela não podia deixar Zander sacrificar o bem de sua Alcateia por ela.
— Mas nada mudou — disse ela por fim. — Eu também te amo, mas e se me amar destruir tudo o que é importante para você?
Zander a puxou para mais perto.
— Não vai — disse ele. — Os lobos no Conselho não podem escolher quem eu amo. Eu não amo Shay. Eu amo você. Shay e eu podemos liderar o bando juntos, mas se algum dia chegar a esse ponto, eu prefiro perder isso do que perder você. — Ele levou a mão de Bonnie aos lábios e beijou-a suavemente, seus olhos brilhando. — Eu posso escolher meu próprio destino — disse ele. — E eu escolho você. Se você me quiser.
— Se eu quiser você? — Bonnie se engasgou com as lágrimas, enxugou os olhos e, em seguida, socou Zander suavemente no ombro. — Você é um idiota — disse ela carinhosamente, e beijou-o.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!