5 de abril de 2019

Capítulo 19

Elena não tinha sido nenhuma estranha para a batalha no ano passado. Seu eu mais novo nunca teria sonhado com práticas de armas e manobras defensivas. Aquela Elena se concentrava em viagens para a França e vestidos bonitos. Mas agora, a luta contra o mal era o que dava a Elena emoção, tanto quanto ela odiava admitir. Agora ela caminhava unida com os amigos e aliados, todos olhando para ela em busca de orientação.
Geralmente eles estavam todos unidos e olhando para ela em busca de orientação, de qualquer maneira. Desde que ela e Stefan defenderam Damon, Meredith estava distante. A Alcateia olhava para eles com tanta suspeita que Elena quase podia ver o cabelo arrepiado em suas cabeças enquanto se afastavam dela. Elena tinha se virado no outro dia para encontrar Shay olhando para ela ameaçadoramente. Até mesmo Bonnie parecia estar evitando-a nos últimos dias. Apenas Andrés, embora ela tivesse dito a ele o que tinha acontecido, permaneceu inalterado em seu atitude em relação a Elena. Eles trabalharam juntos no dia anterior, tentando desbloquear mais Poderes de Elena, mas ainda não tinham tido sucesso.
O fato de que seus outros amigos de repente suspeitavam dela doía. Na noite em que encontraram Damon se alimentando, Elena estava com Stefan em seu quarto.
— Estamos fazendo a coisa certa, não estamos? — ela lhe perguntou, lágrimas quentes ardendo nos cantos dos olhos. — Mesmo que nossos amigos estejam com medo, não podemos abandonar Damon.
Stefan tinha arrastado uma mão pesada e reconfortante pelas costas dela.
— Tudo vai ficar bem — disse ele, mas Elena podia ouvir a dúvida e a dor em sua voz, espelhando a dela.
Elena teve que implorar a Meredith para segui-la novamente enquanto tentava localizar Klaus. Mas encontrar Klaus antes dele atacar era o melhor plano, Elena tinha certeza, e desta vez eles tinham todos os lutadores que poderiam reunir. Klaus era tão poderoso; talvez o elemento surpresa lhes desse alguma vantagem. Apesar de um pequeno conforto, eles esperavam que a luz do dia também trabalhasse a seu favor.
A luz do sol certamente parecia estar incomodando Chloe, Elena pensou. As covinhas da garota de cabelos encaracolados não estavam à vista enquanto ela se agarrava ao lado de Matt, com a cabeça baixa. Ela parecia tensa e triste, e Matt, apesar de estar em pé e alerta como um soldado, parecia cansado, suas feições mais nítidas e pálidas do que tinham sido apenas algumas semanas antes.
Zander e sua Alcateia de lobisomens Originais, por outro lado, estavam empolgados e praticamente saltando pelas paredes. Enquanto Elena observava, Zander agarrou o alto e desgrenhado Marcus em uma chave de braço e o forçou a ficar de joelhos, ambos rindo e xingando quando Marcus o chutou. Até mesmo Shay, que geralmente parecia um pouco distante do resto do bando, entrava em ação, gritando alegremente de seu lugar nos ombros de Jared enquanto ele girava e girava, tentando desalojá-la. Esta noite seria lua cheia, e os lobisomens, sentindo a mudança chegando, estavam cheios de adrenalina.
Stefan se movia entre os amigos, calmamente oferecendo instruções e palavras de encorajamento. Os lobisomens se aquietaram para escutá-lo, suas expressões alerta. Bonnie e Alaric, olhando um livro de feitiços que Alaric tinha achado, se viraram para mostrar a Stefan o que tinham encontrado, obviamente pedindo seu conselho. Eles podiam estar zangados com ele por proteger Damon, Elena percebeu com uma onda de orgulho, mas quando o impulso veio pressionar, todos confiaram em Stefan.
Meredith permaneceu em silêncio enquanto se preparava para a batalha. Ela afiou suas facas e poliu seu bastão com o rosto apertado e fechado, recusando-se a olhar para Stefan ou Elena. Impulsivamente, Elena foi em direção a sua amiga caçadora. Não sabia o que poderia dizer, mas Meredith entendia lealdade: ela seria capaz de perdoar Elena, mesmo que não concordasse com ela. Mas antes que desse mais do que alguns passos, Elena sentiu uma mão em seu braço. Ela se virou e lá estava Andrés, sorrindo timidamente para ela.
— Você veio — disse, um simples prazer borbulhando dentro dela.
— Você me ligou — ele respondeu. — Temos que nos unir contra as coisas más deste mundo, não é?
— Absolutamente — Stefan disse quando se juntou a eles.
Elena apresentou Stefan e Andrés, observando Andrés franzir a testa e se afastar um pouco, percebendo claramente pela primeira vez que o Stefan de quem ela falava era um vampiro. Mas então ele apertou a mão de Stefan entusiasticamente e Elena relaxou. Tinha pensado que Andrés veria a boa pessoa que Stefan era, vampiro ou não, mas não estava inteiramente certa disso. Os Guardiões da Corte Celestial não viram, não realmente.
Depois de cumprimentar Andrés, Stefan voltou-se para Elena.
— Acho que estamos todos prontos para ir — disse a ela. — Você está pronta?
— Tudo bem — disse Elena. Fechando os olhos, ela respirou profundamente, sentindo Andrés alimentando seu Poder, abrindo-se para deixar fluir dentro dela.
— Pense em proteção — Andrés disse a ela, sua voz quase um sussurro. — Pense em defender aqueles que você ama de Klaus.
Elena se concentrou, e como antes, foi como flores desabrochando dentro dela, uma por uma. Ela sentiu o familiar cinza sinistro e o azul da aura de Damon atravessando o campus e afastou-o, concentrando-se mais. Klaus. Klaus. Havia algo mais, gorduroso e escuro, como uma mortalha fétida. Pior que a aura de Damon, muito pior.
Seus olhos se abriram.
— Por aqui — disse.


Mesmo para Meredith, que era facilmente a melhor atleta humana do grupo, parecia que eles estavam andando por horas. Estavam profundamente embrenhados na floresta agora, e o sol passara e pairava acima do horizonte; eles perderiam a vantagem que a luz do dia lhes traria. Mas Elena ainda seguia em frente, tão reta e certa como se estivesse seguindo uma estrada claramente construída através das árvores.
Meredith puxou o cabelo do pescoço em um rabo de cavalo, tentando se refrescar, e continuou depois de Elena, afastando a memória da última vez que deixara Elena guiá-los, da maldita alimentação de Damon. Um bom guerreiro focava na batalha à sua frente, não em conflitos dentro de seu próprio exército.
O chão estava ficando pantanoso, seus passos deixando pequenas poças de água se infiltrando na lama atrás deles, quando Elena de repente parou e gesticulou para os outros se aproximarem dela.
— Estamos quase lá — disse ela. — Depois daquele próximo grupo de árvores.
— Tem certeza que é Klaus? — perguntou Meredith, e Elena balançou a cabeça.
— É um grande grupo de vampiros, de qualquer maneira — respondeu ela. — Posso sentir isso. Quem mais poderia ser?
Stefan assentiu.
— Eu também os sinto.
Agora que todos sabiam onde estavam indo, Elena voltou a caminhar com Alaric e Bonnie, que começaram a murmurar feitiços de proteção e ocultação, com as mãos estendidas. Andrés, respirando profundamente e parecendo atrair o Poder dentro de si mesmo, se juntou a eles. Era hora  dos lutadores assumirem a liderança.
Stefan e Meredith se moveram lado a lado, Meredith equilibrando seu bastão e Stefan posicionado na ponta dos pés. Sua boca estava ligeiramente entreaberta, e Meredith pôde ver que seus afiados caninos afiados tinham descido em antecipação ao ataque. Ela sentiu uma pontada leve e inesperada: não muito tempo atrás, Damon tinha lutado ao lado dela e tinha sido um camarada digno, rápido, corajoso e implacável. Stefan era tudo isso; mas não sentia o mesmo prazer numa luta como Damon. Se ao menos Damon pudesse ser confiável.
Zander, Shay e os outros quatro lobisomens da Alcateia que podiam mudar sem a lua cheia no auge tinham mudado, e flanqueavam Stefan e Meredith. Movendo-se em silêncio, eles andavam na frente com as caudas esticadas para trás e as orelhas levantadas, os lábios puxados para trás em rosnados silenciosos. Zander e Shay, liderando o bando de cada lado, moviam-se em conjunto, o passo de cada um perfeitamente no mesmo ritmo do outro. Os cinco lobisomens restantes, que não conseguiam se transformar até a lua nascer, caminhavam atrás deles, tão alertas e focados quanto sua família lupina. Matt e Chloe vinham em seguida, a meio caminho entre os guerreiros e os outros.
Eles abriram caminho pelo último grupo de árvores, movendo os pés com cuidado para não fazer barulho. Bonnie e Alaric fizeram um feitiço silencioso, abafando a aproximação deles. Mas quando finalmente ficaram a céu aberto, encontraram Klaus, agora vestido com a capa de chuva gasta que Meredith se lembrava com uma pontada de terror de seus encontros em Fell’s Church, com o rosto iluminado pelo humor aterrorizante, rindo. Havia um enorme grupo de vampiros lá, superando facilmente suas próprias forças, e todos os olhos já estavam fixos neles.
Naquele momento congelado, Meredith podia ver todos os vampiros em forte definição. Seu cérebro captou um rosto e parou, confuso. Elena. Mas Elena estava atrás dela, e Meredith nunca tinha visto o rosto da amiga expressar tanta malícia. Então ela percebeu: o dourado mais pálido do cabelo, o azul mais claro dos olhos, a alegria ligeiramente louca no rosto bonito. Não era Elena. Era Katherine, que de alguma forma, tinha renascido.
E então, logo atrás de Katherine, Meredith viu outro rosto que conhecia e seu coração congelou. Não podia ser Cristian. Seu irmão era humano agora; as Guardiãs se certificaram disso. Não?
Mas lá estava Cristian, seu rosto familiar apenas das fotos em casa, e ele sorriu para ela intimamente através da clareira, seus caninos vampiros visíveis. Por uma fração de segundo, as mãos de Meredith afrouxaram em seu bastão e ela balançou em seus pés. Mas em seguida, ela firmou as mãos novamente e assumiu uma postura de luta. Achava que sua família estava segura, que Cristian tinha sido devolvido a eles. Tudo estava desmoronando novamente naquele exato momento, mas ainda tinha uma batalha para lutar.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!