5 de abril de 2019

Capítulo 18

Stefan empurrou Elena para trás enquanto se lançava em um vampiro, rasgando sua garganta com as presas alongadas. Ao lado dele, Spencer, em forma de lobo, colidiu com outro dos vampiros Vitale e o derrubou, apenas para ser jogado violentamente em uma fileira de estantes enquanto o vampiro recuperava o equilíbrio. As prateleiras balançaram e desmoronaram em cima do lobisomem, bloqueando-o da visão de Elena.
Elena agarrou a estaca na mão com firmeza e cerrou os dentes. Podia sentir o mal ao seu redor, puxando-a para se apressar, para fazer alguma coisa sobre isso. Ela não tinha a força sobrenatural de Stefan ou do lobisomem, ou dos vampiros que lutavam contra eles, mas se fosse rápida e sortuda, talvez pudesse tirar um ou dois deles do caminho.
Eles realmente não esperavam encontrar nenhum vampiro na biblioteca. Se esperassem, estariam melhor preparados, com armas na mão, e teriam trazido mais membros do bando. Eles estavam fazendo uma rápida varredura após o expediente da biblioteca, certificando-se de que a sala de reuniões da Vitale Society ainda estava acorrentada. E ali, apenas um andar acima da entrada da sala, encontraram o que devia ser — Elena olhou em volta, calculando — todos os vampiros restantes da Vitale Society, exceto Chloe, que ainda estava escondida em segurança com Matt.
Oito vampiros. Até agora, eles estavam rastreando um vampiro de cada vez, encontrando-os sozinhos. Não tinham ideia de que os vampiros ainda eram aliados, porque parecia que eles tinham se espalhado. Se soubessem que eles ainda estavam trabalhando juntos, Elena e os outros teriam sido mais cuidadosos, ou de alguma forma conseguiriam rastreá-los mais de perto.
Spencer havia se levantado de novo agora, rosnando quando rasgou o lado de um dos vampiros, que lutou freneticamente com ele. Stefan era mais forte que esses jovens vampiros, e dois corpos jaziam a seus pés, mas eles ainda estavam em desvantagem. Dois agarraram Stefan pelo braço e o giraram para que outro pudesse prendê-lo pelo ombro, mantendo a estaca alta.
— Não! — gritou Elena, o pânico rasgando-a. Ela investiu contra os vampiros que seguravam Stefan, mas uma mão segurou seu ombro, e ela se virou para ver um cara alto de cabelos escuros que ela tinha certeza de que estava em sua aula de química, no começo do ano.
— Sem interferências — disse ele ironicamente. — Acho que nós podemos fazer companhia um ao outro. — Elena lutou, mas não conseguia mexer o braço, e ele colocou a outra mão no cabelo dela, puxando sua cabeça para trás lentamente para expor o pescoço.
Com o canto do olho, Elena viu Stefan arremessar um dos vampiros para longe dele, apenas para ser preso novamente. Ele ainda estava lutando, no entanto, não empalado ainda. O vampiro que a segurava sorria, seus caninos descendo, maiores e mais afiados, enquanto ela se esticava contra ele.
Não pode ser assim que acaba, pensou ela, atordoada. Eu não vou morrer assim. Elena libertava uma de suas mãos quando ouviu um barulho súbito nas escadas, o som de pés e corpos em movimento. Outro conjunto de prateleiras caiu, livros derrapando pelo chão. O vampiro que a segurava olhou para cima e depois a soltou, caindo para trás quando uma grande mancha de sangue floresceu em seu peito.
Atrás dele, de bastão erguido, estava Meredith.
— Obrigada — disse Elena, a boca seca de medo.
— Disponha — Meredith disse, sorrindo selvagemente. — Só me lembre de cortar a cabeça dele mais tarde. — Então ela se foi, girando pela sala, bastão erguido.
Um enorme lobo branco — Zander, é claro — se juntou a Spencer do outro lado da sala, e eles lutavam lado a lado, rosnando e rasgando a carne de seus inimigos. Alaric passou correndo por Elena, levantando a estaca, e atrás dele estava Bonnie, com as mãos estendidas, entoando um feitiço de proteção.
Alaric empalou um dos vampiros que segurava Stefan, e Stefan conseguiu cuidar dos outros que o estavam prendendo. Em poucos minutos, a luta acabou.
— Você chegou no momento certo — disse Stefan. — Obrigado.
— Foi Zander. Ele ouviu a briga quando passamos pela biblioteca — disse Meredith, olhando para cima de onde ela e Alaric estavam arrastando corpos de vampiros pelo chão para empilhar ordenadamente no canto. — Teremos que queimar esses corpos, mas parece que este é o fim dos vampiros de Ethan. Além de Chloe, é claro.
— Graças a Deus — disse Bonnie. Ela tirou uma variedade de ervas de sua bolsa e estava traçando padrões, lançando feitiços de distração e desorientação, na esperança de que ninguém se aproximasse dos corpos até que pudessem se livrar deles. — Mas temos algo maior para lidar.
— Klaus — disse Elena, com os ombros caídos.
— Nós não conseguimos pegar a madeira. E Bonnie teve uma visão — disse Meredith.
— Um sonho, não uma visão — interrompeu Bonnie bruscamente.
— Desculpe, um sonho — Meredith se corrigiu. — Ela acha que Klaus estava estendendo a mão para ela, ameaçando-a, e pelo que ele disse, parece que ele está pronto para atacar.
— Eu não entendo por que ele nos avisou — disse Zander. Ele e Spencer estavam ambos em forma humana de novo, e enquanto falava, Zander enrolava uma bandagem no ombro de Spencer, onde ele tinha sido atingido pela fileira de prateleiras.
Meredith e Elena trocaram um olhar.
— Klaus gosta de provocar suas vítimas — disse Meredith. — É tudo um jogo para ele.
— Então talvez devêssemos tentar virar a mesa para ele — sugeriu Elena. Stefan assentiu, adivinhando o que ela estava planejando, e deu-lhe um meio sorriso sutil. Ele estava encorajando-a a explorar seus novos Poderes mais completamente. — Eu posso tentar senti-lo de novo — disse ela aos outros. — Se pudermos descobrir onde ele e seus aliados estão escondidos, talvez possamos descobrir o que ele está fazendo, com quem está trabalhando, pegá-lo desprevenido.
— Você pode fazer isso agora? — perguntou Alaric, observando-a com interesse profissional.
Elena assentiu. Relaxando o corpo, ela respirou fundo e fechou os olhos. No começo, não sentiu nada de especial. Mas lentamente, percebeu que a sensação de mal que tinha sido esmagadora quando estava cercada pela luta não tinha desaparecido. Ainda havia um puxão insistente e discreto, uma sensação de que algo estava errado e que ela precisava consertar. Esse sentimento a encheu, e ela abriu os olhos novamente.
Gavinhas de aura preta e vermelho-ferrugem pendiam como fumaça no ar diante dela. Elena levantou a mão em direção a elas, mas as cores giravam em torno de seus dedos, sem substância, da mesma forma que a aura de Stefan. Seus poderes deviam estar ficando mais fortes: o que era apenas um sentimento agora era sólido, um rastro de preto e vermelho subindo as escadas e saindo da biblioteca. Ela podia imaginá-lo indo mais longe, passando pelo pátio e pelos campos de atletismo atrás do campus. Elena seguiu os fios de cor e os outros a seguiram.
— A floresta de novo — disse Bonnie atrás de Elena, mas Elena mal a ouviu. O as cores não a levavam para a floresta; estavam se estendendo pelo campus e ao redor de um galpão de equipamentos. A batida na cabeça de Elena, a sensação de que algo estava muito errado se intensificou.
— Klaus está se escondendo aqui em algum lugar? — disse Zander, parecendo confuso. — Não é meio que... exposto?
Não, Elena pensou, não Klaus. E de repente, ela percebeu o enorme erro que tinha cometido. A trilha, a sensação de errado que ela tinha, era familiar. Damon. Ela estava levando todo mundo para ele.
Houve uma fração de segundo entre o momento que Elena percebeu isso e quando todo o grupo virou a esquina do galpão de equipamentos. Seus passos vacilaram, mas era tarde demais para mudar de direção.
Damon estava se alimentando, outra garota de cabelos louros puxada firmemente contra seu peito, a boca aberta contra o pescoço dela, os olhos bem fechados. O sangue escorria pelos pescoços deles, formando uma mancha úmida e sangrenta na camisa preta de Damon.
Houve um momento em que todos, até mesmo Meredith, congelaram. Sem pensar conscientemente sobre nisso, Elena se moveu, jogando-se entre os outros e Damon.
— Não — disse ela, direcionando suas palavras para Meredith. Meredith era quem importava ali, a única que não hesitaria em matar Damon. — Você não pode — disse a ela. Elena olhou rapidamente para Damon, que abriu os olhos brevemente e lhe deu um olhar irritado, o olhar de um gato interrompido em seu prato de comida. Então ele fechou os olhos novamente, cravando as presas mais fundo na garganta da garota. Bonnie deu um gemido suave e horrorizado.
— Que diabos, Elena? — Meredith gritou. — Ele está matando ela! — Equilibrada sobre os calcanhares, ela se esquivou para o lado, adiantando-se, e Elena mudou rapidamente para ficar entre ela e Damon.
Alguém estava passando por Elena do outro lado, e ela se virou para tentar detê-los, mas foi Stefan quem empurrou Damon para longe de sua presa. Damon rosnou, mas não tentou agarrá-la novamente. Stefan observou tenso seu irmão quando apoiou a garota e passou-a cuidadosamente para Alaric.
— Meredith, por favor — disse Elena, a voz fina e desesperada para seus próprios ouvidos. — Por favor, pare. Tem algo errado com ele. Mas é o Damon, ele já nos salvou antes. Ele lutou do nosso lado em tantas batalhas. Você não pode matá-lo. Temos que descobrir o que está acontecendo.
Stefan segurava Damon pelos braços agora, mas seu irmão deu de ombros irritadamente. Quando Elena olhou para eles, Damon se endireitou e colocou as roupas no lugar, atirando a Elena um sorriso brilhante e hostil. Ainda havia sangue escorrendo pela boca e pelo queixo.
— Eu não preciso de você para me proteger, Elena — disse ele. — Já cuidei de mim mesmo por muito tempo.
— Por favor, Meredith — Elena disse de novo, ignorando suas palavras, e estendeu as mãos para a amiga, suplicante.
— Oh, sim — disse Damon ironicamente, voltando seu sorriso afiado para Meredith. — Por favor, Meredith. Você tem certeza sobre quem são seus aliados aqui, caçadora?
Meredith abaixou seu bastão alguns centímetros, mas seus olhos estavam sérios e duros quando olhou para Elena.
— Você e Stefan se adiantaram para protegê-lo muito rapidamente — disse friamente. — Há quanto tempo isso vem acontecendo?
Elena estremeceu.
— Eu sabia há alguns dias que Damon estava caçando de novo — disse ela. — Mas as meninas ficaram bem, apesar de tudo. — Ela sabia como esse protesto era fraco. Pior ainda, não tinha certeza se acreditava nisso — Damon tinha abandonado a menina que ela e Stefan encontraram no bosque; ela poderia ter morrido. O que mais ele tinha feito?
Mas não podia deixar Meredith matá-lo.
— Eu assumo a responsabilidade por ele — disse Elena rapidamente. — Stefan e eu. Vamos garantir que ele não machuque mais ninguém. Por favor, Meredith. — Stefan assentiu, a mão novamente em torno do braço do irmão, como se estivesse reprimindo uma criança desobediente. Damon zombou dos dois.
Meredith sibilou entre os dentes com frustração.
— E você? — disse ela, apontando o queixo para Damon. — Tem mais alguma coisa a dizer por si mesmo?
Damon inclinou o queixo e deu-lhe um sorriso frio e arrogante, mas não disse nada. O coração de Elena se afundou: Damon tinha claramente decidido ser o mais irritante possível. Depois de um momento, Meredith apontou o bastão para Elena, parando bem perto de tocá-la.
— Não se esqueça — disse ela. — Este é seu problema. Sua responsabilidade, Elena. Se ele matar alguém, estará morto no dia seguinte. E não terminamos de falar sobre isto.
Elena sentiu Stefan, puxando Damon com ele, se mover para trás dela, uma forte figura de apoio em seu ombro.
— Nós entendemos — disse ele solenemente.
Meredith olhou feio para eles, sacudindo a cabeça, então se virou e saiu sem nenhuma palavra. Alaric e Bonnie a seguiram, apoiando a vítima de Damon entre eles — seus soluços sufocantes era o único som que Elena podia ouvir. Zander e Spencer deram a Elena e aos irmãos Salvatore olhares longos e pensativos antes de seguirem os outros. Elena estremeceu por dentro: o bando poderia ser um inimigo perigoso, se decidisse que Elena não estava do lado certo.
Assim que seus amigos tinham dobrado a curva no caminho e estavam fora de vista, Elena se virou furiosamente para encarar Damon. Mas Stefan, ainda segurando Damon por um braço, falou antes que ela pudesse.
— Seu idiota — disse ele friamente, pontuando suas palavras com um pequeno aperto no braço de Damon. — O que você estava pensando, Damon? Você quer desfazer todo o bem que fez? — Com cada pergunta, ele sacudia o irmão um pouco mais.
Damon empurrou a mão de Stefan para longe, o sorriso zombeteiro que ele usava caindo de seu rosto.
— Eu estava pensando que sou um vampiro, irmãozinho — disse ele. — Claramente uma lição que você ainda tem que aprender. — Ele limpou o sangue da boca.
— Damon — Elena disse exasperada, mas Damon já estava se afastando.
Mais rápido do que seus olhos podiam ver, ele se foi. Um momento depois, de uma árvore do outro lado do campo de atletismo, um grande corvo voou, deixando escapar um grito estridente.
— Podemos não ser capazes de salvar Damon — disse Stefan numa voz conturbada, pegando a mão dela. — Não dessa vez.
Elena assentiu.
— Eu sei. Mas temos que tentar. — Seus olhos seguiram o pássaro, apenas um ponto no céu agora, enquanto voava pelo campus. Independentemente do que prometeu a Meredith, ela não sabia se poderia impedir Damon de fazer qualquer coisa que ele quisesse. Mas ela e Stefan não deixariam Damon morrer. De alguma forma, em algum momento, salvá-lo se tornou mais importante do que qualquer outra coisa.

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