10 de abril de 2019

Capítulo 19 - Os mortos de joias alegres


EMMA SONHOU COM FOGO E trovões, e foi acordada pelo som de madeira lascada. Pelo menos, parecia que a
madeira estava se despedaçando. Quando ela se sentou, grogue e confusa, o braço de Julian ainda está em volta
da cintura dela, ela percebeu que era alguém batendo muito, muito forte na porta do quarto.
Julian se moveu, gemendo baixinho em seu sono; Emma se soltou e caminhou para abrir a porta, esperando
encontrar Cameron ou Livvy.
Era Diana.
A visão dela agia como uma dose de cafeína. Ela estava toda de preto, de suas botas de motociclista pretas
para suas calças de couro e jaqueta. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo apertado e encaracolado na
parte de trás de sua cabeça. Ela parecia intimidante, mas Emma não se importava muito: ela deu um gritinho e
jogou os braços ao redor de Diana, que fez um barulho alto de surpresa.
— E aí, sumida — ela disse. — Como você está?
— Desculpe. — Julian apareceu e gentilmente afastou Emma.
— No nosso mundo, você é nossa tutora.
— Oh, certo. Sua dimensão alternativa. Livvy me contou sobre isso quando eu voltei da minha ida à farmácia.
— Diana levantou as sobrancelhas. — Muito bem.
— Você não nos conhece de forma alguma aqui? — Emma perguntou com alguma decepção.
— Não desde que vocês eram crianças. Eu vi vocês no Salão dos Acordos durante a Guerra Maligna, antes de
eles mandarem todas as crianças pelo portal. Vocês eram bons lutadores — ela adicionou. — Então, eu ouvi que
vocês se tornaram Crepusculares.
Eu não esperava vê-los novamente, a menos que vocês estivessem apontando a ponta de uma arma para mim.
— Bem — Emma disse. — É uma boa surpresa, não?
Diana parecia sombriamente divertida.
— Vamos. Você pode me dizer como eu sou em seu mundo enquanto eu os levo para o saguão.
Eles vestiram roupas — botas, camisas de mangas compridas, jaquetas de bombardeio. Emma se perguntou
onde os rebeldes conseguiram seus suprimentos. Sua calça preta parecia que era feita de lona ou algo mais
grosso da mesma forma e coçava. As botas eram legais, porém, e ela teve que admitir que gostava da maneira
como Julian usava sua camisa desbotada e a calça militar. Eles se agarravam ao seu corpo magro, musculoso, de
forma que a fez tentar não pensar na noite anterior.
Quando saíram da sala, Julian tirou uma página do caderno de anotações e enfiou-a no bolso da jaqueta.
— Para dar sorte — ele disse.
Eles se juntaram a Diana no corredor, suas botas batendo ruidosamente na madeira polida.
— Em nosso mundo, — Emma disse, enquanto desciam um lance de escadas, — você está namorando uma
fada.
Diana franziu a testa.
— Uma fada? Por que eu estaria namorando um traidor?
— As coisas são um pouco mais complicadas em nosso mundo.
— As coisas são bem complicadas aqui, criança — Diana disse quando chegaram ao andar térreo. — Entrem.
Eles passaram por baixo de um arco de tijolos e entraram em uma sala enorme cheia de móveis que pareciam
ter sido arrancados de diferentes escritórios. Havia poltronas modernas de aço e couro e colcha de retalhos
vintage e de veludo. Poltronas de algodão e chita, algumas em bom estado e algumas rasgadas; mesas baratas
com pernas de metal, colocadas de ponta a ponta para criar uma espécie de efeito de sala de reuniões.
Havia uma multidão na sala: Emma viu Livvy e Cameron, Bat e Maia, e alguns rostos familiares — Divya Joshi
e Rayan Maduabuchi, um ou dois dos membros mais antigos do Conclave de Los Angeles.
Eles estavam todos olhando para a parede leste da sala — tijolo comum e arenito, estavam queimando com
enormes letras de fogo, alcançando de uma extremidade da parede à outra.
PROCUREM POR CHURCH.
— Vocês entendem isso? — Diana disse. — Ninguém aqui entendeu. As igrejas não estão indo bem neste
mundo. Elas são todas desconsagradas e cheias de demônios.
— Todo mundo está tão quieto — Emma disse, sussurrando a si mesma. — Eles estão assustados?
— Na verdade, não, — disse Diana. — Acho que faz tanto tempo desde que qualquer um de nós viu magia.
Livvy abriu caminho através da multidão em direção a eles, deixando Cameron para trás.
— Isso é de Tessa Gray? — ela exigiu, olhos arregalados, quando os alcançou. — Essa é uma resposta à
convocação?
Funcionou?
— Sim — Julian disse. — Tenho certeza de que é exatamente isso. Tessa quer que a encontremos.
— Não é muito confiável — disse Diana. — Ela deve ter algum senso.
— Mas a parte da igreja? — Livvy parecia intrigada. — O que ela quer dizer com Church?
— Ela quer dizer um gato — disse Julian.
— E, por favor, não diga que todos os gatos estão mortos — disse Emma. — Não tenho certeza se posso lidar
com a morte de felinos em grande escala.
— Gatos, na verdade, se dão bem aqui — disse Diana. — Eles são um pouco demoníacos.
Livvy acenou com as mãos.
— Podemos nos ater aos detalhes? O que você quer dizer com um gato?
— Um gato incomum — disse Julian. — O nome dele é Church.
Ele pertencia a Jem Carstairs, uma vez, e morava conosco no Instituto depois da Guerra Maligna.
— Nós não podemos ir ao Instituto — disse Emma. — Está cheio de Ashdowns do mal.
— Sim, mas Church era um gato migratório… você se lembra — disse Julian. — Ele não morava no Instituto
com a gente. Ele caminhava ao redor da praia e parava quando sentia que era necessário. E ele nos guiava para
onde ele queria que nós fôssemos.
Se encontrarmos Church… ele pode nos levar a Tessa.
— Tessa e o irmão Zachariah tinham um gato mal-humorado com eles em Nova Iorque, depois da guerra —
disse Livvy.
— Eu vou com vocês à praia — disse Diana.
— Isso significa que você terá que atravessar toda a cidade à luz do dia — disse Livvy. — Eu não gosto disso.
— Seria mais seguro ir à noite? — disse Julian.
— Não, seria ainda pior — disse Livvy.
— Hey — disse uma voz suave.
Emma se virou para ver um garoto com cabelos ondulados e pele castanha clara olhando para eles com uma
mistura de aborrecimento e… não, era apenas aborrecimento.
— Raphael Santiago? — ela disse.
Ela o reconheceu da Guerra Maligna, de fotos em livros de história sobre seus heróis. Emma sempre pensara
que Raphael, que fizera seu famoso sacrifício para salvar a vida de Magnus Bane, tinha um rosto angelical. A
coroa de cachos, a cicatriz da cruz na garganta e os olhos arregalados no rosto redondo de criança eram os
mesmos.
Ela não esperava a expressão sardônica que cobria tudo isso.
— Eu sei quem você é — disse Emma.
Ele não parecia impressionado.
— Eu sei quem você é também. Vocês são os Crepusculares que sempre fazem uma exibição repugnante de si
mesmos. Eu sei que vocês são malvados, mas por que vocês não podem ser mais discretos?
— Esses realmente não somos nós — disse Julian. — Essas são pessoas diferentes.
— Se você diz — disse Raphael. — Este é um plano estúpido e todos vocês vão morrer. Eu vejo que todos os
dons do Anjo se foram, exceto o dom Nephilim de não enxergar as coisas mais óbvias. Fora da frigideira
demoníaca, de volta à frigideira demoníaca.
— Você está dizendo que não devemos responder a convocação de Tessa? — disse Emma, que estava
começando a ficar irritada.
— Raphael está de mau humor, — disse Livvy. Ela bagunçou o cabelo encaracolado de Raphael. — Você não
está de mau humor?
— ela murmurou.
Raphael olhou furiosamente para ela. Livvy sorriu.
— Eu não disse se você deveria ou não deveria fazer nada — retrucou Raphael. — Vá em frente e procure por
Tessa. Mas você pode querer minha ajuda. Você tem muito mais chances de atravessar a cidade se tiver
transporte. Mas minha ajuda não é de graça.
— Irritantemente, tudo o que ele diz é verdade — admitiu Livvy.
— Tudo bem — disse Julian. — O que você quer, vampiro?
— Informações — disse Raphael. — No seu mundo, a minha cidade ainda está de pé? Nova Iorque.
Julian assentiu.
— Eu estou vivo? — Raphael disse.
— Não — disse Emma. Não parecia haver nenhum motivo para omitir a verdade.
Raphael fez uma pausa apenas por um momento.
— Então, quem é o líder do clã de vampiros de Nova Iorque lá?
— disse Raphael.
— Lily Chen — disse Emma.
Raphael sorriu, surpreendendo-a. Era um sorriso real, com verdadeiro carinho. Emma se sentiu amolecer.
— No nosso mundo, você é um herói. Você sacrificou sua vida para que Magnus pudesse viver — disse ela.
Raphael parecia horrorizado.
— Diga-me que você não está falando sobre Magnus Bane. Me diga que você está falando de um Magnus
muito mais legal. Eu nunca faria isso. Se eu fizesse isso, nunca iria querer que ninguém falasse sobre o assunto.
Eu não posso acreditar que Magnus iria me envergonhar falando sobre isso.
A boca de Julian se contorceu no canto.
— Ele nomeou o filho dele em homenagem a você. Rafael Santiago Lightwood-Bane.
— Isso é revoltante. Então todo mundo sabe? Estou tão envergonhado — disse Raphael. Ele olhou para Diana.
— Sob uma lona na garagem estão várias das minhas motos. Tome duas delas.
Não as bata, ou ficarei muito zangado.
— Anotado — disse Diana. — Nós as traremos ao anoitecer.
— Você não deveria estar dormindo, Raphael? — disse Emma, de repente. — Você é um vampiro. É dia.
Raphael sorriu friamente.
— Oh, pequena Caçadora de Sombras, — disse ele. — Espere até ver o sol.
***
Eles encontraram as motos na garagem como Raphael dissera que iriam, e Divya abriu a porta de metal para
que pudessem rodar as motocicletas na rua. Ela fechou rapidamente depois deles e, ao som do tinido e zumbido
das engrenagens, Julian olhou para cima e viu o céu.
Seu primeiro pensamento foi que ele deveria entrar na frente de Emma e protegê-la, de alguma forma, das
ruínas do sol. O segundo era uma lembrança fragmentada de uma poesia que seu tio lhe ensinara. Veio e foi-se a
manhã – Veio e não trouxe o dia; O sol era uma brasa vermelho-preto, brilhando contra um banco de nuvens
entrecruzadas. Lançava uma luz feia — uma luz marrom-avermelhada, como se estivessem vendo o mundo
através da água tingida de sangue. O ar era denso e carregava o gosto de terra e cobre.
Eles estavam no que Julian imaginou ser a West Broadway, a rua estava mais vazia do que na noite anterior. A
sombra ocasional que entrava e saía das aberturas entre os prédios e a loja de conveniência que oferecia milkshakes
de sangue estava, surpreendentemente, aberta. Algo estava atrás do balcão, lendo uma revista antiga,
mas não tinha a forma de um ser humano.
Lixo explodia na rua quase vazia, carregada pelo vento quente.
Esse tipo de clima, às vezes, chegava a Los Angeles, quando o vento soprava do deserto. Los Angelenos os
chamava de “ventos do diabo”
ou “ventos assassinos”. Talvez eles viessem o tempo todo em Thule.
— Vocês estão prontos? — disse Diana, jogando uma perna sobre a sua motocicleta e gesticulando para a
segunda.
Julian nunca havia andado de moto. Ele estava disposto a ter dificuldades nisso, mas Emma já havia subido.
Ela fechou o zíper da jaqueta de couro que tirou do guarda-roupa e esticou o dedo para Julian.
— Mark me mostrou como montar uma dessas — disse ela. — Lembra?
Julian lembrou-se. Ele se lembrava de como ele sentia ciúmes de Mark… Mark, que podia flertar com Emma
casualmente. Que poderia beijá-la, abraçá-la, enquanto Julian tinha que tratá-la como uma bomba que explodiria
se ele a tocasse. Se eles se tocassem.
Mas não aqui, ele lembrou a si mesmo. Isso poderia ser o inferno, mas eles não eram parabatai aqui. Ele se
acomodou no banco atrás de Emma e colocou os braços em volta da cintura dela.
Ela tinha uma arma empurrada pelo cinto, assim como ele.
Ela estendeu a mão para roçar os dedos nas mãos entrelaçadas, onde eles descansaram acima do cinto. Ele
abaixou a cabeça e beijou a parte de trás do pescoço dela.
Ela estremeceu.
— Chega, pessoal — disse Diana. — Vamos lá.
Ela decolou e Emma deu partida em sua motocicleta, puxando a embreagem enquanto pressionava o botão de
partida. O motor acelerou com um barulho alto e eles estavam correndo atrás de Diana pela rua deserta. Diana
disparou sua moto em direção a uma colina; Emma se agachou e Julian fez o mesmo.
— Espere — Emma gritou ao vento, e sua moto levantou do chão, dobrando no ar. O chão ficou para trás, e
eles estavam subindo, Diana ao lado deles. Julian não pôde deixar de pensar na Caçada Selvagem, em voar pelo
ar acima de uma Inglaterra adormecida, percorrendo um caminho de vento e estrelas.
Mas isso era diferente. De cima, eles podiam ver claramente a destruição total da cidade. O céu estava cheio
de figuras escuras de rodas — outras motocicletas aerotransportadas e demônios no exterior à luz do dia,
protegidos pelo sol opaco e pela espessa cobertura de nuvens. Incêndios queimavam em intervalos, fumaça
saindo da Miracle Mile. As ruas ao redor de Beverly Hills tinham sido represadas e inundadas, formando uma
espécie de fosso ao redor de Bel Air, e, à medida que se elevavam sobre ele, Julian olhava para a água agitada.
Um enorme monstro marinho, medonho e corcunda, caminhava pelo fosso com seus tentáculos. Ele jogou a
cabeça para trás e uivou, e Julian vislumbrou uma boca negra, cheia de dentes, como um grande tubarão branco.
Eles voaram sobre Wilshire, que se tornou uma avenida de horrores. Julian vislumbrou um músico humano
pendurado em cordas de marionetes feitas de seus próprios nervos e vasos sanguíneos, sendo forçado a tocar
um bandolim enquanto gritava em agonia. Um demônio descansava em uma mesa coberta onde xilofones de
costelas humanas estavam à venda, outro — uma enorme serpente de um olho — enrolada em uma barraca de
“limonada”, onde vampiros se aproximavam para pegar uma fatia de limão e uma mordida de um humano
gritando e aterrorizado.
Julian fechou os olhos.
Quando os abriu novamente, eles estavam voando para o norte pela estrada junto ao mar. Pelo menos aqui
estava quase deserto, embora pudessem ver as ruínas das casas, outrora ricas, que se alinhavam nas margens
de Malibu. Estavam cobertas agora com as piscinas vazias ou cheias de água negra. Até o oceano parecia
diferente. À luz do dia, a água estava escura e agitada, sem peixes ou algas marinhas para serem vistos.
Ele sentiu Emma ficar tensa. Suas palavras foram arrancadas pelo vento, mas ele pegou o suficiente delas
para entender.
— Julian… o Instituto. — Ele olhou para o leste. Lá estava o Instituto deles, vidro, pedra e aço, erguendo-se da
grama das montanhas de Santa Mônica. Seu coração se agitou com saudade.
Parecia tão familiar, mesmo sob o brilho vermelho-alaranjado do inferno do sol poente.
Mas não… duas bandeiras voaram do teto do Instituto. Um mostrava o símbolo da estrela em círculo de
Sebastian, e o outro o brasão da família dos Ashdowns: um freixo cercado de folhas.
Ele ficou feliz quando Emma girou a moto e o Instituto não estava mais à vista.
Diana estava à frente deles, sua motocicleta descendo em direção à praia. Aterrissou com algumas baforadas
de areia e se virou para observar quando Emma e Julian se aproximaram dela com considerável menos graça.
Eles bateram na areia com força suficiente para fazer com que os dentes de Julian estalassem.
— Ai! — ele disse.
Emma se virou, as bochechas rosadas, o cabelo soprado pelo vento.
— Você acha que poderia fazer melhor?
— Não — disse ele, e beijou sua bochecha.
O rosto dela ficou mais rosado e Diana fez um barulho exasperado.
— Vocês dois são quase tão ruins quanto as versões Crepusculares de vocês mesmos. Agora vamos… temos
que esconder essas motos.
Enquanto Julian rolava a motocicleta deles sob um balanço de pedra, ele percebeu que não se importava com
a provocação de Diana. Ele não se importava com a provocação de Cameron sobre a cama também. Era tudo um
lembrete de que aqui, ele e Emma tinham um relacionamento completamente normal… nada secreto, nada
proibido. Nada perigoso.
Era, talvez, a única coisa em Thule que era comum, que, neste mundo sem anjos, parecia uma bênção.
— Bem, aqui estamos — disse Diana, uma vez que as motos estavam escondidas. — Procurando por um gato
na praia.
— Church geralmente vem até nós — disse Julian, olhando ao redor. — Parece… quase comum aqui.
— Eu não entraria na água — disse Diana sombriamente. — Mas, sim, Sebastian parece gostar da praia. Na
maior parte, ele a deixa sozinha e a usa para cerimônias e execuções. — Emma começou a miar para chamar o
gato, estalando em ruídos de gatinho-venha-aqui.
— Não me culpe se você invocar um demônio-gato — disse Diana. Ela se espreguiçou, as articulações dos
pulsos estourando audivelmente. — Uma semana para voltar da Cidade do México e, agora, isso acontece dois
dias depois de eu chegar em casa, — ela disse, meio para si mesma. — Eu realmente pensei que poderia ter a
chance de descansar. Sou uma tola.
Emma se virou.
— Cidade do México? — ela exigiu. — Você sabe se Cristina Mendoza Rosales está bem?
— Cristina Rosales? A Rosa do México? — Diana disse, parecendo surpresa. — Por causa dela, a Cidade do
México é uma das poucas fortalezas dos Caçadores de Sombras que restam. Quer dizer, não há magia angelical,
mas eles patrulham e mantém os demônios afastados. A família Rosales é uma lenda da resistência.
— Eu sabia, — disse Emma. Ela limpou apressadamente o rosto úmido. — Eu sabia.
— Existem outros grupos? Lugares em que as pessoas estão resistindo? — Julian disse.
— Livvy está fazendo o que pode aqui — disse Diana um pouco incisivamente. — Haveria muito mais mortos se
não fosse por ela.
Nós ouvimos coisas sobre Jerusalém… Cingapura… Sri Lanka. Ah, e Bangkok, o que não me surpreende. Eu
conheço essa cidade muito bem desde que fiz a transição.
Emma pareceu intrigada.
— O que você quer dizer com transição?
— Eu sou transexual — disse Diana intrigada. — Você deveria saber disso se você me conhecesse em seu
mundo.
— Certo — disse Julian apressadamente. — Nós simplesmente não sabíamos sobre a coisa de Bangkok.
Diana pareceu ainda mais intrigada.
— Mas quando eu… — Ela se interrompeu. — É o que eu acho que é?
Ela apontou. Sentado em cima de uma pedra próxima havia um gato. Não apenas qualquer gato — um gato
persa azul de aparência raivosa com uma cauda agressivamente fofa.
— Church! — Emma pegou-o nos braços e Church fez o que ele costumava fazer. Ele ficou mole.
— Esse gato está morto? — Diana exigiu.
— Não, ele não está — Emma murmurou, e beijou seu rosto peludo. Church hesitou. — Ele só odeia carinho.
Diana sacudiu a cabeça. Ela parecia completamente indiferente por ter lhes dito algo que, em seu mundo, era
um segredo que ela guardara. Culpa e aborrecimento consigo mesmo estavam subindo dentro de Julian; ele
tentou empurrá-los para baixo. Agora não era a hora, nem seria correto sobrecarregar essa Diana com seus
sentimentos.
— Eu adoro você — disse Emma a Church. — Eu adoro você demais.
Church se soltou de suas mãos e miou. Ele andou em direção a Julian, miou de novo e depois virou-se para se
afastar pela praia.
— Ele quer que o sigamos — disse Julian, andando atrás de Church. Suas enormes botas traziam dor quando
se tratava de andar na areia. Ele ouviu Diana murmurar algo sobre como “se ela quisesse correr atrás de
animais dementes, ela teria se oferecido para a patrulha do zoológico”, mas ela foi atrás deles de qualquer
maneira.
Eles seguiram Church ao longo dos penhascos internos até chegarem a um caminho que levava a um buraco
na face do penhasco. Julian sabia bem disso. Quando você cresce na praia, você explora cada pedra, arco,
enseada e caverna. Este levava a uma caverna impressionante, mas, vazia, que ele se lembrava corretamente.
Ele e Emma uma vez arrastaram uma mesa até lá e fizeram reuniões antes de se cansarem de ter uma sociedade
secreta com apenas duas pessoas.
Church subiu até a entrada da caverna e miou alto. Houve um rangido como pedra se afastando e uma figura
saiu das sombras.
Era um homem de cabelos escuros, com longas vestes de pergaminho. Suas bochechas estavam marcadas,
seus olhos escuros, cheios de sabedoria e tristeza.
— Jem! — Emma gritou, e começou a correr pelo caminho, o rosto brilhando de ansiedade.
Jem levantou a mão. Suas palmas estavam cheias de runas, e Julian ansiava por vê-las — runas, neste lugar
sem-terra.
Discernimento. Quietude. Coragem.
E, então, Jem começou a mudar. Diana praguejou e tirou uma pistola do cinto enquanto uma onda passava
pelas feições de Jem e as vestes de pergaminho escorregaram para o chão. Seu cabelo se iluminou e caiu, longo
e ondulado, no meio das costas; seus olhos ficaram cinzentos e com longos cílios, sua figura curvada e feminina
dentro de um vestido cinza simples.
Diana levantou a pistola.
— Quem é você?
Emma parou no meio do caminho. Ela piscou para conter as lágrimas e disse: — É ela. A Última Feiticeira.
Tessa Gray.
***
Tessa tinha decorado o interior da caverna o mais confortavelmente possível. Havia uma pequena lareira cuja
fumaça subia por uma chaminé construída nas rochas. O chão de pedra estava limpo e pontilhado de carpetes;
havia um pequeno anexo para dormir e várias cadeiras cobertas de almofadas e travesseiros macios. Havia até
uma pequena cozinha com um pequeno fogão, uma geladeira funcionando sem estar ligada a nada, uma mesa de
madeira já com xícaras e um pão quente e doce.
Percebendo que ela não tinha tomado café da manhã, Emma se perguntou se seria um passo em falso pular no
pão e devorá-lo.
Provavelmente.
— Sentem-se e comam — disse Tessa, como se lesse sua mente. Enquanto se acomodavam ao redor da mesa,
Church subiu no colo de Emma, rolou de costas e prontamente adormeceu com os pés no ar.
Diana arrancou um pedaço do pão e enfiou-o na boca. Ela fechou os olhos em êxtase.
— Oh. Meu. Deus.
Emma decidiu que era sua deixa. Durante o minuto seguinte, ela trancou o mundo ao seu redor e entrou em
um delicioso coma de carboidratos. A última vez que ela comeu comida de verdade estava naquela clareira com
Julian, e isso era quente e feito em casa e tinha o sabor da esperança.
Quando ela abriu os olhos, percebeu que Julian ainda não tinha dado uma mordida. Ele estava olhando para
Tessa… aquele olhar de Julian que parecia completamente inocente, mas, na verdade, significava que ele estava
medindo alguém, avaliando suas fraquezas e decidindo se ele confiava nelas.
Ele estava muito bonito, na verdade. Emma chupou um pedaço de açúcar do polegar e tentou não sorrir para
si mesma.
— Você deve estar se perguntando quem somos — disse ele enquanto Tessa servia o chá.
— Não. — Tessa colocou o bule no chão e sentou-se, envolvendo um xale em volta dos ombros. — Eu sei quem
vocês são.
Você são Emma Carstairs e Julian Blackthorn, mas não os deste mundo.
— Você já sabia disso? — perguntou Diana, surpresa.
— Eu vejo como um feiticeiro vê — disse Tessa. — Eu sei que eles não pertencem aqui. — Ela indicou Julian e
Emma. — E eu vi um pouco de outros mundos… seu mundo, em particular. Está mais perto deste do que
gostaríamos de pensar.
— O que você quer dizer? — Julian disse. — Eles parecem muito diferentes para mim.
— Há pontos pacíficos na história, — disse Tessa. — Lugares onde há muito em jogo. Batalhas, tratados de
paz, casamentos. Esse tipo de coisas. É aí que os cronogramas provavelmente se dividirão.
Nossos dois cronogramas se dividem na Batalha de Burren. Em seu mundo, o demônio Lilith estava fraco
demais para ajudar totalmente Sebastian Morgenstern. Em Thule, outro demônio deu ajuda e força a Lilith. Ela
foi capaz de matar Clary Fairchild, e é aí que nossos cronogramas se dividem… apenas sete anos.
— Então é assim que nosso mundo seria sem Clary, — disse Emma, lembrando-se de todas as vezes que ela
ouviu pessoas — a maioria homens — dizerem que Clary não era uma heroína, que ela não tinha feito muito para
receber aqueles elogios, que ela era egoísta, mesmo sem valor, apenas uma garota que estava nos lugares certos
nos momentos certos.
— Sim, — disse Tessa. — Interessante, não é? Eu entendo que, no seu mundo, Jace Herondale é um herói. Aqui
ele é um monstro que perde apenas para Sebastian.
— Ele não se importa que Sebastian tenha deixado Lilith matar Clary? — Perguntou Emma. — Mesmo quando
Jace estava sendo escravizado por Sebastian em nosso mundo, ele amava Clary.
— Sebastian afirma que a morte de Clary não era o que ele queria — disse Tessa. — Ele diz que ele assassinou
Lilith como vingança por ela ter tirado a vida de Clary.
— Não tenho certeza se alguém acredita nisso, mas Jace acredita — disse Diana.
— Ele é o único que o faz — disse Tessa. Ela passou o dedo pela borda da xícara de chá. — Eu devo pedir
desculpas por testar você — disse ela abruptamente. — Eu apareci como Jem quando você chegou porque eu
sabia que a verdadeira Emma Carstairs teria o maior prazer em vê-lo, enquanto alguém alinhado com Sebastian
ficaria horrorizado com a visão de um Irmão do Silêncio.
— Jem…? — Emma sussurrou. Ela sabia o que Livvy dissera, que todos os Irmãos tinham ido embora, mas
ainda assim ela tinha esperanças.
Tessa não olhou para cima.
— Ele morreu na tentativa de selar a Cidade do Silêncio. Foi bem-sucedido, mas ele deu sua vida para segurar
os Crepusculares de Sebastian, assim como os Irmãos deram sua vida para proteger os Instrumentos Mortais.
— Sinto muito — disse Julian. Emma se lembrou de Tessa e Jem em seu próprio mundo, olhos apenas um para
o outro.
Tessa pigarreou.
— Sebastian já tem posse do Espelho Mortal — o Lago Lyn.
Está rodeado de demônios, dez mil fortes. Ninguém pode chegar perto disso.
— Por que ele está guardando o lago tão ferozmente? — disse Emma. — Se ninguém pode chegar a qualquer
um dos Instrumentos Mortais…
— Quando os feiticeiros estavam adoecendo, descobrimos que a água do Lago Lyn poderia neutralizar a praga
que estava comendo nosso mundo. Nós corremos lá para coletar a água. Mas quando chegamos ao lago,
Sebastian o rodeara com incontáveis demônios.
Emma e Julian trocaram um olhar.
— Com a o fim da praga, os feiticeiros teriam sido curados?
— Nós acreditamos que sim — disse Tessa. — Nós tínhamos uma pequena quantidade de água e a usamos
para curar a praga ao redor do Labirinto Espiral. Nós até a demos para alguns feiticeiros, misturados com água
comum, e eles começaram a melhorar. Mas isso simplesmente não foi suficiente. Os feiticeiros começaram a
adoecer novamente. Nós não poderíamos salvá-los.
O coração de Emma bateu mais forte. Se a água do Lago Lyn tivesse neutralizado alguns dos danos aqui em
Thule… se isso tivesse ajudado os feiticeiros, mesmo que este mundo estivesse se transformando em um mundo
demoníaco… certamente a água de seu próprio lago Lyn, em seu próprio mundo, poderia ser uma cura?
Eles precisavam chegar em casa mais rápido do que nunca.
Mas primeiro…
— Precisamos da sua ajuda — disse Emma. — É por isso que nós a chamamos.
— Eu imaginei isso. — Tessa descansou o queixo na mão. Ela parecia jovem, não mais de vinte anos, embora
Emma soubesse que ela tinha mais de cem anos. — É sobre vocês quererem voltar para seu mundo?
— Não é só isso — disse Julian. — Precisamos entrar na Cidade do Silêncio. Temos que chegar ao Cálice
Mortal e à Espada Mortal antes de Sebastian.
— E depois? — disse Tessa.
— E, então, nós os destruímos para que Sebastian não possa usá-los — disse Emma.
Tessa levantou as sobrancelhas.
— Destruir os Instrumentos Mortais? Eles são quase indestrutíveis.
Emma pensou na Espada Mortal se partindo sob a lâmina de Cortana.
— Se você abrir um Portal de volta ao nosso mundo, nós podemos levá-los conosco. Sebastian nunca
conseguirá encontrá-los.
— Se fosse assim tão simples — Tessa disse bruscamente, — eu já teria aberto um Portal, saltado e levado o
Cálice e a Espada comigo. Abrir um Portal entre mundos… isso é magia complexa e poderosa, muito além do
poder da maioria dos feiticeiros. Eu posso ver seu mundo, mas não posso alcançá-lo.
— Mas você pode entrar na Cidade do Silêncio, certo? — disse Emma.
— Eu acredito que sim, embora eu nunca tenha tentado — disse Tessa. — Eu pensei que a Espada e o Cálice
estavam a salvo lá. Os Irmãos do Silêncio morreram para proteger os Instrumentos e removê-los os deixaria
vulneráveis a Sebastian. No entanto, agora ele está perto de quebrar o selo nas portas. — Ela franziu a testa. —
Se você puder realmente levar os Instrumentos de volta ao seu mundo, eles estarão mais seguros lá. Mas sem o
conhecimento de que um Portal pode ser aberto, existe outra maneira de acabar com a ameaça.
— O que você quer dizer? — perguntou Julian. — Não há nada que possamos fazer com a Espada ou o Cálice
aqui, além da magia demoníaca.
— As pessoas costumavam dizer que a Espada Mortal poderia matar Sebastian — disse Diana, seu olhar
afiado. — Mas isso não é verdade, é? Eu estava na última batalha de Idris. Eu vi Isabelle Lightwood pegar a
Espada Mortal e dar um golpe incrível em Sebastian. Ele nem sequer foi cortado. Ele bateu nela em vez disso.
— Ave atque vale, Isabelle Lightwood. — Tessa fechou os olhos. — Você tem que entender. A essa altura, a
invulnerabilidade concedida a Sebastian por Lilith havia se tornado tão forte que nenhum guerreiro desta terra
poderia matá-lo. Mas há algo que a maioria não sabe. Até Sebastian não sabe disso. — Ela abriu os olhos. — Ele
está ligado a Thule e Thule a ele. Um guerreiro deste mundo não pode matá-lo com a espada. Mas os Irmãos do
Silêncio sabiam que isso não se aplicava a um guerreiro que não fosse de Thule. Eles trancaram a Espada,
esperando por um dia em que um guerreiro chegaria do Céu e acabaria com o reinado de Sebastian.
Por um longo momento, ela olhou fixamente para Emma e Julian.
— Nós não somos do Céu — disse Emma. — Apesar do que algumas linhas de captação ruins que ouvi ao longo
dos anos podem fazer você acreditar.
— Parece o Céu se comparado a aqui — disse Diana.
— Não podemos esperar para sermos resgatados pelos anjos — disse Tessa. — Isso é um presente, vocês estão
aqui.
— Vamos ser claros. — Julian deu uma mordida no pão. Seu rosto estava inexpressivo, mas Emma podia ler
seus olhos, sabia que as engrenagens giravam em seu cérebro. — Você está nos pedindo para matarmos
Sebastian.
— Eu tenho que pedir, — disse Tessa. — Eu tenho que fazer o sacrifício de Jem significar algo.
— Em nosso mundo — disse Julian, — o vínculo entre Jace e Sebastian significava que matar Jace destruiria
Sebastian, e o contrário também. Se nós…
Tessa sacudiu a cabeça.
— Houve um ponto em que isso era verdade aqui, quando Sebastian acreditou que o protegia da Clave. Não
há Clave agora, nem esse aspecto de seu vínculo.
— Eu entendo, — disse Emma. — Mas com o quão longe este mundo é… apenas matar Sebastian faria muita
diferença?
Tessa se recostou na cadeira.
— No seu mundo, o que aconteceu quando Sebastian morreu?
— Foi o fim dos Crepusculares — disse Emma, embora tivesse a sensação de que Tessa já soubesse disso.
— Isso nos daria uma chance de lutar, — disse Tessa. — Sebastian não pode fazer tudo sozinho. Ele deixa a
maior parte do trabalho sujo para os Crepusculares e os Renegados — Ela olhou para Diana. — Eu sei que você
concorda comigo.
— Talvez — disse Diana. — Mas ir atrás de Sebastian parece uma missão suicida.
— Eu não pediria a eles se houvesse outra escolha — Tessa disse calmamente. Ela se virou para Emma e
Julian. — Como vocês pediram, eu vou quebrar o selo e abrir a Cidade do Silêncio para vocês. E farei o que
puder para levar vocês para casa. Tudo que eu peço é que, se vocês tiverem uma chance, uma abertura… que
vocês matem Sebastian.
Emma olhou através da mesa para Julian. Em seus claros olhos azul-esverdeados, ela podia ver tanto seu
desejo de concordar com o que Tessa estava perguntando quanto seu medo de colocá-la, Emma, em perigo.
— Eu sei que Thule não é seu mundo, é apenas um sopro de distância — disse Tessa. — Se eu pudesse salvar o
Jem que vive em seu mundo, eu o faria. E agora você tem a chance de salvar sua irmã aqui.
Na voz de Tessa, Emma ouviu que ela entendeu que a Livvy em seu mundo estava morta.
— Ela está segura no Bradbury, mas por quanto tempo? Quão seguro é para algum de nós? Qualquer
segurança é temporária enquanto Sebastian viver.
Ignorando o miado indignado de Church, Emma estendeu a mão por cima da mesa e pôs a mão sobre Julian.
Não tenha medo por mim, parabatai, ela pensou. Esta é uma chance para nós dois. Para você salvar Livvy como
você não pôde em nosso mundo, e para euvingar meus pais, como eu também não pude.
— Nós vamos fazer isso, — disse ela, e os olhos de Julian brilharam como uma fogueira incendiada. — Claro
que sim. Apenas diga-nos o que temos que fazer.
***
Enquanto subiam nas motocicletas, Diana avisou-os de que voltariam pelas ruas da superfície, não voando —
quanto mais perto do anoitecer, dizia ela, mais cheio o céu ficava de demônios. Até os vampiros ficavam fora
depois de escurecer.
Emma ficou surpresa ao descobrir que Diana os tinha acordado mais tarde do que ela pensara. As nuances da
luz da manhã, da luz da tarde e do final da tarde, foram perdidas aqui: havia apenas o sol agonizante e a lua de
sangue. Enquanto suas motocicletas corriam pela Pacific Coast Highway, a lua se ergueu lentamente, mal
iluminando a estrada à frente. Em vez de cintilar em cima das ondas, o luar transformava a água em uma cor
ainda mais venenosa — não mais o azul-esverdeado dos Blackthorn, mas cinzenta.
Emma estava feliz pelo calor dos braços de Julian ao redor dela quando eles saíram da estrada e entraram em
Wilshire. Estar tão perto de tudo que estava arruinado era doloroso. Ela conhecia essas ruas. Ela tinha ido a esse
supermercado para pegar cereal para Tavvy: agora era uma ruína de madeira quebrada e vigas quebradas, onde
alguns humanos não-juramentados se amontoavam ao redor de fogueiras, com os rostos abatidos pelo desespero
e pela fome. E
havia uma loja de doces naquela esquina, onde agora um demônio vigiava fileiras de tanques de vidro nos
quais os corpos afogados flutuavam. De vez em quando ele mergulhava uma concha em um dos tanques,
despejava um pouco da água viscosa em uma tigela e a vendia para um passante demoníaco.
Por quanto tempo Thule poderia continuar assim? Emma se perguntou enquanto rolavam pela Miracle Mile.
Os altos edifícios de escritórios estavam vazios, as janelas, quebradas. As ruas estavam desertas. Os humanos
estavam sendo caçados até a extinção, e, assim como Rafael, ela duvidava que Sebastian tivesse outro mundo
cheio de sangue fresco e carne na manga. O que aconteceria quando todos forem embora? Os demônios se
voltariam aos Crepusculares?
Aos vampiros? Eles se mudariam para outro mundo, deixando Sebastian decidir sobre o vazio?
— Devagar — Julian disse em seu ouvido, e ela percebeu que, enquanto ela estava pensando, eles chegaram a
uma sessão lotada e bem iluminada de rua. — Ponto de verificação.
Ela ficou em silêncio e entrou atrás de Diana. A área estava agitada — Crepusculares subiam e desciam a rua,
e os bares e restaurantes ali estavam basicamente intactos, alguns deles iluminados de azul e verde e amarelos
ácidos. Emma podia até ouvir música atonal e lamentadora.
Havia barreiras pretas e brancas na frente deles, bloqueando a estrada. Um demônio lagarto de duas pernas
com um círculo de olhos de aranha negra tocando sua cabeça escalada saiu de um pequeno guichê e foi até
Diana.
— Eu não vou deixar algum demônio me lamber — murmurou Emma. — Isso não está acontecendo.
— Tenho certeza de que ele apenas lambeu Cameron para se certificar de que sua tatuagem era real.
— Claro — disse Emma. — Essa é a sua história.
Diana virou-se de bicicleta e deu-lhes um sorriso firme e artificial. O coração de Emma começou a bater mais
rápido. Ela não gostou da aparência daquele sorriso.
O demônio lagarto correu na direção deles. Era enorme, pelo menos nove metros de altura e metade
novamente tão larga. Parecia estar usando um uniforme da polícia, embora Emma não tivesse ideia de onde
tinha conseguido um que coubesse.
— O chefe tem procurado por você durante todo o dia, — ele falou arrastado. Emma adivinhou que sua boca
não era realmente moldada para a fala humana. — Onde vocês estiveram?
— O chefe? — Emma ecoou.
Felizmente, o lagarto era burro demais para desconfiar.
— A Estrela Caída — ele arrastou. — Sebastian Morgenstern. Ele quer falar com vocês dois.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!