1 de fevereiro de 2019

Capítulo 13

Meira

ESTOU NO LIMITE do círculo de treinamento, as mãos nos bolsos da túnica. O céu nublado projeta uma luz tênue sobre Oana, Rares e eu, e conforme as nuvens resmungam, meu coração se junta a elas.
Presumi que a última lição seria lutar com magia, mas nuvens de tempestade cinza e espiraladas se estendem até o limite do complexo, um aglomerado perfeito sobre nós e apenas nós. Outro sussurro de trovão ruge no céu, a momentos de liberar um dilúvio sobre o pátio. Rares criou essa tempestade.
Do outro lado do círculo, ele assume uma posição relaxada, mas enrijeço o corpo, ainda mais alerta.
— Sua magia... ela parece fria para você, não é? — pergunta ele.
— Não deveria?
Rares começa a caminhar de um lado para outro, movendo-se na circunferência do círculo de treinamento, embora eu permaneça do lado de fora. Oana observa de um banco no limite do pátio. O sorriso de interesse nos lábios dela apenas me deixa mais confusa, então quando Rares para diretamente diante de mim, estou praticamente fervilhando de espanto.
— Para mim, a magia parece... morna — diz ele. — Nem quente, nem fria, mas uma sensação neutra de formigamento. Para um veraniano, é o oposto do que parece para você, ódio revolto. Para um outoniano, um frio envolvente; para um primaveriano, calor crescente. Sempre me perguntei o motivo disso. Enquanto eu monitorava os monarcas do mundo, senti diferenças muito drásticas em relação à percepção da magia. Todos os reinos Ritmo sentem a magia como eu, como um formigamento neutro. Por que os reinos Estação são mais extremos? Por que você se sente preenchida com gelo?
Gesticulo com os ombros.
— Jamais pensei a respeito.
Rares sorri.
— Tenho uma teoria, coração. Os reinos Estação são os únicos que estão diretamente acima da magia. Os monarcas são os únicos cujo sangue está saturado de poder, tanto que isso afeta a afinidade física deles para alguns climas. E se os reinos Estação tiverem uma conexão maior com a magia do que qualquer outro reino? E se tiverem o potencial para serem os mais fortes possuidores dos Condutores Reais? Para mim, não há magia natural. É preciso uma dose equivalente de esforço para conjurar chuva e neve. Mas para você, suspeito que seria espantosamente fácil conjurar uma nevasca, não?
Brinco com o medalhão no pescoço, o metal frio é apenas mais um ponto gelado no corpo. O redemoinho de frieza no meu peito é tão constante a esta altura que quase não reparo. Faz sentido que a monarca inverniana seja mais apta a controlar o tempo invernal. Nosso reino inteiro tem mais afinidade com isso, então esse talento deveria jorrar de mim.
— Mas os reinos Estação sempre foram fracos. Ficamos estagnados enquanto os reinos Ritmo evoluíram. — Cito o estereótipo perpetuado pela maioria dos reinos Ritmo.
Os lábios de Rares se contraem.
— Isso está em nossa natureza, creio. Reconhecer uma ameaça e destruí-la, não importa se temos consciência ou não do motivo que a tornaria uma ameaça. Acho que os reinos Ritmo temem vocês. Ou temeriam, se todos os reinos Estação realmente reconhecessem seu poder. Um já reconheceu, e ele controla a Ruína de uma forma assustadora. E o seu, coração, será o próximo reino Estação a mudar o mundo.
Com isso, Rares ergue as mãos no ar e a chuva começa a cair sobre nós como uma pesada cortina. Fico ensopada em segundos, meus ombros se curvam contra as gotas.
Rares se agacha em uma pose que já vi o bastante para conhecer, por instinto, e meus músculos reagem me puxando para a pose de luta também, com as mãos erguidas, as pernas rígidas, os ombros relaxados.
— Esta lição será o apogeu de tudo que comecei a ensinar a você. Mas começaremos com uma simples sessão de luta — diz ele. — Pode usar a magia apenas como defesa. Usá-la para atacar, com intenção de ferir, alimenta a Ruína. Então me ataque sem magia.
Rares espera. Contraio os lábios na direção da caixa e atraio uma espada. Depois de armada, avanço contra Rares.
Ele se move, impulsionando o corpo na minha direção. Confusa, eu hesito: Rares não vai usar uma arma?
Mas vejo que não, ele não vai. E perceber isso faz com que um grito de espanto saia dos meus pulmões.
Uma corda feita de água estala contra minha espada, quase cortando minha bochecha. Ao comando de Rares, as gotas da chuva se reúnem formando um chicote que arranca a espada de minhas mãos e a atira para o outro lado do pátio.
Manter a magia dentro de um objeto permite que os possuidores de Condutores Reais controlem o clima e outros elementos necessários para governar os reinos; magia ilimitada em um condutor humano permite que eles manipulem essas coisas com mais precisão. Mas entender isso não freia meu pânico, e quando o chicote de Rares estala contra mim de novo, cambaleio e o terror me arranca uma reação.
Ergo as mãos. Um calafrio dispara para fora de mim e as gotas de água do chicote dele se cristalizam em cacos de gelo que caem aos nossos pés.
Os olhos de Rares brilham.
— Muito bom!
Meu corpo vibra com uma mistura de orgulho e poder. Posso fazer isso de novo? O que mais posso fazer?
Um trovão explode com um estalo que ecoa e mergulho para a frente. Rares está certo — neve, frio e gelo são meu estado natural, e me permito sentir tudo isso. Cada nó de calafrio que sempre mantive muito bem escondidos dentro do peito por medo de usá-los, por medo de perder o controle. Mas pela primeira vez desde que descobri o que sou, sucumbo a isso, recebendo-o como meu. Porque isso é parte de mim, sou inverniana. Cada célula do meu corpo é feita de gelo.
Rares chuta minha espada para a mão dele e avança contra mim. Chuva cai de cada mecha de cabelo, de cada parte de tecido. A túnica cinza de Rares está pesada, lã ensopada pela chuva, e um gesto dos dedos transforma a borda molhada em um bloco sólido de gelo, acrescentando água em camadas que puxam Rares para baixo. Ele tropeça, agitando os braços para se equilibrar, e quando giro para dar um chute sólido que lançará a espada de Rares pelo ar...
Oana surge entre nós com um sorriso delicado no rosto como se nem mesmo percebesse que estamos lutando. Atrás dela, Rares dá um risinho e passa a mão pela túnica, soltando o gelo, antes de me encarar e jogar a espada de volta na caixa.
— As provações futuras testarão você de outras formas também — grita Rares por cima do rugido e do caos pulsante da tempestade, a qual cresce em intensidade a cada segundo. — Angra jogará tudo que tem contra você quanto estiver tentando obter as chaves do abismo. O labirinto também. Desafios físicos serão a menor das preocupações. Ataque-a, coração. — Rares indica a mulher.
Hesito, mas fecho o punho para dar um soco. Antes que eu chegue a meio caminho dela, Oana se move. Em vez de conjurar uma espada ou espirais de água, Oana gira com os braços junto ao corpo até cair de joelhos e golpear as mãos no chão. Com isso surge...
Relâmpago.
Cambaleio para trás, o clarão ofuscante ferve o chão a alguns passos de mim. Oana ergue o olhar em minha direção, o sorriso delicado dela agora tão selvagem quanto o do marido, e antes que eu consiga ficar de pé, Oana dá um salto e abaixa os braços de novo, lançando outra explosão contra o chão entre nós. O ar se aquece com um rompante de estática e chamas, minha pele formiga com a energia. Eu me coloco de pé e saio correndo, tentando colocar distância entre a paisliana maluca que controla o relâmpago e eu.
Oana prefere o relâmpago. Não é tão fácil para ela conjurar gelo, como é para você, mas o que posso dizer? Ela adora o fogo que produz.
Cambaleio na grama ensopada de chuva e caio em uma poça atrás do celeiro, onde fico coberta de água lamacenta. Oana ainda não me seguiu até aqui, mas quando olho em volta, também não vejo Rares por perto. Preciso de um segundo para perceber que ele está em minha mente, e fico de pé com um salto.
Pare!, grito para Rares. O que está fazendo? Não pode...
Não posso?, diz ele. Você não tem defesa para a mente, coração. Há apenas duas defesas contra a Ruína — a proteção da magia pura e a força de vontade — e força de vontade pode ser destruída a não ser que você a reconstrua. Você tem magia pura para evitar que a Ruína a infecte, mas Angra ainda é um condutor — você precisará aprender a bloqueá-lo. O labirinto é feito de magia pura, então exigirá uma força de vontade maior também. Ah, Oana está vindo.
Um cavalo relincha. Cravo os dedos na terra de cada lado do corpo até me conectar com alguma coisa — uma pedra.
Oana entra em meu campo de visão e deixo a pedra disparar na direção dela. Enquanto ela está distraída, seguro a parede do celeiro e uso para me equilibrar até tocar a grama, apenas um pouco menos escorregadia. Relâmpago fervilha e estala no chão atrás de mim, e me atiro para a estrutura seguinte, as caixas de armazenamento. Dali, o castelo fica a poucos passos, e posso me abaixar pela lateral dele e abrir alguma distância de Oana.
Mas você não pode se esconder de mim, coração. Não até me bloquear.
Não sei como! Como bloqueio isto?
Da mesma forma como fez todo o resto. Você bloqueou sua mãe, não foi? Como fez isso? Ah, esta lembrança parece interessante...
Outono. O pequeno acampamento que tivemos no sul por um breve período, logo antes de mais dois de nossos refugiados, Crystalla e Gregg, saírem na desastrosa missão em Primavera que os escravizaria e por fim os mataria. Estou sentada diante de uma fogueira com Crystalla enquanto ela trança meu cabelo, e Sir fala ao fundo, alguma lição sobre a economia de Inverno. É difícil demais prestar atenção porque os dedos de Crystalla são tão suaves em meu cabelo, e o aroma da fumaça da fogueira misturado com o conforto de estar ali faz minhas pálpebras se fecharem mais, mais e mais...
— Pequeno sacrifício — murmura Crystalla ao meu ouvido. — Meu pequeno sacrifício.
Ela não é mais Crystalla.
Eu me viro e vejo Hannah, coberta de sangue, com ferimentos abertos no peito e no rosto, placas espessas de sangue preto-avermelhado. Hannah se contorce e desliza para trás, as mãos dela vão até a cabeça, onde Herod agarra os cabelos brancos ensanguentados de minha mãe com o punho firme, arrastando-a para longe de mim, e só consigo gritar e gritar.
PARE! Caio para a frente, a lama afunda em torno de meus joelhos conforme as imagens somem. Não foi isso que aconteceu! SAIA DA MINHA CABEÇA!
Me obrigue, coração, cantarola Rares. Hmm, que tal esta?
Antes que Rares consiga usar mais lembranças contra mim, disparo de detrás das caixas de armazenamento e volto os olhos para o pátio para encontrá-lo. Rares não pode usar minhas lembranças dessa forma. Hannah jamais foi carinhosa ou preocupada ou maternal. As emoções que sinto em relação a ela vêm fácil demais. Não é ódio, exatamente, é algo inominável e determinado, uma mistura sombria e fria de verdade e compreensão. Por isso a bloqueei, ainda que sem querer. Ela era minha mãe, mas jamais tentou ser outra coisa que não minha rainha.
Vejamos se conseguimos conversar com ela, sim?
Solto um grunhido e observo o pátio de novo, ainda sem encontrar Rares, mas pronta para combatê-lo. Não tenho nada a dizer a ela.
E não porque ainda alimento raiva; não porque ainda tenho esperanças de que ela mudará. Porque já estou cheia dela, não preciso de Hannah, e se Rares a trouxer de volta para esta confusão que causou, isso só trará mais problemas.
A determinação se contrai como molas mortais em meu peito, o ar ao meu redor congela a cada respiração. Percebo meu erro tarde demais — estou do lado ofensivo, planejando um ataque contra Rares, o que me deixa desprevenida contra a defesa de Oana.
Um chiado, um estalo, então mergulho no momento em que um raio incinera o chão atrás de mim. Oana corre e dá a volta pelo celeiro, as tranças dela se agitam.
Rolo e cubro a cabeça com os braços, transformando todas as gotas de chuva ao meu redor em camada após camada de gelo espesso e duro. Essas estruturas se curvam sobre mim, formando uma barreira convexa que se acende meio segundo antes de o relâmpago de Oana estalar do céu e chiar contra ela. A barreira explode, o relâmpago continua descendo, estourando no chão aos meus pés. Sou lançada para trás, caio de cotovelos e cacos de gelo cortam meu rosto.
Me bloqueie, coração!
As planícies Rania. Sir está de pé diante de mim na tenda de reuniões, a decepção dele é como um odor palpável no ar. Sir segura a caixa do medalhão.
— Jamais deveria ter confiado em você com aquela missão. Por sua causa, Angra encontrou nosso acampamento. Por causa de você, precisamos recorrer a uma aliança com Cordell, e foi essa aliança que os levou a tomar nosso reino. — Ele suspira. — Sempre soube que você era um fracasso.
NÃO!, grito para Sir antes que a imagem suma, e esse grito se desdobra em uma súplica descontrolada para Rares. Não, pare!
Não consigo respirar. A imagem de Sir paira, real demais em minha cabeça, me desnorteando conforme rolo para ficar de pé. Oana se aproxima, mas não consigo inspirar para me impulsionar, engasgo com as palavras que temo há tanto tempo.
Me bloqueie!, grita Rares.
Disparo contra Oana. O círculo de treino parece um pântano agora, o dilúvio continua a inundar tudo, então, quando a alcanço, deslizo e paro, caindo de costas. Seguro as pernas de Oana e ela também cai, espirrando a lama.
Sempre soube que você era um fracasso.”
Mas sou apenas eu. Sir não está dizendo isso — Sir jamais disse isso. Sou eu quem diz, sou eu quem mantém essa frase contra o coração mesmo que ela desfaça tudo que me mantém de pé. Eu me reprimo. Sempre fui apenas eu. E sei disso — sei que sou a única culpada há meses.
Mas reconhecer isso agora me preenche de clareza.
Se sou a única a quem culpar, nada mais tem poder sobre mim. Nenhuma lembrança de Sir; nenhuma lembrança de Hannah; nenhuma lembrança de ninguém. É tudo parte de mim — erros e horror e arrependimento, mas também beleza, paz e amor. Como a lembrança de estar sentada à fogueira com Crystalla e Sir — aquilo foi maravilhoso e tranquilo. Não posso escolher quais lembranças manter e quais ignorar — são todas ou nenhuma, e não vou abrir mão da minha felicidade.
Cambaleio para ficar de pé, as pernas estão trêmulas, os braços estão doendo, o rosto arde devido à chuva e aos cortes dos cacos de gelo. Oana ergue o olhar para mim, o sorriso dela não é menos sombrio, embora permaneça em uma posição indefesa. Mas não é uma luta de verdade — Oana quer que eu vença.
Uma última chance, diz a voz de Rares de novo. A próxima lembrança não será tão agradável.
Não, não será. Provavelmente me arrasará, reunindo até a última de minhas inseguranças. Mas não me importo. É tudo parte de mim, cada sombra terrível se contorcendo — é tudo eu, e não vou me esconder mais disso. Não mereço ser arrasada por isso; não mereço cultivar essa culpa, porque sim, cometi erros, mas aprendi com cada um.
Foi assim que bloqueei Hannah. Me tornei maior do que ela, porque sou tudo isso. Sou erros e vitórias e morte e vida. Sou competente e poderosa e forte, e o que quer que esta guerra traga para mim — mesmo a morte — eu enfrentarei como a rainha que sou.
Grito para Rares: NÃO ME IMPORTO.
Minha magia pulsa a cada fôlego, mas não temo perder o controle. Sou minha magia, e ela sou eu, e me obedecerá tanto quanto a neve e o gelo.
Faço um giro de pulso e uma espada dispara da caixa até a minha mão, reluzindo com as gotas da chuva. A serenidade de Oana se transforma em uma expressão divertida de orgulho quando ela fica de pé.
Quando ataco, golpeando com a espada, permito que meu corpo se mova e os anos de treinamento com Sir surgem na memória; deixo que a magia flua, rompendo anos de prisão.
Oana conjura pequenos raios estalados que dançam entre nós enquanto eu a golpeio, forçando-a a recuar. Estou perto demais para mais um ataque com relâmpago, a não ser que ela mesma queira fritar. Conforme danço para desviar de cada raio, o sorriso de Oana se alarga, e um sinal de esforço verdadeiro surge através de seus olhos apertados e fôlego entrecortado.
Ela recua até as caixas de armas e perde o equilíbrio por um segundo, dois — então ergue as mãos. Não está chamando mais um raio.
Está se rendendo.
Porque minha espada está pressionada contra a garganta dela.
Oana sorri, e nesse sorriso, sinto o que fiz.
Não perdi o controle da magia. Não precisei me encher de ódio ou negatividade. Deixei que tudo acontecesse, confiando em mim mesma, e venci.
Meus braços caem, inertes, e a espada bate na lama. Nesse momento, o céu responde. A chuva se acalma, o trovão silencia e qualquer ameaça de relâmpago desaparece conforme as nuvens recuam para dentro delas mesmas e surge o ondular de um céu azul ofuscante.
Um aplauso lento e pesado começa a minha esquerda, então me viro. Cada músculo grita, a rigidez provoca uma dor que sentirei durante dias. Mas valeu a pena. Cada hematoma e corte, eu os teria recebido mais cem vezes para me sentir como me sinto agora. E isso não veio pela busca de gratificação de Sir ou Hannah ou mesmo Rares.
Eu me fiz completa. Eu sou o suficiente para mim.
Encaro Rares na escadaria diante da porta principal do castelo, sorrindo sem parar. Mather e Phil estão de pé ao lado dele, Phil parece completamente aterrorizado, mas maravilhado, e Mather... Espantado, chocado, assombrado — não há palavras para descrever como ele me olha. Ele desvia o olhar e observa desde o meu cabelo encharcado até minha túnica manchada de lama, absorvendo minha imagem em pequenas porções, como se não conseguisse me ver por completo de uma só vez. Quando Mather me encara, o choque dele se dissipa, dando lugar a um olhar que jamais vi nele. Um que sempre sonhei em ver.
Mather me olha agora como se me amasse, e ele não se importa que estejam vendo isso.
Mather desce os degraus atrapalhadamente, os movimentos dele ainda estão um pouco lentos. Conforme vem até mim atravessando o pátio, meus olhos veem algo em suas mãos.
Corro para encontrá-lo no meio do caminho, com uma nova sensação de incredulidade percorrendo meu corpo.
— Isto foi entregue a Phil — diz Mather, erguendo meu chakram. — Deveria ser outra ameaça, acho. Mas nem sei se você ainda precisa de arma... aquilo foi incrível.
Estendo as mãos com os dedos hesitantes sobre o cabo de madeira gasta que se curva em torno da lâmina circular. Com tanto poder, não preciso de nada — e poderia permitir que isso me consumisse.
Mas quero precisar das coisas, e das pessoas, e de alguma forma essa escolha parece muito mais poderosa. Escolher algo independentemente do que possa fazer por mim. Independentemente de quem possa me tornar.
Escolher porque eu quero.
Pego o chakram, com os olhos em Mather.
— Não sou eu mesma sem ele, não é?
Um sorriso percorre o rosto de Mather antes de ele sacudir a cabeça.
— Você é perfeita como é.
A felicidade de concordar totalmente me faz flutuar até as montanhas Klaryn e voltar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Para comentar, por favor utilize a opção Nome/URL e preencha seu nome/apelido/nick; o URL pode deixar em branco.

Boa leitura, E SEM SPOILER!