26 de janeiro de 2019

Capítulo 26

Meira

CERIDWEN CRUZA AS pernas onde está sentada, ao lado da mola de tubos de meu quarto, e ínfimas ondas de calor sopram para a pele dela. Estar em um quarto cheio de invernianos foi “como ser mergulhada em um balde de água gelada”, dissera a princesa, e depois de tanto tempo me observando andar de um lado para outro e disparando explicações sem sentido, imagino que precise de algum conforto.
— Então espere. — Ceridwen agita o dedo no ar como se apontasse para todas as informações que dispus. — Quando o medalhão de sua mãe quebrou, você se tornou o condutor. Entendo isso, acho. Mas essas chaves que temos encontrado também são condutores? E estão de alguma forma interferindo em sua magia?
— Não interferindo... — Encosto em um dos mastros que segura o dossel sobre minha cama. — Está mais para interagindo. A Ordem as fez como testes para ajudar quem as encontrasse de... alguma forma. Meu coração precisa estar preparado, mas não consigo entender para que as coisas que vi devem me preparar. Ou o que isso tem a ver com o abismo de magia.
— Tem certeza de que as chaves foram feitas pela Ordem? — pergunta Conall, segurando a tala que envolve o braço ferido dele. — Você disse que Angra pode ser o condutor de Primavera, como você é o de Inverno. E se tudo isso for ele? Ele estava na primeira de suas visões. Isso pode ser um truque.
— Não há qualquer notícia dele em qualquer lugar, no entanto — replica Henn.
Garrigan faz um gesto de ombros, os ombros dele roçam na cadeira na qual se apertou com Nessa.
— Faz mais de três meses desde a queda de Angra. Se estiver vivo, por que esperar tanto? Não faz sentido. Só pode ser a Ordem. Além do mais, a entrada do abismo estava escondida até poucas semanas. Como Angra poderia ter armado tudo isso sem nosso conhecimento?
— Ele teve livre acesso a seu reino durante 16 anos — diz Ceridwen.
Dendera faz que não com a cabeça.
— Ele não tocou nas minas. Quando as reabrimos, estavam obviamente em desuso há mais de uma década, imundas e perigosas e instáveis. Não acho que seja ele.
Brinco com o medalhão enquanto o grupo joga ideias no ar. Todos lidaram com isso muito melhor do que eu poderia esperar, absorvendo tudo que sei sobre Angra e magia e o abismo e Cordell com olhares curiosos e acenos pacientes.
Bem, quase tudo.
Só contei a eles que vi Hannah e Duncan no último sonho. Não contei o que Hannah disse que aconteceria se eu morresse.
Um tremor afasta minha mão do medalhão e cruzo os braços para escondê-lo. Encontrarei outra forma de tornar meu povo forte. Esse mundo não precisa de um reino inteiro de pessoas-condutoras, evitar que a magia se espalhe é pelo que tenho lutado esse tempo todo.
O que Hannah disse não importa. Não preciso morrer por isso.
Não morrerei.
Henn coça o queixo, andando diante de onde Dendera está sentada, em um banco junto à parede.
— Concordo. Acho que essas chaves são nossa melhor chance de obter respostas. Depois que tivermos a última chave, teremos mais vantagens sobre Cordell para manter o abismo fechado.
— Isso será o bastante? — Conall inclina o corpo para a frente, encolhendo-se ao pressionar o braço ferido. — Noam poderia forçosamente tomar as chaves de nós. Como Inverno ter as chaves o impede?
— Poderíamos pegar a primeira chave com o príncipe — sugere Garrigan. — Abrir o abismo. Recuperar magia o suficiente para...
— Não — digo. — Seguiremos para Ventralli, mas não vamos abrir aquela porta. Não é um risco que assumirei, há outras formas de destronar Noam. Posso tentar obter o apoio de Giselle, ou de Ventralli.
Minhas palavras parecem fracas agora, e quando Ceridwen avança, sinto minha certeza frágil quebrar ainda mais.
— Detesto jogar fogo no seu gelo, mas Yakim não lutará contra outro reino Ritmo por você. Imploro a Giselle há anos para que apoie Verão, que nos venda comida ou suprimentos em vez de pessoas. Ela se recusa.
— E se eu me provar útil para ela? Darei o que quiser. Pela neve, darei quantas minas exigir.
— E o que acontece depois que descobrir que Cordell já tem o abismo de magia? Vai se sentir enganada, e terá dois reinos Ritmo revoltados contra você.
Resmungo, afastando a frustração. Não tinha tanta esperança por Yakim depois de minha conversa com Giselle mesmo.
— E quanto a Ventralli?
Ceridwen ri.
— Sabe quem era a mulher de Noam, certo? Ela pode ter morrido sob os cuidados de Noam, mas pela chama e pelo calor, os ventrallianos amam Theron. Ventralli tem tanta disposição para entrar em guerra com Cordell quanto Simon tem de renunciar ao vinho.
— Tanto Yakim quanto Ventralli se ofereceram para receber Inverno. — Semicerro os olhos enquanto falo, o entendimento toma conta de mim. Percebi a estupidez de nossa viagem antes, e agora isso faz com que cada músculo de meu corpo fique inerte, então me jogo na cama.
— Aceitei os convites. — Esfrego as têmporas de olhos fechados. — Eles me convidaram como parte de um plano para testar o domínio de Cordell sobre Inverno. Cordell respondeu com um tratado de unificação e eu respondi ao trazer Cordell comigo. Qualquer que tenha sido a porta que abriram... Não apenas a fechei, mas construí uma maldita barreira cordelliana sobre ela. E agora o único aliado de Inverno é... — Meus olhos se voltam para Ceridwen e ela espalma as mãos.
— Ei, me coloque em um quarto com Noam e acabo com seu problema rapidinho.
Rio com deboche.
— Tentador. Mas isso causaria ainda mais problemas.
Dendera fica de pé.
— Qual é seu plano, então?
Olho para ela, tudo rodopia em minha mente.
Nenhuma ajuda de Yakim. Nenhuma ajuda de Ventralli. Paisly é remoto demais para oferecer assistência. Tenho pouco apoio de Verão, e uma aliança ainda mais turbulenta com Outono, mas não acho que Nikoletta se levantaria contra o irmão, não importa o quanto ele seja um canalha. A não ser que tomasse Outono diretamente, mas não acredito que seria tão burro assim.
O que deixa...
— A Ordem — digo a todos. — São nossa única chance de encontrar uma forma de selar a porta do abismo, ou mesmo de nos livrarmos de vez da magia. Qualquer um impediria o avanço do poder de Cordell e nos daria mais vantagem contra eles... ou no mínimo nos daria um objeto de barganha para negociar a liberdade de Inverno. Precisamos buscar a última chave e a Ordem, e se disserem que não há como selar o abismo permanentemente ou deixar Cordell sem magia, abrirei a porta eu mesma. Mas não vamos planejar isso até sabermos com certeza.
Um sorriso lento se abre no rosto de Henn.
— Uma decisão racional, minha rainha. Onde acha que está a última chave? Ventralli, é claro, mas onde?
Mordo o lábio.
— O que é o símbolo de Ventralli? O de Verão era o vinho, o de Yakim eram os livros. A pista do abismo que levava a Ventralli é uma máscara. Mas a chave que encontramos em Yakim estava envolta em uma tapeçaria, o que é outro símbolo da afinidade de Ventralli pelas artes. — Encaro Henn. — Talvez... os museus? Começaremos por lá. As guildas também podem ser um bom lugar para procurar, então podemos seguir para elas depois.
Dendera assente.
— Que bom. Temos um plano.
— Sim. — Parte de mim está doida para mergulhar em uma batalha, para fisicamente despedaçar essa ameaça com o chakram agora preso às minhas costas.
Abaixei todos as defesas que tinha construído ao meu redor, mas posso guardar algumas coisas, escolher as partes benéficas e usá-las para fortalecer quem sou. Deixei que Ceridwen, Conall, Garrigan, Nessa, Dendera e Henn entrassem, contei a eles sobre os problemas que estou enfrentando. Permanecerei calma e cautelosa, mas me permitirei ser impulsiva quando precisar ser. Aprenderei com meus erros.
Diferentemente de Hannah.
Diferentemente da forma como ela mentiu para mim e fez com que todos guardassem essa mentira durante minha vida inteira. Diferentemente da forma como ela ainda escondeu coisas de mim — durante três meses poderia ter me contado o resto do plano. Talvez se tivesse aprendido com os erros dela, todos estaríamos melhores. Talvez, se Hannah jamais tivesse contado nenhuma daquelas mentiras desde o início, estivéssemos livres há anos.
Endireito as costas. Não. Não preciso pensar nela — o que Hannah queria não importa.
O que ela queria não importa.
— Deveríamos ir dormir — diz Garrigan. — É quase de manhã.
— Espere. — Meus olhos se fixam em Henn. — Retornaria a Inverno?
Ele não hesita.
— É claro. Por que, minha rainha?
Forço as palavras a saírem mais rápido do que meu estômago consegue se encher de remorso.
— Porque Theron e eu... As coisas mudaram. Não estamos mais tão unificados em nossas metas como estivemos, e não sei se... Quero dizer, ele não seria tão cruel a esse ponto, mas era nosso aliado cordelliano mais forte. Embora isso não tenha servido muito para nós. Mas agora... Apenas veja como está Inverno, por favor?
Henn fica sério e faz uma reverência com a cabeça, assentindo devagar.
— É claro — repete ele.
Dendera se levanta para beijar Henn, rápido e suave. Ele aperta o ombro dela e desaparece no quarto adjacente para fazer as malas para a viagem, levando Garrigan e Conall para que recebam ordens finais antes da partida.
Ceridwen fica de pé e atravessa o quarto até mim.
— Sinto muito.
Fico de pé também, com os polegares presos nas alças do coldre do chakram. Pela neve, é bom tê-lo de volta comigo, tão bom que posso fingir que não entendo Ceridwen.
— Pelo quê?
Ela me lança um olhar meio irritadiço, meio sábio.
— Garotos Ritmo partem nosso coração — diz ela, mas o rosto fica mais severo com um arrependimento próprio. — Mas reafirmo o que disse. Ele não era um amante adequado para você. Você é boa demais para ele.
Calor imediatamente sobe por meu pescoço e olho para Dendera e Nessa, as duas únicas outras pessoas ainda no quarto, mas elas estão sussurrando baixinho perto da porta.
— Ele não era meu amante — corrijo. — Pela neve, é só nisso que os veranianos pensam?
— Confie em mim, quando encontrar a pessoa certa, será tudo em que pensará. — Ceridwen dá um sorriso fraco.
Inclino a cabeça, abaixo a voz.
— Já contei meus segredos. Algum dia vai me contar os seus?
Ela pisca para mim, mas se recupera rapidamente.
— Isso não era parte de nosso acordo, rainha de Inverno.
Então Ceridwen sai, passando por Nessa e Dendera sem dizer mais uma palavra. Eu a encaro, chocada, mas afasto a sensação quando Nessa vem até mim.
Ela ficou calada durante tudo que falei, como se estivesse montando o quebra-cabeças do próprio jeito, e, enquanto estou diante de Nessa, sou tomada pela certeza dormente de que será ela quem verá aquilo que nenhum de nós conseguiu ver.
Nessa une as mãos.
— Ainda tem medo dela?
Toco o medalhão, a casca do que um dia foi. De novo, a hesitação responde por mim.
— Eu também teria — diz Nessa. — Não se sinta culpada pelo que fez; não acho que sua magia é tão ruim quanto acha que é. Afinal de contas, fez muito bem. Ela nos curou, ajudou a nos salvar, derrotou Angra em Abril. Sei que não a torna menos assustadora, mas... — Nessa para e gesticula com os ombros. — É uma arma que temos, e precisamos de todas as armas que conseguirmos pegar.
Sorrio.
— Você realmente é mais esperta do que deveria, lady Kentigern.
As bochechas de Nessa coram e ela recua, saltitando pela porta, com Dendera ao encalço. Sou deixada com as engrenagens e os botões e os canos de cobre retorcidos do quarto yakimiano, os raios fracos do sol nascente despontam pelas cortinas. Não sei por quanto tempo ficamos acordados conversando — horas, metade da noite, a noite inteira. Sinto a exaustão agora, e minha mente começa a divagar, a suave confusão entre dormir e estar acordada. O momento em que pensamentos aceleram em minha mente, remendando significados que perdi.
Por isso as palavras de Nessa ressoam tão forte dentro de mim.
É uma arma que temos, e precisamos de todas as armas que conseguirmos pegar. Eu estava certa. Nessa viu mesmo a peça que faltava — a magia fez muito bem. Eu a afastei por tanto tempo, eu a temi por tanto tempo, mas... Talvez possa me ajudar, até no estado imprevisível. Ainda é magia; ainda é poder.
Preciso ao menos tentar.
Meu vestido se estica sobre os joelhos quando me ajoelho na cama. A chave dos Ilustres ainda está sobre a colcha, silenciosa e sombria, e enquanto a encaro, tudo que sei sobre magia de condutores percorre minha mente. Como veio para mim depois que Hannah morreu e Angra quebrou o medalhão. Como permaneceu dormente dentro de mim até que eu soubesse que estava lá, uma magia passiva baseada em escolha. E bem antes disso, como Hannah ficou tão desesperada que se rendeu a ela para que pudesse aprender como salvar Inverno.
Franzo a testa.
Ela perguntou à magia como salvar Inverno. E essa magia se trata de escolha — ela escolheu perguntar sobre Inverno.
Um coração preparado, dissera a magia da chave. Prontidão é um tipo de escolha, estar preparado e aceitar coisas por vir... Era isso que queria que eu visse?
Porque... E se Hannah não tivesse perguntado como salvar Inverno? E se tivesse escolhido perguntar como impedir Angra, ou a guerra, ou como derrotar a Ruína? Teria obtido uma resposta diferente?
De que preciso para estar preparada para perguntar?
Eu me recosto nos travesseiros, o chakram pressiona minha coluna. A privação de sono perturbadora toma conta de mim, os eventos das últimas semanas se desenrolando nessa única noite de libertação. Mas afasto tudo isso, invocando a magia. Um toque suave, cuidadoso, o início de uma ponte entre ela e eu, e sobre essa ponte, envio um único pensamento.
Qual é a pergunta certa?
Meu peito esfria, a magia responde com dedos carinhosos de gelo que se espalham por mim como arabescos formados pela geada em uma janela. Quando a magia fala, não é como Hannah, não são palavras nítidas que ecoam em minha mente. É como a magia da chave, minha própria voz e minhas emoções, ondas de convicção que me preenchem com conhecimento como se estivessem ali o tempo todo. Sou deixada com um pensamento pesado, persistente, que me embala no sono.
Quando eu estiver preparada para perguntar, saberei.


Henn parte para Inverno na manhã seguinte. E, para meu alívio, vejo que não preciso me preparar para assinar o tratado de Theron — porque Giselle se recusa a assiná-lo “até que outro reino Ritmo assine”. Ela diz isso sem reconhecer que Cordell assinou e orquestrou o tratado, e a fenda visível que isso coloca entre Yakim e Cordell torna nossa estadia um tanto desconfortável.
Sem precisar da intromissão de ninguém, Theron concorda em seguir para Ventralli depois de apenas alguns dias em Putnam.
Sei que ele espera conseguir que o rei ventralliano assine o tratado, convencendo, assim, Yakim — ele ainda se agarra à visão de paz. Mas conforme deixamos o Castelo Langlais e nossa caravana se reúne em outro aglomerado confuso de soldados e pessoas de três reinos diferentes, observo Theron de meu grupo de invernianos. Não interagimos um com o outro além dos planos de viagem necessários, e mesmo agora, ambos permanecemos firmes com nossos grupos.
Theron sente meus olhos sobre ele e se vira. Mesmo de longe, o ar ainda parece rarefeito e desconfortável entre nós, emoções emaranhadas, palavras não ditas.
Dendera sobe no cavalo ao meu lado. Quando ela e Henn finalmente admitiram os sentimentos deles, pareceu a coisa mais fácil do mundo. Um minuto não eram, no minuto seguinte eram, e isso foi tão certo e tão verdadeiro que ninguém sequer piscou.
Mesmo agora, parece que só estou vendo metade de Dendera, a outra parte dispara rápido para Inverno.
Deveria ser fácil assim. Quero que seja fácil assim. Quero olhar para alguém e saber que todas as necessidades, anseios e desejos que tenho são os mesmos que os dele, não que todas as minhas necessidades, anseios e desejos estão indo de encontro aos dele. Unificação deveria ser o tema geral de um relacionamento.
Então, embora Theron ainda me observe, eu me viro para Nessa em busca de outra coisa para fazer, algo para que olhar que não seja ele.
Depois de alguns segundos, sinto quando ele se vira.


Rintiero, a capital de Ventralli, fica a pouco mais de meio dia de viagem para o norte.
Tudo que Sir me ensinou sobre Ventralli tem a ver com o amor deles por arte — cor e vida e beleza e arte ecoavam em meio à dor e imperfeição. O Condutor Real masculino deles, uma coroa de prata, pertence ao atual rei, Jesse Donati, um homem no início dos vinte anos. A esposa, Raelyn, teve três filhos — duas meninas e um menino, todos têm menos de três anos de idade, o que significa que ou queriam muito ter filhos, ou queriam um herdeiro do sexo masculino o mais rápido possível. Mais provavelmente, a segunda opção.
A afinidade de Ventralli pela beleza fica clara quando chegamos a Rintiero ao pôr do sol. Quem quer que tenha projetado a cidade a construiu para complementar o sol poente tão perfeitamente quanto as estrelas complementam a noite. Subimos uma série de colinas que compõem a fronteira Yakim-Ventralli e nos levam até o vale Rintiero, o que fornece uma visão aérea de uma cidade que é mais parecida com uma joia multifacetada.
Rintiero se curva em um crescente de rochas pontiagudas e linhas retas de portos que despontam no rio Langstone, tudo isso encimado pelo azul profundo e pesado de um céu prestes a cair no sono. Um frio envolve o ar, o frio de uma noite de primavera verdadeira. Um brilho suave e dourado ilumina as ruas; velas, provavelmente, mas nada como as chamas violentas das fogueiras de Verão ou a luz constante das lâmpadas de Yakim.
Prédios de quatro e cinco andares se apertam nas ruas, ou se agarram às faces de penhascos, tudo nas cores mais vibrantes que já vi. Tons de azul roubados do próprio Langstone; o magenta vibrante do blush de uma dama da corte; tons de pêssego cremosos que fariam o dono de pomar chorar. Espalhadas entre os prédios estão as guildas de Ventralli, pelo menos uma dúzia de domos feitos de vidro, painéis espessos que refletem a beleza sem igual do céu noturno.
Os prédios tremeluzem e pulsam às luzes, como se estivessem respirando profunda e tranquilamente, e conforme nos aproximamos da cidade, faço o mesmo. Esse reino imediatamente parece mais calmo do que qualquer um dos outros que visitamos. A estrada não está lotada de camponeses a caminho de casa do trabalho, as pequenas cidades periféricas não são sujas ou pútridas ou pobres. Tudo é como precisa ser — inteiro, belo, valorizado.
Deve ter sido por isso que Noam se aliou a Ventralli quando se casou com a mãe de Theron. Pareceria que Cordell e Yakim tinham mais em comum com o amor pela eficiência, mas estou em Ventralli há menos de uma hora e consigo sentir Cordell aqui.
Passamos pelas ruas sinuosas de Rintiero e para uma floresta exuberante envolvendo o palácio como uma muralha viva. O próprio complexo está tão dormente e calmo quanto a cidade, e ajudantes do estábulo pegam nossos cavalos antes de criados nos levarem para quartos do palácio. O restante das caixas das montanhas Klaryn é trancafiado, um fardo em nossa viagem agora que sei o quanto serão inúteis, mas todos parecem ter absorvido o relaxamento de Rintiero. Sem pensar duas vezes, todos seguimos para as várias camas e dormimos sob o reflexo das estrelas.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!