5 de abril de 2019

Capítulo 33

Damon lambeu cuidadosamente um rastro de sangue das costas da mão e sorriu para Katherine. Eles se depararam com um casal caminhando pela floresta logo após o amanhecer e se alimentaram juntos, e agora era meio da manhã, a luz do sol entrando pelas árvores e lançando sombras pretas e douradas no caminho. Damon se sentiu cheio e contente, pronto para ir para casa e dormir longe das mais brilhantes horas do dia. Um ligeiro mal-estar cruzou sua mente quando ele se lembrou da expressão de pânico no rosto de sua vítima, e ele o afastou: era um vampiro, isso era o que ele deveria fazer.
Enxugando delicadamente os cantos da boca, Katherine inclinou a cabeça para ele, tão delicada e interrogativa como uma pequena ave canora.
— Por que você não matou a sua? — perguntou ela.
Dando de ombros defensivamente, Damon tirou os óculos do bolso e colocou sobre os olhos. Ele não sabia, para ser completamente honesto, por que não tinha matado a garota esta manhã, ou por que não tinha matado nenhuma de suas vítimas desde a atleta loira que ele caçou mais de uma semana antes. Podia se lembrar como a matança era boa, a pressa quando sua vida passava para ele, mas não estava ansioso para repetir a experiência, não quando o sabor residual persistente era culpa. Ele não queria sentir nada por eles, queria tirar o sangue e ir embora. Se isso significava deixá-los viver, isso estava bom para Damon.
Protegido por trás dos óculos escuros, ele não disse nada disso, mas apenas sorriu para Katherine e perguntou:
— Por que você não fez isso?
— Ah, todos nós estamos mantendo um nível baixo. Muitas mortes e este campus entrará em pânico novamente. Klaus quer manter os humanos felizes e fáceis de caçar enquanto ele termina com sua namorada e seus amigos. — Katherine olhou para Damon enquanto alisava seus longos cabelos dourados, e ele manteve a expressão cuidadosamente em branco. O que quer que Katherine quisesse dele, ela não conseguiria falando de Elena.
— Claro — disse Damon, e acrescentou: — Sabe, você voltou da morte muito mais saudável e mais prática, minha querida. — Katherine exibiu as covinhas para ele, e fez uma mesura com uma reverência graciosa.
Eles caminhavam pacificamente juntos, ouvindo os chiados e os chamados dos pardais, tordos, tentilhões e robins. O chocalho rápido de um pica-pau perfurando uma árvore soou um pouco distante, e Damon podia ouvir o farfalhar e tamborilar de pequenas criaturas peludas na vegetação rasteira. Ele se espreguiçou languidamente, pensando em sua cama.
— Então — disse Katherine, quebrando o silêncio confortável entre eles. — Elena. — Disse ela novamente, esticando as sílabas da palavra como se as estivesse provando: — E-ley-na.
— O que tem ela? — perguntou Damon. Sua voz era descuidada, mas ele sentiu uma calor desconfortável na nuca.
Katherine fitou-o conscientemente com seu olhar lápis-lazúli, e Damon franziu a testa para ela por trás de seus óculos escuros.
— Conte-me sobre ela — disse ela suavemente, sua expressão persuasiva. — Eu quero saber.
Damon parou de andar e puxou Katherine para enfrentá-lo.
— Eu pensei que você não estivesse mais irritada com Elena — disse ele, desviando a pergunta. — Você deveria deixá-la em paz, Katherine.
Katherine deu de ombros graciosamente.
— Eu não estou zangada com ela — disse ela. — Mas Klaus está. — Seu olhos brilhavam. — Eu pensei que você não se importasse mais com Elena. Você foi bastante claro sobre isso, você sabe. Por que você não me conta nada?
— Eu... — O coração de Damon se agitou em seu peito, mais rápido do que a habitual batida lenta de vampiro. — Eu simplesmente não quero — disse ele finalmente.
Katherine riu baixinho, sua bela risada de sino.
— Ah, Damon — disse ela, e balançou a cabeça zombeteiramente. — Você pode ser mau na teoria, mas seu coração é tão puro. O que aconteceu?
Fazendo uma careta, Damon se afastou dela, soltando sua mão.
— Meu coração não é puro — disse ele petulantemente.
— Você ficou mole — disse Katherine. — Você não gosta mais de ferir as pessoas.
Damon empurrou os óculos de sol mais para cima do nariz e deu de ombros.
— Vai passar.
Mãos frias tocaram seu rosto e, então, Katherine gentilmente tirou os óculos de sol de Damon, olhando em seus olhos.
— O amor muda você — disse ela. — E isso nunca desaparece, não importa o quanto você queira. — Subindo na ponta dos pés, ela o beijou levemente na bochecha. — Não cometa os erros que cometi, Damon — disse ela tristemente. — Não lute com o amor, seja qual for a forma que ele assuma.
Damon levantou a mão para tocar o local onde os lábios de Katherine o beijaram. Sentia-se atordoado e perdido.
Entregando-lhe os óculos de sol, Katherine suspirou.
— Eu realmente não lhe devo nenhum favor, Damon — ela disse a ele —, mas estou me sentindo sentimental. Sua Elena está em aula agora. Rhodes Hall. Eu não sei exatamente o que Klaus vai fazer, mas ele está planejando alguma coisa. Você pode querer ir até lá e parar.
Segurando os óculos de sol, Damon olhou para, confuso.
— O quê? — perguntou ele.
Havia algo suave e melancólico nos olhos de Katherine, mas sua voz era firme.
— É melhor se apressar — disse ela, levantando uma sobrancelha.
Damon sentiu como se uma criatura viva estivesse abrindo caminho por seu peito, algo enorme e doloroso. Era assim que o amor era, afinal de contas?
— Obrigado — disse, distraído. Damon se afastou de Katherine alguns passos e depois correu em disparada. Ele reuniu seu Poder e começou a se transformar, sentindo o corpo se contorcer enquanto se transformava em corvo. Um momento depois, ele estava no ar, esticando as asas para pegar a corrente de ar enquanto se dirigia rapidamente ao campus.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!