1 de fevereiro de 2019

Capítulo 33

Ceridwen

QUANTO MAIS CERIDWEN se aproximava da rainha ventralliana, mais silencioso tudo ficava. Como se todos os outros sentidos dela exigissem mais sua atenção, abafando a habilidade de Ceridwen de ouvir qualquer coisa que não as batidas do coração igualando-se à cadência dos pés na terra. Os cabos das facas de Ceridwen se enterraram nas palmas das mãos dela. O ar gelado e amargo de Outono encontrou o ar frígido de Inverno, tecendo um cobertor de frio que queimava os pulmões de Ceridwen.
Aquilo era guerra. Os exércitos outonianos, veranianos e yakimianos se estendendo, o impacto dos passos deles vibrando pelas pernas de Ceridwen. Mas nada penetrava a nuvem de concentração dela, os arrepios que subiam pelos braços de Ceridwen eram a única coisa que lhe dizia que o exército dela dera um grito de guerra. Verdadeiros gritos de guerra não precisavam ser ouvidos — eram sentidos.
Era esperança demais torcer para que Raelyn avançasse com os soldados dela — em vez disso, a rainha ficou para trás, na retaguarda. Obrigaria Ceridwen a lutar até chegar a ela, e quando se encontrassem, Ceridwen estaria cansada e ensanguentada enquanto Raelyn permaneceria pronta e inteira. E se fosse uma luta normal, Raelyn precisaria de tal vantagem. Mas Ceridwen vira o poder que Raelyn empunhava agora, como tinha partido o pescoço de Simon com um movimento do punho. Ceridwen era quem precisaria de qualquer vantagem possível.
O ombro de Lekan se chocou contra o de Ceridwen momentos antes de eles colidirem com o exército ventralliano. Um sinal silencioso que os dois tinham compartilhado dezenas de vezes — a mão dele deslizando pelo braço de Ceridwen antes de um ataque, o punho dela contra as costas dele antes de um resgate.
Estou aqui. Estou com você.
Ceridwen jamais se sentiu tão grata por ter Lekan ao seu lado.
Começaram o procedimento habitual, como se aquilo não fosse uma batalha na guerra, mas uma das muitas missões para libertar escravos veranianos. O ombro esquerdo de Ceridwen se inclinou para a direita de Lekan, girando para criar uma barreira mortal com ele atacando por um lado e ela pelo outro. Quando Lekan abaixava, Ceridwen sabia que deveria abaixar também; quando ela desviava de um inimigo para derrubar outro, o soldado se chocava contra as lâminas de Lekan.
Contra uma dúzia ou mais de traficantes de escravos, tais manobras lhes garantiam vitória rápida, mas nunca tinham sido forçados a usá-las em uma batalha, onde cada soldado que derrubavam era substituído por mais dois.
E nunca tinham usado essa técnica em soldados possuídos por uma magia mortal — nem de perto tão forte quando o controle de Raelyn sobre ela, mas cada inimigo que encontravam se movia mais rápido do que deveriam, armas perfuravam o ar com golpes rápidos que Ceridwen mal conseguia ver. Apenas os instintos de combate dela a mantinham viva — Ceridwen não tinha tempo de planejar ataque algum.
Esses soldados estão usando a Ruína de Angra.
Mas apenas o próprio Angra podia espalhar a Ruína. Ele era a fonte, como Meira tinha dito. Até que ele aparecesse ali, ninguém lutando contra Angra podia temer se tornar como os soldados que tinha encontrado, atacando como se pessoalmente odiassem cada inimigo com que se deparavam.
Uma pausa, uma interrupção na onda de soldados ventrallianos, e Ceridwen engasgou com o ar gélido. Estavam em Inverno agora, neve batida e marrom sob o caos, e o ar frígido se agarrava à pele de Ceridwen, deixando-a enjoada pelo desconforto. Mas aqueles eram preços que pagaria voluntariamente — pois quando fez uma varredura da área, viu Raelyn a apenas quatro soldados de distância.
Ceridwen encarou Lekan. Ele assentiu e mergulhou até os homens, que avançaram contra ele com uivos de aviso. Lekan derrubou os dois primeiros, se abaixou sob o terceiro e empalou o quarto quando Ceridwen matou aquele que Lekan evitara.
Raelyn viu isso acontecer sem se mover. Não havia arma nas mãos dela; ela nem mesmo usava armadura, apenas uma roupa preta simples de montaria e uma pequena máscara preta, como se tivesse se deparado com aquela batalha durante um passeio a cavalo pela floresta marfim de Inverno.
Lekan deslizou de joelhos devido à energia acumulada depois de estripar o último soldado. Ele cravou as espadas na terra congelada para deixar as mãos livres a fim de entrelaçar os dedos, formando um degrau sólido contra a neve.
Ceridwen recuou, então disparou correndo. Ela colocou um dos pés sobre o degrau que Lekan tinha improvisado e ele se levantou, atirando Ceridwen ao ar. As facas ensanguentadas dela reluziram quando Ceridwen recuou, o corpo dela se arqueando para lançá-la disparando na direção de Raelyn montada em seu cavalo.
Por um ínfimo lampejo, os olhos de Raelyn se arregalaram atrás da máscara. Ela estendeu o braço e uma força invisível se chocou contra Ceridwen, fazendo o corpo dela girar para o lado, as facas desceram a poucos centímetros de mergulharem no peito da rainha ventralliana. Ceridwen se chocou contra Raelyn e as duas caíram com um estampido pesado na neve pisoteada.
As facas de Ceridwen escorregaram, os dedos dela dormentes devido ao frio da neve. Ceridwen se colocou de pé com dificuldade, estremecendo da cabeça aos pés, prendendo a respiração contra os tremores dolorosos que a martelavam de dentro para fora.
Raelyn também disparou de pé, a meia saia do traje de montaria dela girando em torno da calça preta justa. A máscara não ajudou a esconder seu olhar furioso.
— Não tinha ideia de que você estava tão ansiosa para seguir o caminho de seu irmão — disparou Raelyn.
Ceridwen não disse nada, em parte porque precisou trincar o maxilar para evitar tremer até se partir, e em parte porque não tinha esperado acabar nessa situação, encarando Raelyn. O poder que a rainha ventralliana empunhava era demais para aquele tipo de confronto — esfaqueá-la rapidamente era o único plano de Ceridwen.
Mas agora Raelyn a mataria.
Ceridwen desviou o olhar ao redor. Os soldados ventrallianos que estavam por perto deram bastante espaço às duas. Lekan fora atraído para longe, lutando com um grupo de invernianos posicionado costas a costas, um emaranhado de armas que, mesmo assim, em breve estaria sobrepujado pelo tamanho das tropas de Raelyn. A única coisa que Ceridwen e Lekan tinham em favor deles era a velocidade — e agora que o ímpeto tinha sido interrompido, a realidade recaiu.
Não estavam em quantidade o suficiente para travar aquela batalha. Principalmente quando cada soldado agressor podia se mover tão rapidamente. Enquanto Ceridwen observava, um dos invernianos no grupo de Lekan foi atingido por uma espada no peito, o que fez outro gritar antes que Lekan encurralasse os dois no meio do círculo, protegidos, o máximo possível, em um campo de batalha.
— Meu marido está aqui? — A voz de Raelyn foi como um arranhão em Ceridwen.
— Seu marido? — Ceridwen sorriu. Se morreria, pela chama e pelo calor e que tudo se incendiasse, morreria com um sorriso malicioso no rosto. — Tenho quase certeza de que não foi seu nome que ele gritou na nossa noite de núpcias há uns dias.
Raelyn grunhiu e socou o ar, jogando Ceridwen para trás com uma força que se chocou contra o peito dela, tirando-lhe todo o ar dos pulmões. Ceridwen caiu na neve, chiando ao rolar para o lado a tempo de ver Raelyn marchar para a frente, socando o ar novamente. A cabeça de Ceridwen bateu no chão de novo, braços e pernas se esticaram, cada músculo estava preso no lugar quando Raelyn parou acima de Ceridwen, cada uma das pernas nas laterais de Ceridwen.
— Minha cara menina, você realmente não quer começar a compartilhar histórias assim. — Raelyn se agachou, o sorriso dela chegava a ser doente de tão doce. — É você que se importa de verdade, não eu. Você se importa tanto, com tantas coisas. Como seu irmão... devo contar qual foi a sensação de matá-lo?
Ceridwen moveu o queixo contra a magia que a prendia, mas nada cedeu, e Raelyn se aproximou mais, acariciando a bochecha dela com um dedo.
— Foi delicioso — ronronou Raelyn. — Ter o poder de acabar com uma vida com as próprias mãos... — Ela segurou com mais força, enterrando as unhas no rosto de Ceridwen. — Não pode imaginar.
Raelyn se impulsionou para ficar de pé, erguendo-se acima de Ceridwen de novo, e fechou a mão em punho. A magia de Raelyn libertou a cabeça de Ceridwen, então ela se virou e olhou para a batalha em volta, os últimos breves momentos que teria para ver o destino de seus amigos. Lekan e os invernianos tinham recuado sob a torrente de ventrallianos. O que deixava Ceridwen e Raelyn sozinhas, a rainha de Verão separada de qualquer de seus aliados por fileiras de soldados mortais.
Ela piscou, franzindo a testa.
Nem todos os soldados em torno de Ceridwen usavam armadura ventralliana. Ela combateu a magia e se esticou para olhar na direção da fileira de árvores invernianas. Mais combatentes corriam para se juntar aos ventrallianos, acrescentando pessoas e alguns enormes dispositivos de ferro que rolavam sobre rodas que rangiam.
O exército de Angra. E tinham trazido os canhões dele — não muitos, o suficiente para permitir que viajassem rapidamente, mas enquanto Ceridwen analisava esse acréscimo, um canhão se acendeu e disparou um rompante de fumaça preta atrás de uma bola de pedra mortal que destruiu fileiras de combatentes.
Já estavam em menor número em relação aos ventrallianos. Agora...
O coração de Ceridwen estremeceu, e não tinha nada a ver com a cama de neve que agora a aninhava.
Raelyn também reparou no fluxo de combatentes. Ela gargalhou, alegre, e os olhos recaíram sobre algo no mesmo momento em que os de Ceridwen.
Uma nuvem negra impenetrável poluiu o ar na fileira de árvores.
Angra.
Ceridwen deveria ter ficado incapacitada pelo terror.
Mas deitada naquele chão terrivelmente frio, presa pelo poder imbatível de Raelyn e observando Angra descer sobre o vale, ela viu um modo, o único, de enfrentar a rainha ventralliana.
Angra marchava, sua armadura de Primavera reluzindo à medida que ele se movia da sombra para a luz do sol. Uma figura saiu da escuridão atrás dele, o restante da fumaça se dissipou entre as árvores.
Não.
Theron se curvou para a frente, gritando como se cada nervo dele tivesse sido congelado, queimado e congelado de novo. Angra tinha vindo e trazido Theron para aquele combate — usando magia.
E se tinha levado Theron, isso significava que Angra tinha primeiro ido a Jannuari para recuperá-lo.
Ceridwen teve ânsia de vômito. Meira — o que ele teria feito com ela? Como Angra usara magia para levar Theron até lá? Ela sabia que Meira podia usar sua magia para transportar outros invernianos, mas Angra não deveria conseguir afetar Theron, um cordelliano, daquela forma. A não ser que fosse mais um truque da Ruína? Tudo que Ceridwen sabia era que era Theron, gritando, rolando na neve. O que quer que Angra tenha feito para levá-lo até ali tinha funcionado, mas não parecia... certo.
Angra não dava atenção a Theron, apenas marchava na direção do calor da batalha, a postura ereta e o rosto lívido.
Isso aliviou a preocupação de Ceridwen. Angra não estaria tão furioso se tivesse sido bem-sucedido em matar Meira.
Raelyn aplaudiu a chegada de Angra. Obviamente não tinha percebido o que Angra podia fazer, mas Ceridwen sim. Tinham antecipado que Angra tentaria infectar o exército inimigo com a Ruína, e Ceridwen estava pronta para bloqueá-lo.
Mas a semente de uma ideia floresceu na mente de Ceridwen, fazendo-a trincar os dentes. A Ruína de Angra se agarraria a todos no vale, e embora a maioria fosse lutar contra ela, por fim abriria caminho e infestaria a todos com o mesmo poder insano que encorajava o mal de Raelyn.
Por favor, Meira. Ceridwen lançou o pensamento para o buraco em seu coração, segurando-o contra a escolha que estava prestes a fazer. Por favor, ande logo.
Angra continuava se movendo, passando por Raelyn e Ceridwen deslizando. Quando ele o fez, mais dos canhões dispararam atrás e Angra estendeu os braços como um pai faria para interceptar uma criança. Mas o rosto dele contava uma história diferente — lábios retraídos, dentes expostos, olhos incandescentes.
Angra impulsionou os braços adiante.
Escuridão sufocante escorreu de dentro dele, serpenteando pelos exércitos. Um tendão se separou e se chocou diretamente contra Ceridwen. Raelyn observou, esperando que Ceridwen se contorcesse e lutasse.
Mas ela não resistiu.
A magia colidiu com Ceridwen até que ela não passasse de poder e força. Angra impulsionou tanto para dentro dela quanto Ceridwen quis, despejando a magia sobre ela como balde após balde de água sobre um chão seco e empoeirado. Ceridwen sentiu o desespero de Angra nessa oferenda, como ele não estava se segurando como tinha feito com as pequenas porções de magia que dera aos soldados.
Aquela era a guerra final para os dois lados, e Angra faria dele aquele mundo.
Ceridwen encarou Raelyn.
— Quando quiser matar alguém, mate, não provoque a pessoa — grunhiu Ceridwen, e golpeou com os braços para cima na direção de Raelyn, destruindo a contenção da magia com o próprio fluxo da Ruína.
O rosto de Raelyn assumiu uma expressão de puro choque logo antes de o pescoço dela se partir. O corpo da rainha ventralliana caiu na neve ao lado de Ceridwen, os olhos permanentemente congelados em um estado de surpresa.
Ceridwen ficou de pé. A Ruína preencheu cada parte de seu corpo tão completamente que ela achou que fosse explodir com o fardo, cheia de uma força tão infinita e gloriosa que o mundo ficaria assombrado com a destruição, como se estivessem diante de um fogo selvagem destruindo uma floresta.
Ceridwen era uma chama, e era o combustível, e era a luz que cegaria cada criatura triste e fraca de Primoria.
Se todos os aliados de Angra se sentiam bem daquele jeito, não era supressa que tivessem se aliado a ele.
Ceridwen balançou a cabeça. Não; lembre-se de tudo que ele fezLembre-se de quem ele é.
Mas isto é poder. ISTO é força. Nunca tive isto antes.
Ceridwen se viu correndo, disparando contra o exército de Outono, Yakim e Verão. Qualquer movimento de bater em retirada tinha parado e a maioria dos soldados se contorcia, guerreando com suas mentes conforme a Ruína de Angra os golpeava em busca do controle. Angra ainda estava no campo de batalha, serpentes pretas de magia disparando para fora dele, o rosto de Angra inchava com uma alegria doentia.
Isto é poder. Isto é força. E essas pessoas estão resistindo a ele. Merecem morrer.
Não!
Mas o protesto de Ceridwen não foi ouvido pelo corpo dela, e logo sentiu as pernas impulsionando-a na direção de um grupo de combatentes veranianos. Suando, os homens resmungavam, mas se mantinham no lugar, resistindo a Angra com mais elegância do que a maioria graças aos anos combatendo a magia de Simon.
Precisam morrer por isso.
NÃO!
Ceridwen saltou para o grupo, e eles a viram se aproximar, os olhos registrando a líder com um rompante de consciência. Mas não conseguiam entender por que ela os atacava — Ceridwen, de todos eles, deveria ter sido a última a cair nas mãos de Angra, e, de fato, era esse o único motivo pelo qual ela ainda tinha alguma consciência.
— Corram! — gritou Ceridwen para o grupo, uma súplica sufocada que disparou pelo ódio que a queimava. Pela chama e pelo calor, Ceridwen não odiara nem mesmo Raelyn com tanta paixão, mas odiava eles, aqueles idiotas ignorantes e íntegros que manteriam o mundo fraco.
Ceridwen socou um dos veranianos, que caiu no chão, chocado com o ataque. O restante se moveu para ajudá-lo, resistindo o melhor possível, mas agora ela estava fortalecida como todas as outras marionetes de Angra. Era irrefreável, e, que tudo se queimasse, ela se sentia irrefreável.
Pare! Eles não são seus inimigos!
Um corpo se chocou contra Ceridwen, derrubando-a do lado outoniano do campo.
— Ceridwen! — gritou Lekan, prendendo os braços dela ao lado da cabeça. Outros se juntaram a ele, ajudando-o a segurar Ceridwen no chão. — Cerie, pare!
Ela chorou, se debatendo sob Lekan. Ele também era fraco. Jamais entenderia a necessidade que Ceridwen sentia, como aquele poder vinha com a responsabilidade de usá-lo, e ela o usaria.
— Cerie, precisamos de você — suplicou Lekan. Sangue escorria da testa dele, o pescoço estava sujo de uma lama preta e marrom-clara. — Esta não é você, mas você é a pessoa mais forte que conheço. Pode combater Angra.
O nome falou com a magia dentro de Ceridwen. Angra merecia aquele poder. Apenas Angra podia usá-lo.
— Ele é o inimigo. — Ceridwen se obrigou a dizer, em voz alta. Ela arrastou essas palavras para dentro do coração, impulsionando-as a permanecerem tão fortes e resistentes quanto o ódio que ainda a impulsionava a atacar Lekan e os veranianos.
Lekan assentiu, mas parte dele se curvou em derrota.
— Amarrem-na — disse ele a um dos homens que segurava Ceridwen. — Não podemos arriscar...
Eles levantaram Ceridwen, e Lekan continuou dando ordens, mas Ceridwen se obrigou a ignorá-las. Não queria ouvir qualquer informação que a Ruína pudesse fazê-la usar contra eles.
A batalha implorava pela atenção de Ceridwen, de toda forma. O que restara do exército deles tinha se unido em torno do grupo em um emaranhado fechado dos combatentes mais persistentes, aqueles que conseguiam afastar a Ruína de Angra pela força de vontade. Caspar estava próximo, gritando com alguns dos generais restantes. Menos de metade do número original deles ainda estava de pé, o que era mais do que uma tragédia — era um exercício de suicídio.
Os soldados deles lutavam, mas caíam mais do que os inimigos. Os soldados resistiam, mas a cada poucos segundos, um se voltava contra os irmãos com o mesmo ódio feroz que possuíra Ceridwen. Canhões dilaceravam o aglomerado deles, derrubando meia dúzia de soldados por vez. Angra estava no centro do exército dele, elevado em uma pilha de barris ou uma caixa, ou talvez nas costas dos soldados que tinha matado, com os braços estendidos, a Ruína ainda disparando para fora dele. A alegria de Angra tinha se dissipado, um esforço ínfimo transparecia, mas isso não o impedia. Nada o impediria.
Ceridwen percebia isso agora — nada poderia derrotar Angra.
Nem mesmo Meira.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Para comentar, por favor utilize a opção Nome/URL e preencha seu nome/apelido/nick; o URL pode deixar em branco.

Boa leitura, E SEM SPOILER!