5 de fevereiro de 2019

A festa

A única parte das celebrações de Simon que Ceridwen gostava era da cor. O Palácio Preben explodia em dourado, vermelho e laranja, estandartes pendurados nas vigas, fogos em alcovas, grandes tiras de tecido enroladas em colunas de arenito. O vestido que ela escolhera para essa comemoração imitava as decorações, uma justa silhueta dourada que cruzava logo abaixo da clavícula com uma faixa grossa de joias marrons. Servos trabalhavam ao redor, pendurando esferas de ervas aromáticas no teto e colocando vasos de hibisco rosa em mesas em todos os salões. Era a única época do ano em que o palácio de Juli parecia grande e reluzente, com os escombros e ruínas sendo parte da atmosfera, não o resultado da preguiça.
Ceridwen recostou-se contra uma coluna na ponta do corredor, absorvendo o calor da lareira atrás dela e as estrelas cintilando no céu acima. O salão de festas não tinha teto, apenas quatro andares de mezaninos envolvendo-o até que tudo terminasse em uma grande extensão do brilhante céu negro. Somando-o às decorações vibrantes e aos cabelos vermelho-fogo naturais dos veranianos, formava-se uma bela imagem
Ceridwen segurou a respiração como fizera tantas vezes antes. Se ela não soltasse o ar, o tempo pararia neste momento perfeito, quando ela podia se lembrar de quantas caravanas tinha libertado esse mês. Quando ela podia se lembrar de todos os rostos aliviados, não daqueles que ela veria muito em breve, arrastados para a celebração de Simon e despojados de sua humanidade.
A respiração presa queimava nos pulmões de Ceridwen. Nenhum dos dignitários ao seu redor compartilhava o seu medo de perder este momento. Eles só viam o agora e, por isso, Ceridwen invejou-os. A capacidade deles de ser tão míope, ver apenas os pratos de comida, as cadeiras acolchoadas e os belos criados, ouvir apenas os risos, os músicos tocando tambores e o tilintar de taças nos brindes.
Lekan carregava uma bandeja com fatias de abacaxi de um lado para o outro entre as fileiras de mesas, sorrindo educadamente para os aristocratas. Ele vestia a roupa de um garçom: calças largas de cor laranja que eram apertadas com fita douradas ao redor de seus tornozelos, deixando o peito e os braços nus, exceto por duas argolas douradas que se curvavam em raios de sol em seus bíceps. Ele não parecia diferente dos outros criados masculinos, o corpo esculpido em uma vida de servidão, sorrindo e entretendo os convidados como se realmente se importasse com sua felicidade.
Ele viu Ceridwen observando-o e sua máscara de felicidade foi afastada. Ele segurou a bandeja com uma mão e pressionou o dedo indicador da outra no ponto logo abaixo da orelha.
Eu preciso falar com você.
Pela chama e pelo calor. Ceridwen exalou, a respiração a deixando e tomando dela o calor da alegria que ela tentara tão desesperadamente manter.
Ela deixou a coluna e foi até uma mesa encostada na parede, cheia dos pratos favoritos de Simon. Guisado de amendoim e batata doce servidos pães no formato de tigelas do tamanho de um punho, camadas de conchas finas que poderiam ser recheadas com dúzias de carnes e molhos, e, é claro, cubas do melhor vinho de Verão, envelhecidas para secar perfeitamente nas vinhas do sul. Ela pegou uma concha de pão, a doçura da noz-doce fazendo seu estômago vazio revirar, e esperou.
Lekan parou à sua direita, sua bandeja meio vazia.
— Posso pegar alguma coisa para você, milady?
Ela empurrou o prato na direção dele.
— Esta sopa está fria — ela falou alto o suficiente para os dignitários próximos ouvirem.
Lekan pegou o pão com o guisado e colocou-o na mesa ao lado dela.
— Conseguirei uma mais fresca. Há mais alguma coisa que eu possa pegar para você? Recebemos uma entrega de pão de Ventralli, uma chegada inesperada fora das nossas rotas regulares, mas o Rei Simon está satisfeito com sua qualidade.
Uma segunda entrega. Fora das nossas rotas regulares.
Houvera outra caravana de ventrallianos – e esta tinha chegado a Verão.
Simon vencera novamente.
Ceridwen piscou para Lekan.
— Quando você ouviu falar de...
— Momentos atrás, minha senhora.
— Cortesãos de Verão!
Ceridwen se virou, sentou de volta na mesa, os músculos tensos ao som da voz de seu irmão. Ele estava de pé em uma mesa do outro lado do salão, uma taça na mão, sua camisa cor de cobre meio desfeita e ondulando ao redor dele.
Silêncio caiu no salão em meio a pequenas rajadas de riso abafados. Simon piscou para uma servente e ergueu a taça mais alto.
— Obrigado a todos por virem esta noite. Eu não atrasarei as festividades com discursos floreados e bobagens sem sentido.
A multidão se ergueu em aplausos e Simon fez uma reverência.
Através de todas as cabeças vermelho-sangue vibrantes acenando no salão, ele não deveria ter sido capaz de encontrar Ceridwen tão facilmente, mas ele foi, e seus olhos encontraram os dela em um cintilar vitorioso.
Ela estremeceu contra a mesa. Mas não conseguiu suavizar seu ódio quando Simon acenou com um braço para atrás dele até o par de portas fechadas.
— Eu apresento o seu entretenimento para esta noite, cortesia de... — Simon fez uma pausa, olhando para ela como se soubesse tudo o que ela tinha feito, como se soubesse que ele sempre ganharia, não importava o que ela tentasse fazer — ... Rei Jesse Donati de Ventralli!
O salão girou em volta dela, as cores e os convivas arrastando-a para baixo. Mas Lekan agarrou-a, segurando-a pelo braço e a manteve em pé, presente, aqui.
As portas atrás de Simon se abriram. Em um tumulto de chamas, dançarinos de fogo de Verão se espalharam pelo salão de festas, soprando dedos de fogo acima das cabeças delirantes da corte de Simon. Seguiram-se soldados, homens de armadura de couro chapeado com as mãos em volta de finas correntes de ouro. Correntes decorativas, destinadas a atrair e seduzir, mas correntes, no entanto.
Ligadas a essas correntes, tropeçando no brilho do espetáculo, estavam ventrallianos. Ventrallianos escovados, esfregados e que vestiam trajes apropriados de veranianos – vestidos de ouro apertados, calças cor de laranja, os homens de peito nu e as mulheres quase do mesmo jeito. Velhos e jovens e crianças – crianças –, lágrimas formando linhas através da maquiagem dourada que fora pintada em grossas pinceladas sobre sua pele de cobre.
Ceridwen avançou, as dançarinas de fogo refletindo suas emoções.
Reluzir e estalo e destruição, rápidas como um raio e quente como chamas. Mate Simon, queime-o em cinzas, quebre seu condutor em mil pontos indistinguíveis e inúteis de ouro e turquesa.
Lekan a empurrou para trás, seus dedos deixando marcas em seu braço.
— Não.
Mas ela não podia ouvi-lo, não queria, não sobre o rugido de entusiasmo quando alguns ventrallianos foram jogados no meio da multidão, devorados na alegria cega que pulsava de Simon e seu condutor, o puro impulso que fazia cada veraniano ser consumido por luxúria e felicidade. O uso extravagante de magia que Simon não podia desperdiçar, mas fazia mesmo assim.
E Jesse causou isso. Seu Jesse vendera seus súditos para Simon, deixara seu irmão entrar em Ventralli e entregara pessoas para ele e — ele prometera.
— Cerie, meu raio de sol!
Ceridwen não teve tempo de escapar antes que sua mãe a pegasse, um braço ao redor dos ombros de Ceridwen enquanto Lekan se movia habilmente, mergulhando na multidão como se nunca tivesse estado ali.
— Seu irmão tem um presente especial para você. — Disse a velha rainha. Onde Simon espelhava o falecido pai, esguio e musculoso, Ceridwen espelhava a mãe curvilínea e baixa, com cabelos que cacheavam ao mais leve indício de umidade. Ela não abraçava a semelhança. Sua mãe nunca fora nada além de fraca.
— Eu não quero os presentes dele. — Ceridwen respondeu.
Sua mãe arrastou-a através da multidão, tecendo-a em torno de dançarinos de fogo, soldados e ventrallianos acorrentados como se estivessem apenas dando uma volta pelo jardim. E quando viraram ao redor da última dançarina de fogo para parar ao lado de Simon, Ceridwen se livrou do braço de sua mãe. O reflexo não passou despercebido por Simon, que sorriu.
— Irmã.
Simon pegou a mão dela, a mãe dela veio pelo outro lado, cada um segurando-a como suas próprias correntes vivas. Simon inclinou-se para ela, seus lábios dançando sobre a orelha dela em ondas nauseantes.
— Eu sei como você é afeiçoada aos homens ventrallianos — ele murmurou. — Eu te trouxe um que você pode realmente amar.
As palavras de Simon dispararam para casa em seu coração, arrancando o ar dela. Um guarda deu um passo à frente como se tivesse recebido um sinal e empurrou um homem ventralliano de joelhos diante dela. O homem olhou para cima, a boca entreaberta, os olhos passando por seu rosto enquanto avaliava o perigo.
Ele parecia tanto com Jesse. Pele suave dourada, cabelo escuro pendurado em um rabo de cavalo até os ombros, olhos castanhos que brilhavam com desejos conflitantes – a necessidade de lutar e a necessidade de se submeter.
Ceridwen sabia que estava perdidamente apaixonada na primeira vez que viu a mesma expressão no rosto de Jesse. A notícia chegara até ele sobre um soldado que mantinha três pessoas como reféns. Jesse respondeu imediatamente, pronto para lutar contra o soldado, para fazer o que fosse necessário, mas depois recuou com a mesma rapidez com um desejo igualmente forte de ceder, submeter-se às exigências do soldado por resgate – fazer qualquer coisa que pudesse manter seu povo vivo. Jesse, tão preocupado com o bem-estar de seu povo que não dormiu, não comeu, até que chegou a notícia de que o soldado se rendera.
Ela nunca conhecera um governante que se importasse tanto com seu povo. Tudo o que ela já conheceu foram os governantes que acorrentavam e escravizavam, tratando-os como se fossem menos que humanos.
Simon passou as costas da mão por sua bochecha, forçando-a ao presente quando pressionou seu condutor na pele dela.
Obedeça-me.
Ceridwen segurou seu pulso, apertando a mão em torno de seu condutor e olhando em seus olhos avermelhados.
— Por que você faria isso comigo? Você é meu irmão. Você não...
O restante de seu apelo morreu quando Simon olhou para ela. Ele inclinou a cabeça e quando sua pergunta atrapalhada atingiu em uma parede, ela pensou ter visto o menor e mais frágil lampejo de reconhecimento em seus olhos. Uma lembrança. O menininho que tinha se balançado nas árvores, fazendo sons de macaco e rindo tanto que quase caiu do galho.
Mas depois sumiu. A centelha de memória ou reconhecimento ou o que quer que tivesse sido desapareceu de seus olhos, substituída por prazer triunfante. Por anos, ela havia escapado e mentido e sabia que todos a desprezavam por ser a amante do rei ventralliano. Ela sabia que, apesar de toda a preocupação de Jesse por seu povo, ele tinha suas próprias falhas. Mas ela nunca poderia deixar de amá-lo.
Esse era o maior fracasso, afinal de contas – amar homens fracos, não importando suas falhas.
Uma das sobrancelhas de Simon se ergueu.
— Estou apenas tentando lembrá-la de quem você é. Que você é, de fato, uma princesa veraniana, e Verão não pode ser parado.
Suas palavras – algo sobre seu tom – a pegaram desprevenida. Algo sobre a maneira como seu tom mergulhou.
Verãonão pode ser parado.
Ele a empurrou para frente. Ceridwen tropeçou, batendo em uma parede invisível quando o homem ventralliano olhou para ela.
Momentos atrás, respirações atrás, ele estava aterrorizado. Como todos os coletados estavam, presas em um medo que o condutor de Simon não podia diminuir. Se Jesse estivesse aqui, ele poderia ter aliviado seu sofrimento com a mesma névoa de dormência que Simon usava em seus cativos veranianos para torná-los mais maleáveis. Mas aqui, agora, tinham apenas medo.
Deveriam ter apenas medo.
No entanto, quando Ceridwen olhou para o homem agora, ele sorriu para ela. Seus lábios se contorceram em um sorriso desafiador e provocador.
Este homem não deveria estar sorrindo para ela assim. Ele não deveria ser capaz de nada além dos mesmos gemidos desesperados e petrificados de seus compatriotas que não podiam ser influenciados pelo condutor de Verão...
Foi então que Ceridwen notou a ausência de som. Cálices ainda tiniam e risos ainda rugiam e o fogo ainda crepitava, mas... ninguém gritava. Ninguém lutava de volta.
Enquanto Ceridwen deixava seu olhar vagar lentamente pela sala, seu coração afundou mais e mais. Todos os escravos ventrallianos tinham o mesmo sorriso confuso que o homem diante dela. Um sorriso que ela viu em veranianos suficientes para saber que vinha de Simon.
 Ela girou para seu irmão.
— O que você fez? — ela rosnou, não se importando se ele a visse obstinada. Sentiu um pavor tão palpável que correu através das suas veias, instigando mais a sua raiva, e nem mesmo o condutor de Simon poderia acalmá-la.
Simon inclinou a cabeça, girando os ombros para trás e para frente enquanto os músicos no canto começavam a cantar uma música nova. Rápido e seguro, todos os tambores que vibravam no fundo do coração de Ceridwen.
— Não se preocupe tanto — Simon murmurou e deu uma tapinha no seu queixo. — Somos infinitos agora, Cerie.
Antes que ela pudesse dizer mais, ele se afastou, misturando-se em um grupo apertado de dançarinos que giravam para os tambores. Ceridwen virou-se para sua mãe, que havia partido, deixando-a com o homem ventralliano ainda ajoelhado aos seus pés, ainda sorrindo com um sorriso grotesco.
Ela era uma princesa de Verão. Ela era sangue de Simon. E, pior de tudo, ela estava sozinha, recolhendo os pedaços de suas escolhas, mesmo que Jesse e Simon devessem estar ao lado dela.
De alguma forma, Simon conseguira que os prisioneiros ventrallianos se curvassem aos seus caprichos. Ele os havia drogado? Ou era alguma coisa... mais sombria?
— Passe-o para mim — Ceridwen estalou para o guarda. A corrente dourada caiu em sua palma em uma fina linha de metal frio. Ela caminhou através da celebração cada vez mais intensa, mergulhando no meio da multidão sem olhar para trás. Em meio a gritos e gargalhadas e estalos em pilares de fogo, o borbulhar de vinho saindo dos barris, os rostos dos novos prisioneiros de Simon, que deveriam estar horrorizados, mas em vez disso estavam bêbados e alegres, suas marcas de V pronunciando sua perdição.
Essa era a sua vida. Não importava quantas caravanas ela libertasse, não importava quantos planos de Simon desvendasse. Ela sempre estaria um passo atrás dele e de seu maldito condutor, aquela fonte injusta de magia que o tornava eternamente vitorioso.
E ela não aguentava mais.
Lekan passou rapidamente enquanto ela se aproximava da porta. Seu olhar de advertência disse tudo o que ele não ousava dizer em voz alta, mas Ceridwen o ignorou e arrastou o homem para fora da celebração. Ela puxou-o através do palácio, serpenteando pelos corredores até o seu quarto, até que ela bateu a porta atrás deles, travou a fechadura e pressionou a testa contra a madeira fria. Silêncio, finalmente. O homem não falou, apenas ficou atrás dela, esperando para ver qual seria o seu destino.
— Qual o seu nome? — Ceridwen perguntou da porta.
O homem se mexeu, suas correntes se chocando contra o chão de pedra.
— Emil.
Ela se virou, percebendo que ainda segurava sua corrente dourada. Ela deixou cair em desgosto e correu para um guarda-roupa no canto. Quando se virou, Emil permanecia diante dela, indiferente, piscando curiosamente. Como se estar longe de Simon o tivesse despertado. Agora que ele saía de seu estupor, parecia não conseguir se lembrar como havia chegado aqui.
Os veranianos sempre pareciam assim. Atordoados e delirantemente felizes – até que voltassem para suas jaulas. Até que Simon terminasse com eles. Então, eles despertariam músculo por músculo, cada área de seu corpo lembrando o que havia acontecido com eles em uma clareza lenta e debilitante. Era como se uma droga acabasse, uma bebida forte saísse do sistema, até que não restasse nada dentro deles, a não ser eles. Ceridwen não conseguia contar quantas vezes que ela ouvira choros ecoares pelo palácio depois de uma festa.
E agora... Os prisioneiros de Ventralli pareciam assim.
Ceridwen mal conseguia pensar no que isso significava. Como Simon fez isso? Era impossível. Os condutores reais só afetavam seus respectivos reinos, e mesmo que de alguma forma fosse Jesse controlando seu próprio povo, ele teria que estar por perto, perto o suficiente para Ceridwen saber que ele estava ali. E Jesse poderia ser fraco, mas não era cruel.
O que Simon havia feito?
Emil sacudiu a cabeça, apertando as têmporas. As correntes em torno de seus pulsos batiam e balançavam, mas sua atenção se quebrou entre o seu foco para retornar e Ceridwen, de pé na frente dele com um conjunto de chaves em suas mãos.
Ela deu um passo à frente e pegou uma das mãos dele. A primeira argola caiu em alguns cliques fáceis, e ela falou enquanto trabalhava, incapaz de olhar para o rosto de Emil.
— Este quarto fica no terceiro andar. Há uma videira do lado de fora da segunda janela do canto que o levará aos estábulos. Pegue um cavalo e saia pelo portão sudoeste atrás da horta. Não estará patrulhado. Uma vez que estiver em Juli, cavalgue. Tão forte e tão rápido quanto puder, e não pare por nada.
Ceridwen terminou com a segunda argola e se endireitou novamente, vasculhando as coisas dela até encontrar um cantil de água e outros suprimentos que usava em incursões. Ela entregou tudo a Emil junto com algumas de suas roupas e um velho par de botas.
— Vá para oeste, e continue cavalgando até você passar pela Floresta Eldridge do Sul. Há um acampamento lá, na fronteira oeste, com outras pessoas como você. É o único lugar onde...
A mão de Ceridwen foi para o rosto dele, o ponto na bochecha de Emil agora inchado e desfigurado pela marca V.
Ela abaixou a mão quando o reconhecimento surgiu no rosto de Emil. Qualquer reino em Primoria o conheceria pelo V e não hesitaria em devolvê-lo a Verão. No entanto, ele era ventralliano, poderia facilmente cobrir sua marca com uma de suas máscaras. Mas um único deslize seria o suficiente. Uma máscara que não cabia bem, um vislumbre da pessoa errada e depois?
E agora, como se não fosse suficiente separá-lo da sociedade...
Simon podia controlá-lo.
— Você precisa se esconder. Vá. — Ceridwen sussurrou.
Ela virou as costas para ele, ocupando-se com papéis, endireitando-os em sua mesa, fingindo ignorância. Fingindo não ter ouvido a voz de Lekan em sua cabeça avisando: Nós podemos salvá-los, Cerie, mas isso é muito óbvio...
Não. Em poucos minutos, Ceridwen chamaria os guardas, soluçando que o ventralliano a havia dominado, roubado suas coisas e escapado do palácio. Quando o palácio fosse revistado, Emil estaria bem em Juli.
Roupas farfalharam e a janela se abriu em uma explosão de ar quente de Verão. Por um longo tempo, Ceridwen ficou parada ali, com uma das mãos na mesa, de costas para a janela.
Ela queria seguir Emil. Sair pela janela e se misturar na Floresta Eldridge. Esquecer que ela um dia pertenceu a um reino que poderia causar tanta dor. Esquecer quantas vezes ela falhou, e continuaria a falhar repetidamente.
Simon estava certo – o que quer que ele tenha feito, ele controlava os ventrallianos... ele era infinito agora.
Imparável, terrivelmente infinito.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!