5 de abril de 2019

Capítulo 27

O céu da tarde estava azul e dourado com a luz do sol, e Stefan ficou grato pela sombra das árvores. Que tipo de vampiro provoca um confronto à luz do dia? ele podia imaginar Damon perguntando ironicamente antes de responder a pergunta: um muito estúpido, Stefan.
O sol estava deixando-o ligeiramente cansado como sempre fazia, sua consciência de sua luz era constante, latejante como uma dor de cabeça, apesar do anel que o protegia. Klaus era mais velho do que Stefan, e mais forte. O sol não iria incomodá-lo tanto.
Mas Stefan não queria enfrentar Klaus na escuridão. O cabelo na sua nuca formigava inquieto com a ideia: depois de tanto tempo como um vampiro, agora o próprio Stefan estava com medo de um monstro no escuro.
Ele parou quando chegou à clareira na floresta, onde eles lutaram contra a família de Klaus. Sangue era a melhor maneira de atrair a atenção de qualquer vampiro. Stefan deixou os caninos se alongarem e, em seguida, fazendo uma careta, mordeu bruscamente o próprio pulso.
— Klaus! — ele gritou, girando em um semicírculo, o braço estendido para que o sangue respingasse no chão ao redor dele. — Klaus!
Stefan parou e ouviu os barulhos da floresta: o farfalhar de um animal movendo-se pela vegetação rasteira, o rangido dos galhos das árvores ao vento. Ao longe, próximo ao campus, ele podia ouvir um casal caminhando pelo bosque, rindo. Nenhum sinal de Klaus. Respirando fundo, Stefan afundou-se contra o tronco de uma árvore, levando o braço sangrando protetoramente em seu peito. Pensou no calor de Elena, em seu beijo gentil. Ele tinha que salvá-la.
De trás dele veio uma voz profunda e divertida:
— Olá, Salvatore.
Stefan se virou, tropeçando em alarme. Como ele não tinha ouvido o vampiro Antigo chegar?
A capa puída de Klaus estava suja, mas ele a usava como se fosse um manto real. Toda vez que via Klaus, Stefan ficava impressionado com o quão alto ele era, o quão claro e afiado seus olhos eram. Klaus sorriu e percorreu a distância entre eles, ficando muito perto. Ele cheirava nauseantemente a sangue e fumaça e algo sutilmente apodrecendo.
— Você me chamou, Salvatore? — Klaus perguntou a ele. Ele colocou a mão no ombro de Stefan, amigavelmente.
— Eu queria conversar — disse Stefan, impedindo-se de vacilar sob a mão de Klaus. — Tenho uma oferta para você.
— Deixe-me adivinhar. — O sorriso de Klaus se alargou. — Você acha que devemos resolver nossas diferenças como cavalheiros? — Ele parecia encantado. Seus dedos se apertaram no ombro de Stefan como um torno, e os joelhos de Stefan se dobraram. Klaus era tão forte, ainda mais forte do que Stefan se lembrava. — Eu aprecio o sangue que você e seu irmão deram para me trazer de volta, mas tenho todas as cartas neste jogo, Salvatore. Eu não preciso jogar pelas suas regras.
— Nem todas as cartas. Você não pode matar Elena — Stefan deixou escapar, e Klaus inclinou a cabeça para o lado, considerando.
— Você vai me dizer como? — perguntou ele. — Cansado de sua dama já? Eu me perguntei por que ela ainda é humana depois de todo esse tempo. Você está caindo fora do amor eterno, não é? Inteligente.
— Quero dizer, ela não pode ser morta — disse Stefan obstinadamente. Ele levantou a cabeça orgulhosamente, tentando projetar confiança. Klaus tinha que acreditar nele. — Me mate em vez disso. Eu sou a pessoa que você mais odeia.
Klaus riu, seus caninos afiados à mostra.
—  Ah, não é inteligente, afinal de contas — disse ele. — Nobre e triste em vez disso. Elena que caiu fora, então. Ela prefere envelhecer e morrer do que viver para sempre em seus braços? Seu grande romance não deve ser tão forte quanto você pensava.
— Fui eu quem você culpou pela morte de Katherine — Stefan continuou, firme. — Eu tentei matá-lo de novo em Fell’s Church. Você pode fazer o que quiser comigo: me mate, me junte ao seu exército de seguidores. Eu não vou lutar com você. Apenas deixe Elena em paz. Você não será capaz de matá-la, então deixe-a ir.
Klaus riu novamente. De repente, ele puxou Stefan para perto e cheirou profundamente, pressionando o nariz contra a garganta do outro vampiro. Seu próprio cheiro era esmagador, o cheiro doce e podre revirando o estômago de Stefan. Com a mesma rapidez, Klaus empurrou Stefan para longe novamente.
— Você cheira a mentiras e medo — disse ele. — Elena pode ser morta, e eu vou ser o único a fazê-lo. Você sabe disso, e é por isso que está com medo.
Stefan se obrigou a olhar Klaus diretamente nos olhos.
— Não. Ela é intocável — afirmou tão firmemente quanto podia. — Me mate em vez disso.
Klaus o atingiu quase languidamente com uma mão e Stefan se sentiu voar pelo ar. Com um estalo alto, ele bateu em uma árvore e caiu no chão, ofegante.
— Ah, Salvatore — disse Klaus em tom de cumplicidade, elevando-se sobre Stefan. — Eu te odeio. Mas não quero mais matá-lo, não mais.
De onde ele estava deitado no chão, Stefan conseguiu levantar a cabeça e grunhir interrogativamente. Qual é, então?
— É melhor matar Elena e deixá-lo viver, eu acho — o vampiro Antigo disse, seus dentes brancos brilhando na luz do sol. — Eu vou matá-la bem na sua frente e garantir que a imagem de sua morte assombre você para sempre, em qualquer lugar que você vá. — Seu sorriso se alargou. — Esse será o seu destino.
Klaus se virou deliberadamente e saiu da clareira, propositalmente não usando sua velocidade vampírica. Pouco antes de sair da vista de Stefan, ele olhou para trás e fez uma pequena saudação de dois dedos.
— Nos veremos em breve — disse ele. — Você e sua amada.
Stefan deixou a cabeça cair de novo no chão da floresta. Sua coluna ainda estava rachada de onde Klaus o jogara na árvore. Ele tinha falhado. Klaus estava convencido de que havia algum jeito de matar Elena, e não desistiria até encontrá-lo.
Assim que pudesse, Stefan voltaria para Elena e os outros, dando a eles a melhor chance de lutar contra Klaus. Mas, uma miséria escura e fria florescia dentro dele e, só por um momento, Stefan deixou-se afundar naquela escuridão.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!