5 de abril de 2019

Capítulo 24

Stefan tinha uma forte sensação de déjà vu. Ali estava ele de novo, com o coração pesado, do lado de fora da porta de madeira escura do apartamento de Damon, pronto para implorar a seu irmão, mas já sabendo que suas palavras seriam inúteis. Ele podia ouvir Damon se movendo silenciosamente dentro do apartamento, as páginas de um livro sacudindo, a respiração rasa de seu irmão, e sabia que Damon podia ouvi-lo também, hesitando no corredor.
Ele bateu. Desta vez, quando Damon abriu a porta, não rosnou imediatamente para Stefan, mas em vez disso, olhou para ele pacientemente, à espera de Stefan falar.
— Eu sei que você não quer me ver — começou Stefan. — Mas pensei que deveria te contar o que está acontecendo.
Damon recuou e acenou para Stefan entrar.
— Como você quiser, irmãozinho — disse ele alegremente. — mas receio não poder lhe pedir para ficar muito tempo. Tenho um encontro com uma pequena e deliciosa formanda. — Seu sorriso se alargou quando Stefan estremeceu.
Decidindo não responder a isso, Stefan se afundou em uma das poltronas cromadas e pálidas da sala de estar ultramoderna de Damon. Damon parecia melhor do que da última vez que Stefan esteve ali. Suas roupas e cabelos estavam perfeita e elegantemente arrumados, e sua pele pálida tinha um leve rubor, um sinal claro de que ele estava se alimentando livremente. Stefan fez uma careta com o pensamento, e Damon arqueou uma sobrancelha para ele.
— Então, há algo acontecendo? — ele perguntou. Sua voz assumiu um tom zombeteiro nas poucas palavras.
— Katherine está de volta — disse Stefan sem rodeios, e teve o prazer de ver o sorriso cair do rosto de Damon. — Klaus a ressuscitou dos mortos de alguma forma.
Damon piscou lentamente, seus longos cílios negros cobrindo os olhos por um momento, e então ele mostrou seu sorriso cruel novamente.
— A dupla dinâmica junta de novo, hein? Deve ser um punhado para você e seus humanos.
— Damon — Stefan ouvia a urgência na própria voz. Damon construíra um muro em torno de si, mas o verdadeiro Damon ainda estava lá, não estava? Ele não poderia ter deixado de se importar com Elena, parado de se preocupar com o próprio Stefan em tão pouco tempo, poderia? Se o plano de Stefan contra Klaus fosse funcionar, ele precisaria que Damon se importasse. — Klaus está determinado a descobrir a verdade sobre Elena — disse ele rapidamente. — Eles serão obrigados a usar Katherine como uma arma contra você. Eles vão ver como você se separou do resto de nós. Eu estou te implorando, por favor, não diga nada a eles. Se você não dá mais a mínima para qualquer um de nós, pelo menos se lembre do quanto você odeia Katherine e Klaus.
Inclinando a cabeça, Damon estreitou os olhos especulativamente para Stefan.
— Eu nunca fui o elo mais fraco, maninho — disse ele. — Mas, por uma questão de simples curiosidade, diga-me, que verdade sobre Elena?
O chão balançou vertiginosamente sob os pés de Stefan e ele fechou os olhos por um momento. Era um idiota. Não pedira os detalhes da reunião da meia-noite de Elena e Damon na floresta, e tinha concluído que Elena tinha dito a ele que era uma Guardiã. Ele poderia ter mantido a boca fechada, e Damon não seria um perigo para eles, pelo menos não nessa conta.
Mas não, Damon sabia que Elena era uma Guardiã em potencial, que uma vez planejaram que ela se juntasse a eles. Ela disse-lhe que os Guardiões tinham matado seus pais, tentando chegar até ela. E ele sabia que Elena tinha Poder agora, que ela podia ver auras. Se ele deixasse esses fatos escaparem para Katherine ou Klaus, teria sido bastante perigoso. Melhor que Damon seja alertado com uma verdade parcial. Certo? Stefan sacudiu a cabeça ligeiramente. Era impossível saber o que Damon poderia fazer.
Damon ainda o observava, seus olhos brilhantes e cruelmente divertidos, e Stefan teve a sensação desconfortável de que sua indecisão estava estampada com ousadia em suas feições, claramente evidente para alguém que o conhecia tanto quanto Damon.
— A verdade de que Elena está ligada aos Guardiões — disse ele, por fim. — Klaus usaria isso contra ela, se pudesse. Por favor, Damon. Você diz que não se importa, mas não pode querer que Klaus mate Elena. Klaus quase destruiu você. — Por favor, meu irmão, ele pensou, sem saber se Damon estava lendo seus pensamentos. Por favor. Não nos abandone. Ou não haverá nada além de dor, para todos nós.
Damon sorriu brevemente e sacudiu os dedos com desdém para Stefan antes de se virar.
— Ninguém me machuca, irmãozinho — disse ele por cima do ombro. — Não por muito tempo. Mas não se preocupe, tenho certeza que posso lidar com Katherine se ela vier até mim.
Stefan se aproximou do irmão, movendo-se para encontrar os olhos de Damon novamente.
— Se algo acontecer comigo — disse ele sombriamente —, me prometa que você cuidará de Elena. Você a amou uma vez. Ela poderia te amar, se... se as coisas fossem diferentes. — Não importa o que acontecesse, Elena não poderia ficar desprotegida.
Por um momento, a máscara de indiferença de Damon pareceu se levantar, sua boca ficou tensa e seus olhos escuros de meia-noite se estreitaram.
— O que você quer dizer, se algo acontecer com você? — disse ele bruscamente.
Stefan sacudiu a cabeça.
— Nada — respondeu. — É um momento perigoso, só isso.
Damon olhou para ele por um momento mais longo e, em seguida, a máscara estava de volta no lugar.
— Todos os tempos são perigosos — disse ele, sorrindo ligeiramente. — Agora, se você me der licença... — Ele se afastou na direção da cozinha, e depois de alguns minutos, Stefan percebeu que ele não voltaria.
Stefan arrastou os pés e hesitou brevemente antes de se virar em direção à porta. A reunião fora tão bem quanto ele poderia ter razoavelmente esperado: Damon não garantira seu próprio silêncio, mas tampouco os ameaçara, e parecia desdenhoso de qualquer sugestão de que pudesse ajudar Katherine e Klaus. No que dizia respeito a proteger Elena, tudo o que Stefan podia era fazer sua parte. Ele sabia que se isso realmente acontecesse, seu irmão faria a coisa certa.
Stefan deu adeus, que ficou sem resposta, e saiu pela porta. Por tudo o que sabia, Damon saíra pela janela e já estava voando pelo campus como um corvo. Seu coração afundou com o pensamento de deixar seu irmão agora, sem um adeus, mas ele continuou. Se ambos sobrevivessem, ele e Damon se conectariam novamente como irmãos. Ele não podia deixar de ter esperança. Mas não sabia quando ou como isso aconteceria. Talvez ele tivesse perdido o irmão por mais um século ou dois. O pensamento o fez se sentir desolado, indescritivelmente sozinho.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!