5 de abril de 2019

Capítulo 15

Querido Diário,
Eu não consigo parar de me preocupar com Damon.
Meredith e Bonnie foram para as montanhas em busca do abençoado freixo branco, e nosso quarto está muito quieto. Quando estou sozinha aqui, o espaço vazio se enche de pensamentos de como Damon parecia irritado e distante quando o encontrei no bosque na noite passada. Sua aura estava tão escura que me assustou.
Ainda não contei a Stefan sobre meu Poder me levando a Damon. Mas vou contar a ele assim que estivermos a sós — aprendi minha lição sobre deixar segredos entre nós.
Mas Stefan está tão ocupado. Ele está nos mantendo todos juntos: lutando com Meredith, pesquisando com Alaric, e agora que Zander foi para as montanhas com eles e Bonnie, Stefan tem trabalhado com a Alcateia também. Ele está determinado a me proteger de Klaus, a proteger todos nós.
Onde quer que Klaus esteja, seu plano está funcionando — estou sempre no limite agora. Sei que ele quer que eu tenha medo; ele até me disse isso, mas não consigo me impedir de saltar em cada sombra. Cada dia fico mais assustada e mais irritada comigo mesma: não quero sentir o que Klaus pretende que eu sinta. Mas quando estou com Stefan, podemos deslizar para nosso mundo particular. Apesar do perigo que paira perto de nós, é seguro lá. Nos braços de Stefan, sinto que talvez possamos derrotar Klaus. Às vezes eu acredito que podemos fazer qualquer coisa juntos. Podemos nos salvar e salvar Damon também, mesmo que ele não queira ser salvo.

Uma batida soou na porta do quarto de Elena, e ela colocou seu diário de volta sob o colchão, correndo para deixar Stefan entrar. Ele ficava com o bando a maior parte do dia, desde que Zander e os outros tinham saído, e ela percebeu o quanto sentia falta dele quando finalmente o viu.
Seu cabelo escuro e encaracolado estava caído na testa e ele tinha um traço de lama seca sobre um olho.
— O que é isso? — perguntou Elena, passando um dedo pelo olho dele.
Stefan fez uma careta.
— Aparentemente ser aceito por um bando de lobisomens significa que eles tentam derrubá-lo bastante — respondeu ele. — Shay me empurrou num arbusto.
Elena tentou manter a expressão séria, mas não pôde deixar de rir com a imagem mental, e o rosto de Stefan se iluminou também, as linhas cansadas ao redor de sua boca desaparecendo.
— Acho que ela está louca por Zander ter saído da cidade com Bonnie — disse Elena, e passou por ele para fechar a porta.
Assim que a porta foi fechada, Stefan a puxou para ele. Ele afastou o cabelo de Elena e beijou-a suavemente no pescoço, um pouco acima de seu ponto de pulsação. Ela se arqueou, inclinando-se para ele enquanto ele passava os braços em sua cintura.
— Você trabalhou nas rotas de patrulha com a Alcateia entre os jogos de luta livre? — perguntou. — Podemos gerenciar sem os outros, até que eles voltem?
— Hmmm, acho que sim — respondeu Stefan, traçando gentilmente sua bochecha com um dedo, os olhos fixos em seu rosto. — Eu só queria que tivéssemos alguma ideia de onde Klaus está — continuou ele, a voz ficando sombria. — Ele pode estar em qualquer lugar, pronto para atacar.
— Eu sei. — Elena estremeceu. — Sinto que há essa nuvem negra pairando sobre nós o tempo todo. Só queria poder descobrir todos os meus Poderes Guardiões. Se vou ter o Poder de verdade, por que não me deixam ter isso agora? Estamos todos em perigo, e é tão frustrante saber que eu devia ser capaz de proteger a todos, mas não posso.
— E o mal que você sentiu no bosque ontem? — perguntou Stefan. — Você já sentiu aquilo desde então?
Elena hesitou. Agora era sua chance. Ela prometeu a si mesma que diria a Stefan o que tinha acontecido assim que eles tivessem um momento sozinhos. Mas não queria machucá-lo, não queria dizer como o irmão parecera irritado e distante.
— Eu senti aquilo de novo ontem à noite — disse ela finalmente — mas não sinto agora.
— Você sentiu? — perguntou Stefan. — Você teve mais uma ideia de onde poderia estar vindo? — quando Elena ainda hesitou, ele inclinou levemente seu rosto para olhá-la. — Elena, isso é importante. Esses sentimentos podem ser nossa primeira pista real sobre onde Klaus está. Tem alguma coisa que você não está me dizendo?
Elena se sentiu recuar, mas Stefan apenas esperou pacientemente, sua boca suave e séria.
— O que foi, amor? — perguntou ele.
— Eu fui para o bosque na noite passada — disse ela, mexendo nervosamente na pulseira em seu braço. — Eu... hum... encontrei a fonte. — Com a sensação de saltar de um penhasco, ela disse: — Não era Klaus, nem os vampiros Vitale. Era Damon.
— Mas você estava sentindo o mal — disse Stefan, parecendo confuso.
— Sim. — Elena suspirou. — Talvez não inteiramente mal. Damon não é assim, eu sei disso. Mas ele não está indo bem. Eu não acho que a menina que encontramos seja a única que ele atacou. Sua aura era... violenta. Irritada.
Os ombros de Stefan arriaram, e ele se encostou na mesa dela.
— Eu sei — disse ele. — Eu disse a você como Damon estava quando tentei falar com ele. Acho que precisamos dar a ele um pouco de espaço. Não se pode obrigar Damon. Ele só vai fazer exatamente o que quer, especialmente se você tentar controlá-lo.
— Deve ter alguma coisa que possamos fazer — disse Elena. Sua voz soava áspera para seus próprios ouvidos, áspera de tristeza.
Atravessando o espaço entre eles em um passo, Stefan pegou sua mão e olhou para ela, os olhos escuros e perturbados.
— Nunca será só nós dois, não é? — disse ele tristemente. — Damon sempre estará entre nós, mesmo quando ele não estiver aqui.
— Stefan, não! — disse ela ferozmente. Stefan lançou um olhar infeliz para os dedos entrelaçados. — Olhe para mim — pediu ela. Lentamente, ele levantou os olhos para encontrar os dela novamente. — Eu amo você, Stefan. Eu me importo com Damon, ele é parte de mim agora, mas isso não é nada comparado ao que sinto por você. Somos só nós, você e eu, e é assim que vai ser. Sempre.
Elena o puxou para mais perto, desesperada para mostrar a ele essa verdade. Seus lábios se encontraram num longo beijo.
Stefan, pensou ela, oh, Stefan.
Elena se deixou abrir totalmente para ele. Exposta e vulnerável, ela mostrou a Stefan o amor que sentia por ele, sua alegria por terem voltado finalmente. Admirado, Stefan gradualmente absorveu suas emoções. Ela podia senti-lo empurrando suavemente as paredes que sempre mantinha em sua mente, os pequenos segredos vergonhosos, a parte de si mesma que sempre quis esconder dele. Mas Elena puxou as barreiras para baixo, mostrando-lhe que não havia nada lá além do amor por ele, só por ele.
Stefan suspirou contra seus lábios, uma pequena exalação de ar, e ela sentiu a paz inundá-lo quando ele entendeu que, finalmente, era o único para ela.


Quando o casal se abraçou, um grande corvo cerrou as garras em torno de um galho de árvore na escuridão do lado de fora da janela do dormitório. Não era como se tivesse mantendo a esperança, apesar de tudo. Ele tentou o seu melhor com Elena, deu a ela o que achava que ela queria, mostrou a ela o que tinha para oferecer. Ele tinha mudado por ela.
E ela se afastou dele e escolheu Stefan. Ela ainda não sentia nada por ele, não em comparação a seus sentimentos por Stefan.
Bem. Damon devia ter pensado melhor antes de se importar. O que ele havia dito a Stefan, o que disse a Elena, estava certo: ele terminou com eles, terminou com todos eles. Por que deveria seguir em torno de uma garota humana, quando havia um vasto mundo lá fora esperando para ele?
Damon abriu as asas e se lançou do galho da árvore para a noite. Voando pela brisa suave do campus, ele tentou pensar sobre onde deveria ir em seguida. Tailândia, talvez. Cingapura. Japão. Nunca tinha passado muito tempo na Ásia, talvez estivesse na hora de conquistar novos lugares, de ser o estranho misterioso de olhos frios de novo, de sentir o mar agitado da humanidade surgindo ao seu redor, enquanto ele se mantinha separado e sozinho.
Vai ser bom ficar sozinho de novo, ele disse a si mesmo. Vampiros não eram animais de carga, afinal.
Enquanto ponderava seu futuro, ele observava os caminhos do campus e depois as ruas da cidade abaixo dele de um modo distraído habitual. Uma corredora solitária, jovem e loira, corria abaixo dele, o cabelo puxado em um rabo de cavalo, fones de ouvido no lugar. Idiota, pensou Damon sarcasticamente. Ela não sabe como está perigoso esse lugar agora?
Sem se permitir considerar o que pretendia, Damon deslizou para baixo e retomou sua forma humana, pousando silenciosamente na calçada poucos metros atrás da atleta. Ele parou por um momento e rapidamente ajustou suas roupas, as palavras muito antigas de seu pai ecoando em sua mente: um cavalheiro pode ser contado pelo cuidado que tem com sua aparência e pela precisão de suas roupas.
Então se moveu rápida e graciosamente até a garota, soltando um pouco de Poder para que fosse mais rápido do que qualquer humano poderia ser.
Ele a arrebatou tão facilmente como arrancar uma flor do caule, e puxou-a para seus braços. Ela soltou uma súbito grunhido abafado e lutou brevemente enquanto ele afundava os caninos afiados em sua garganta, depois ficou imóvel. Damon não tinha nenhuma razão para se impedir, não agora.
Foi tão bom. Ele esteva acalmando suas garotas, tornando-as indolores por tanto tempo, e a pura adrenalina do medo dela disparou por seu sistema. Era ainda melhor que a menina na floresta, que já estava tonta e sofrendo com a perda de sangue quando ele deixou cair a compulsão calmante.
Damon bebeu goles profundos de sangue, alimentando seu Poder. Seu coração desacelerou, cambaleou, e ele sentiu aquele momento estonteantemente doce quando o pulso afrouxado dela combinava com o ritmo não natural do seu. Sua vida fluía nele com firmeza, aquecendo seus ossos frios.
E então tudo — o batimento cardíaco dela, o fluxo sanguíneo — parou.
Damon deixou o corpo cair na calçada e limpou a boca com uma mão. Ele se sentiu bêbado com ela, zumbindo com a energia que tinha tomado para si mesmo. Aqui estou eu, pensou com um triunfo azedo, o verdadeiro Damon, de volta.
Nas costas de sua mão havia uma mancha do sangue da menina. Ele lambeu, mas tinha um gosto errado, não tão doce quanto deveria. Quando o puro prazer físico de tomar o sangue, de levar todo o caminho até a morte, acabou, Damon sentiu uma dor aguda abaixo do esterno. Ele pressionou uma mão ao peito.
Havia um lugar vazio dentro dele: um buraco no peito que todo o sangue, todo o sangue das garotas mais bonitas do mundo, jamais conseguiria preencher.
Sem querer, ele olhou para o corpo a seus pés. Teria que esconder isto, supôs. Não podia deixá-la ali, exposta na calçada. Os olhos da garota estavam abertos em um olhar fixo e sem visão, e ela parecia estar olhando para ele. Ela era tão jovem, pensou Damon.
— Sinto muito — disse ele, baixinho. Ele se abaixou e cuidadosamente fechou os olhos da garota. Ela parecia mais calma assim. — Eu sinto muito — disse ele novamente. — Não foi culpa sua.
Não parecia haver mais nada para dizer ou fazer. Com um golpe sem esforço, ele pegou o corpo da garota e seguiu pela noite adentro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Para comentar, por favor utilize a opção Nome/URL e preencha seu nome/apelido/nick; o URL pode deixar em branco.

Boa leitura, E SEM SPOILER!