1 de fevereiro de 2019

Capítulo 14


Ceridwen

APESAR DA INTERAÇÃO deles na noite da chegada ao campo de refugiados veraniano, Ceridwen encontrou dezenas de coisas para mantê-la distraída de Jesse. A mais importante entre elas era a que ela mais esperava — e temia: a notícia de que Angra tinha tomado Verão.
Fora preciso todo o parco estoque de paciência de Ceridwen para que ela evitasse gritar com o mensageiro que aparecera explicando que Angra estava demarcando uma forte presença no reino dela — principalmente porque Ceridwen sabia o quanto Verão seria receptivo à magia dele. Todo veraniano de classe alta estava tão acostumado com um fluxo constante de magia que o de Angra não seria diferente — até que a felicidade eterna deles fosse trocada pelo terror cego e pela obediência que Angra tinha despejado sobre Rintiero.
Mas isso dava uma vantagem a Ceridwen. Ela conseguia encontrar qualquer prédio em Juli de olhos vendados. E se Angra estivesse lá, seria fácil — embora não prazeroso — entrar de fininho com um pequeno contingente de soldados e acabar com o reinado de terror dele.
Então era exatamente o que fariam: entrariam em Juli despercebidos e assassinariam Angra.
Todos sabiam — alguns até mesmo tinham presenciado — como a magia de Angra se espalhava. Não importava de que reino as pessoas eram — podia afetar as pessoas sem limites. Mas Ceridwen estivera em Rintiero e saíra ilesa; Jesse e Lekan tinham feito o mesmo. Então era possível resistir à magia de Angra. E entre todos no mundo, os refugiados veranianos de Ceridwen eram os que tinham mais experiência em resistir à magia. Tinham treinado entre si para se libertar da alegria imobilizadora de Simon.
Era loucura, de fato, mas possível — contanto que pudessem usar todas as ferramentas à disposição.
— O que vai dizer a eles? — perguntou Lekan, enquanto a poeira subia sob os pés deles ao caminharem na direção da parte yakimiana do campo.
Os dedos de Ceridwen se fecharam em torno do selo na palma da mão. Não conseguira revelá-lo aos yakimianos quando os confrontou; afinal ela não era lacaia de Giselle, e qualquer bem que viesse daquilo seria mérito da própria Ceridwen. Mas ela não conseguia pensar em mais nada para convencê-los a lutar ao lado dela agora.
— São yakimianos. Tenho certeza de que enfrentar Angra vai tocar o lado racional deles tanto quanto o de Giselle.
Lekan grunhiu.
— Mas será que vão concordar que a primeira ação contra ele deva ser ajudá-la a retomar Verão?
— Não... é claro que não. São de um reino Ritmo. Vão rir da minha cara, e eu provavelmente acabarei socando um deles.
Os trezentos soldados yakimianos só tinham se revelado depois que Ceridwen subiu em uma plataforma e gritou o plano de Giselle para o campo inteiro. Como esperavam, nem todos os yakimianos estavam cientes da intenção da rainha, então, antes que pudesse ocorrer um levante, os soldados tinham se apresentado e passaram os dois dias seguintes tentando fazer com que seus compatriotas entendessem. Aquele era um problema dos yakimianos, então Ceridwen concedeu esse tempo a eles.
Ela parou subitamente. A intensidade do sol das planícies era forte, mas o calor não teve o efeito reconfortante de sempre sobre Ceridwen. Que tudo se queimasse, o que diria aos refugiados agora?
— Então não deveria apresentar dessa forma — disse uma voz que fez ainda menos para confortá-la.
Ceridwen se virou e viu Jesse na estrada atrás deles.
— Não deveria estar com seus filhos? — Ceridwen semicerrou os olhos para esconder a surpresa.
O sorriso de Jesse poderia mostrar mágoa, mas a maior parte do rosto dele estava coberta por uma máscara feita de sisal, o melhor que poderia fazer para se ater à tradição ventralliana ali.
— Estão dormindo, e bem protegidas pelos invernianos que os trouxeram para cá — respondeu ele. — Por isso pensei em me juntar a você. Ouvi que estava a caminho de confrontar os soldados yakimianos? A presença do monarca de um reino Ritmo poderia ser útil para...
— Dou conta de alguns ritmos irritadiços — disparou Ceridwen.
— Dar conta, sim. Mas convencê-los a lutar por você? — Jesse contraiu os lábios. — Estou apenas oferecendo minha presença como apoio. Nada mais. Não direi uma palavra.
Lekan pigarreou e não falou exatamente baixo:
— Tê-lo aqui não é uma má ideia.
Jesse inclinou a cabeça.
— Obrigado, Lekan.
E essa pareceu ser toda a permissão de que ele precisava. Jesse passou para a frente deles, seguindo pela estrada na direção da reunião yakimiana.
Ceridwen se virou para Lekan quando Jesse saiu do alcance dos ouvidos.
Não é uma má ideia?
Mas Lekan não parecia nada arrependido.
— Não temos tempo para teimosia. Quem sabe por quanto tempo Angra ficará em Juli? Esse plano precisa entrar em ação agora, e precisamos deles ao nosso lado, Cerie. Você sabe disso.
— Tenho certeza de que entenderão a nossa lógica — replicou Ceridwen, conforme continuaram caminhando, Jesse ainda a bons passos adiante. — Assassinar Angra vai acabar com tudo isso.
Lekan deu a ela um olhar exasperado.
— Espera que um yakimiano perceba a lógica de um reino Estação? Você é mais teimosa do que pensei.
— Como assim?
Lekan voltou o olhar para as costas de Jesse, então ergueu as sobrancelhas. Quando Ceridwen deu de ombros, confusa, Lekan riu com escárnio.
— Você estava disposta a arriscar conquistar o apoio necessário só porque ainda não quer ter que lidar com Jesse.
Os lábios dela se entreabriram com um sibilo instintivo. Mas Jesse nem se virou para trás e apenas as muitas pessoas que lotavam a área impediram Ceridwen de gritar com Lekan. Refugiados cuidando da própria vida, correndo até uma das tendas do mercado ou carregando baldes para afazeres domésticos.
Ceridwen manteve a voz baixa.
— Você quer mesmo falar sobre isso agora?
Lekan se aproximou dela.
— Prefere que seja quando os filhos dele estiverem por perto? Ou Kaleo... sei que ele tem opiniões sobre seu relacionamento também, mas como esta é a primeira vez que ficamos a sós desde que voltamos, sim, imaginei que deveríamos falar sobre isso agora. Porque, goste você ou não, Ceridwen, eu amo você, e a vi sofrer por tempo demais para permitir que isso passe em branco. O que exatamente você planeja fazer em relação a Jesse?
— Só porque eu queria cuidar dessa reunião sem ele não quer dizer que estou evitando Jesse — disparou ela. — Minha teimosia jamais foi um problema antes. Gerencio este campo...
— Kaleo gerencia este campo — interrompeu Lekan. — Não vai se livrar de falar de Jesse tão facilmente assim.
Ceridwen acelerou o passo antes que Lekan pudesse entrar de novo no assunto. Jesse finalmente olhou por cima do ombro. Ceridwen engoliu em seco, então diminuiu um pouco o passo, suor escorrendo pelo meio das costas.
Depois de um momento, Lekan a alcançou, o olhar dele percorrendo as tendas em volta dos dois. Eram drasticamente diferentes do que as da parte veraniana do campo — mais pesadas, com ângulos perfeitamente definidos e estruturas quadradas. A área yakimiana.
— Só quero que você seja feliz — sussurrou Lekan.
Ceridwen apertava o selo com tanta força que seu braço quase ficou dormente.
— Eu sei.
Lekan ficou em silêncio, talvez à espera de que Ceridwen se abrisse com ele, mas o que ela diria?
Não falei de fato com Jesse desde a noite em que chegamos.
Quero uma vida com ele. Mas não dei nenhum passo nesse sentido porque tenho medo que a força desse relacionamento não seja duradoura. Que isso tudo seja tirado de mim de novo.
Já confiei em homens fracos antes.
Aquela não era uma comparação justa. Simon jamais soubera de como “traíra” a irmã — ele apenas vivia a própria vida, destruindo o reino deles enquanto Ceridwen esperava nas sombras que ele percebesse a própria estupidez.
Mas Jesse tinha percebido a dele.
Jesse se virou para Ceridwen de novo, como se os pensamentos dela escorressem para o ar.
Ele deu um breve sorriso e então virou em uma esquina, guiando o grupo.
Não — Ceridwen não tinha espaço para tais fraquezas. Isso era parte do motivo pelo qual ficara imensamente feliz quando os filhos de Jesse apareceram com seus acompanhantes invernianos, uma distração que tomara todo o tempo dele. Ceridwen tinha as próprias distrações — planejar o ataque contra Angra; torcer pelo destino de Meira; e também já mandara notícias aos líderes dos soldados yakimianos para que os encontrassem fora do campo.
Ceridwen, Lekan e Jesse deixaram a área yakimiana e entraram na pradaria com seus talos dourados até a altura das coxas. Ceridwen quase esperava encontrar o lugar vazio, como sempre — por que os soldados a obedeceriam?
Então, quando parou no limite da pradaria e o punhado de yakimianos que esperava ali se virou com expressões de ódio, Ceridwen quase riu. Eles tinham vindo — mas para matá-la, ao que parecia. Se estavam surpresos ao ver o rei deposto do reino Ritmo, não demonstraram.
Um soldado deu um passo adiante.
— Passamos os dois últimos dias arrumando uma confusão que você causou. Você nos deve uma explicação.
Ah, sim, tinham vindo para matá-la. Alguns tinham armas nos cintos, as mãos fixas sobre o cabo da espada. Mas sob o olho esquerdo de cada um havia uma marca, a carne queimada com o grotesco V que anunciava o que eram. Propriedade de Verão.
Ceridwen franziu a testa.
— A confusão que eu causei? Não foi a sua rainha que os vendeu como escravos para início de conversa?
A expressão do líder ficou sombria.
— Não finja entender por que uma rainha Ritmo faria...
Ceridwen ergueu o selo para calar o homem.
— Sei o motivo pelo qual Giselle fez o que fez. Foi ela quem revelou a existência de vocês para mim. E me entregou o próprio selo como confirmação da nova ordem: agora vocês devem servir sob meu comando para combater Angra.
O soldado semicerrou os olhos. Ainda sem replicar.
— Não temos o contingente necessário para planejar uma batalha direta — continuou Ceridwen, e indicou Lekan. — Mas meus líderes e eu começamos a alterar as táticas que usávamos para resgatar caravanas de escravos. Estamos planejando um ataque pequeno e direto enquanto Angra estiver em Juli...
O soldado gargalhou.
— Juli? Espera que arrisquemos nossas vidas para reivindicar Verão... para quem exatamente? Seu irmão está morto. Nossa rainha revelou o plano dela a você, então deve saber quais são as intenções dela. E se espera que retomemos Verão para você, da realeza de um reino Estação, e ainda por cima do gênero errado, está seriamente enganada.
Jesse permaneceu calado ao lado de Ceridwen, fiel à própria palavra, mas ela o sentiu ficar tenso, e não conseguiu evitar olhar para ele. Não estava acostumada com Jesse naquelas situações. Sempre tinham sido Raelyn ou a mãe de Jesse que supervisionaram reuniões semelhantes no passado. Mas agora ele estava ali, de pé, braços cruzados, olhos coléricos em defesa dela.
Ceridwen se perguntou se estaria sonhando.
Os soldados yakimianos grunhiram em concordância com o líder, alguns punhos se ergueram.
— Calma, Cerie — murmurou Lekan do outro lado dela.
Ceridwen mordeu a língua. Lekan estava certo — gritar com aqueles homens não ajudaria em nada. Eles eram yakimianos; responderiam à razão e à lógica. Razão e lógica pacíficas.
Pela chama e pelo calor, aquilo ia contra tudo que o sangue veraniano implorava que Ceridwen fizesse.
— Desta vez o rei de Primavera se ergueu como uma ameaça não apenas a Inverno, ele é uma ameaça ao mundo — começou Ceridwen, com o tom surpreendentemente tranquilo. — Já tomou Ventralli e Cordell, sem falar de Inverno e Verão, que é a mais próxima e a mais recente aquisição dele. Ao mesmo tempo, Verão é o reino que nos dá melhor chance de derrubá-lo. Meus combatentes conhecem aquelas terras melhor do que Angra. Com a ajuda de vocês, podemos derrotar Angra enquanto ele estiver por lá e, por fim, evitar que acrescente Yakim à lista de reinos tomados.
O soldado deu dois passos breves adiante e tomou o selo da mão de Ceridwen. Ele olhou para o objeto por um momento, então se voltou para os homens.
— O selo é de Yakim — anunciou o soldado, como se Ceridwen pudesse tê-lo forjado. O homem se voltou para ela de novo. — Nós derrotaremos Angra, mas não por você. Esta guerra somente será vencida se o ataque for liderado por quem tiver habilidades táticas. Você permitirá que meus homens e eu tomemos a liderança, e quando Angra for morto, será feito pela mão de Yakim.
A calma de Ceridwen se esvaiu, como uma corrente de mar revolto que puxa um barco para baixo.
— De maneira alguma. Meus combatentes e eu conhecemos Juli melhor, e tenho muito mais experiência tática em guerra do que você.
— E como as coisas que você fez podem ser chamadas de guerra? — replicou o soldado. — A única coisa que você fez foi a barbárie habitual de um reino Estação. Você não sabe nada de estratégia, ou teria percebido o plano de minha rainha há muito tempo. Agora a ameaça diante de nós vem de outro reino Estação, e você espera que eu a deixe liderar a luta? Isso é totalmente sem sentido.
Nem mesmo o chiado severo de Lekan conseguiu impedir Ceridwen. Ela avançou contra o homem, até ficar a um palmo de distância do rosto dele, fervilhando tanto de raiva que achou que fumaça lhe sairia pela boca.
— Você não vai conquistar Verão. Prometo a você que o plano de Giselle vai fracassar. Jamais cederei àquela maldita vinda de um reino Ritmo.
O soldado recuou, com o punho erguido, e teria dado a Ceridwen um olho roxo...
Não fosse a mão que o impediu.
— Não ouse levantar a mão para ela.
O confronto com os yakimianos tinha atraído atenção. Cabeças brotaram de dentro de tendas, pessoas se demoravam nas ruas próximas. Mas Jesse as ignorou, sua determinação deixando Ceridwen boquiaberta.
A postura dele não deixava um pingo de dúvida. Nem mesmo a máscara era capaz de diminuir a intensidade da expressão de ódio de Jesse.
Ele soltou o homem.
— Já vi o mal que deu início a esta guerra — disse Jesse ao soldado. — Vi Angra deixar Ventralli em pedaços. Sei o que é preciso para derrotá-lo: líderes como Ceridwen, que provaram sua resistência contra a opressão. Nada irá impedi-la de tornar o mundo um lugar seguro para todos, e alguém assim é exatamente o que vocês desejam como líder. Esta guerra não se importará se somos Ritmo ou Estação. Ela afetará todos nós, então devemos enfrentá-la com a intenção de nos salvar e proteger mutuamente.
Jesse se virou para Ceridwen e sorriu para ela.
— O mundo está mudando. — Jesse ainda falava com o soldado, mas os olhos dele permaneceram em Ceridwen. — Não podemos lidar com os problemas da mesma forma com que fizemos no passado, caso contrário sempre voltaremos ao ponto de partida.
O soldado sacudiu a cabeça.
— Nunca achei que veria o dia em que um rei Ritmo defenderia um membro da realeza Estação.
Nem eu, pensou Ceridwen.
Jesse assentiu.
— Esse é apenas o primeiro dos espantos que virão.
— Somente depois que derrotarmos Angra — interrompeu Ceridwen, reencontrando a própria voz. — E precisaremos da ajuda de vocês para isso. Precisaremos de soldados para entrar sorrateiros em Juli, mas também precisaremos que alguns fiquem para trás e vigiem o campo.
A calma de Ceridwen fez o soldado lançar um olhar de surpresa para ela. Por fim, ele ergueu o selo de sua rainha e o apontou para ela.
— Eu comandarei meus soldados, mas... — O homem engoliu em seco e expirou com um aceno rápido de cabeça. — Seguirei suas ordens.
— Eu... — Ceridwen gaguejou, então piscou. — Obrigada. Meus líderes e eu nos encontraremos em breve, para discutir a estratégia. Na parte veraniana do campo. — Ceridwen hesitou, incapaz de acreditar que estava realmente dizendo aquilo. — Junte-se a nós.
O soldado levou o punho à testa em uma demonstração de reconhecimento antes de se voltar aos homens que, ao redor dele, sussurravam perguntas.
Aquilo não era nada como Ceridwen esperava que a reunião transcorresse — achou que levaria dias para convencer os yakimianos. Não minutos.
Mas o apoio estava garantido. Finalizariam o ataque e então iriam para Juli.
Para casa, foi o sussurro que veio de algum lugar dentro de Ceridwen.
Ela deu um passo na direção de Jesse.
Ele imediatamente enrijeceu o corpo.
— Eu sei que prometi que não falaria...
— Obrigada — disse Ceridwen.
Jesse sorriu, revelando as covinhas em suas bochechas.
— Eu falei — Jesse colocou a mão no braço de Ceridwen — que lhe devo isso. Você merece alguém que lute por você. — Ele ficou parado ali, o polegar traçando círculos no ombro exposto de Ceridwen. — Eu... — Jesse recomeçou, mas pareceu pensar melhor e endireitou a postura. — Melhor eu ir ver como estão meus filhos.
Ele fez uma reverência, mas manteve os olhos intensamente sobre Ceridwen.
Ela conseguiu responder com um leve aceno antes que Jesse fosse embora por uma das muitas ruas que serpenteavam pelo campo.
— Uau, maldito seja. — Lekan esbarrou em Ceridwen com o ombro. — Ele sempre foi sexy assim?
Ceridwen sorriu, mas soube que Lekan veria o rubor que lhe subia pelas bochechas.
— Vamos. Temos soldados para reunir.
Lekan soltou uma risadinha.
— Temos tempo. Sabe. Se precisar de um tempinho.
— Lekan.
— Só estou dizendo que eu certamente gostaria de um tempo se Kaleo tivesse acabado de se meter e evitado um golpe em minha defesa.
Lekan.
— Tudo bem. — O sorriso de Lekan se dissipou quando Ceridwen seguiu para dentro do campo. Ele seguiu ao lado dela. — Mas temos tempo agora, Cerie. E talvez nem sempre nos seja dada essa oportunidade.
Ceridwen já dissera aquilo a si mesma, mas o medo a impedira de agir. Medo sempre a impedia de agir. No entanto, de algum modo a atitude de Jesse tinha dissolvido completamente esse medo, o que fez Ceridwen sentir-se como uma garotinha tola. Bastava um ato de ousadia e ela já estava pronta para se atirar nos braços dele?
Mas Ceridwen só podia se dar o luxo de viver em um mundo de desejos, não de necessidades.
Pela primeira vez desde que se lembrava em um bom tempo, Ceridwen entrelaçou o braço com o de Lekan à medida que caminhavam pelo campo e sorriu. Sorriu de verdade.
Até que Kaleo veio correndo pela estrada, com o rosto vermelho pela exaustão.
O peito de Ceridwen pulsava com uma mistura de pânico e prontidão. Um ataque? Angra?
Lekan o interceptou.
— O que aconteceu?
— Tem algo que você precisa ver — disse Kaleo, ofegante, com as mãos nos joelhos. Ele olhou para Ceridwen, com a boca entreaberta. — Bem, na verdade, pessoas.
O pânico de Ceridwen se transformou em esperança.
— Meira?
— Quase. — Kaleo endireitou a postura. — Invernianos. Muitos invernianos.

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