5 de abril de 2019

Capítulo 34


Elena se arrastou para fora de sua seção de Inglês para calouros perto do fim da multidão, ainda guardando seu caderno na bolsa. Fechando-a, ela olhou para cima e viu Andrés esperando pacientemente no corredor em frente a sala de aula.
— Ei — disse ela. — O que está acontecendo?
— Stefan e eu achamos que não é uma boa ideia você ficar sozinha agora — respondeu ele, dando um passo ao lado dela. — Ele e Meredith têm aula, então eu vou acompanhá-la onde quer que você vá.
— Eu tenho Poderes próprios, você sabe — disse Elena, um pouco arrogante. — Mesmo que eles não estejam no auge ainda, eu não sou uma donzela em perigo.
Andrés concordou, com um lento e solene mergulho de cabeça.
— Perdoe-me — disse ele formalmente. — Eu não acho que nenhum de nós deveria ficar sozinho agora. A morte de James prova isso.
— Sinto muito — disse Elena. — Eu sei que tem sido difícil para você, especialmente desde que você estava morando na casa de James.
Andrés assentiu.
— Tem — disse ele, e então fez um esforço visível para ficar mais alegre, jogando os ombros para trás e abrindo um sorriso. — Mas tenho que aproveitar a oportunidade que me permite mais tempo com minha linda e encantadora amiga.
— Ah, nesse caso — disse Elena, se aprumando e tomando o braço que Andrés oferecia. Enquanto avançavam pelo corredor, ela o examinou cuidadosamente com o canto do olho. Apesar de sua cortesia, Andrés parecia abatido e cansado, as linhas nos cantos dos olhos mais pronunciadas. Ele aparentava ter mais de vinte anos agora.
A morte de James atingiu todos eles com força. Parecia mais real, de alguma forma, do que a morte de Chad. Acontecera na casa de James, não em um campo de batalha, e assim provou que a morte poderia vir para eles em qualquer lugar. Quando Elena se olhou no espelho nas últimas manhãs, o rosto olhando de volta para ela era mais sombrio, os olhos contornados com círculos cinzentos.
Ainda assim, eles tinham que seguir em frente, um pelo outro. Assobiando no escuro, as pessoas chamavam, quando você mantinha seus próprios espíritos, encontrando qualquer felicidade que pudesse.
Apertando o braço de Andrés carinhosamente, Elena perguntou:
— Como você está se acomodando no quarto de Matt? — A polícia lacrou a casa de James, então Matt ofereceu seu próprio quarto vazio para o visitante. O próprio Matt estava de volta a acampar no ancoradouro semiqueimado com Chloe.
— Ah — disse Andrés, seu rosto relaxando num sorriso quando eles entraram no elevador e apertaram o botão para o andar térreo. — A vida no dormitório é muito estranha para mim. Há sempre alguma coisa acontecendo.
Elena estava rindo da história de Andrés sobre um calouro bêbado vagando em seu quarto às três da manhã, e as tentativas educadas e atordoadas dele para levar o intruso de volta ao próprio dormitório, quando o elevador sacudiu violentamente até parar.
— O que está acontecendo? — indagou Elena cautelosamente.
— Talvez seja um problema elétrico — respondeu Andrés, mas sua voz era duvidosa.
Elena apertou o botão para o andar térreo de novo, e o elevador deu um profundo gemido e, em seguida, começou a tremer. Os dois ofegaram e se firmaram, as mãos contra as paredes.
— Vou tentar o botão de emergência — disse Elena. Ela empurrou-o, mas nada aconteceu. — Estranho — disse ela, e se encolheu com a nota incerta na própria voz. — Parece desconectado, também. — Ela hesitou. — Você tem uma arma? — perguntou. Andrés negou com a cabeça, o rosto pálido.
O elevador sacudiu novamente, e então as luzes se apagaram, deixando-os no escuro. Elena encontrou a mão quente de Andrés e apertou-a.
— Isso é... você acha que isso poderia ser apenas uma coincidência? — ela sussurrou. Andrés apertou a mão dela tranquilizadoramente.
— Não sei — disse ele, sua voz perturbada. — Você pode ver alguma coisa?
Claro que não, Elena estava prestes a dizer. O elevador estava escuro como breu. Ela não podia nem ver Andrés, apesar dele estar segurando-a protetoramente perto dele. Então ela percebeu o que ele quis dizer, e fechou os olhos por um momento para alcançar profundamente dentro de si mesma, invocando seu Poder.
Quando abriu os olhos novamente, pôde ver o verde quente e vivo da aura de Andrés, iluminando a escuridão. Mas nos limites de sua consciência havia outra coisa.
Havia uma escuridão ainda mais espessa se aproximando. Doía olhar para ele como parecia respirar através das rachaduras nas portas do elevador, tão amorfo quanto a névoa. Elena instintivamente fechou os olhos e virou a cabeça, enterrando-a no ombro de Andrés.
— Elena! — chamou ele, alarmado. — O que foi?
Por um longo tempo nada aconteceu. Houve um momento em que ela relaxou, apesar de tudo — não tem nada aqui, pensou ela, sentindo uma onda de alívio, nada está aqui.
— Está tudo bem — disse ela, com uma risada meio envergonhada por trás de suas palavras. — Eu só...
Então, uma placa do teto do elevador foi chutada, e a escuridão estava ao redor dela. Vacilando, Elena olhou para cima, tentando ver alguma coisa.
— Olá, minha linda — A voz de Klaus veio de cima. — Você esteve esperando por mim, não é? — Sua voz era tão casual como se ele tivesse acabado de chegar para conversar.
— Olá, Klaus — respondeu Elena, tentando manter a voz firme. Ela apertou-se contra Andrés. Sentia como se estivesse caindo.
— Eu sei o que você é — disse Klaus presunçosamente, sua voz melodiosa. Um grande estrondo veio do lado do elevador, e Elena e Andrés pularam, puxando o fôlego. — Eu sei qual é o seu segredo. — Bang. — Não posso te matar com nada mágico —  Bang. — E não posso te matar com meus vampiros. — Bang. Ele estava batendo suas grandes botas pretas na lateral do elevador, Elena percebeu. Ele devia estar sentado na beira da escotilha de acesso ao serviço no teto, as pernas balançando. Suas botas bateram mais uma vez e então Klaus disse alegremente: — Mas sabe de uma coisa? Se eu cortar o cabo aqui no topo do elevador, você não vai sobreviver.
Elena se encolheu. Ela andava em elevadores todos os dias e nunca lhe ocorrera o quão vulneráveis eles eram. Sua aula de Inglês era no nono andar. Eles estavam pendurados acima de uma longa queda, e os cabos eram a única coisa que os impedia de cair direto no porão.
Andrés respirou fundo ao lado dela, e Elena viu a aura verde em torno dele começar a crescer. Ele estava tentando formar um escudo protetor para protegê-los, ela percebeu, como tinha feito na batalha contra Klaus e seus vampiros.
— Pare com isso — retrucou Klaus, e um raio de escuridão voou dele e atingiu o escudo verde de Andrés, que se partiu e se esvaziou como um balão estourado. Andrés gritou de dor.
Elena abraçou Andrés protetoramente, mas ela podia senti-lo enrijecer para tentar novamente. Sua respiração soava áspera e em pânico.
— Meu Poder vem da terra, Elena — sussurrou ele. — Oscilando muito acima dela, não tenho certeza se posso ajudar. Mas eu vou tentar.
Acima deles, na escuridão, Klaus riu zombeteiramente.
— Pode ser tarde demais, garoto — disse ele, e um barulho estranho de raspagem veio uma vez e, novamente, um grito de metal no metal.
— Ele está cortando o cabo — Andrés soprou em seu ouvido. Havia uma fraca luz verde ao redor dele novamente, enquanto ele tentava expandir sua aura, mas não ia crescer rápido o suficiente para protegê-los, Elena sabia.
É isso, Elena pensou, e pegou a mão de Andrés. Ela nunca tivera medo de cair antes, mas agora estava apavorada.
Então um baque veio de cima, e outro, e uma série de barulhos e ruídos, e de repente um corpo despencou por eles e aterrissou pesadamente no chão. Dois corpos, Elena percebeu, se debatendo e rosnando aos seus pés. Ela tentou se concentrar, respirando com dificuldade, e depois de um momento, viu a aura de Klaus novamente, mais escura que a própria escuridão, e colidindo com ela, vermelho-sangue e cinza sulcado e azul faiscante, todos entrelaçados.
— Damon — ela sussurrou.
Sombreado, o quase invisível Damon conseguiu empurrar Klaus e ficar de pé.
— Elena — ele suspirou, e então uma onda de Poder de Klaus jogou-o contra a parede. Ele soltou um gemido de dor. Elena estendeu a mão e tentou puxá-lo para ela, mas ele foi esmagado com força, seu corpo prensado contra a parede. Klaus riu sombriamente.
Houve um clarão de verde.
De repente, tudo de uma vez, Damon se soltou. Ele caiu da parede em Elena, e ela cambaleou, segurando-o no segundo que ele levou para recuperar o equilíbrio.
— Tire ela daqui! — Andrés gritou. — Eu não posso segurá-lo!
Klaus, o rosto contorcido de raiva, ficou preso pela barreira verde brilhante da aura protetora de Andrés, o verde misterioso iluminando seu rosto. Enquanto Elena olhava boquiaberta, Klaus forçou uma mão através do verde. Damon pegou-a nos braços e saltou para o poço do elevador.
Elena mal teve tempo de respirar antes de Damon passar por uma porta no topo do poço, e ela se viu caída nos ladrilhos do lado de fora da porta do elevador no último andar do prédio. Não havia salas de aula ali, apenas escritórios, e o corredor estava em silêncio.
Damon estava ao lado dela, ainda segurando-a e ofegando asperamente. Sangue escorria de seu nariz  e ele abriu um dos braços ao redor dela para limpá-lo com a manga.
— Temos que volta — disse ela, assim que conseguiu falar.
Damon olhou para ela.
— Você está brincando comigo? — ele ofegou. — Nós mal escapamos de lá.
Elena balançou a cabeça teimosamente.
— Não podemos abandonar Andrés — disse ela.
O olhar de Damon se afiou para um clarão.
— Seu amigo do elevador fez sua escolha — disse ele friamente. — Ele queria que eu te salvasse. Você acha que ele vai me agradecer se eu cair de volta lá em vez de te tirar daqui?
Um estrondo veio de dentro do poço do elevador, sacudindo o prédio. Elena se levantou, apoiando-se nas paredes. Sentia-se frágil, mas determinada, como se fosse feita de vidro e aço.
— Nós dois vamos voltar — disse ela. — Eu não me importo com o que Andrés escolheria. Não vou sair daqui sem ele. Leve-me para baixo.
Damon apertou a mandíbula e olhou-a com mais força. Elena simplesmente ficou de pé e esperou, imóvel.
Finalmente, Damon jurou para si mesmo e ficou de pé.
— Que conste nos autos — disse ele, agarrando-a pelos braços novamente e puxando-a para perto dele —, que eu tentei salvar você, e que você é a pessoa mais irritantemente teimosa que eu já conheci.
— Eu também senti sua falta, Damon — disse Elena, fechando os olhos e pressionando o rosto no peito dele.
No caminho até o poço, Elena percebeu, Damon deve tê-la envolvido em alguma borda perdida de seu Poder, porque a viagem foi suave e quase momentânea. Na descida, ele não estava se incomodando em protegê-la. Seus cabelos voaram para cima e a pele do rosto ardia com o vento que passava. Ele está me segurando, ela disse a si mesma, mas seu corpo gritava que estava despencando.
Eles aterrissaram no topo do elevador, em meio a uma nuvem de poeira, e Elena engasgou e tossiu por vários minutos, limpando as lágrimas do rosto.
— Temos que entrar lá — disse ela freneticamente, sentindo-se no escuro, assim que ela pudesse falar novamente. O elevador deve ter desmoronado quando atingiu o fundo do poço. Em vez de uma caixa de metal, ela podia sentir as bordas afiadas e longos pedaços quebrados de vigas quebradas e os restos das paredes. — Andrés ainda pode estar vivo — disse a Damon. Ela se ajoelhou e começou a sentir ao longo do que havia sido o topo do elevador. O espaço que Klaus e Damon tinham atravessado ainda deveria estar ali em algum lugar.
Damon segurou as mãos dela.
— Não — disse ele. —Você diz que pode ver auras agora? Usar o seu Poder. Não há ninguém lá dentro.
Ele estava certo. Assim que Elena realmente olhou, ela podia ver que não havia nenhum vestígio do verde de Andrés ou daquela terrível escuridão que Klaus carregava consigo.
— Você acha que eles estão mortos? — sussurrou ela.
Damon soltou uma risada curta e amarga.
— Dificilmente — disse ele. — Seria preciso mais do que uma queda pelo poço de um elevador para matar Klaus. E se o seu amigo humano com o escudo estivesse morto lá, eu sentiria o cheiro do sangue dele. — Ele balançou a cabeça. — Não, Klaus escapou novamente. E levou seu Andrés com ele.
— Temos que salvá-lo — disse Elena, e, quando Damon não respondeu imediatamente, ela puxou sua jaqueta de couro, puxando-o para mais perto, para que pudesse olhar exigente em seus olhos negros insondáveis. Damon iria ajudá-la se quisesse ou não. Ela não o deixaria fugir novamente.
— Temos que salvar Andrés.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!