5 de abril de 2019

Capítulo 31

Com o celular preso à orelha, Elena apertou o botão para repetir a mensagem. James não poderia ter dito o que ela achava que tinha ouvido.
Mas a mensagem era exatamente a mesma.
— Elena, minha querida — disse James, um fio de excitação percorrendo sua voz. — Acho que consegui. Acho que há uma maneira de matar Klaus. — Ele fez uma pausa, como se estivesse pensando muito, e quando falou de novo, sua voz era mais cautelosa. — Temos que planejar com cuidado, no entanto. Venha à minha casa assim que você puder e vamos conversar. Este método... Vai demorar um pouco para ser preparado.
A mensagem terminou, e Elena franziu o cenho para o telefone, exasperada. Honestamente, era como se James fosse enigmático, em vez de dar alguma informação útil.
Mas, se ele realmente tivesse encontrado alguma coisa... Uma bolha de excitação alegre subiu no peito de Elena. Saber que Klaus estava lá fora, e que seus Poderes de Guardiã estavam concentrados em Damon, tinha sido como um grande peso em seus ombros. Ela não sabia quando, mas tinha uma sensação incômoda constante de que um desastre poderia acontecer a qualquer momento. Se James tivesse uma nova ideia, talvez houvesse um fim à vista.
Enquanto corria pelo campus ensolarado em direção à casa de James, Elena rapidamente mandou uma mensagem para Stefan encontrá-la lá. Ele havia assumido o comando do exército anti-Klaus, tomando as decisões e organizando as patrulhas enquanto ela tentava expandir seus Poderes Guardiões, e ela o queria lá se James tivesse encontrado uma solução.
Ela ainda não tinha visto Stefan quando chegou à porta da frente de James. Provavelmente ele estava na aula; ele disse a ela que seu seminário de filosofia tinha recomeçado, agora que fazia mais de uma semana desde que o corpo de um estudante aparecera no campus. Bem, ela contaria tudo a ele assim que ele chegasse.
Elena tocou a campainha e esperou impaciente. Depois de um minuto, ela tentou novamente, depois bateu na porta. Ninguém veio. Andrés, ela se lembrava, planejara passar a tarde na biblioteca, e depois sair para jantar.
James provavelmente ouviria o telefone tocar. Pegando o celular de novo, Elena discou seu número. Tocou e tocou novamente. Elena inclinou a cabeça. Tinha certeza que podia ouvir o toque do celular de James vindo de dentro da casa.
Então, ele tinha saído e esquecido o celular, pensou Elena nervosamente, mudando de um pé para o outro. Isso não significava que alguma coisa estava errada.
Ela deveria apenas se sentar na varanda e esperar por James? Stefan provavelmente estaria ali logo, também. Ela olhou para o relógio. Eram cinco horas. Tinha certeza que a aula de Stefan acabava por volta das cinco e meia. Logo estaria escuro. Ela realmente não queria esperar ali sozinha depois de escurecer. Não com o exército de Klaus lá fora em algum lugar.
E se algo estivesse errado? Por que James teria saído quando pediu a Elena para vir? Se ele estivesse lá, e não estava respondendo... O coração de Elena batia forte. Ela tentou olhar pela janela da varanda, mas as persianas foram fechadas e ela só viu seu próprio reflexo preocupado.
Seguindo sua intuição, Elena estendeu a mão e girou a maçaneta. Ela virou facilmente em sua mão, e a porta se abriu. Elena entrou. Não era assim que ela tinha sido criada — Tia Judith ficaria horrorizada ao saber Elena estava entrando na casa de alguém sem ser convidada —, mas tinha certeza de que James entenderia.
Elena já havia fechado a porta atrás de si, quando notou a mancha de sangue. Era grande e ainda estava úmida, uma longa faixa de sangue ao nível da mão, como se alguém com mãos ensanguentadas tivesse caminhado pelo corredor, descuidadamente limpando o sangue nas paredes enquanto avançava.
Elena congelou, e então, com a mente em branco, avançou. Algo nela estava gritando para parar, mas seus pés continuaram como se não estivessem mais sob seu controle, pelo corredor e para a cozinha geralmente limpa e alegre.
A cozinha ainda estava inundada pela luz solar através de suas janelas viradas para o oeste. As panelas de cobre penduradas no teto refletiam a luz de volta, iluminando todo os cantos.
E em toda parte, em todas as superfícies brilhantes, havia grandes manchas escuras de sangue.
O corpo de James estava caído sobre a mesa da cozinha. Elena soube de imediato que ele estava morto. Ele deveria estar morto — ninguém poderia viver com suas entranhas espalhadas pelo chão assim — mas ela foi até ele de qualquer maneira. Ainda estava dormente, mas percebeu que tinha colocado uma mão sobre a própria boca, segurando o barulho choramingante que queria sair. Ela fez um esforço e afastou a mão da boca, engolindo em seco. Oh, Deus.
— James — chamou, e pressionou os dedos no pescoço dele, tentando encontrar uma pulsação. Sua pele ainda estava quente e pegajosa de sangue, mas não havia batimentos cardíacos. — Ah, James, ah, não — sussurrou ela novamente, horrorizada e tão, tão triste por ele.
Ele fora meio apaixonado por sua mãe quando era estudante, lembrou-se; ele era o melhor amigo de seu pai. Ele poderia ser afobado e nem sempre foi corajoso, mas a ajudou. E tinha sido engraçado e inteligente, e realmente não merecia morrer desse jeito só porque ajudou Elena. Não havia dúvida em sua mente que isso era por causa dela: Klaus tinha vindo atrás de James porque ele estava do lado de Elena.
Ela estendeu a mão para seus Poderes Guardiões, tentou sentir sua aura, para ver se havia qualquer coisa que pudesse fazer, mas não havia nenhuma aura em torno dele. O corpo de James estava ali, mas tudo o que fez dele uma pessoa se foi.
Lágrimas quentes escorriam por seu rosto e Elena limpou-as furiosamente. Sua mão estava pegajosa com o sangue de James, e, nauseada, ela limpou-a em um dos guardanapos antes de pegar o telefone novamente. Ela precisava de Stefan. Stefan poderia ajudar.
Sem resposta. Elena deixou uma mensagem breve e tensa e afastou o telefone. Tinha que sair dali. Seria insuportável ficar mais tempo na cozinha com o cheiro do matadouro e a acusadora carapaça de James à mesa. Ela podia esperar Stefan lá fora.
Quando estava prestes a sair, algo chamou sua atenção. Na mesa da cozinha, a única coisa que não estava salpicada de sangue, havia uma única folha de papel timbrado de aparência cara. Elena hesitou. Havia algo familiar nisso.
Quase contra sua vontade, ela caminhou lentamente de volta para a mesa, onde pegou o papel e o virou. Era tão claro e limpo do outro lado.
Da última vez, ela lembrou, havia impressões digitais sujas. Talvez Klaus tivesse lavado as mãos depois de limpá-las nas paredes. Uma raiva profunda e quente crescia dentro ela. Parecia uma violação que, depois... de fazer aquilo com o pobre James, Klaus poderia lavar as mãos na pia de porcelana que James mantinha limpa, secar os dedos nos guardanapos cuidadosamente arrumados de James.
Ela sabia o que esperar da mensagem de Klaus, mas ainda assim enrijeceu, sibilando involuntariamente entre os dentes, enquanto letras negras começavam a aparecer no papel, escritas com rebordos irregulares e compridos como se tivessem sido cortadas com uma faca invisível. Ela as leu com um crescente sentimento de pavor.

Elena
Eu te disse que descobriria a verdade. Ele tinha muito a dizer quando o deixei morrer.
Até a próxima,
Klaus

Elena se curvou como se tivesse levado um soco no estômago. Não, ela pensou. Por favor, não. Depois de tudo que passaram, Klaus descobrira seu segredo. Ele encontraria uma maneira de matá-la agora — ela tinha certeza disso.
Tinha que se recompor. Tinha que continuar. Elena estremeceu uma vez, seu corpo sacudindo, e depois respirou fundo. Cuidadosamente, ela dobrou o papel e colocou no bolso. Stefan e os outros deveriam ver isso.
Ela ainda estava funcionando no automático enquanto caminhava para fora, fechando a porta da frente de James firmemente atrás dela. Havia uma mancha de sangue em seu jeans e ela esfregou-o distraidamente por um momento, depois levantou a mão e olhou para as manchas vermelhas. Sem aviso, ela convulsionou, vomitando nos arbustos perto da porta.
Ele sabia. Oh, Deus, Klaus sabia.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!