5 de abril de 2019

Capítulo 20

Pessoas passavam por Elena por todos os lados, batendo e esbarrando nela, então ela se achatou contra uma árvore. O barulho era esmagador — gritos e gemidos e corpos batendo juntos.
O exército de Klaus era grande demais, mas seus amigos estavam segurando a onda. Stefan, seu rosto uma máscara de fúria, estava lutando com uma garota magra de cabelos claros. Quando Elena teve um vislumbre do rosto da menina, seu coração pareceu parar por um segundo. Katherine.
Elena tinha visto Katherine morrer, as linhas de fogo visíveis abrirem seu rosto enquanto ela gritava. Como ela poderia estar ali? Katherine levantou a mão e roçou o rosto de Stefan, os dedos curvados em garras, e ele torceu o braço dela violentamente, rosnando e derrubando-a no chão, onde estavam perdidos para a visão de Elena.
Meredith estava brigando com um cara bonito de cabelos escuros, cujo rosto era vagamente familiar para Elena. Eles estavam equilibrados, cada um bloqueando os golpes do outro com velocidade e eficiência mortais. Meredith parecia tensa e séria, sem a expressão alegre que costumava ter na batalha.
Matt e Chloe enfrentavam uma vampira, Chloe protegendo Matt com seu corpo e puxando a cabeça da vampira para trás, tentando virá-la para que Matt pudesse acertá-la com a estaca no coração. A vampira rosnou e se contorceu nas mãos de Chloe.
Um uivo selvagem veio de um lado da clareira, fazendo o cabelo na nuca de Elena ficar de pé, e seus olhos disparam para o horizonte: o sol estava baixo e uma lua cheia tinha acabado de nascer. O resto dos lobisomens tinham se transformado enquanto lutavam, e agora os vampiros que estavam lutando com eles na forma humana recuaram quando o bando saltou avidamente sobre eles. Zander e Shay, que era facilmente identificável pelo tom avermelhado de sua pele, puxaram um vampiro para baixo juntos, seus corpos pesados prendendo-o enquanto rasgavam sua carne.
Bonnie e Alaric estavam cantando em latim, suas vozes firmes, mas tensas. Ao seu lado, Elena podia ouvir Andrés murmurando baixinho em espanhol. Ela olhou de relance para ele, e sua aura era tão clara que ela podia vê-lo sem sequer se esforçar: um círculo da cor de folhas de faia na primavera estava se espalhando para fora dele, tocando seus aliados na luta. Ela percebeu que, assim como Bonnie e Alaric, Andrés estava usando todo o Poder que podia chamar para proteger seus amigos.
Eles estavam lutando duramente, mas havia muitos vampiros, pelo menos vinte. Tanto homens como mulheres de diferentes raças e etnias, mas todos jovens, todos lindos. Todos com uma certa selvageria louca na expressão que ecoava a de Klaus. Seus rostos estavam ferozes com ódio e antecipação. Eles queriam lutar, Elena podia dizer, queriam matar. Um deles, um menino de cabelos dourados que parecia mais jovem que Elena, talvez no colégio, lutava com um lobisomem no chão, rindo, o rosto manchado de sangue.
Katherine está aqui. As palavras repetiam no cérebro de Elena como se tivessem um significado além do fato de que Klaus ressuscitara sua inimiga mais antiga. Katherine estava ali... e Ethan tinha usado o sangue dos vampiros que Klaus criou para ressuscitá-lo.
Klaus estava chamando velhos amigos. Com uma enjoo repugnante, Elena se perguntou: Será que todos esses vampiros com Klaus, todos reunidos como uma espécie de tribo cruel, eram algum tipo de família? E Klaus usara o sangue deles para ressuscitar Katherine, para ressuscitar sua filha mais amada assim como ele tinha ressuscitado?
Pela multidão lutando brutalmente, Klaus estava vindo em sua direção, o rosto alegre. Ele era tão bonito, ela pensou irrelevantemente, e tão aterrorizante. Seus olhos azuis-gelo estavam arregalados e sua pele dourada brilhava ao luar. Seus aliados — seus filhos — saíam da reta de modo que seu caminho se abria sem esforço. Algo brilhou na mão dele. Com um calafrio, Elena percebeu que ele segurava uma adaga desembainhada.
Ela não conseguia se mexer. Sentia-se como se estivesse em um sonho enquanto Klaus se aproximava mais e mais, sorrindo e deslizando facilmente pela multidão, até que estava tão perto que ela podia sentir o cheiro acobreado de sangue nele. Ele pegou o braço dela suavemente e seu sorriso se ampliou. O vampiro segurou-a sem esforço ainda com seu Poder, e quando ela desviou os olhos para o lado, viu Andrés, a boca aberta em horror, e percebeu que Klaus o estava segurando também. Stefan também estava lutando contra o Poder de Klaus, desesperado para alcançar Elena antes que fosse tarde demais.
— Olá, linda — disse Klaus, a voz suave e íntima. — Acho que chegou a hora, não é? Estou pronto para provar você.
A lâmina da adaga brilhou sob a luz do sol enquanto ele a erguia até o pescoço dela. Elena, com o foco afiado de terror, viu seu punho reluzindo com runas e padrões. Debaixo da lâmina, uma curiosa besta de cara amarrada, algo parecido com um lagarto, sorriu para ela com crueldade. E então ela não podia mais ver a adaga, porque Klaus a pressionou em sua garganta.
Stefan, Elena pensou. Ela podia vê-lo do outro lado da clareira, o rosto congelado no desespero. Mesmo que estivesse se tornando uma Guardiã, Elena sempre pensou que as coisas dariam certo e que poderia ser aquela garota normal e feliz com ele. Seu coração iria quebrar sem ela, ela percebeu, e teve um momento de pura tristeza apenas por ele e pelo que eles poderiam ter tido juntos.
Ela sentiu a lâmina fria atravessar sua garganta, e depois, o calor do sangue fluindo. Klaus se aproximou com  a respiração fresca e fétida, e de repente recuou. O sangue tinha parado, Elena percebeu. E ela não sentia mais a dor. Estava se curando quase tão rápido quanto Klaus podia cortá-la.
A lâmina de Klaus não podia matá-la. Seria porque ela era uma Guardiã? — ela se perguntou aturdida.
Klaus rosnou em fúria e golpeou o pescoço dela novamente. Elena sentiu um choque de dor, mas de novo, a ferida pareceu se curar. Os outros viam o que estava acontecendo agora, embora o Poder de Klaus devesse estar mantendo-os à distância. Elena encontrou os olhos horrorizados de Stefan quando Klaus a empurrou para longe dele.
— Seu mago e bruxa encontraram uma maneira de proteger você, não é? — zombou Klaus. Ele olhou com raiva para Bonnie e Alaric, que deram um passo automático para trás, com os rostos brancos de medo, e então se virou para Elena. — Não se preocupe, linda, isso não vai me impedir de ter você. — Sua voz passou para uma sussurro insinuante e ele estendeu um dedo para traçar a linha do lábio superior de Elena. Ele sorriu, mas seus olhos estavam furiosos. — Eu vou descobrir uma maneira de contornar o que eles fizeram, acredite em mim.
Ele levantou a voz novamente, olhando lentamente ao redor da clareira.
— Nós gostamos daqui, meus filhos e eu — anunciou ele. — Todo o sangue fresco e jovem. É um banquete contínuo. — Um grito áspero veio de alguns dos vampiros. Ele sorriu novamente, seus caninos brancos e afiados brilhando nos últimos raios do sol poente, e sua mão se apertou ao redor do queixo de Elena, arrastando-a para frente. — No final — disse, sua voz baixa e íntima — Nenhum de seus amigos sobreviverá a nós.
Klaus se virou, atravessando a clareira a passos largos. Enquanto passava pela Alcateia, paralisada e silenciosa pelo seu Poder, ele agarrou o lobo mais próximo num movimento rápido e suave — Chad, Elena percebeu, reconhecendo seu corpo magro e a marca branca em sua garganta — e o jogou facilmente em uma árvore. Elena ouviu os ossos de Chad estalarem e então o lobo desmoronou flacidamente ao pé da árvore, imóvel.
Klaus sorriu e um relâmpago cortou o céu.
— Este é apenas o primeiro. Vejo vocês em breve. — Ele caminhou devagar e despreocupadamente pelo bosque. Seus vampiros se fundiram na noite depois dele.
Quando o exército de Klaus desapareceu, Elena sentiu seu Poder libertá-la, finalmente, e caiu de joelhos. A Alcateia, os primeiros a retornar ao movimento, correram para o lado de Chad.
Olhando através da clareira, Elena viu Stefan. Ele estava pálido e imóvel, e quando seus olhos se encontraram, Elena viu um espelho de seu próprio medo.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!