30 de março de 2019

Capítulo 30

 Um cappuccino e um croissant? — perguntou a garçonete e, a um gesto de cabeça de Elena, baixou-os na mesa. Elena empurrou os cadernos de lado para abrir espaço. As provas de meio de período estavam chegando, além de tudo o que estava acontecendo. Elena tentou estudar no quarto, mas se distraía demais vendo a cama de Bonnie vazia. Ela e Meredith eram um erro completo sem Bonnie.
Ela também não foi muito bem-sucedida na lanchonete, apesar de ter conseguido uma das maiores mesas ao ar livre, na qual podia espalhar os livros. Ela tentou, mas sua mente sempre voltava à morte de Samantha.
Samantha era uma menina muito legal, pensou Elena. E se lembrou de como seus olhos se iluminavam quando ela ria e como quicava nos calcanhares como se estivesse louca para se mexer, correr, dançar, com energia demais para ficar parada. Meredith não fazia novos amigos com tanta facilidade, mas a frieza cautelosa que costumava ter com estranhos tinha relaxado com Samantha.
Quando Elena saiu do alojamento, Meredith estava ao telefone com Alaric. Talvez ele soubesse o que dizer, como reconfortá-la. Sem querer interromper a conversa dos dois, Elena deixou um bilhete indicando onde estaria se Meredith precisasse dela.
Mexendo o café, Elena levantou a cabeça e viu Meredith vindo em sua direção. A menina mais alta se sentou de frente para Elena e fixou nela seus olhos cinzentos e graves.
— Alaric disse que a Dalcrest é um foco de atividade paranormal — explicou. — Magia negra, vampiros, lobisomens, o pacote completo.
Elena assentiu e colocou mais açúcar na xícara.
— Como sugeriu o professor Campbell — disse ela, pensativa. — Tenho a sensação de que ele sabe mais do que está dizendo.
— Você precisa pressioná-lo — exigiu Meredith séria. — Se ele gostava tanto de seus pais, vai achar que precisa lhe contar a verdade. Não temos tempo a perder. — Ela estendeu a mão e pegou um pedaço do croissant de Elena. — Posso? Não comi nada o dia todo e estou começando a ficar meio tonta.
Olhando as rugas de tensão no rosto de Meredith e as olheiras, Elena sentiu uma forte pontada de solidariedade.
— Claro. — Ela empurrou o prato para a amiga. — Acabo de ligar para Damon pedindo que se encontre comigo. — Ela observou Meredith dizimar o croissant e pondo mais açúcar no café. Elena precisava de conforto.
Logo viram Damon andando pela rua na direção delas, com o cabelo reluzente e perfeito, as roupas pretas casualmente elegantes, e óculos escuros. Cabeças se viravam quando ele passava, e Elena viu uma menina nitidamente errar o passo e tropeçar no meio-fio.
— Que rápido — disse Elena enquanto Damon puxava uma cadeira e se sentava.
— Eu sou rápido — respondeu Damon —, e você disse que era importante.
— E é mesmo. Nossa amiga Samantha morreu.
Damon mexeu a cabeça, reconhecendo o fato.
— Eu sei. Há policiais pelo campus todo. Até parece que eles podem fazer alguma coisa.
— Como assim? — perguntou Meredith, olhando-o firme.
— Bem, esses três assassinatos não recaem exatamente na jurisdição da polícia, não é? — Damon tirou a xícara de café da mão de Elena, tomou um gole, depois fez um leve muxoxo de desprazer. — Querida, isto está doce demais.
As mãos de Meredith se cerravam em punhos, e Elena pensou que era melhor apressar as coisas.
— Damon, se souber de algo sobre isso, por favor, fale.
Damon devolveu o cappuccino e gesticulou para o garçom lhe trazer outro.
— Para falar a verdade, não sei muito sobre a morte de Samantha, nem do colega de quarto do Mutt; não sei nem o nome dele. Não consegui chegar perto o bastante dos corpos para ter uma informação real. Mas descobri provas de que existem outros vampiros no campus. Relapsos. — Seu rosto se contorceu na mesma expressão que ele fez depois de provar o café de Elena. — Provavelmente recém-criados. Sem técnica nenhuma.
— Que tipo de provas? — perguntou Meredith.
Damon demonstrou surpresa.
— Os corpos, é claro. Descarte muito ruim de corpos. Covas rasas, fogueiras, esse tipo de coisa. — Elena franziu a testa.
— Então as pessoas que desapareceram foram mortas por vampiros?
Damon balançou o dedo para ela, provocando.
— Eu não disse isso. Os corpos que examinei... e vou te contar, é a primeira vez que realmente tiro alguém de uma cova rasa... não eram das pessoas que desapareceram no campus. Não sei se os alunos desparecidos foram mortos por vampiros ou não, mas alguém foi. Vários alguéns. Estive tentando encontrar os causadores, mas ainda não tive sorte. Ainda.
Meredith, que normalmente teria pulado ao ouvir o comentário de Damon sobre ser a primeira vez que tirava alguém de uma sepultura, estava pensativa.
— Vi o corpo de Samantha — disse ela, hesitante. — Não me pareceu um ataque típico de vampiro. E, pelo modo como Matt descreveu o corpo de Christopher, acho que também não foi o caso. Eles estavam — ela respirou fundo — mutilados. Dilacerados.
— Pode ser um bando de vampiros realmente furiosos ou desleixados — ponderou Damon. — Os lobisomens podem ter essa crueldade. Faz mais o estilo deles.
A garçonete apareceu com o cappuccino e ele agradeceu educadamente. Ela se retirou, ruborizando.
— Tem mais uma coisa — disse Elena depois que a garçonete estava fora de alcance. Ela olhou inquisitivamente para Meredith, que assentiu. — Estamos preocupadas com Bonnie e o namorado novo.
Rapidamente, ela listou os motivos para desconfiarem de Zander e a reação de Bonnie à preocupação das duas.
Damon ergueu uma sobrancelha enquanto terminava o café.
— Então vocês acham que o pretendente da ruivinha pode ser perigoso? — Ele sorriu. — Vou dar uma olhada, princesa. Não se preocupe.
Deixando alguns dólares na mesa, ele se levantou e atravessou a rua, desaparecendo num grupo de árvores. Alguns minutos depois, um corvo grande e preto de penas iridescentes e brilhantes subiu acima das árvores, batendo as asas com força. Soltou um grasnado estridente e voou para longe.
— Isso foi surpreendentemente útil da parte dele — disse Meredith. Seu rosto ainda estava cansado e abatido, mas a voz parecia interessada.
Elena não levantou a cabeça para saber se amiga a olhava especulativamente. Com os olhos recatadamente baixos, sentindo o rosto ficar rosado, ela tomou outro gole do cappuccino. Damon tinha razão. Estava doce demais.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!