19 de março de 2019

Capítulo 34

— Não o enfraquecemos o suficiente — gritou Meredith para os amigos, mais alto que os gritos do Ciúme, o espectro parecia mais forte ao atravessar a garagem em um grande salto e dar um tabefe no rosto de Meredith. Ela sentiu uma dor aguda, viu um clarão e se sentiu bater na parede.
Tonta, conseguiu se colocar de pé. O espectro investia em direção a ela de novo, desta vez mais lentamente, com uma sorriso de expectativa. O feitiço deve ter feito alguma coisa, então, pensou Meredith grogue, ou o espectro não se importaria se eu terminasse minha parte ou não.
Meredith se agarrou ao seu bastão de combate. Não desistiria facilmente, não se pudesse evitar. Alaric a chamara de super-heroína. Os super-heróis continuam lutando, mesmo quando as probabilidades estão contra eles.
Ela cortou o ar violentamente com a ponta do bastão, com habilidade, a fim de evitar os golpes. Todos aquelas horas de treino valeram a pena, porque o espectro parecia não esperar o golpe e, em vez de o bastão passar inofensivo pela névoa, Meredith pegou o espectro em sua forma sólida, pouco acima da rosa em seu peito. A lâmina na ponta abriu um corte profundo no peito do espectro, e Meredith, puxando o bastão de volta para dar um segundo golpe, viu um fluído verde viscoso pingar da extremidade da arma.
Ao girar novamente, a sorte de Meredith lhe escapou. O espectro estendeu a mão para ela, movendo-se tão rápido que Meredith só viu quando o espectro estava segurando a ponta do bastão. Apesar de o bastão ser afiado, com veneno cobrindo todos aqueles pedaços de prata, madeira e ferro, o espectro o segurou com leveza, e puxou.
Meredith foi patinando pelo chão da garagem em direção ao espectro, rápida e impotente, e o espectro estendeu a outra mão indolentemente para pegá-la, com um esgar de satisfação e raiva no rosto vítreo. Ah, não, disse a voz interior de Meredith, assim não. Não posso terminar assim.
Pouco antes de tocar em Meredith, porém, o rosto do espectro mudou, assumindo de repente uma expressão confusa. Ele soltou o bastão, e Meredith o puxou de volta e recuperou o equilíbrio, oscilando violentamente, sem fôlego.
O espectro olhou para além dela, esquecendo-se de Meredith, pelo menos por enquanto. Os dentes vítreos do espectro estavam a mostra, e havia uma raiva terrível em seu rosto tingido de verde. Enquanto Meredith olhava, parecia que os músculos de seus braços de gelo sólido se retesaram, depois se dissolveram em redemoinhos de névoa em forma de braço, e se solidificaram de novo, ainda na mesma imobilidade tensa. Ele não consegue se mexer, Meredith percebeu. Ela se virou para olhar para trás.
A Sra. Flowers estava ereta e alta, os olhos azuis faiscantes fixos no espectro. Tinha as mãos estendidas, o rosto com linhas fortes, determinadas. Vários fios de seu cabelo grisalho escapavam do coque apontando para todo lado, como se espalhados por eletricidade estática.
Os lábios da Sra. Flowers se moviam silenciosamente, e enquanto o espectro lutava para se mexer, a Sra. Flowers também lutava, parecendo se esforçar para sustentar algo tremendamente pesado. Os olhos das duas criaturas de um azul frio intenso e verde claro com uma geleira, estavam fixos numa batalha silenciosa.
Os olhos da Sra. Flowers estavam firmes, mas os braços tremiam violentamente, e Elena não sabia quanto tempo mais a velha seria capaz de aguentar e manter o espectro sob controle. Não muito, suspeitava. A batalha com os kitsune exigira muito da Sra. Flowers, e ela ainda não havia se recuperado plenamente. Não estava pronta para uma nova luta.
O coração de Elena batia como louco e ela não suportava olhar para as figuras ensanguentadas de Damon e Stefan, do outro lado da garagem, porque a única coisa que sabia que não podia fazer era entrar em pânico. Ela precisava conseguir pensar.
— Meredith — disse Elena rispidamente, com um tom de autoridade tal que todos os amigos pararam de observar a luta da Sra. Flowers com o espectro o olharam para ela. — Termine sua parte da cerimônia.
Meredith olhou inexpressiva para Elena por um momento e depois engrenou. Esta era uma das muitas coisas maravilhosas em Meredith: sempre se podia confiar que ela, independentemente da circunstância, se recomporia e faria seu trabalho.
— Eu alimentei o espectro do ciúme — Meredith disse, olhando para o chão, onde sua vela marrom ainda ardia, — mas agora expulso meu ciúme.
As palavras de Meredith soaram com veracidade, e a vela se apagou. O espectro se encolheu e fez uma careta, flexionando os dedos de raiva. O vermelho escuro da rosa em seu peito desbotou para um rosa escuro por um momento, antes de reacender no carmim. Mas... ele não parecia ter sido derrotado, parecia apenas irritado. Seus olhos nunca deixaram os da Sra. Flores e seus músculos esculpidos em gelo ainda se retesavam para frente.
Quase todas as velas estavam apagadas. Apenas duas chamas ainda tremeluziam das velas azul e vermelha, apenas duas vítimas alimentando o espectro com seu ciúme. Assim, com quase todas as suas vítimas separadas dele, o espectro não deveria ficar mais fraco? Não deveria estar doente e sem forças?
Elena se virou para Alaric.
— Alaric — sussurrou ela. — O que o livro diz? O feitiço não devia estar começando a matar o espectro agora?
Alaric observava o embate silencioso entre a Sra. Flowers e o espectro de novo, com os punhos cerrados e o corpo tenso, como se de algum modo pudesse emprestar suas forças a Sra. Flowers, e levou algum tempo, tempo que não temos, pensou Elena furiosamente, para voltar sua atenção a Elena.
Quando o fez, e ela repetiu a pergunta, ele voltou um olhar mais analítico para o espectro, e uma nova preocupação surgiu em seus olhos.
— Não tenho muita certeza — disse ele, — mas o livro sugeria... o livro dizia algo como: cada palavra verdadeiramente pronunciada por suas vítimas, cada emoção sombria rejeitada de boa-fé recuperará do espectro a vida que foi roubada de seus pensamentos e atos. A criatura desmoronará a cada palavra sincera pronunciada contra ela. Pode ser só retórica, ou talvez quem escreveu o feitiço tenha ouvido falar do ritual sem vê-lo realizado, mas parece... — ele hesitou.
— Parece que o feitiço devia matar o espetro agora — disse Elena categoricamente. — Mas não está funcionando bem.
— Não sei o que está dando errado — disse Alaric infeliz. — O mundo mudou e tudo entrou em foco.
— Eu sei — disse Elena. — Deve ser porque este é um original, e não um espectro comum. Não o criamos com nossas emoções, então não podemos destruí-lo tirando-as dele. Acho que vamos ter que tentar outra coisa.
Stefan e Damon ainda combatiam. Ambos estavam ensanguentados e esgotados. Com o braço ferido pendendo em um ângulo estranho, Stefan movia-se como se algo dentro dele tivesse sido danificado, mas os dois ainda se atacavam cruelmente, Stefan não menos do que Damon.
Elena pensou que eles agora deviam estar lutando por iniciativa própria. O espectro, absorto na batalha com a Sra. Flowers não murmurava mais palavras venenosas para eles. Se Damon e Stefan não estavam sendo seduzidos pela voz do ciúme, talvez pudessem ser persuadidos a ouvir outra pessoa. Elena, tentando não atrair a atenção do espectro, foi até os irmãos vampiros em silêncio.
Damon sangrava no pescoço e por um corte longo na cabeça e a pele em volta dos dois olhos estava arroxeada. Ele mancava, mas estava claramente na dianteira. Stefan, agora rondava cansado fora do alcance do irmão, mas só estava curvado para a frente para proteger o que estava ferido dentro de si, e tinha uma longa tira de pele rasgada pendurada na bochecha.
Damon sorria como um selvagem para ele, aproximando-se a cada movimento de seus pés. Havia um alerta nos olhos de Damon que só falava do predador em seu íntimo, de sua alegria em caçar e matar, no prazer da luta. Damon deve ter se esquecido quem estava combatendo, disse Elena a si mesma. Ele nunca se perdoaria depois que voltasse a si, se de fato ferisse gravemente Stefan ou até mesmo o matasse. Embora, algo dentro dela sussurrou, parte dele sempre quis isso.
Ela empurrou o pensamento de lado. Parte de Damon podia querer ferir Stefan, mas o Damon real e íntegro não queria. Se havia algo que a luta com o espectro lhe ensinara, era que as emoções sombrias que todos escondiam em seu íntimo não representavam tudo que eles realmente eram. Não eram seu verdadeiro ser.
— Damon — gritou ela. — Damon, pense! O espectro está influenciando você! Está obrigando você a lutar. — Ela ouviu a voz se elevar suplicante. — Não deixe que ele o derrote. Não deixe que o destrua.
Mas Damon parecia não ouvi-la. Ainda estava com o sorriso selvagem, e se aproximava um pouco mais de Stefan, empurrando-o mais e mais para o canto da garagem. Logo Stefan ficaria aprisionado, encurralado e incapaz de escapar.
E captando um vislumbre da expressão de desafio no rosto abatido e surrado de Stefan, Elena percebeu com o coração apertado que Stefan não fugiria, mesmo que Damon lhe desse essa chance. A parte de Stefan que odiava Damon estava no controle agora.
Stefan arreganhou os dentes num rosnado feroz. Damon recuou o punho para dar um golpe poderoso, com os caninos se estendendo na expectativa de beber o sangue vital do irmão.
Mais rápido do que ele já se moveu na vida, pelo menos como humana, Elena se colocou entre os dois quando o punho de Damon se lançou para a frente. De olhos bem fechados, abriu os braços para proteger Stefan e esperou o impacto.
Damon se movia com tal rapidez quando ela pulou na frente dele, que o ímpeto empurrou seu corpo todo para a frente. Com sua força sobrenatural, seria um murro que quebraria os ossos e esmagaria o rosto dela.
Mas Damon parou a tempo, como só um vampiro poderia fazer. Ela sentiu o ar deslocado pelo golpe, até o roçar dos dedos de Damon no rosto, mas não sentiu dor.
Elena abriu os olhos com cautela. Damon estava postado, pronto para atacar, com um braço ainda erguido. Respirava com dificuldade, e seus olhos brilhavam estranhamente. Elena retribuiu o olhar.
Haveria uma parte mínima de alívio brilhando nos olhos de Damon? Elena achava que sim. A questão era, seria alívio por ele ter parado antes de matá-la, ou por ela ter impedido que ele matasse Stefan? Sem dúvida, a essa altura, Damon podia ter tirado Elena do caminho e atacado Stefan de novo, se era o que ele realmente queria.
Elena aproveitou a oportunidade e estendeu a mão em direção ao punho de Damon, envolvendo os nós dos dedos feridos com suas mãos pequenas. Ele não resistiu quando ela baixou seu punho, deixando-se ser movido passivamente.
— Damon —disse ela com suavidade. — Damon, você pode parar agora. — Os olhos dele se estreitaram e ela sabia que ele podia ouvi-la, mas sua boca estava rígida e feroz, e ele não respondeu.
Segurando a mão de Damon, Elena se virou para Stefan. Ele estava bem atrás dela com os olhos fixos em Damon. Ofegava rapidamente, e distraído passou as costas da mão na boca, sujando o rosto de sangue. Elena pegou sua mão pegajosa de sangue.
A mão de Damon se retesou na dela, e Elena o olhou vendo que ele encarava a outra mão, aquela que segurava a de Stefan. Este também viu para onde Damon olhava, e os cantos da boca inchada se torceram num leve sorriso amargo.
Atrás deles, o espectro rosnava, enquanto combatia o poder da Sra. Flowers. Parecia mais alto, mais feroz.
— Escutem — disse ela com urgência, olhando de um irmão para o outro. — O espetro não está concentrado em vocês agora, então podem pensar por si mesmos. Mas a Sra. Flowers não vai aguentar por muito tempo. Então vocês precisam fazer isso, precisam começar a pensar agora, em vez de só agir. Preciso dizer a vocês... humm — ela limpou a garganta desconfortavelmente, — eu nunca disse isso, mas quando Klaus me mantinha prisioneira, depois da morte de Katherine, ele costumava me mostrar... imagens. Lembranças, acho, as lembranças de Katherine. De vocês dois com ela quando eram humanos, quando vocês eram jovens, vivos e a amavam. O quanto a amavam. Eu odiei ver como esse amor era real. E eu sabia que vocês tinham me olhado pela primeira vez, por causa do amor que tinham por ela. Isso sempre me incomodou um pouco, mesmo eu sabendo que o amor de vocês por mim é mais profundo hoje.
Os dois irmãos agora a olhavam e os lábios de Stefan se separaram para falar. Elena balançou a cabeça rapidamente e continuou.
— Não, deixe-me terminar. Isso me incomodou um pouquinho, não me destruiu, e não mudou o quanto eu sinto pelos dois. Porque eu também sei que vocês podem ter me notado por causa de Katherine, mas depois que superaram isso, os dois me viram, Elena. Vocês não veem mais Katherine em mim. — Ela tinha que se aventurar em território perigoso agora, então, continuou com cautela, tentando expor seu argumento com lógica e sensibilidade. — Então, eu sei disso, está bem? Mas, quando o espectro falou comigo, ele desencavou esse antigo ciúme e o fez arder dentro de mim novamente. E as outras coisas que o espectro me disse também eram parcialmente verdadeiras. Sim, às vezes eu tenho ciúmes de meninas com... — ela sorriu a contragosto — uma vida amorosa normal. Mas em meus momentos mais centrados, eu sei que não queria estar no lugar delas. O que eu tenho é incrível, embora seja difícil. — Elena engoliu em seco. — Por isso eu sei que o que o espectro disse a vocês é parcialmente verdadeiro. Vocês têm ciúme um do outro, têm raiva de coisas do passado, e estão aborrecidos porque eu amo os dois. Mas também sei que isso não é tudo que existe nem é o que mais importa, não mais. As coisas mudaram desde o dia em que o ciúme e a raiva eram as únicas emoções entre vocês. Ambos trabalharam juntos, e se protegeram. Vocês se tornaram irmãos de novo. — Ela olhou nos olhos de Damon, à procura de uma reação. — Damon, Stefan ficou arrasado quando pensou que você estava morto. Você é irmão dele, e ele o ama, e não sabia o que fazer sem você. É uma parte importante da vida dele, do passado e do presente. Você é o único que esteve com ele por toda sua história. — Ela virou para olhar para Stefan. — Stefan, Damon não escondeu de você o fato de que estava vivo porque queria te fazer sofrer, nem para se livrar de você, nem pelas coisas das quais o espectro tentava convencê-lo. Ele queria conseguir voltar de um jeito e em uma hora em que pudesse lhe mostrar que as coisas seriam diferentes, que ele era capaz de mudar. E você era a pessoa por quem ele queria mudar, não eu, você. Você é o irmão dele e ele te ama, e queria que as coisas fossem melhores entre vocês.
Elena parou para respirar e avaliar que efeito, se é que houve algum, o discurso exerceu nos dois. Pelo menos agora eles não estavam tentando se matar. Isso tinha de ser um bom sinal. Eles agora se encaravam, com os rostos indecifráveis.
Damon lambeu o sangue dos lábios. Stefan passou a mão livre no rosto e no peito ferido. Nenhum dos dois disse nada. Será que ainda restava uma conexão entre eles? Damon observava os cortes no pescoço de Stefan com uma expressão quase branda nos olhos negros.
Elena soltou os dois e ergueu as mãos.
— Muito bem — disse ela. — Se não conseguem se perdoar, pensem no seguinte. O espectro quer que vocês dois briguem, quer que se matem, que se odeiam. Seu ciúme é o que o está alimentando. Uma coisa eu sei sobre vocês dois, nunca deram a seus inimigos o que eles queriam, nem mesmo se isso salvasse vocês. Vão dar o que quer esse espectro, esse monstro manipulador vai controlá-los? Ou vocês vão se controlar? Um dos dois realmente quer matar o irmão por outra pessoa?
Nesse exato momento, Damon e Stefan piscaram. Depois de alguns segundos, Stefan pigarreou sem jeito.
— Estou feliz por você não estar morto, afinal — disse ele. O canto da boca de Damon se retorceu.
— Estou aliviado por não ter conseguido matar você hoje, maninho — respondeu ele.
Aparentemente, isso era tudo o que tinham a dizer. Eles se olharam por mais tempo, depois se viraram para Elena.
— Então — disse Damon começando a sorrir, um sorriso louco e implacável que Elena reconheceu. Damon, o irreprimível, o anti-herói, estava de volta. — Como matamos essa vadia?
A Sra. Flores e o espectro ainda estavam fixos em sua batalha silenciosa e quase imóvel. Mas a Sra. Flowers começava a perder terreno para o espectro. A postura do espectro estava mais ampla, seus braços estavam abertos. Aos poucos conquistava o poder de se mover, e as mãos e os braços da Sra. Flowers tremiam com a tensão. Seu rosto estava pálido, e as rugas em volta da boca pareciam mais fundas.
— Temos que nos apressar — disse Elena a Damon e Stefan. Eles contornaram a Sra. Flores e o espectro, e se uniram aos outros, que lívidos e preocupados, observavam os três se aproximarem. Diante deles, apenas duas velas ainda ardiam.
— Stefan — disse Elena. — Vá.
Stefan olhou para a vela azul escura ainda acesa no chão da garagem.
— Eu tive ciúmes e inveja de todos ultimamente, ao que parece — disse ele, a vergonha evidente na voz. — Tive inveja de Matt, cuja vida me parece tão simples e boa, que eu sei que poderia tirar Elena das sombras e lhe dar a vida descomplicada que ela merece. Tive ciúme de Caleb, que parecia o tipo de garoto dourado que combinaria bem com Elena, tanto que desconfiei dele mesmo antes de ter motivos para isso, porque pensei que ele estava atrás dela. E, especialmente, tenho ciúme de Damon — seu olhar deixou a vela e parou no rosto do irmão. Damon olhava para ele uma expressão inescrutável. — Acho que sempre tive ciúmes dele. O espectro disse a verdade quando falou isso. Quando estávamos vivos, ele era mais velho, mais rápido, mais forte e mais sofisticado do que eu. Quando morremos — os lábios de Stefan se curvaram em um sorriso amargo com a lembrança, — as coisas só pioraram. E, mais recentemente, quando Damon e eu descobrimos que podíamos trabalhar juntos, eu me ressentia da proximidade dele com Elena. Ele tem uma parte dela da qual eu não participo, e é difícil não ter ciúmes disso. — Stefan suspirou e esfregou a ponta do nariz entre o polegar e o indicador. — mas o caso é que eu amo meu irmão. Amo — ele olhou para Damon. — Eu te amo. Sempre amei, mesmo quando estávamos na pior, mesmo quando só queríamos nos matar. Elena tem razão: somos mais do que as partes ruins de nós mesmos. Eu alimentei o espectro do ciúme, mas agora expulso meu ciúme.
A vela azul bruxuleou e se apagou. Elena observava o espectro atentamente, e viu a rosa em seu tronco desbotar por um momento. O espectro se encolheu e rugiu, depois renovou sua luta contra o feitiço da Sra. Flowers. Ao dar uma torsão poderosa, a mulher mais velha cambaleou para trás.
— Agora! — Elena murmurou para Damon, olhando para ele sugestivamente e desejando mais do que nunca ter os Poderes da telepatia. Distraia o espectro, ela esperava que seus olhos estivessem dizendo.
Damon assentiu como quem diz que tinha entendido a mensagem, depois, pigarreando teatralmente, atraindo a atenção de todos, e pegou a vela vermelho escuro, a última que ardia na fila. Traçou uma linha do própria sangue em toda a sua extensão e passou alguns segundos de cabeça baixa, pensativo, com os cílios longos e escuros roçando na bochecha. Ele aproveitava cada gota de drama do momento.
Depois que todos os olhos estavam fixos nele, Elena tocou em Stefan e indicou que ele a ajudasse a abordar o espectro por cada lado.
— Eu tive ciúme — entoou Damon, encarando a chama da vela que segurava. Ele ergueu os olhos rapidamente para Elena, e ela assentiu, encorajando-o. — Tive ciúme — repetiu ele, de cenho franzido. — Eu cobicei o que meu irmão tinha, incontáveis vezes.
Elena deslizou para mais perto do espectro, aparecendo do seu lado direito. Ela via que Stefan se aproximava de fininho pela esquerda. A Sra. Flowers também os viu. Elena notou, porque a mulher mais velha levantou a sobrancelha numa fração se segundo e começou a murmurar seu feitiço mais alto e com mais força. A voz de Damon se elevou, também, todos na sala competindo pela atenção do Ciúme para evitar que ele percebesse as maquinações de Stefan e Elena.
— Não preciso entrar em cada detalhe do meu passado — disse Damon, com o sorriso maliciosos familiar aparecendo no rosto espancado, um sorriso que Elena achou estranhamente tranquilizador, — acho que já tivemos o suficiente disso hoje. Basta falar das coisas de que... me arrependo. Coisas que eu gostaria que fossem diferentes no futuro. — Ele fez uma pausa dramática, com a cabeça jogada para trás com orgulho. — Então, admito que alimentei o espectro do ciúme. E agora eu jogo fora meu ciúme.
No momento em que a vela de Damon se apagou, e graças a Deus tinha se apagado, pensou Elena, Damon tendia a se agarrar a seus piores impulsos, a rosa no peito do espectro desbotou novamente, assumindo um tom de rosa escuro. O Ciúme grunhiu e vacilou um pouco sobre os pés. No mesmo instante, Stefan investiu em direção ao corte no peito do espectro e colocou a mão ali dentro, no tronco do espectro, e agarrou a rosa.
Uma gota de fluído verde e viscoso brotou da ferida enquanto Stefan apertava a rosa, e o espectro gritou, um uivo longo e sobrenatural que fez todos os humanos se encolherem. Bonnie tapou os ouvidos, e Celia gemeu.
Por um momento, Elena pensou que eles ganhariam facilmente, que atacando a rosa no coração do espectro, Stefan o havia derrotado. Mas, então, o espectro se equilibrou e com uma imensa flexão de músculos, saiu do controle da Sra. Flowers, em um movimento rápido, arrancou Stefan de sua lateral, com a mão saindo vazia de seu peito, e jogou-o pela garagem.
Stefan bateu na parede com um baque surdo, deslizou pelo chão e ficou imóvel. Claramente exausta da batalha com o espectro, a Sra. Flowers também cambaleou, e Matt correu para pegá-la nos braços antes que ela caísse no chão.
O espectro sorriu lentamente para Damon, mostrando seus dentes afiados. Os olhos claros como gelo brilhavam.
— É hora de ir, Damon — disse suavemente o Ciúme. — Você é o mais forte aqui. O melhor de todos eles, melhor que qualquer um. Mas eles sempre bajulam Stefan, o fracote, o pirralho, seu irmão bebê inútil. Não importa o que você faça, ninguém jamais gostará de você como esses mortais gostam dele. Como todos, por centenas de anos, sempre gostaram de Stefan. Você devia deixar todos para trás. Fazê-los sofrer. Por que não deixá-los em perigo? Eles fariam o mesmo por você. Elena e os amigos viajaram pelas dimensões, enfrentaram a escravidão, combateram os maiores perigos para salvar Stefan, mas deixaram você morto, longe de casa. Voltaram para cá e estavam felizes sem você. Que lealdade dele a eles?
Damon, com o rosto na sombra, agora que as velas tinham se apagado, soltou um risinho sombrio e amargo. Seus olhos negros brilhavam na luz fraca, fixos nos olhos claros do espectro. Fez-se um longo silêncio, e a respiração de Elena ficou presa na garganta.
Damon avançou um passo, ainda segurando sua vela.
— Você não se lembra? — pergunto ele com a voz tranquila. — Eu joguei você fora.
E com uma velocidade sobre-humana, antes que alguém pudesse piscar, ele acendeu a vela novamente com um estalo de Poder e a jogou diretamente na cara do espectro.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!