30 de março de 2019

Capítulo 22

Bonnie soube assim que Zander e os amigos chegaram à festa, porque o nível de barulho aumentou muito. Sinceramente, Zander era mais calmo que os amigos, pelo menos com Bonnie, porém em grupo eles eram definitivamente loucos.
Na verdade, aquilo era meio irritante.
Mas, quando Zander apareceu ao lado dela — jogando Marcus na parede com uma batida dos quadris — e abriu seu longo e lento sorriso, os dedos dos pés de Bonnie se enroscaram dentro dos sapatos altos e ela se esqueceu da irritação.
— Oi! — disse ela. — Está tudo bem? — Ele arqueou uma sobrancelha, inquisitivo. — Quero dizer, você falou qualquer coisa sobre ver sua família e que por isso estava... ocupado.
— Ah, sim. — Zander baixou a cabeça para falar com ela e soprou seu hálito quente no pescoço de Bonnie ao suspirar. — Minha família é muito complicada — disse. — Às vezes eu queria que as coisas fossem mais fáceis. — Ele parecia triste, e Bonnie, por impulso, pegou sua mão, entrelaçando os dedos nos dele.
— Bem, qual é o problema? — Ela se esforçou para assumir um tom de compreensão e segurança. O tom de uma namorada confiável. — Talvez eu possa ajudar. Sabe, um ouvido de fora, essas coisas.
Zander franziu a testa e mordeu o lábio.
— Acho que eu... tenho responsabilidades. O problema com minha família é que existem promessas que fizemos e coisas que temos de cuidar. E às vezes o que quero fazer e o que tenho que fazer não combinam.
— Dá para ser mais vago? — perguntou Bonnie, implicante, e Zander riu um pouco. — É sério, o que quer dizer? O que você tem que fazer? O que não quer fazer?
Zander a olhou por um momento, e seu sorriso se alargou.
— Venha — disse ele, puxando sua mão. Bonnie foi com ele, ziguezagueando pela festa e subindo a escada. Zander parecia saber aonde ia; virou em alguns cantos, depois abriu uma porta.
Do outro lado havia uma sala de estar de alojamento: alguns sofás puídos, uma mesa surrada. O projeto de arte de alguém, uma tela grande coberta de manchas de tinta, estava recostado numa parede.
— Você mora neste alojamento? — perguntou ela a Zander.
— Não — respondeu ele, com os olhos na boca de Bonnie. Ele a puxou e pôs as mãos em seus quadris. Depois a beijou.
Foi o beijo mais incrível de todos. Os lábios de Zander eram macios, porém firmes, e pequenos fogos de artifício estouraram por todo o corpo de Bonnie. Ela levantou a mão e a pôs em concha no rosto dele, sentindo os ossos fortes de sua face e o leve arranhão da barba por fazer.
Mais uma vez, ela sentiu como durante seu primeiro encontro, quando ficaram no terraço e ela se sentiu voar. Tão livre, com uma alegria desvairada zunindo por ela. Bonnie levou a mão à nuca de Zander, sentindo o cabelo louro claro e fino roçar suavemente em seus dedos.
Quando o beijo terminou, nenhum dos dois disse nada por um instante, só se recostaram um no outro, arquejando. Seus rostos estavam muito próximos, e os brilhantes olhos azuis de Zander estavam fixos nos dela, quentes e intensos.
— Então, é isso que eu quero fazer, já que perguntou. Você... — a voz falhou. — Quer voltar para a festa agora?
— Não — disse Bonnie —, ainda não.
E desta vez foi ela quem o beijou.

— Ah, graças a Deus — disse Chloe quando Matt se aproximou dela. — Eu estava começando a me sentir parte da mobília.
Ela torceu o nariz para ele, sedutora. O nariz dela, meio arrebitado, era pontilhado de sardas, e Chloe tinha uma linda boca de cupido. Ele queria puxar suavemente os anéis castanhos e macios de seus cachos, só para vê-los se esticar e enrolar de novo.
— Como assim? — perguntou ele, contendo-se, embora estivesse dolorosamente ciente de que parecia um idiota. — Parte da mobília?
— Ah, é só... — ela gesticulou vagamente para a multidão. — Não tem ninguém que eu conheça além de você e Ethan. A festa está totalmente lotada de calouros.
O coração de Matt pesou no peito. Tinha se esquecido de que Chloe era do segundo ano. Não devia ser grande coisa, devia? Mas ela parecia pensar que os calouros eram inferiores a ela ou coisa assim. Desdenhoso, era a palavra que ele procurava para descrever o tom dela.
— Acho que a festa está boa — comentou ele numa voz fraca.
Chloe franziu os lábios, brincando, depois lhe deu um leve soco no braço.
— Bem — disse ela baixinho —, só tem espaço para um calouro na minha vida. Certo, Matt?
Isso foi mais do que um sinal otimista. O problema, Matt percebeu, era que sua única experiência de encontros tinha sido com garotas para quem ele não ligava, só pensava como possível acompanhante para festas ou coisa parecida. Ou com Elena, com quem ele se importava tremendamente, mas sabia muito bem e por tempo suficiente que ela responderia com um sim.
Ainda assim, ele pensou ter visto uma abertura ali.
— Chloe — disse ele —, eu estava me perguntando se você não...
Matt se interrompeu quando Ethan se juntou a eles com um largo sorriso. Pela primeira vez, Matt sentiu uma certa irritação direcionada a ele. Ethan era tão inteligente com as pessoas. Não via que estava quebrando o clima ali?
— Gostei de seu amigo Stefan — disse Ethan a Matt. — Ele me pareceu muito sofisticado para um calouro, fala muito bem. Acha que é porque é europeu?
Matt apenas deu de ombros, e Ethan virou-se pra Chloe.
— Oi, amorzinho. — Ele a abraçou e lhe deu um beijo na boca.
E sim, uau, talvez Ethan tivesse percebido que estava quebrando um clima. Não foi um beijo longo, mas definitivamente havia um ar possessivo nele e em seu braço ao redor dos ombros de Chloe. Quando terminou, Chloe sorriu para Ethan, sem fôlego, e os olhos de Ethan foram até Matt só por um segundo.
Matt teve vontade de se encolher e afundar no chão pegajoso e sujo de cerveja. Em vez disso, forçou um sorriso e brindou sua cerveja com a de Ethan.
Porque Chloe — a linda, doce, divertida, descontraída Chloe — tinha namorado. Ele devia ter previsto que não seria o único a ver que ela era maravilhosa. E Matt teria de recuar, independentemente de quem fosse o namorado. Não queria ser o cara que estragava o namoro dos outros; nunca tinha sido.
E com o namorado de Chloe sendo Ethan? Ethan, o líder da Vitale Society, aquele que fazia Matt se sentir especial, como se pudesse ser o melhor? Como era Ethan, Matt teria de cerrar os dentes e ignorar o vazio que tinha no peito. Seria forte e guardaria para si qualquer pensamento sobre o que queria ter feito com Chloe.
Alguns limites não deviam ser cruzados. Nunca.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!