5 de abril de 2019

Capítulo 36

Stefan cerrou os punhos, a mordida de suas unhas nas palmas das mãos ajudando a afastar a névoa de tristeza que o envolvia. Elena não estava morta. Ele não acreditaria nisso.
A escuridão total havia caído, e os bombeiros finalmente apagaram o incêndio que consumira os antigos estábulos. Eles estavam trabalhando cuidadosamente entre os escombros, arrastando para fora corpo após corpo.
Fora das barreiras de proteção, protegidos por um grupo de árvores, Stefan e os outros esperavam. Meredith e Bonnie se abraçavam, Bonnie em lágrimas. Andrés estava sentado, atordoado e silencioso, no chão, com os olhos fixos nos movimentos lentos dos bombeiros.
Stefan se lembrou da expressão no rosto de Elena quando a parede de fogo caiu sobre ela. Ela parecia tão resignada, tão pacífica quando olhou para ele uma última vez, as chamas que ela colocou entre eles subindo mais rápido. A parede tinha caído tão rápido — como ela poderia ter escapado?
Uma mão pousou em seu ombro, e Stefan olhou para cima para ver Damon franzindo o cenho diante dos restos do estábulo.
— Ela não está lá, você sabe — disse Damon. — Elena tenho a sorte do diabo. Ela nunca ficaria presa lá dentro.
Stefan se inclinou para a mão do irmão, só um pouco. Ele estava cansado e abatido, e havia um conforto na familiaridade de Damon.
— Ela morreu duas vezes antes da formatura do ensino médio — disse ele a Damon amargamente. — Eu não sei se chamaria isso de sorte. E as duas vezes, foi culpa nossa.
Damon suspirou.
— Ela voltou, no entanto — disse ele suavemente. — Nem todo mundo consegue fazer isso. Quase ninguém, na verdade. — Seus lábios se contorceram num meio sorriso. — Eu, é claro.
Stefan se virou, os olhos ardendo.
— Não brinque — disse ele em um murmúrio baixo e furioso. — Como pode, até mesmo você, brincar com isso agora? Você se importa, afinal? — Mas ele não deveria ter ficado surpreso. Damon passara as últimas semanas mostrando, violentamente, caprichosamente, quão pouco se importava com qualquer um deles.
Damon olhou para ele, seus olhos escuros firmes.
— Eu me importo — disse ele. — Você sabe que sim. Mesmo quando não quero. Mas sei que ela não está morta. Se você não confia na sorte de Elena, pense em Klaus. Seria preciso mais do que um fogo para matá-lo.
— O fogo mata vampiros — disse Stefan teimosamente. — Até mesmo os antigos.
— Ele brincou com raios — disse Damon, e estremeceu. — Eu não acho que há muita coisa que possa matar Klaus.
Os bombeiros tinham parado as investigações, cada centímetro de madeira queimada e terra revirada, e estavam cobrindo os corpos com lonas escuras.
Eu vou dar uma olhada, Damon disse a Stefan em silêncio, e se transformou em corvo, batendo as asas para pousar em uma árvore perto dos cadáveres.
Alguns momentos depois, ele estava de volta, transformando-se novamente antes mesmo de seus pés baterem no chão, de modo que ele tropeçou alguns passos, menos polido e equilibrado do que o habitual. Stefan estava vagamente ciente de todos, todos os seus aliados, reunidos a seu redor, mas seus olhos suplicantes estavam fixos em Damon. Ele abriu a boca, mas a pergunta que precisava fazer não viria. Elena está ali? pensou ele desesperadamente. É ela?
Se Elena tivesse partido, se ela tivesse se sacrificado para salvá-los, Stefan estaria morto pela manhã. Não havia nada para ele sem ela.
— Elena não está lá — disse Damon brevemente. — Nem Klaus. São só os descendentes dele.
Bonnie soltou um soluço curto de alívio e Meredith apertou-lhe a mão com força, as juntas esbranquiçadas.
— Klaus deve tê-la levado — disse Stefan, o mundo voltando ao foco, agora que tinha um propósito. — temos que encontrá-los antes que seja tarde demais.
Seus olhos encontraram os de Damon, verde-escuros e pretos, e pela primeira vez, exatamente a mesma expressão: medo e esperança em igual medida. Damon assentiu. Os dedos de Stefan relaxaram onde ainda segurava a camisa de Damon e ele puxou o irmão para um breve abraço, tentando enviar-lhe todo o amor e gratidão que nunca seria capaz de colocar em palavras. Damon estava de volta. E se alguém poderia ajudar Stefan a salvar Elena, era Damon.
— Existe alguma coisa que você possa fazer? — Stefan perguntou a Andrés. Ele podia ouvir a nota de súplica na própria voz.
Ao redor deles, os outros pareciam tensos, à espera da resposta. Bonnie estava cuidando do ombro de Shay, enfaixando uma mordida de vampiro desagradável, e seus dedos hábeis endureceram com ansiedade até que Shay deu um grunhido silencioso.
— Espero que sim — disse Andrés. — Vou tentar. — Ele se ajoelhou e colocou as palmas das mãos no chão, debaixo das árvores. Observando-o, Stefan sentiu os estalidos de Poder no ar. Andrés ficou muito quieto, os olhos castanhos estreitados e focados. Novas folhas de grama surgiram na terra, enrolando-se em torno de seus dedos.
— Isso não é tão eficaz quanto o Poder de rastreamento de Elena — explicou ele — mas às vezes eu posso sentir as pessoas. Se ela está tocando a Terra, eu vou saber onde está. — Andrés ficou sentado por um longo tempo, com o rosto sereno e alerta. Quando afundou os dedos mais profundamente no chão, enterrando as pontas no solo, na base de um bétula branca, a árvore desdobrou novas folhas.
— Mais rápido — ordenou Damon, com a baixa e perigosa, mas Andrés não respondeu nem mesmo com uma contração. Era como se ele tivesse afundado tão profundamente em si mesmo — ou em sua comunhão com o solo, Stefan não tinha certeza — que não podia mais ouvi-los.
O pulso de Stefan estava batendo mais rápido do que ele se lembrava desde antes de se tornar um vampiro. Ele abriu e fechou os punhos, impedindo-se de sacudir Andrés. O Guardião estava fazendo o melhor que podia, e distraí-lo não o faria trabalhar mais rápido. Mas Elena, ah, Elena.
Mais longe, ele podia ouvir Matt procurando na floresta, chamando:
— Chloe! Chloe! — A jovem vampira tinha conseguido sair dos estábulos; Stefan tinha certeza que a tinha visto, enegrecida de cinzas, mas ilesa. Agora, porém, ela não estava em lugar nenhum. O coração de Stefan doía em solidariedade. A garota que Matt amava estava desaparecida também.
— Estranho — disse Andrés. Foi a primeira palavra que ele falou em algum tempo, e a atenção de Stefan imediatamente voltou para ele. Andrés inclinou a cabeça para trás para olhar para Damon e Stefan, sua testa se enrugando em confusão. — Elena está viva — disse ele. — Tenho certeza de que ela está viva, mas parece que ela está no subsolo.
Stefan afundou em alívio: viva. Ele olhou Damon para confirmação.
— Os túneis? — perguntou, e Damon assentiu. Klaus deve tê-la levado para os túneis que cruzavam o chão sob o campus, as que a Vitale Society usara.
Meredith, sentada perto de Alaric, ficou de pé.
— Onde está a entrada mais próxima? — ela perguntou.
Stefan tentou imaginar o labirinto de passagens que Matt tinha esboçado para ele antes de sua batalha contra os vampiros Vitale. Havia muitas áreas em branco e entradas meio desenhadas no seu mapa mental, porque Matt tinha viajado apenas um pouco no que parecia ser um labirinto vasto e sinuosos, subjacente ao campus e talvez à cidade.
Mas, o que ele sabia...
— O esconderijo dos vampiros — disse Stefan decisivamente.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!