5 de abril de 2019

Capítulo 12

Chloe andava furtiva e silenciosamente pela floresta, precisa em cada movimento. Inclinou a cabeça, atenta, os olhos localizando um movimento quase invisível no mato.
Matt a seguia, com a bolsa de carteiro pendurada no ombro. Tentava também andar em silêncio, mas gravetos e folhas estalaram sob seus pés, e ele estremeceu.
Parando, Chloe piscou por um momento, farejou o ar e estendeu as mãos na direção dos arbustos à esquerda deles.
— Vamos — murmurou ela, quase baixo demais para Matt ouvir.
Ouviram um farfalhar e lentamente um coelho saiu do meio das folhas, fitando Chloe com os olhos arregalados e escuros, tremendo as orelhas. Com um golpe rápido, Chloe o agarrou. Ouviu-se um guincho estridente e o animalzinho ficou imóvel e dócil em seus braços.
O rosto de Chloe estava enterrado no pelo castanho-claro do coelho, e Matt olhava com uma espécie de aprovação distanciada enquanto ela engolia. Uma gota de sangue desceu longa e pegajosa pelo flanco do animal antes de pingar no chão do bosque.
Despertando de seu estupor, o coelho teve um espasmo, debatendo-se com as patas traseiras, depois ficou imóvel. Chloe enxugou a boca com as costas da mão e colocou o animal no chão, olhando-o com tristeza.
— Eu não queria matá-lo. — Sua voz era baixa e triste. Ela empurrou para trás os cachos curtos do cabelo e olhou suplicante para Matt. — Desculpe. Sei como isso é nojento e estranho.
Matt abriu a bolsa de carteiro e pegou uma garrafa de água, entregando a ela.
— Não tem do que se desculpar — disse ele. É, vê-la se alimentar de animais era meio estranho e nojento, mas agora menos do que na primeira vez. E valia totalmente a pena: Chloe não teve nenhuma recaída, parecia satisfeita em beber sangue animal em vez de caçar humanos. Era só isso que importava.
Chloe lavou a boca, cuspindo nos arbustos a água tingida de rosa, depois bebeu um gole.
— Obrigada — disse ela, trêmula. — Acho que tem sido difícil. Às vezes sonho com sangue. Sangue humano verdadeiro. Mas as coisas que fiz naqueles dias com Ethan; não consigo me perdoar por isso. Não acho que um dia eu vá conseguir. E Ethan... Por que um dia eu confiei nele? — Seus lábios tremiam.
— Ei. — Matt a pegou pelo braço e a sacudiu levemente. — Ethan enganou a todos nós. Se Stefan não tivesse me salvado, eu estaria na mesma situação que você.
— É. — Chloe se encostou nele. — Acho que você também está me salvando.
Matt entrelaçou os dedos nos dela.
— Eu não estava preparado para perder você.
Chloe virou o rosto para ele, arregalando os olhos. Matt roçou a boca em seu rosto e depois em seus lábios, só de leve no início, depois mais profundamente. Fechou os olhos, sentindo a maciez de seus lábios contra os dele. Parecia que estava caindo. Cada dia que passava com Chloe, ajudando-a a se voltar para a luz, vendo suas forças, ele a amava um pouco mais.


Meredith se espreguiçou e gemeu baixinho. O quarto estava às escuras, exceto pela luz da tela de seu laptop. Elena e Bonnie dormiam profundamente em suas camas, e Meredith olhou com desejo a própria cama. Graças às noites de patrulha e aos dias passados na academia, ultimamente desmaiava agradecida num sono profundo e sem sonhos assim que se deitava.
Mas, ao contrário da maioria das aulas no campus, sua turma de inglês ainda se reunia e Meredith tinha trabalho a fazer. No ensino médio, só tirava notas máximas e seu orgulho não a deixaria perder um prazo de entrega ou fazer um trabalho porco, por mais cansada que estivesse. Obrigando-se a voltar ao modo de estudante, Meredith bocejou e digitou: Desde seu primeiro encontro, o relacionamento entre Anna e Vronsky estava claramente condenado a um fim de destruição mútua.
Em modo estudante ou não, ainda era uma caçadora, uma arma extraordinariamente equilibrada, ainda uma Sulez, e ficou atenta assim que a voz de Bonnie se elevou da cama do outro lado do quarto.
— Ele não gosta de ficar sozinho — disse Bonnie abruptamente. Sua voz, em geral expressiva, tinha um caráter monótono e quase metálico, indicando uma de suas visões.
— Bonnie? — chamou Meredith, hesitante.
Bonnie não respondeu, e Meredith virou a luz da mesa para iluminar o resto do quarto, com o cuidado de não jogá-la diretamente no rosto da amiga.
Os olhos de Bonnie estavam fechados, embora Meredith pudesse vê-los se mexer por baixo das pálpebras, como se ela tentasse acordar, ou como se tentasse ver algo nos sonhos. Seu rosto estava tenso, e Meredith soltou um som tranquilizador ao se esgueirar pelo quarto e sacudir Elena gentilmente pelo ombro.
Elena rolou semiadormecida, resmungando irritada, “Que foi? Que foi?”, antes de acordar inteiramente, piscando.
— Shhhh. — Meredith então falou gentilmente com Bonnie. — Quem não gosta de ficar sozinho, Bon?
— Klaus — respondeu Bonnie naquela voz inexpressiva, e os olhos de Elena se arregalaram, compreendendo. Ela se sentou, o cabelo dourado embaraçado do sono, e estendeu a mão para pegar um caderno e uma caneta na mesa. Meredith se sentou na cama de Bonnie e esperou, olhando o rosto adormecido da garota mais baixa ao lado dela.
— Klaus quer seus velhos amigos — disse-lhes Bonnie. — Está chamando um deles agora. — Ainda dormindo, ergueu um braço fino e branco acima da cabeça e curvou o dedo, acenando no escuro. — Tem sangue demais — acrescentou ela na voz monótona enquanto sua mão baixava ao lado do corpo. Meredith sentiu um arrepio nos braços.
Elena escrevia alguma coisa no caderno e o ergueu: em letras grandes, escrevera PERGUNTE QUEM. Eles descobriram que era melhor que uma só pessoa fizesse perguntas a Bonnie quando tinha suas visões, para que ela não se confundisse e saísse repentinamente do transe.
— Quem Klaus está chamando? — perguntou Meredith, mantendo a voz calma. Seu coração batia com força, e ela colocou a mão no peito, tentando se acalmar. Qualquer um que Klaus considerasse um amigo era sem dúvida perigoso.
A boca de Bonnie se abriu para responder, mas ela hesitou.
— Ele os chama para se juntar em sua luta — disse ela depois de um momento, com a voz inexpressiva. — O fogo brilha tanto, não dá para saber quem está vindo. É só Klaus. Klaus e sangue e chamas no escuro.
— O que Klaus está planejando? — perguntou Meredith. Bonnie não respondeu, mas suas pálpebras se agitavam, os cílios parecendo grossos e escuros contra a palidez de seu rosto. Agora sua respiração estava mais pesada.
— Devemos tentar acordá-la? — perguntou Meredith. Elena fez que não com a cabeça e escreveu de novo no bloco. Pergunta onde Klaus está. — Sabe dizer onde Klaus está agora? — perguntou Meredith.
Inquieta, Bonnie moveu a cabeça de um lado a outro no travesseiro.
— Fogo — ela disse. — Escuridão e chamas. Sangue e fogo. Ele quer que todos se unam a sua luta. — Um riso grave forçou caminho por sua boca, embora sua expressão não se alterasse. — Se Klaus conseguir, tudo terminará em sangue e fogo.
— Podemos impedi-lo? — perguntou Meredith. Bonnie não disse nada, inquietando-se ainda mais. As mãos e os pés começaram a bater no colchão, de leve e depois mais intensamente, num ritmo acelerado. — Bonnie! — Meredith ficou de pé.
Arfando profundamente, o corpo de Bonnie se imobilizou. Os olhos se abriram.
Meredith segurava a menina menor pelos ombros. Um segundo depois, Elena estava ao lado delas na cama, segurando o braço de Bonnie.
Os olhos castanhos de Bonnie ficaram arregalados e vagos por um momento, depois ela franziu a testa, e Meredith podia ver que a verdadeira Bonnie estava voltando.
— Ai! — Bonnie reclamou. — O que estão fazendo? Estamos no meio da noite! —Ela se afastou das duas. — Parem com isso — disse ela, indignada, esfregando o braço onde Elena a segurava.
— Você teve uma visão — disse Elena, recuando para lhe dar espaço. — Não consegue se lembrar de nada?
— Ai. — Bonnie fez uma careta. —Eu devia saber. Sempre fico com um gosto estranho na boca quando saio de uma dessas. Eu odeio isso. — Ela olhou para Elena e Meredith. — Não me lembro de nada. O que eu disse? — perguntou ela, hesitante. —Foi ruim?
— Ah, sangue, fogo e escuridão — disse Meredith secamente. — O de sempre.
— Eu anotei — Elena entregou o bloco a Bonnie.
Bonnie leu as anotações de Elena e empalideceu.
— Klaus está chamando alguém? Ah, não. Mais monstros. Não podemos... Isso não pode ser bom pra gente.
— Tem alguma pista de quem ele pode estar chamado? — perguntou Elena.
Meredith suspirou e se levantou, andando entre as camas.
— Não sabemos muita coisa sobre ele.
— Milhares de anos sendo um monstro — acrescentou Elena. — Imagino que Klaus tenha muita maldade em seu passado.
Apesar dos passos rápidos pelo quarto, um tremor frio correu pelas costas de Meredith. Uma coisa era certa: quem quer que Klaus desejasse ter com ele, seria a última pessoa que elas iam querer ali. Decidida, ela fechou o laptop e foi até o armário pegar o baú de armas. Não havia tempo para ser estudante. Precisava se preparar para a guerra.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!