5 de abril de 2019

Capítulo 37

O ombro de Elena bateu contra algo duro, e ela fez um pequeno som de protesto. Tudo o que queria era dormir, mas alguém não iria deixá-la descansar. Suas pernas doíam.
Sua cabeça se sacudiu contra alguma coisa, e a perspectiva de Elena mudou. Alguém estava puxando-a pelas pernas, ela percebeu, o resto de seu corpo deslizando no chão. O cabelo dela ficou preso, sacudindo a cabeça antes de se soltar, e ela gemeu novamente. Lentamente, ela abriu os olhos.
— De volta comigo, pequena? — disse Klaus, soando desconcertantemente jovial. Ele era o único a arrastando, Elena percebeu, e embora estivesse escuro, ele claramente sentiu quando ela acordou. Ele riu, sua risada sombria e perturbadora fazendo-a estremecer. — Eu não posso matar você com meus dentes, ou com minha adaga, mas uma faca comum vai funcionar, não é? Eu poderia amarrá-la e deixá-la cair no lago para se afogar. O que você acha?
A boca de Elena estava seca, e levou algumas tentativas para conseguir algum som.
— Eu acho — disse ela finalmente, grossa — que Stefan vai me salvar.
Klaus riu novamente.
— Seu precioso Stefan não será capaz de encontrá-la — disse ele. — Ninguém pode salvá-la agora.

Eles não tinham ido ao esconderijo desde que saíram com Chloe, na noite da ressureição de Klaus. Quando chegaram, o leve aroma de verbena ainda permanecia no porão, e a pele de Stefan coçava em reação. Meredith ergueu um alçapão no chão, e Stefan se abaixou primeiro, os outros o seguindo.
Todos, menos Matt, tinham armas na mão e carregavam lanternas, tensos e prontos para lutar. Matt tinha ficado para trás para procurar Chloe. Bonnie, Alaric e Meredith ficaram juntos, seus rostos pálidos e tensos. Shay, Zander e o outros lobisomens estavam juntos também, alertas a cada ruído ou cheiro na escuridão. E Damon, Stefan e Andrés formaram a dianteira, cada um deles lutando por algum sinal de Elena.
Eles pareciam caminhar por quilômetros, através de passagens subterrâneas que se estreitavam à medida que avançavam, mudando de passagens de concreto para túneis empoeirados escavados na terra. Andrés parava com frequência e tocava o chão e as paredes, escutando com as mãos antes de escolher uma direção.
— Você veio por aqui quando colocou as bombas de fumaça nos túneis? — Stefan perguntou a Meredith enquanto esperavam impacientemente durante uma dessas paradas, e ela balançou a cabeça, com os olhos arregalados.
— Estamos muito mais fundo do que eu sabia que os túneis eram — disse ela. — Eu não tinha ideia de que a Vitale Society tivesse algo tão elaborado.
— Eu me pergunto se era a Vitale Society, na verdade — Bonnie interrompeu repentinamente. — Eles usaram estes túneis, mas continuo sentindo que há algo mais antigo aqui. Algo assustador.
Silenciosamente, Alaric ergueu a lanterna mais alto, iluminando uma série de runas esculpidas profundamente na rocha acima deles.
— Eu não posso lê-los — disse ele —, mas estes devem preceder Dalcrest por séculos.
A escuridão que pressionava de todos os lados, agora que Stefan se concentrava nisso, parecia respirar com segredos eternos. Era como se houvesse algo enorme e dormindo, apenas fora de vista, envolto em si mesmo e esperando para despertar. Seu peito doía com ansiedade. Elena...

A batida constante dos passos de Klaus parou, mas Elena ainda estava deslizando para frente. Com um choque, ela percebeu que ele estava puxando-a para ele e se debateu desesperadamente, tentando se afastar.
Ela estava tão cansada, no entanto. Ela tinha usado mais de seu Poder do que jamais usara antes, e se sentia esgotada e indefesa. Elena não pôde fazer mais do que lutar fracamente quando Klaus a pegou, colocando-a nos braços tão delicadamente como se ela fosse um bebê.
— Não — sussurrou ela com a voz rouca.
Ela sentiu a mão de Klaus acariciando seu cabelo para trás, e estremeceu de repulsa ao toque suave no escuro. Ela lutou fracamente, mas o Poder dele estava segurando-a no lugar.
— Eu poderia ter deixado o fogo matar você — sussurrou ele, sua voz íntima e quase sensível —, mas o que há de poético nisso? Minha mordida pode não machucá-la, mas quero um gosto da garota que fascina tanto os vampiros. Eu nunca provei uma Guardiã antes. Seu sangue é especialmente doce?
Ele pressionou a boca no pescoço dela e Elena se encolheu. Não podia mais lutar. Suas presas afundaram nela, ásperas e exigentes, e ela sentiu como se sua garganta estivesse sendo aberta. Tentou gritar, mas apenas um gemido saiu.
Ele não pode me matar desse jeito, ela se lembrou desesperadamente. E, ainda assim, parecia que a vida dela estava se esvaindo.

Andrés estava parado perfeitamente imóvel, uma mão pressionada contra a rocha.
— O que foi? — disse Stefan bruscamente.
Andrés abriu os olhos. Seu rosto estava desolado.
— Eu a perdi — disse ele. — Ela estava tão perto, mas agora... ela não está mais tocando a Terra. Eu não sei onde ela está.
— Elena! Elena! — Stefan gritou enquanto corria, passando pelo resto do grupo. Ela não poderia ter ido embora. Atrás dele, podia ouvir as batidas das botas de Damon próximo a ele.
À frente das lanternas, eles dobraram a esquina na escuridão total. Stefan canalizou Poder para seus olhos para que pudesse ver.
Logo à frente deles, Klaus levantou a cabeça, o sangue escorrendo de sua boca e pelo queixo. Em seus braços, Elena estava empertigada, seu cabelo dourado e sedoso emaranhado e sujo, caindo sobre o braço de Klaus. Stefan rosnou e correu para frente.
Klaus lambeu os lábios, a língua rosada lenta, e então estremeceu, com um sorriso no rosto. Lentamente, ainda sorrindo, ele desabou no chão, Elena aterrissando com um baque na frente dele. O coração de Stefan despencou mesmo quando ele pulou em sua direção. Elena estava no meio do caminho. Ela estava imóvel e muito pálida, a cabeça virada para um lado, os olhos fechados.
Havia sangue por toda parte, manchando sua blusa antes branca num profundo e rico vermelho. Sua garganta estava coberta de sangue.
E além dela, tão mole quanto um brinquedo descartado, estava Klaus. Embora não houvesse nenhuma marca nele além de um fino traço de sangue no canto da boca, Stefan não tinha dúvida de que ele estava morto. Ninguém vivo parecia daquele jeito, como se tudo o que tinha sido parte dele tivesse desaparecido, deixando um boneco de cera em seu lugar. Especialmente não o manipulador de raios Klaus, que brilhava com fúria dourada e imunda. Ele parecia um cadáver mal preservado.
Elena, no entanto...
Para surpresa de Stefan, Elena se mexeu, seus cílios tremulando.
Stefan a tomou em seus braços. Ela estava tão pálida, mas seu batimento cardíaco era estável. Acima dele, Damon pairou, com a boca torcida com ansiedade.
— Ela vai viver — Damon murmurou, em parte para si mesmo, em parte para Stefan.
Stefan abriu a boca para concordar, mas tudo o que saiu foi um soluço entrecortado. Ele começou beijar Elena, salpicando seu rosto e boca e testa e mãos com beijos leves.
— Stefan — murmurou Elena fracamente, e sorriu. — Meu Stefan.
— O que aconteceu? — perguntou Bonnie enquanto os outros contornavam a curva e corriam para frente. Somente Andrés ficou parado depois da curva do túnel, olhando para Elena, seu rosto cheio de pergunto.
— Ela é a única — ele sussurrou.
— O que? — perguntou Elena, ainda sorrindo atordoada. Ela levantou a mão e acariciou a bochecha de Stefan.
Andrés parecia estar tendo dificuldade para falar. Ele engoliu em seco, lambeu os lábios e engoliu em seco novamente, parecendo um pouco perdido.
— Há uma lenda — disse ele finalmente, hesitante. — Uma lenda do Guardião. Diz que um dia um Guardião jurado, um nascido de um Guardião Principal, virá à Terra. Seu sangue, o sangue de Guardiões transportado por gerações, será um anátema para as mais antigas criaturas das trevas.
— O que significa isso? — perguntou Stefan abruptamente.
Andrés ergueu a lanterna, iluminando o cadáver patético e diminuto de Klaus.
— Isso significa — disse ele, com a voz cheia de admiração — que o sangue de Elena matou Klaus. Ele mataria qualquer um dos Antigos, o punhado de vampiros e demônios que andaram na Terra desde os primórdios da civilização humana... talvez antes. Isso significa — completou ele — que Elena é uma arma muito valiosa.
— Espere um pouco — disse Damon. — Isso não pode estar certo. Eu bebi o sangue de Elena. Stefan está bêbado do sangue de Elena.
Andrés deu de ombros.
— Talvez suas qualidades sejam apenas fatais para os Antigos. Isso é tudo o que lenda diz.
— E o sangue dela é especial — disse Stefan, sua voz áspera. Ele e Damon trocaram  olhares rápidos e envergonhados. O sangue de Elena era rico e inebriante, inúmeras vezes mais potente do que qualquer outro sangue que Stefan já provara. Ele achava que a diferença era por causa do amor que compartilhavam.
— Mas... — começou Bonnie, franzindo a testa. — Seus pais não eram Guardiões, eram? — ela perguntou a Elena. Elena balançou a cabeça, mas seus olhos estavam se nublando e suas pálpebras caíram. Ela precisava de descanso e cuidados médicos adequados.
— Podemos falar sobre isso mais tarde — disse Stefan de repente, e ficou de pé, levantando Elena cuidadosamente e gentilmente nos braços. — Ela precisa sair daqui.
— Bem, se ela é a única ou não — disse Meredith, olhando para o monstro morto a seus pés —, Elena matou Klaus. — Eles se endireitaram inconscientemente, sorrindo. Não tinham mais nada a temer.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!