30 de março de 2019

Capítulo 25

Querido Diário
Nem acredito na tola que sou, que tola infiel e indigna.
Eu nunca devia ter beijado Damon, nem deixado que ele me beijasse.
A expressão de Stefan quando nos viu foi de partir o coração. Sua expressão tão tensa, a pele pálida, como se ele fosse de gelo. Os olhos brilhavam de lágrimas. Então pareceu que um raio saiu de dentro dele, e ele me olhou com ódio. Como se eu fosse Katherine. Apesar de tudo que aconteceu entre nós, Stefan nunca tinha me olhado assim.
Nem acredito. Stefan não pode me odiar. Cada batida de meu coração me diz que pertencemos um ao outro, que nada pode nos separar.
Fui uma tola e magoei Stefan, embora esta fosse a única coisa que eu jamais quis fazer. Mas não é o fim para nós. Depois que eu me desculpar e explicar o momento de loucura que ele testemunhou, ele vai me perdoar. Depois que eu puder tocar nele novamente, ele verá o quanto estou arrependida.
Foi só a adrenalina de chegar tão perto da morte, daquele carro nos perseguindo. Damon e eu não queríamos realmente um ao outro, aquele beijo foi só um jeito de nos agarrarmos à vida.
Não. Não posso mentir. Aqui não. Tenho de ser sincera comigo mesma, ainda que finja com os outros. Eu queria beijar Damon. Queria tocar em Damon. Sempre quis.
Mas não tenho que fazer isso. Posso e vou me conter. Não quero provocar mais dor em Stefan.
Stefan entenderá isso, entenderá que farei qualquer coisa para deixá-lo feliz novamente, e então vai me perdoar.
Este não pode ser o fim. Eu não permitirei.

Elena fechou o diário e discou o número de Stefan mais uma vez, deixando o telefone tocar até cair na caixa postal, desligando em seguida. Tinha ligado várias vezes para ele na noite passada e repetidas vezes esta manhã. Stefan podia ver que era Elena, ela sabia. Ele sempre deixava o celular ligado. Sempre atendia também; parecia sentir-se na obrigação de estar disponível, por ter o telefone com ele.
O fato de não atender significava que ele a evitava de propósito.
Elena meneou a cabeça intensamente e discou de novo. Stefan teria de ouvi-la. Ela não ia deixar que ele lhe desse as costas. Depois que explicasse e ele a perdoasse, tudo voltaria ao normal. Eles podiam terminar essa separação que deixava os dois tão infelizes — claramente, não tinha dado certo como Elena pretendia.
Mas o que exatamente ia dizer? Elena suspirou e se deixou cair de novo na cama, deprimida. Deixando de lado a adrenalina da perseguição do carro, só o que ela realmente podia dizer era que não pretendia que o beijo com Damon acontecesse, que ela não queria, não de verdade. Ela queria Stefan. Só podia dizer a ele que não era algo que tivesse esperado ou planejado. Que não era Damon que ela queria. Não verdadeiramente. Que ela sempre escolheria Stefan.
Isso deveria bastar. Elena discou novamente.
Desta vez, Stefan atendeu.
— Elena — disse, monotonamente.
— Stefan, por favor, me escute. — Elena falou às pressas. — Eu sinto muito. Eu nunca...
— Não quero falar nisto. — interrompeu Stefan. — Por favor, pare de me ligar.
— Mas, por favor, Stefan...
— Eu te amo, mas... — A voz de Stefan estava tranquila, mas fria. — Acho que não podemos ficar juntos. Não se eu não puder confiar em você.
A linha ficou muda. Elena tirou o celular da orelha e o encarou por um momento, confusa, antes de entender o que tinha acontecido. Stefan, o querido e amado Stefan, que sempre estava presente para ela, que a amava independentemente do que ela fizesse, desligara na cara dela.


Meredith levou um pé às costas, segurou-o com as duas mãos, respirou fundo e, lentamente, puxou-o para trás, alongando o quadríceps.
Era bom se alongar, fazer o sangue fluir depois da madrugada de ontem. Estava ansiosa para lutar com Samantha. Havia um novo movimento que Meredith tinha bolado, inspirado no kickboxing, que ela achava que Sam ia amar depois que se recuperasse do choque de ter sido derrubada por Meredith mais uma vez. Samantha ficava mais rápida e mais segura de si com o treinamento juntas, e Meredith definitivamente queria que ela continuasse dedicada.
Quer dizer, seria ótimo lutar com Samantha, se ela realmente aparecesse. Meredith olhou o relógio. Sam estava quase vinte minutos atrasada.
Claro, elas chegaram tarde na noite anterior. Ainda assim, não era típico de Samantha sumir se havia dito que iria. Meredith ligou o telefone para ver se tinha algum recado, depois telefonou para Samantha. Ninguém atendeu.
Ela deixou uma mensagem na caixa postal, desligou e voltou a se alongar, tentando ignorar o leve tremor de inquietação que corria por seu corpo. Girou os ombros, alongando os braços nas costas.
Talvez Samantha tivesse se esquecido e o celular estivesse desligado. Talvez tivesse dormido demais. Samantha era uma caçadora; não corria perigo com quem — ou o que — estivesse atacando o campus.
Suspirando, Meredith desistiu da rotina de treinamento. Não ia conseguir se concentrar até saber de Samantha, embora ela provavelmente estivesse bem. Sem dúvida estava bem. Pegando a mochila, ela foi em direção à porta. Podia dar uma corrida no caminho.
O sol brilhava, o ar estava fresco e os pés de Meredith batiam nas calçadas num ritmo constante enquanto ela passava por entre as pessoas que andavam pelo campus. Quando chegou ao alojamento de Samantha, pensou que talvez Sam quisesse dar uma boa corrida com ela em vez de treinar.
Ela bateu à porta, chamando.
— Hora de acordar, dorminhoca! — A porta, que não estava trancada, abriu-se um pouco.
— Samantha? — Meredith empurrou a porta para abrir um pouco mais.
O cheiro a atingiu primeiro. Parecia ferrugem e sal, com um odor subjacente de decomposição, tão forte que Meredith cambaleou para trás, tapando o nariz e a boca.
Apesar do cheiro, no início Meredith não conseguiu entender o que havia por todas as paredes. Tinta?, perguntou-se ela, com o cérebro apático e lento. Por que Samantha estaria pintando? Era tão vermelho. Ela passou pela porta lentamente, embora algo nela começasse a gritar. Não, não, vá embora.
Sangue. Sanguesanguesangue. Meredith não se sentia mais apática e lenta: o coração martelava, a cabeça girava, a respiração saía arfando com dificuldade. Havia morte naquele quarto.
Ela precisava ver. Tinha de ver Samantha. Apesar de cada nervo em seu corpo insistir para ela fugir, para lutar, Meredith continuou avançando.
Samantha estava de costas, a cama sob ela ensopada e vermelha de sangue. Parecia ter sido despedaçada. Seus olhos abertos encaravam o teto de um jeito vago, sem piscar.
Estava morta.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!