5 de abril de 2019

Capítulo 23

Guardiões Estúpidos, pensou Elena, se afastando do ginásio. Se eles querem algo de mim, por que não podem simplesmente me dizer? Elena e Meredith tinham lutado antes da aula matinal de Meredith e agora ela estava com pressa de voltar para casa. Estar sozinha no campus a deixava nervosa, e ela não tinha certeza se era paranoia, mas parecia que alguma coisa estava perto de Elena. Muito perto.
Os Guardiões eram manipuladores, isso era tudo que importava para eles. Não eram simples, não eram honestos. Não como eu, ela disse a si mesma ferozmente. Não mais, não por muito tempo. Mas Andrés certamente não era como eles, o que era um fato reconfortante.
Ela teve um vislumbre de uma figura com o canto do olho, apenas a menor impressão de movimento. Por todo o campus teve a sensação de estar sendo observada. Alguém a seguia.
Elena se virou, mas onde ela tinha certeza que tinha visto uma pessoa, não havia ninguém. Sua nuca formigava, e ela encolheu os ombros, infeliz. Klaus estava lá fora? Ela tentou senti-lo, mas não captou nada. Não via nenhuma aura em lugar nenhum.
Ela pegou o telefone e tentou ligar para Stefan. Não queria se arriscar e se sentiria muito mais segura se não estivesse sozinha. Onde estava todo mundo? Era o meio da manhã — embora o campus esvaziasse mais e mais à medida que os alunos ficaram mais nervosos e as aulas eram canceladas — deveria ter alguém em algum lugar por perto.
Stefan não atendeu. Jogando o telefone de volta na bolsa, ela andou mais rápido.
Assim que chegou ao seu dormitório, uma voz fria e dominante falou atrás dela.
— Elena Gilbert.
Elena congelou e então, lentamente, se virou.
— Sim? — disse ela.
A mulher alta de pé atrás dela era séria e profissional, o cabelo loiro puxado para trás em um coque elegante, vestida com um terno azul-marinho simples. Os olhos azuis salpicados de dourado encaravam solenemente Elena. Esta mulher não era Ryannen, a Guardiã da Corte Celestial que uma vez tentou recrutar Elena para suas fileiras, mas era semelhante o bastante para que Elena tivesse que olhar com cuidado para ter certeza. A semelhança incomodou Elena: Ryannen não tinha sido gentil, nem um pouco.
Rapidamente, ela tentou ler a aura da mulher, mas não viu nada além de luz branca.
Depois de um olhar rápido e abrangente para Elena, a mulher disse em voz baixa:
— Eu sou Mylea, uma das Guardiãs Principais, e vim administrar seu juramento de tutela e atribuir-lhe sua primeira tarefa.
Elena imediatamente enrijeceu. Isso era o que ela estava esperando, é verdade. Mas estava pronta?
— Espere um minuto — disse ela. — Eu gostaria de saber mais antes de fazer qualquer juramento. Você foi uma das Guardiãs que mataram meus pais?
A Guardiã franziu a testa, uma linha aparecendo entre as sobrancelhas perfeitamente arqueadas.
— Não estou aqui para discutir o passado, Elena. Você fez o seu melhor para despertar seus Poderes antes mesmo da minha abordagem. Você trouxe outro Guardião humano aqui para orientá-la e guiá-la. Está claro por suas ações que você está ansiosa para isso, as responsabilidades e habilidades que só os Guardiões têm. Você receberá as informações necessárias depois de prestar seu juramento.
Aturdida, Elena mordeu o lábio. Tudo o que Mylea disse era verdade. Elena já tinha aceitado que seria uma Guardiã. Não importa quão trágica fosse a morte de seus pais, nada que Mylea dissesse agora os traria de volta. Elena tinha que pensar em todas as pessoas que poderia salvar com seus Poderes Guardiões em pleno vigor.
Mylea deu de ombros e continuou.
— Sua vida sempre esteve destinada assim. Eu não conseguiria mudá-la mais do que poderia impedir que as folhas mudassem no outono. — Um vislumbre de humor brilhou de repente em seu rosto, tornando-o infinitamente mais humano. — Aliás, talvez eu pudesse mudá-la, mas seria difícil e no final causaria grande prejuízo tanto a você quanto ao seu mundo. O que será, será. — Então o toque de humor desapareceu, e ela olhou para Elena mais uma vez. — O tempo é curto — disse. — Responda sim ou não: você está preparada para prestar seu juramento e receber sua tarefa?
— Sim — respondeu Elena, e estremeceu. Seu acordo era irrevogável. Não havia como mudar de ideia agora, ela sabia. Mas estava prestes a receber o Poder que precisava para combater Klaus.
— Venha, então — disse Mylea. Ela conduziu Elena pela esquina do dormitório até uma alcova murada onde um carvalho crescia. Fechando os olhos por um segundo, ela assentiu e depois os abriu novamente. — Ninguém vai nos incomodar aqui. Ajoelhe-se e estenda a mão.
Hesitante, Elena ficou de joelhos na grama fria debaixo da árvore e estendeu a mão direita à sua frente. Mylea virou com firmeza a mão de Elena de modo que a palma foi estendida para cima, e puxou uma pequena adaga prateada com joias azuis do bolso. Antes que Elena pudesse reagir, Mylea passou rapidamente a adaga na palma de sua mão em um padrão curvo, o sangue brotando em seu rastro. Elena assobiou com a dor e automaticamente tentou puxar a mão, mas o aperto de Mylea era forte.
— Repita depois de mim — disse ela. — Eu, Elena Gilbert, prometo usar meus Poderes para melhorar a raça humana. Aceitarei as tarefas que me forem dadas e as concluirei. Vou abrigar os fracos e guiar os fortes. Eu reconheço que minhas tarefas são para o bem maior e, se eu falhar em cumpri-las, posso estar sujeita a perder meus Poderes e ser transferida para a Corte Celestial.
Elena hesitou — transferida para a Corte Celestial? — mas os olhos de Mylea estavam firmes e ela pôde sentir a atração do Poder ao redor dela. Sangue escorria pelo pulso dela enquanto repetia as palavras de Mylea, Mylea estimulando-a quando ela hesitou. O sangue pingou de sua mão nas raízes do carvalho e encharcou a terra. Enquanto Elena falava as últimas palavras, o corte em sua mão se  curou, deixando uma pálida figura de um oito como cicatriz em sua palma.
— O símbolo do infinito e da Corte Celestial — disse Mylea, dando a Elena um pequeno sorriso. Ela ajudou Elena a ficar de pé e beijou-a cerimoniosamente nas duas bochechas. — Bem-vinda, irmã.
— O que significa “perder o meu lugar na Terra e ser transferida para a Corte Celestial”? — perguntou Elena. — Eu sou humana, pertenço a este lugar.
Mylea franziu a testa, inclinando a cabeça para estudar Elena.
— Você não é mais humana — disse ela. — Esse é o preço que temos que pagar. — Elena ficou boquiaberta, horrorizada, e Mylea acenou a mão com desdém e prosseguiu. — Mas você permanecerá na Terra, desde que execute suas tarefas corretamente. E agora, vamos para sua primeira tarefa. Um velho vampiro veio ao seu campus, um que causou muitos danos em todo o mundo. Ele é forte e inteligente, mas você o confrontou antes e escapou ilesa. A história que vocês compartilham lhe dará a habilidade de derrotá-lo, agora que seu Poder está florescendo. Houve um tempo em que ele não era mais uma ameaça.
Elena assentiu, pensando no ano em que Klaus morrera.
— Mas agora ele começou a matar e chamou a nossa atenção mais uma vez. Seu destino está selado — continuou Mylea. — Você deve matar o vampiro Damon Salvatore.
Elena ofegou. Não, pensou ela aturdida. Klaus, ela deveria dizer Klaus.
Na fração de segundo em que Elena estava cambaleando, Mylea se afastou com cuidado, tirando uma elaborada chave de ouro do bolso, e girou a chave no ar.
— Não! — gritou Elena, encontrando sua voz. Mas era tarde demais. O ar vazio ondulou e Mylea se foi.

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