5 de abril de 2019

Capítulo 10

“Um corpo sem cabeça encontrado no bosque perto da Dalcrest College na semana passada foi identificado como do aluno do último ano da Dalcrest, Ethan Crane”, anunciou a apresentadora bonita do programa matinal da TV, a testa franzida de seriedade. “A polícia ainda não deu uma declaração, e não se sabe se Crane foi vítima de um homicídio ou de um acidente estranho, mas a julgar pela diferença nos ferimentos, a morte de Crane parece não ter relação com a maioria dos recentes ataques animais no bosque.”
Quando a apresentadora passou para outra matéria, Meredith desligou a TV, sibilando de irritação.
— Eles devem pensar que todo mundo que vê o noticiário é idiota — resmungou. — Como alguém perde a cabeça num acidente estranho no bosque?
Embora a sala de estar dos alunos estivesse vazia, a não ser pelos cinco — Elena, Bonnie, Meredith, Stefan, e Zander —, Elena baixou a voz e olhou em volta antes de responder.
— Eles não querem que as pessoas entrem num pânico maior do que já estão.
O salão vazio era um sinal de como todos já estavam assustados, pensou Elena. Nas primeiras duas semanas de aula, a sala ficava apinhada no final de tarde, meninos e meninas apinhados para ver TV, flertar, até mesmo estudar.
Agora, porém, todos estavam cautelosos, trancando-se em seus quartos, com medo de que um dos rostos amistosos do campus mascarasse um assassino. Elena também estava constantemente tensa. Ela e os amigos verificavam sem parar as armas, tentando prever o que Klaus podia fazer. Entretanto, ele não tinha feito nada até agora, que ela soubesse.
— Minha aula de psicologia desta semana foi cancelada. — disse Bonnie aos outros. — E não sobrou ninguém na minha turma de inglês. Muita gente foi embora. — Ela hesitou, os olhos castanhos e grandes passando rapidamente entre Elena e Zander. — Meu pai quer que eu vá para casa e veja se conseguimos refinanciar as mensalidades. Ele disse que posso voltar no ano que vem, se conseguirem resolver todos os ataques e desaparecimentos — confessou ela.
— Você não vai para casa, vai? — perguntou-lhe Elena.
O pai de Bonnie sempre foi superprotetor com a filha e suas irmãs mais velhas, então Elena não ficou surpresa com a notícia.
— É claro que não — disse Bonnie, decidida. — Vocês precisam de mim aqui.
Ela se aconchegou mais junto de Zander e apoiou a cabeça em seu peito, sorrindo. Ele sorriu de volta, larga e calorosamente, e Elena sorriu também. Zander era tão garoto, não era o tipo de Elena, mas era maravilhoso ver Bonnie com alguém que gostava tanto dela que emanava puro contentamento sempre que os dois estavam juntos.
Stefan pigarreou para chamar a atenção de todos.
— Não sei onde Klaus está se alimentando, mas não acho que os corpos que encontramos no bosque sejam de gente que ele matou. O noticiário diz que parecem ataques de animais e, hmmm — ele olhou os próprios pés, um tanto constrangido —, eu Influenciei um policial para descobrir o que a polícia viu. As mortes são verdadeiramente desleixadas, parece mesmo que um animal está atacando as pessoas, não é mentira para a imprensa, não segundo a polícia.
— Então você acha que são vampiros novos que estão matando pessoas, e não um vampiro experiente como Klaus — disse Elena.
Stefan olhou nos olhos dela e ela entendeu que ele pensava a mesma coisa: também não é Damon. Uma forte onda de alívio se dissolveu dentro dela.
Se Damon atravessasse esse limite, se começasse a matar novamente, ela não sabia o que eles fariam. Não conseguia imaginar que eles pudessem o trair, o entregar aos outros, ou o machucar. Tanta coisa mudou entre Stefan e Damon. Elena sabia que Stefan protegeria o irmão, escolheria Damon em detrimento de qualquer um, exceto talvez dela própria.
Mas ainda não chegara a esse ponto. Jamais chegaria, disse Elena a si mesma intensamente. Damon pode ter perdido o controle uma vez, mas não causou nenhum dano permanente. A menina estava bem. E eram os novos vampiros, aqueles que Ethan transformou, que estavam matando.
Meredith olhava para ela com os olhos cinza solidários.
— Ainda tem gente morrendo, mesmo que o assassino não seja Klaus — disse ela com suavidade. Com um sobressalto, Elena percebeu que tinha transparecido o alívio por não ser Damon. Por sorte, Meredith interpretou erroneamente a reação de Elena. — Não podemos adivinhar que jogo Klaus está fazendo ou quais são seus planos antes que ele se revele. — Uma mecha da cabelo escuro de Meredith caiu em seu rosto e ela o colocou atrás da orelha. — Mas podemos pegar os vampiros Vitale. Não deu certo encher os túneis de gás, e não podemos produzir mais se não tivermos muito mais verbena do que temos agora. Precisamos patrulhar regularmente para manter os estudantes mais seguros.
Ela procurou na mochila e pegou um mapa do campus, com anotações em vermelho, e traçou uma área no mapa com um dedo.
— Marquei seus terrenos de caça aqui e acho que podemos concentrar nossas patrulhas no bosque e nas quadras esportivas à margem do campus. Precisamos nos organizar e fazer patrulhas noturnas com combatentes suficientemente fortes para derrubar um grupo de vampiros jovens.
— E durante o dia? — perguntou Bonnie, franzindo o cenho e estendendo a mão para o mapa. — Todos eles têm lápis-lazúli, não tem? Então podem caçar a qualquer hora.
Stefan se mexeu inquieto ao lado de Elena no sofá.
— Embora a luz do sol não possa matá-los, eles ficam lentos durante o dia — explicou. — O sol incomoda os vampiros, mesmo com o lápis-lazúli. A noite é nosso habitat natural e eles não a deixarão, a não ser que sejam obrigados a isso.
Elena olhou para ele com surpresa, mas não disse nada. Stefan vivia na luz do dia com ela, dormindo à noite. Isso também o feria? Será que ele mudou tanto só para ficar com ela?
— Então as patrulhas noturnas devem bastar, pelo menos por enquanto — disse Meredith.
Zander examinava atentamente o mapa, a cabeça loura perto da ruiva de Bonnie.
— Posso organizar os caras para assumir parte das patrulhas — ofereceu.
Stefan assentiu para Zander, agradecendo. Meredith se virou para Elena, os olhos cinza penetrantes.
— E Damon? — perguntou. — Ele pode ser muito útil.
Elena hesitou. Ao lado dela, Stefan limpou a garganta.
— Meu irmão não está disponível agora — disse ele com uma voz inexpressiva. —Mas aviso a vocês se houver alguma alteração.
Meredith apertou os lábios. Elena podia imaginar o que estava passando pela cabeça da amiga: Damon, irritante mas sempre ali, finalmente, no último verão e no outono, provou ser um aliado digno de confiança, só para desaparecer quando o campus estava caindo no caos em volta deles?
Se era nisso que Meredith estava pensando, não disse nada, apenas semicerrou os olhos e soltou um longo suspiro, depois perguntou:
— E você, Bonnie? Tem algum feitiço que possa ajudar nas patrulhas?
— Existem alguns feitiços de proteção que já sei que podem ajudar — disse Bonnie pensativamente. — Vou ligar para a Sra. Flowers e ver o que mais ela recomendaria.
Elena sorriu para a amiga. Com a descoberta de seu talento para a bruxaria, Bonnie encontrou uma nova confiança. Ela levantou a cabeça e a olhou nos olhos, sorrindo também.
— Vamos derrotá-lo, não vamos, Elena? —disse ela baixinho. — E Klaus também, quando ele aparecer de novo.
— Afinal, já o vencemos antes — disse Elena com suavidade.
A expressão de Bonnie ficou séria, e Meredith pegou o mapa, virando-o pensativamente nas mãos. Ao lado de Elena, Stefan estendeu o braço para pegá-lo. Todos sabiam o que lhes tinha custado derrotar Klaus da primeira vez que o enfrentaram: Damon e Stefan unidos, e um exército dos mortos de Fell’s Church erguendo-se da terra, onde caíram em batalha. Não é algo que pudessem reproduzir. E mesmo então sobreviveram por muito pouco.
— Agora somos mais fortes — disse Bonnie, insegura. — Não somos?
Elena se forçou a dar um sorriso.
— É claro que somos — disse ela.
A mão de Meredith segurou a de Elena, que se sentiu reconfortada e fortalecida por Stefan, seu amor, de um lado, e Meredith, a amiga, do outro. Bonnie levantou a cabeça, altiva, o pequeno rosto desafiador, e Zander se ajeitou ao lado dela.
— Somos invencíveis. Estamos juntos — disse-lhes Elena e, olhando as expressões resolutas, quase acreditou.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Para comentar, por favor utilize a opção Nome/URL e preencha seu nome/apelido/nick; o URL pode deixar em branco.

Boa leitura, E SEM SPOILER!