1 de fevereiro de 2019

Capítulo 37

Meira

ANGRA ESTÁ AQUI. E ainda estou viva.
Mas não vim até aqui para viver.
Eu me coloco de pé e levo a mão ao chakram, permitindo que dispare até Angra antes que os novos ferimentos espalhados por meu corpo reclamem em um coro ressoante de dor. Uma costela dói; um corte na coxa queima; sangue escorre para meu olho, mas eu o limpo quando o chakram perfura o ar contra Angra.
Não o acertará. Ele sabe que usarei, mas isso o distrairá apenas por um segundo. Antes que o chakram tenha tempo de chegar até Angra, corro. A beira do penhasco está apenas a poucos passos da parede do abismo, mas ela se estende diante de mim conforme cada passo me coloca mais perto, e mesmo assim tão longe. Puxo o frio dentro de mim, pretendendo me atirar com magia até a beira...
Mas uma onda de Ruína me ataca novamente. O cordão de sombra envolve meu corpo, esticando-se ao me puxar para trás. Angra desvia do meu chakram quando a Ruína me puxa para longe e minha lâmina cai no meio da trajetória, ressoa contra a face do penhasco... e cai pela borda dele.
Vejo meu chakram cair como se fosse um sonho. A queda do objeto faz com que a esfera de magia cresça com sua destruição faiscante.
Meu chakram se foi.
Dor sobe pelo meu braço quando desabo como um saco de carvão sobre a rocha. Algo se partiu, mas estou desesperada e cega demais para saber onde. Não era assim que deveria acontecer.
Estou pronta para acabar com isso — preciso acabar com isso...
— Você não vai me derrotar! — O berro de Angra ressoa pelo abismo. Ira emana de cada palavra, e quando rolo e fico de pé, com o braço esquerdo preso ao corpo, encaro um louco.
Os olhos de Angra parecem insanos no rosto manchado quando ele se balança na minha direção. Mather se atira na minha frente.
Angra ri com escárnio.
— Que meigo — diz ele, rouco. — Mas trouxe alguém para cuidar disso.
Seguro o ombro de Mather com o braço bom e tento puxá-lo para trás de mim — sou a mais equipada de nós dois para enfrentar Angra —, mas uma sombra se move no túnel de saída, uma que faz tanto Mather quanto eu enrijecermos o corpo instintivamente.
A sombra oscila para dentro do abismo tão delirante quanto Angra. Essa sombra se alimenta das emoções de Angra, percebo — cada faísca de ódio, cada torrente de raiva. Angra empurra tudo isso para dentro de Theron, que não perde tempo. Ele mergulha para baixo do abismo com os dois punhos fechados em volta de uma espada.
Mather me empurra para trás, mas não sou eu que Theron golpeia.
Ele empurra a espada direto para Mather. Caio no chão aos tropeços, gritando quando Mather se abaixa, cai e gira para longe para colocar espaço entre ele e Theron. Uma faca surge na mão de Mather, reluzindo para fora do abismo de magia.
— Não vou perdê-la para você — diz Theron, grunhindo, e se atira para a frente.
Eu me esforço para alcançar minha espada curta, finalmente a seguro, mas a escolha de ajudar Mather me é tomada quando a Ruína me envolve. Magia circula por meu braço, arrancando a espada de minha mão. Meu braço quebrado cede e dou um grito quando a Ruína me arrasta pelo chão irregular até Angra.
Minha magia responde com um rompante de gelo que faz a escuridão encolher, e dou um salto para ficar de pé. Angra está a menos de quatro passos de mim, entre a beira do penhasco e eu. Meus olhos observam o chão para procurar minha espada. E a vejo à minha espera atrás de uma estalagmite...
Estendo a mão para a espada, a magia dispara uma coluna gélida a partir dos meus dedos, mas Angra lança uma explosão para se equiparar a mim. Ele alcança minha espada primeiro, uma sombra esfumaçada circula a lâmina como vinhas devorando uma árvore. E com um gesto brusco do braço, Angra faz a espada voar por trás dele e cair da beira do penhasco, exatamente como meu chakram.
— Ah, não, Alteza — provoca Angra. — Já vi todos os seus truques. Sobrevivi a tudo que já atirou contra mim. Não há um fim aqui do qual eu não saia vitorioso.
Não dou atenção a ele. Corro, pretendendo desviar de Angra, disparando com nada além do anseio primitivo pela esfera de magia. Nada mais está em mim, nenhuma dor ou amor ou qualquer sentimento. Tudo que sou é tudo que devo ser — um vazio do qual qualquer coisa poderia brotar. Bem ou mal, pureza ou escuridão — o que quer que aconteça depois disso, será a escolha gloriosa e sem interferência do mundo.
Angra puxa a sombra de volta e a linha de magia se choca contra mim, bloqueando o caminho até o abismo. Grito — não, não, NÃO — e caio de joelhos. As partículas densas e úmidas de ar que pendem do abismo voam até mim, aumentando até formarem uma parede sólida de gelo que sobe a tempo de me bloquear do rompante da magia de Angra.
Ele solta uma gargalhada, lançando outro chicote de sombra que lasca minha barreira de gelo.
— Eu disse, Alteza... conheço seus truques.
Resmungo, com os braços estendidos para manter a barreira de gelo reforçada com minha magia. Nada que Angra diz importa. Vou acabar com isso.
— Toda defesa que tem, cada plano patético que fez — continua Angra. Mais um nó da Ruína se choca contra minha barreira. — Nada que fizer pode me impedir. Até mesmo sua aliada, a princesa veraniana? Ela é minha agora. Minha. E o mundo todo a acompanhará, um a um, até que seja como deveria ser: controlado por mim.
Ceridwen sucumbiu a Angra? Engasgo com essa informação. As palavras dele me fazem olhar para o lado, onde meu escudo termina. Mather e Theron ainda lutam para frente e para trás ao longo do penhasco.
Da última vez que lutaram, meses antes, vidas antes, suas habilidades eram idênticas, no pátio de treino de Bithai. Mas agora Theron tem a Ruína de Angra, que o aprimora, e ele se move mais rápido do que qualquer humano normal poderia. Dispara em torno de Mather com tanta agilidade que mal consigo acompanhar. E se eu mesma, de longe, tenho dificuldade para enxergá-lo, Mather deve estar ainda mais confuso.
Eu me viro para Mather, pronta para lançar um rompante revigorante de força e energia para ajudá-lo. Mas antes que a magia deixe meu corpo, Mather se vira e Theron desce a espada no ar. Um inclinando o corpo na direção um do outro. Perco todo o fôlego e minha garganta se fecha em horror, porque Mather não conseguirá desviar do golpe.
Mas a espada de Theron não mergulha em Mather como deveria.
Pisco, e Mather bloqueia o golpe.
Como foi que... de maneira alguma Mather conseguiria ter se movido tão rápido...
Um brilho amarelo emana do outro punho de Mather, uma das muitas rochas que foram embebidas no poder da fonte ao longo dos anos. Exatamente como os condutores originais que costumavam existir livremente pelo mundo, dando rompantes únicos de magia que as pessoas acabaram usando para atos malignos que criaram a Ruína. Em comparação com os Condutores Reais, condutores individuais são risivelmente menores e temporários, servem apenas para fluxos breves de poder.
Mas fluxos breves de poder são exatamente o que Mather precisa.
A pedra na mão dele se apaga e perde o brilho, e Mather a atira longe, girando com o golpe seguinte de Theron. Então ele pega uma pedra azul brilhante que o ajuda a bloquear o soco de Theron. Ele está usando a magia apenas para se defender, não para atacar.
Pela neve. Mather descobriu sozinho o que Rares e Oana precisaram me ensinar com ataques violentos de raios.
Um estalo estremece em meus ouvidos e ergo o rosto a tempo de ver uma rachadura no topo do escudo de gelo, mergulhando para baixo, diretamente na minha direção. A magia de Angra está quebrando a barreira de gelo. Não me restam armas, nada que eu possa usar para atacá-lo.
Exceto gelo.
Angra não me dá mais tempo para pensar. Recuo com um salto quando minha barreira explode, lascas de gelo cortam o ar e arranham meu rosto como pequenas lâminas congeladas. Um caco grande gira atrás de mim, e eu o pego antes que se quebre na pedra.
— Não — grito para Angra, para toda essa guerra horrível, e é a única coisa que consigo dizer enquanto fico de pé ali, com a pele na palma da mão se abrindo enquanto seguro o caco de gelo.
Angra fica de pé, triunfante, entre as ruínas de minha barreira de gelo.
— Vá em frente e tente, rainha de Inverno. Primavera sempre vencerá.
Meu braço quebrado inútil permanece junto ao corpo, mas o restante de mim se move para lutar sem qualquer empecilho. Joelhos se dobram, giros do corpo, o braço bom recuando quando atiro o caco de gelo em Angra. Ele ergue um braço, um escudo da Ruína que incinera meu projétil antes que toque Angra. Mas lanço outro logo em seguida, catando entre os destroços ao meu redor para atirar todos os que conseguir encontrar. Um fragmento especialmente grande cai na palma da minha mão e minha magia faísca à espera de se libertar. Então permito — mas apenas para que desça por meu braço esquerdo e cure a fratura. Mais nenhum uso de magia. Não posso arriscar magia no que poderia ser um ataque a Angra, uma ação negativa que poderia alimentar a Ruína. Estou perto demais para ser derrotada.
Caco após caco de gelo, cada um me permite dar um passo mais perto de Angra, da beira. Mais e mais perto, meu braço é uma repetição de pegar, agachar, atirar — pegar, agachar, atirar. O gelo voa na direção de Angra apenas para se dissolver conforme sobe barreira após barreira contra meus ataques incansáveis. O rosto de Angra se contrai com fúria, as sobrancelhas se curvam sobre os olhos em uma expressão que combina com o urro que ele libera.
Mais alguns passos, só mais alguns...
Um caco de gelo dispara, menor, e em vez de se dissolver ele acerta o alvo, apenas porque Angra deixa a defesa cair para estender os braços diretamente até mim. O gelo deixa uma linha vermelha fina sobre a bochecha de Angra, sangue se acumula em gotículas que escorrem conforme a magia dele me atira para trás, contra a parede. Só que em vez de desabar no chão de novo, sou mantida ali, presa à pedra.
Angra ofega, ergue uma das mãos para me manter indefesa contra a rocha.
— Se me matar agora — digo — Inverno inteiro se tornará o que sou. Condutores. Sempre haverá alguém para enfrentar você.
— Acha que eles podem me impedir? — Angra abaixa a mão e meu corpo raspa contra a parede, rochas serrilhadas cortam minhas costas. Um grito agudo irrompe de meus lábios antes que eu consiga contê-lo, e o ruído faz Mather interromper a luta.
Ele se vira na minha direção. Apenas um tremor.
Theron corta a barriga de Mather com a espada.
Sinto o corte como se tivesse acontecido comigo, uma queimação que esvazia meu corpo de pensamento racional.
— Inverno me recebeu — continua Angra, insensível a qualquer coisa que aconteça além de nós. — Seu reino abriu as portas para mim quando contei a eles a verdade sobre nosso poder. Condutores ou não, eles me adoram. O mundo me adora, rainha de Inverno, e você não pode me derrotar.
Mather se curva com uma das mãos sobre a barriga.
Theron o circunda, sorrindo, com a espada tingida de vermelho.
Ao observar Mather buscar outro condutor, com o ferimento vazando sangue escarlate pelas coxas e Theron erguendo a lâmina atrás dele, tudo que consigo ver é a morte de Mather. Sir, Nessa, Garrigan, Alysson, Noam, Finn, eu... todos que não pude salvar.
Angra acha que essa guerra é dele, e talvez um dia tenha sido. Mas se tornou algo bem maior, algo que o deixa insignificante em comparação.
Isso não tem nada a ver com Angra. Não tem nada a ver com a magia dele. Tem a ver com todas as pessoas que não pude salvar e todas as pessoas que ainda estão lá fora agora. Com um futuro de verdade, aquele que morreu quando eu era uma criança que tinha armas em vez de brinquedos. O futuro que morreu quando Mather precisou crescer achando que era o rei de um reino perdido, quando o pai de Theron o obrigou a viver uma vida de acordo com as regras de Cordell, quando Rares e Oana não puderam ter um filho, quando Ceridwen precisou se curvar à tirania do irmão.
O futuro que o próprio Angra deveria ter tido. Um que poderia ser pior do que aquele que ele viveu, sim, mas que também poderia ter sido muito melhor. E mesmo que fosse pior, teria sido por culpa dele mesmo. Teria sido justo e verdadeiro e humano, um futuro livre de magia, uma vida formada longe da escuridão ou da luz.
Isso não me trouxe nada além de morte.
Mas, apesar disso, haverá vida.
Grito e toda a magia dentro de mim sai em uma torrente, destruindo as amarras da Ruína sobre mim. Caio, me segurando no chão antes que mais ferimentos possam reverberar por meu corpo.
Assim que desço procuro Mather, preenchendo-o com as ondas curativas de gelo em estado puro. Tomado pela magia, Mather se levanta subitamente e seus olhos se voltam para os meus.
Minha atenção vai para além dele, para Theron, que desce a lâmina contra o pescoço de Mather.
Mather desvia para a esquerda. O corte em seu estômago agora é apenas um borrão de tecido ensanguentado, a pele está curada e os músculos estão como novos quando ele cai sobre os cotovelos, se agacha e desvia da espada de Theron por um fio. A lâmina corta a bolsa presa às suas costas e quando ele gira para dar uma banda em Theron, itens voam em uma confusão de cordas, embalagens de comida e...
Uma adaga, o cabo refletindo um brilho roxo fraquinho. O condutor de Cordell?
Não tenho tempo para pensar a respeito. As partículas de ar se agitam ao meu redor, formigando por meus braços em ondas de aviso. A magia aqui é o oposto da de Angra — é pura e intocada. E agora, despertada, libertada, com essa mesma magia pulsando em minhas veias, consigo sentir as mudanças quando a Ruína de Angra dispara contra mim.
Então me movo antes que ele me acerte, e a explosão de sombras que Angra lança atinge a parede. Pedaços de rocha se espalham, mas eu me viro, socando Angra em um golpe ágil de defesa, aquela única e gloriosa brecha que me permite combatê-lo, que permitiu que Oana disparasse raios contra mim sem alimentar a Ruína.
A fonte de magia que flutua logo além estala e estoura em resposta a meu chamado, e não é neve ou gelo que uso para socar Angra. É magia na forma mais básica, um cordão retesado que redireciono do caminho caótico e impressionante que percorria a fim de que exploda no chão, aos pés de Angra. Ele cambaleia para trás, gritando de dor.
Um grunhido chama minha atenção para Mather e Theron. Theron cai, a espada escapando de sua mão quando o braço se choca no chão. Mather salta sobre ele, como um bloco sólido golpeando a cabeça de Theron contra uma rocha e lançando-o cambaleante para um estado de atordoamento.
— Não pode tomar meu poder — declara Angra, fechando a mão em punho, a Ruína acumulando-se ali para formar um golpe fatal. — Ninguém pode tomar meu poder. Este mundo está livre, por fim, de pessoas como você, que querem reprimi-lo.
Angra avança. Sombra preenche o ar, seus tendões giram e se ramificam em dezenas de dedos sombrios, enevoados, todos espiralando até mim, todos destinados à destruição.
— Eu mesma não poderia ter dito melhor — murmuro.
Tudo o que sinto quando a magia de Angra mergulha contra mim é adrenalina, a alegria ressoante e delirante do fim.
Porque em dois segundos tudo terá acabado.
Piso em uma estalagmite próxima e salto por cima dos primeiros túneis da Ruína, curvando o corpo no ar para evitar outro. Quando pulo, impulsiono a mão para Angra, canalizando outro disparo de magia que se conecta com o chão e o atira, vacilante, até a beira do penhasco do abismo de magia.
Ainda estou no ar, me impulsionando por um rompante final de magia que preenche meu ser com gelo e neve. Aquele frio dispara de mim girando, se prende à arma mais próxima — a adaga que saiu da mochila de Mather — e a joga até mim.
Em meio ao suor e ao sangue que cobrem meu rosto, abaixo o olhar para onde Angra vacila, na beira do abismo.
E sorrio.
O cabo da adaga atinge a palma de minha mão, magia irrompe braço acima em um redemoinho de imagens e emoções. Mas todos se calam diante da minha determinação. Não há nada aqui — nenhuma distração, nenhum pensamento, apenas Angra e eu e o fim do mundo.
A adaga brilha, roxa, na escuridão, refletindo a magia atrás de Angra. Esse lampejo atrai o olhar dele, mas é tarde demais já que o tempo se transforma em torno desse momento. É como se o mundo inteiro prendesse a respiração para me ver saltar sobre o penhasco, erguer a adaga e aterrissar, enterrando a lâmina no peito de Angra.
Lanço um último comando a Mather. Bem semelhante àquele que o pai dele gritou enquanto a sala ruía ao nosso redor.
Corra!
Angra cambaleia para trás, tão chocado que o desequilibro ainda mais. Ele cambaleia, tropeça, as mãos tentam se agarrar inutilmente ao ar enquanto eu me equilibro no penhasco e empurro com toda força que algum dia tive.
Oscilamos, nós dois, a força do meu movimento e o peso de Angra nos arrastando para além da beirada.
Um movimento me faz olhar por cima do ombro uma última vez. Mather, com o braço de Theron em volta de seu o pescoço, arrasta o rei semiconsciente até a saída. Ele não para e olha para mim, não para e tenta se juntar a mim. Simplesmente obedece, deixando o abismo com um de seus maiores adversários recostados a ele.
Meus pés deixam o penhasco com um último empurrão.
Angra grita, a magia sombria berra de dentro dele em uma tentativa desesperada de puxá-lo de volta para cima. Mas quanto mais nos aproximamos da fonte, mais dedos eletrizantes dela estalam para fora e minam as tentativas de Angra. Também estou pronta — não permitirei que ele me impeça, e para cada tentativa trêmula em busca de salvação que Angra libera, eu me choco contra ele com as ondas da minha própria magia. Luz e escuridão, pureza e ruína, conforme a fonte de magia fica mais brilhante e mais próxima e mais quente.
Houve uma época em minha vida em que eu teria dado qualquer coisa por magia. Dei qualquer coisa por magia — eu me atirei de cabeça em uma guerra centenária. Mas também o fiz por Inverno, pelo povo que amava, porque era disso que precisavam para ter uma vida segura e saudável.
E depois que obtive magia, depois que a obtive em grandes quantidades, odiei e temi. Não conseguia entender como nosso mundo podia ser tão dependente de algo que fizera tão mal. Mas havia bondade nela, uma bondade tão espantosa que a maldade era quase compreensível.
É isso que vejo conforme mergulho na direção da fonte. O brilho dela fere meus olhos, me torna incapaz de distinguir uma cor da outra até que só consiga ver a luz mais lancinante e perfeita. Linda e dolorosa e imaculada e falha. E embora esses extremos tenham feito meu mundo um reino de caos e incerteza, a resposta é muito simples:
O bem e o mal que a magia nos dá são igualmente desnecessários.
Durante toda minha vida, a magia foi uma força motriz. Durante toda minha vida, lutei e sangrei e chorei por um futuro em que aqueles que amo estariam seguros e felizes.
Então fecho os olhos e deixo que a magia traga um novo mundo.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!