21 de janeiro de 2019

Capítulo 4

BOTAS PISOTEIAM PELA sala. A cortina se abre subitamente no momento em que Finn e eu saltamos, mergulhando de cabeça para fora da sacada e para o ar frio.
— Invernianos! — grita Herod. — Fechem tudo agora!
Nos segundos de queda livre, antes que eu acerte o chão, me vejo diante de duas opções. Continuar a queda, cair rolando na rua e sair correndo de Lynia, na esperança de que consigamos voltar depois, ou me agarrar ao prédio e encontrar uma entrada. Com ou sem chave, estamos tão perto da metade do medalhão que algo tão pequeno quanto um pedaço irregular de metal não deveria nos impedir. Mas o plano era que se qualquer um de nós tivesse problemas, Finn e eu nos encontraríamos de novo do lado de fora da cidade. Se sairmos agora, no entanto, entrar de novo será impossível. Eles vão mudar a metade do medalhão de lugar sem hesitar e estaremos de volta onde começamos.
Meu corpo toma a decisão antes de mim. A parede de pedras rala meus dedos enquanto me agarro a ela, e dois batentes de janelas passam antes que eu encontre um lugar para me segurar, o corpo parando com um tranco, os pulsos reclamando por terem de segurar meu peso tão subitamente. Eu me debato, flechas roçam por minhas pernas aos chutes e pelos braços esticados enquanto me agarro à pedra, buscando apoios para os pés, e uso alguns pedaços lascados de cimento para me puxar para cima e passar pelo batente.
A janela se abre para dentro e eu entro às cambalhotas, piscando na escuridão, até que minha visão se ajuste. Por favor, que esta sala não seja nada com soldados dentroTalvez uma cozinha, ou um quarto legal e aconchegante, ou — olho ao redor, desesperada — um armazém. É um armazém, vazio exceto por pilhas de caixas à sombra no espaço estreito e sem luz. Perfeito.
Do lado de fora, a voz de Herod paira, gritando sobre os fracassos de Lynia. Olho pelo peitoril e vejo a sombra corpulenta de Finn disparando para um beco. Ele para, o rosto iluminado por um raio de luar, conforme avalia a área. Finn não me vê e não quero chamar atenção de Primavera acenando. Ele vai voltar para o acampamento agora, eu sei — outro de nossos protocolos. Se um de nós sumir, o outro deve ir embora imediatamente.
Antes que eu perceba a totalidade do que fiz, o quanto estou sozinha agora, Finn se vai. Ele contará a Sir que sumi no caos e Sir vai resmungar algo a respeito de como jamais deveria ter me deixado ir para início de conversa.
Preciso provar que ele está errado.
Meus braços estão dormentes demais por conta do tranco ao me agarrar ao peitoril para atirar o chakram, então me contento com as facas curvas escondidas nas botas. Com uma em cada mão, caminho de fininho pelo armazém. A porta se abre com facilidade e saio correndo, com as facas em punho, o coração acelerado.
Mas o corredor está vazio, iluminado apenas por alguns candelabros espaçados na parede. O chão se inclina para cima do lado direito e para baixo do esquerdo. Corro para a esquerda, os sons de ódio caótico se aproximam, vindos de cima. Não há dúvida de que Herod está correndo pela Fortaleza, gritando para os homens abaixo que estou chegando. Que pena, vou chegar antes dele.
Alguns andares depois, saio aos tropeços do corredor para o salão de entrada central, algo grandioso, envolto em pedras cinza e cortinas verdes pesadas. A madrugada funciona a meu favor — não há homens ali. Estão todos com o mestre da cidade.
Os gritos de Herod ecoam do fim do corredor, mais e mais perto. Examino o salão, a pulsação acelerada suga todo o ar de meus pulmões, me deixando sem fôlego enquanto avalio cada canto. Uma porta com quase três andares de altura se ergue à esquerda — a saída, mais provavelmente. Faço uma breve contagem — quatro outras portas levam para fora da sala, duas fechadas, duas abertas. Pelas duas que estão abertas, vejo uma longa sala de jantar e uma cozinha pequena e escura. Restam as duas portas fechadas.
Coloco uma das facas com cuidado na manga e invisto contra a primeira porta. Ela se abre sem resistência e tropeço para dentro de... um lugar muito, muito ruim.
À esquerda e à direita, duas longas fileiras de camas militares, a maioria ocupada pelos volumes arredondados de soldados adormecidos. Um quartel para os guardas da Fortaleza. O terror faz com que suor escorra por minhas costas, luz de velas invade o cômodo por trás de mim, vinda do candelabro pendurado no centro do salão, e engasgo de surpresa, então imediatamente tapo a boca. Ninguém se move por um momento e, logo quando acho que posso sair ilesa, o urro de Herod me atinge, apenas um ou dois andares acima.
— Peguem as armas! — grita ele, e isso basta para que cada soldado dormindo fique instantaneamente alerta, colocando-se de pé e buscando armas.
Seguro a porta, puxo-a para fechar e saio correndo para a outra porta fechada. Foi por pouco, por muito pouco, e quando os soldados no quartel abrem a porta deles, estou chacoalhando a última porta fechada — trancada — e cuspindo todos os palavrões que já ouvi.
— Neve e gelo e geada acima. — Por sorte, Sir gosta de testar Mather e eu com desafios sem sentido como Arrombe a fechadura deste baú, seu jantar está dentro dele. Os testes dele e o gancho do tamanho de um dedo que prendo ao cabelo finalmente se provam úteis, embora eu certamente não planeje contar isso a Sir. Enfio a outra faca sob meu braço e me ocupo com a fechadura.
Os soldados saem do quarto aos tropeços. Herod se aproxima. A fechadura não cede, talvez porque eu esteja trêmula demais ou minhas mãos estejam escorregadias com suor ou eu simplesmente precise praticar mais arrombamento de fechaduras. Minhas chances de sair da fortaleza diminuem a cada fôlego que tomo, a cada batida contida do meu coração, preenchendo o corpo.
— Quem precisa de chave? — resmungo, quando recuo e reúno todo o peso do corpo para chutar a fechadura. Ela se quebra e abre, lançando a porta contra a parede com um ruído. Um lance de escadas espirala para baixo, com luz subindo do fundo, um amarelo tremeluzente.
— Pare!
Eu me viro. Herod caminha pelo corredor batendo os pés e a totalidade pesada dele congela do outro lado da sala. Um disparo perfeito do chakram; porcaria de braços trêmulos. Mas soldados preenchem o espaço entre nós, a maioria deles apenas meio vestida, segurando armas e piscando para afastar o borrão do sono. São muitos para enfrentar de uma vez.
Herod me olha com raiva e o rosto dele fica vermelho.
— Inverniana!
Mergulho para a escadaria e bato a porta atrás de mim, mas meu chute quebrou a fechadura, então a porta se recusa a fechar. Embora isso signifique que vou perder uma faca, enfio uma das lâminas com toda força pela fechadura e para dentro da armação de madeira. Vai segurar o suficiente para me dar uma vantagem melhor.
As escadas ficam escorregadias quanto mais profundamente eu vou, as paredes estão cobertas com o que cheira a fezes de asno. Isso não é apenas um porão e, ao inspirar profundamente, percebo exatamente para onde vou, onde esconderam a metade do medalhão: os esgotos. Ah, divertido.
Depois de alguns fôlegos contidos, o som de vozes abafadas ecoa até mim. Texto meus braços — não estão tão trêmulos — e saco o chakram, fechando a mão em volta do familiar cabo desgastado.
— Rápido! Tem um tumulto acima. Melhor nos apressarmos.
Paro no último lance da escada, o brilho de lanterna é forte. Estão perto. Perto ao alcance do chakram. Meu tipo preferido de perto.
— Não vou tocar nessa coisa. Você sabe o que é! Você que pegue. — Pelos sons da conversa deles, parece haver apenas dois.
O outro homem resmunga.
— Sou seu superior! Ordeno que pegue a porcaria do pedaço do medalhão.
Sorrio. É minha deixa.
— Ora, rapazes, não tem necessidade de discutir. Eu pego.
Surjo da escada com o chakram puxado para trás, pronto para disparar pelo ar.
Estamos, de fato, em um esgoto — um túnel se abre ao meu redor, contendo um rio de dejetos escuros ladeado por passarelas de trinta centímetros de cada lado. Um homem e alguns cavalos esperam na passarela mais afastada, o outro homem está de pé com os tornozelos afundados na imundície de Lynia. Poucos homens, mais alguns chamaria muita atenção.
Atrás dos homens, um dos tijolos da parede havia sido removido e no buraco, iluminado por algumas lanternas, brilha uma caixa azul. Alívio me preenche. Depois de anos de busca, metade do medalhão está finalmente ao alcance.
Aponto o chakram para o capitão, com as botas sujas de nojeira de esgoto. Os olhos dele se voltam para mim.
— Os invernianos estão mandando garotas para fazer o trabalho sujo deles agora? — diz o homem, com escárnio. — Por que não abaixa essa coisa antes que alguém se machuque?
Projeto o lábio inferior e arregalo os olhos.
— Isto? — Abaixo o chakram. Ela agora está apontada para a coxa esquerda do capitão. — Eles me deram e disseram arremesse! Nem sei como funciona...
Os soldados gargalham, uma gargalhada áspera que diz que essa é uma briga que eles têm certeza de que vencerão. Deixo o chakram voar conforme o capitão se aproxima, meu corpo se dobra em um arco. O chakram dispara pelo esgoto, faz um corte limpo na perna do capitão e continua o giro de volta até mim em um elegante círculo de determinação. O homem grita e cai no esgoto, agarrado à coxa como se, bem, como se eu tivesse acabado de fatiá-la.
— Ah. — Passo uma das mãos pelo lado chato da lâmina. — É assim que funciona.
O outro soldado me olha da passarela oposta, com as mãos erguidas como se pudesse começar a dançar. Ou correr. A opção mais provável. Mas, então, ele sorri e a mudança de amedrontado para interessado é tão súbita que um lampejo de inquietude aperta meu estômago.
Magia.
A palavra voa por minha mente como se estivesse ali o tempo todo, um pulso silencioso de conhecimento que me contou que tudo parecia deslocado. Errado. E estava errado, tudo, porque o soldado abaixa os braços e estica os ombros, o corpo dele se transforma diante de mim. Ossos estalam e se remodelam, músculos se esticam com um rasgar nauseante. O soldado não é um soldado, pelo menos não um soldado sem nome, um nada, e o capitão em quem atirei gargalha ainda na posição fetal, a ansiedade dele envolta em dor.
Aquele não era Herod mais cedo. É claro que não. Herod não desperdiçaria tempo se misturando com o mestre da cidade; ele estaria ali, com a metade do medalhão, esperando para interceptar ladrões.
Herod termina de se transformar até que as únicas coisas claras nele sejam o cabelo dourado, os olhos verdes e a pele pálida — o resto de Herod é sombra, um testamento da crueldade do mestre dele. E é imenso também, a cabeça quase toca o teto, e é grande nos ombros, o corpo de alguém que nasceu segurando uma espada. O que não deve ter sido divertido para a mãe dele.
Eu me inclino para a frente para atirar o chakram, mas Herod dispara da plataforma, dá um passo pela imundície do esgoto e atira o corpo contra meus joelhos.
Tropeço para fora da passarela e caio no meio do esgoto, meu fôlego é sugado tanto pelo corpo de Herod quanto pela súbita imersão em fezes. Ele pega o chakram e joga para a passarela, longe do alcance, antes de prender meus braços acima da cabeça em uma torsão dolorosa, rindo para mim conforme passadas barulhentas descem as escadas. O não Herod e os homens dele arrombaram a porta.
Isso poderia ter ido melhor.
Eu me agito nas mãos dele, algo em meu bolso se enterra em meu quadril — uma arma? Não, a lápis-lazúli de Mather. A única coisa para que serve agora é ser um lembrete doloroso de Mather, de Inverno, de como ele jamais se perdoará se algo acontecer comigo.
Os dedos de Herod se fecham ao redor de meus braços e eu me encolho. O toque dele está logo acima da arma que me resta — a faca na manga.
— Senhor! — Um soldado corre para o esgoto. É o não Herod, transformando-se aos poucos, de volta à forma própria. Ouvi histórias da magia para a qual Angra usa o condutor dele, além de controlar seu povo. Contos sussurrados quando as pessoas retornaram de missões em emaranhados ensanguentados de braços e pernas quebrados, lembranças destruídas no calor da febre e da angústia. Angra usa a magia dele para induzir visões tão reais que enlouquecem seu povo, para quebrar os ossos de traidores e rasgar órgãos, enquanto o povo ainda está vivo, e para transformações como essa.
Enquanto Herod me arrasta, o único consolo que encontro é que nós dois estamos cobertos de esgoto.
— Amarrem-na. Vamos levá-la para Angra — ordena ele, e se aproxima demais de mim, quando um soldado amarra meus pulsos com corda. — Com medo, soldadinha?
Eu me obrigo a encarar Herod. Não tenho o luxo do medo. Quando estamos no acampamento, na segurança de nossas tendas, e Sir explica todo tipo de mortes terríveis possíveis para mim, não posso demonstrar medo. Medo é uma semente que, depois de plantada, jamais para de crescer.
Mas eu estava lá quando Gregg, um de nossos soldados, retornou para o acampamento, há seis anos. Ele e a esposa, Crystalla, tinham sido capturados em uma missão em Abril e atirados ao mais próximo campo de trabalhos forçados. Gregg nos contou como era, balbuciando, tomado pela loucura, o trabalho árduo, as condições de vida decrépitas — e o modo brutal e desumano com que Angra fez Herod matar Crystalla. Gregg mal escapou com vida, mas a perdeu um dia depois, quando os ferimentos que Herod causou se mostraram demais para o corpo suportar.
Um tremor percorre meu corpo, e sei que Herod viu. A semente do medo.
Não posso morrer como Crystalla.
Um soldado me coloca em um cavalo e amarra meus pulsos à sela. Esperança se agita em meu peito — eles não me revistaram em busca de armas. Seja por causa do caos de minha intrusão ou pela necessidade de tirar a metade do medalhão de Lynia o mais rapidamente possível, não sei — mas ainda tenho minha faca. Ainda tenho uma chance.
Herod tira a caixa do medalhão do buraco com cuidado e a segura por um momento, olhando para mim. Aquele rosto, aquela torção de deboche nos lábios dele — esse é o monstro das histórias de Gregg, aquele que Angra usa para destruir os inimigos dos modos mais brutais possíveis. Angra não gosta de sujar as mãos, não quando ele pode assistir às próprias marionetes dançarem em espetáculos gloriosos enquanto ele usa o Condutor Real para controlá-los. Por que ser o cão quando se pode ser o mestre?
Herod enfia a caixa na bolsa da sela mais próxima de mim. Antes de montar, ele pega meu chakram na passarela, brinca com a arma entre as mãos e me olha com aquele deboche provocador. Herod monta o cavalo com um salto e coloca o chakram na bolsa da sela do outro lado do cavalo. Não tem como eu pegar agora.
— Se tentar escapar, estará morta muito antes de chegarmos a Abril — avisa ele.
Inspiro, girando os pulsos o mais imperceptivelmente que consigo, até que minha faca deslize para a palma da mão.
— E vou matar você antes de tudo isto acabar.
Herod sorri, a sede de sangue no rosto dele brilha mais forte. Náusea revira meu estômago incansavelmente — ele gosta quando revido. Algo para lembrar.
Com um grito, Herod diz aos homens para partirem. Ele pega as rédeas de meu cavalo e me puxa para a frente, minha perna se choca contra a bolsa da sela de Herod.
Consigo sentir a pequena caixa quadrada pressionada contra minha canela. A única coisa que a separa de mim é uma camada de couro.
Preciso manter Herod distraído, concentrado em partes do corpo diferentes de minhas mãos.
— Como eles estão? — A pergunta é breve e afiada. Eles, os invernianos nos campos de trabalho.
Engulo em seco. Duas das cordas são cortadas. Mais uma...
Herod se vira para mim. Ele dá um risinho, aproxima tanto meu cavalo que ficamos quadril a quadril.
— O sustentáculo do reino de Primavera. Embora vocês invernianos morram rápido demais para meu gosto.
Mais algumas fibras cortadas, e a corda cai de meus pulsos. Luto contra a vontade de esticar os pobres e agredidos braços e me concentro em Herod, em deixá-lo achar que estou resignada a meu destino.
Eu me viro para ele, encaro Herod, então me inclino um pouco, como se estivesse deslizando na direção dele na sela.
— Bem, sei de um inverniano que não vai morrer. Não mesmo. E ele vai destruir Angra.
Herod faz exatamente o que eu esperava que ele fizesse: solta as rédeas de meu cavalo por tempo o suficiente para me dar um tapa. O golpe faz minha mão se erguer, a mão que eu tinha conseguido deslizar para dentro da sela dele e envolver na pequena caixa azul.
Chuto o cavalo, com força, e disparo pela passarela do esgoto, tudo isso é tão rápido que Herod ainda está com a mão no ar antes que perceba que estou livre — e que estou com a metade do medalhão.
— Não! — grita ele, a voz grossa reverberando pelas paredes de pedra.
Impulsiono o cavalo adiante, galopando ao lado da imundície do esgoto até escaparmos para a escuridão, para fora da luz da lanterna. Flechas disparam, mas acertam a pedra, perdidas sem ter em que mirar. Cascos batem atrás de mim, gritos e xingamentos se seguem, e faço uma nota mental para sempre, sempre colocar uma faca na manga quando sair em missões.
O cavalo parece saber aonde vai, então apenas o apresso mais. Certamente, ele está tão enojado quanto eu com o fedor e lembra como desceu até ali — uma pena que a nova montadora esteja coberta de esgoto. Quase vomito, finalmente calma o suficiente para sentir o fedor de fezes sobre mim.
Mexo nas rédeas, mantendo a outra mão pressionada com tanta força contra o estômago que no dia seguinte terei um ferimento com formato de caixa ali. A marca de meu heroísmo — Meira, a primeira soldada a recuperar metade do medalhão de Inverno. Um poço de orgulho irradia em mim e me atenho à sensação com tanta força quanto à caixa.
O cavalo faz mais uma curva e disparamos para a superfície. O ar frio e fresco da noite me faz sorrir e pressiono o cavalo para ir mais e mais rápido. Ainda não estou totalmente livre.
Estamos a apenas segundos do portão norte quando os guardas posicionados ali percebem o que está acontecendo. Eles buscam a alavanca que fechará as barras de ferro sobre mim, mas é tarde demais — impulsiono o cavalo, olhando de relance para o vigia que me parou quando entrei. Os olhos dele se arregalam em reconhecimento, então puxo o capuz preto que cobria meus cabelos conforme passo, galopando pela ponte sobre o rio Feni. Mechas brancas esvoaçam ao meu redor, algumas sujas de imundície do esgoto, mas a maioria esvoaçando ao vento. Uma tempestade de neve viva, um lembrete vibrante e branco de que não escravizaram todos os invernianos. Alguns de nós ainda estão vivos. Alguns de nós ainda estão livres.
E alguns de nós estão a meio medalhão de retomar o reino.

7 comentários:

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Boa leitura, E SEM SPOILER!