21 de janeiro de 2019

Capítulo 19

FLOCOS DE NEVE caem ao meu redor, deixando o ar sobre o campo de cor marfim branco e frio.
Estou em Inverno.
— Achei que teria mais tempo. — Hannah está ao meu lado com um vestido branco de seda, o medalhão reluz no pescoço dela. Os olhos dela estão vítreos, se pelas lágrimas ou pelo frio, não sei dizer.
— O quê? — Sinto um pontada alarmante. Não deveria estar em Inverno. Pela última coisa que lembro, eu estava... em outro lugar. Onde?
— Achei que teria mais tempo — repete Hannah. — A conexão com a magia do condutor jamais se desfaz, mas era cedo demais antes. Estive tentando dar tempo a você, mas o tempo acabou. — Ela me encara e sei agora que há lágrimas nos olhos dela, lágrimas que se acumulam nas pálpebras e escorrem pelas bochechas. Ela dá um passo adiante, estendendo uma das mãos para mim.
— Espere. — Eu me afasto. Não consigo lembrar... de nada. Por que estou aqui, em um sonho de novo, por que meu estômago está com um peso tão dolorido. Por que...
Sir está morto. E fui capturada por Herod.
Caio de joelhos, sufocando com flocos de neve.
— Não...
Hannah se aproxima.
— Quando você chegar a Primavera, Angra usará a magia negra dele para observá-la, como vem observando Mather desde que Inverno caiu. — A expressão de Hannah se suaviza. — Desculpe-me por não poder explicar o que estou prestes a mostrar a você, mas não tenho tempo para mais do que isto agora.
Ela coloca a mão em minha testa. Solto um gemido em protesto, mas assim que a pele de Hannah toca a minha, cenas preenchem minha mente, imagens e paisagens do... passado. Hannah me mostra o passado. Não sei como sei disso, mas a verdade chega a mim com tanta certeza quanto as imagens, e inspiro fôlegos irregulares para evitar entrar em pânico.
Dezenas de pessoas estão de pé em uma via escura, segurando pedras e pingentes e pedaços de pau com punhos determinados. Os objetos brilham levemente, pulsos suaves de luz sob o céu negro e profundo. As pessoas se viram quando um grupo diferente se aproxima, também segurando objetos brilhantes. Os dois grupos não hesitam — com um grito e um golpe, eles atacam. Punhos quebram ossos como se não passassem de pedaços frágeis de madeira; corpos disparam pelos ares, atirados como punhados de palha. Pessoas normais não deveriam conseguir lutar assim. Mas essas não são pessoas normais — aqueles objetos são condutores. As pessoas certa vez tiveram os próprios condutores? Mas apenas os condutores reais foram criados antes de o abismo desaparecer...
Ou isso estava errado?
Uma sombra se ergue da luta, flutuando para fora de cada soco dado, cada grunhido de ódio. Quanto mais a sombra cresce, mais irritada fica a multidão, como se um alimentasse o outro. Ódio por mais ódio, mal por mal ainda mais forte...
Da luz fez-se a grande Ruína.
Mais nuvens pretas de Ruína surgem, erguendo-se de cidades, aldeias, todas de pessoas que usam os condutores para fazer coisas terríveis. Um assassinato, um roubo, uma mulher se encolhendo enquanto o marido a espanca. Sempre que alguém usa um condutor para fins corruptos, a Ruína cresce; e sempre que a Ruína cresce, ela encontra pessoas, apodera-se delas e as obriga a fazerem coisas ainda mais corruptas.
E a desgraça recaiu sobre os que não tinham luz.
Oito pessoas estão diante de mim na beira de um penhasco, em uma grande caverna subterrânea. Uma bola brilhante de luz da infinita profundeza além dela quase me cega e, quando percebo o que é isso, tudo que já senti evapora, deixando apenas uma suave surpresa.
O abismo perdido de magia.
Eles suplicaram, e as luzes se formaram.
As oito pessoas empilham pedras e pingentes e cajados na beira do abismo. Condutores, ainda brilhando levemente em oito pilhas separadas. No topo da própria pilha, cada pessoa dispõe um objeto que não brilha.
Um medalhão, uma adaga, uma coroa, um cetro, um machado, um escudo, um anel, um bracelete. Percorro os olhos pelas oito pessoas de novo. Quatro homens, quatro mulheres.
Os quatro criaram as luzes; e os quatro criaram as luzes.
Dedos ágeis de energia atingem as oito pilhas, uma de cada vez, como ondas irrefreáveis de poder atraídas aos novos condutores como raio atraído por metal. Magia preenche os Condutores Reais, conectando-se aos governantes, às linhagens deles, aos seus gêneros.
A cena muda de novo, passando por mim como um lampejo. As nuvens de Ruína se dissipam agora, fraquejando sob o poder dos Condutores Reais conforme os governantes afugentam a Ruína das terras deles. O povo comemora quando a névoa da Ruína se vai.
Então vejo algo que reconheço muito bem — Primavera. Cerejeiras se estendem em um mar rosa e branco ao redor de um homem com cabelos loiros cacheados, olhos verdes quase transparentes e pele pálida. Ele está de pé à entrada da cidade, segurando um cetro. E ao redor do homem paira a última nuvem negra de Primoria, pulsando fracamente.
— Você é a verdadeira força — diz o homem à nuvem, e abre os braços para ela.
Grito, precisando que alguém me ouça, precisando que outra pessoa veja que não destruíram tudo. A Ruína ainda existe — e está no governante de Primavera.
— Diga-me como salvá-los.
A cena muda. Séculos se passam. Estou em um quarto no palácio de Hannah, Jannuari é visível pelas portas abertas da varanda. A Ruína se dissipou e virou uma lenda distante, esquecida, e a única coisa que qualquer um em Inverno teme agora é Primavera. Hannah está agachada ao pé de uma cama com dossel, lágrimas escorrem pelo rosto dela.
— Diga-me como salvar meu povo dele — implora ela. Com quem Hannah fala?
Então eu vejo. O pequeno brilho branco na mão dela, onde o punho está apoiado contra o peito. Ela segura o medalhão, implorando ao objeto que lhe diga o que fazer. Será que algum outro monarca já fez isso? Usou o condutor como mais do que apenas uma fonte de poder, mas uma fonte de autoridade?
O medalhão de Hannah responde às súplicas, um frio branco e radiante que irrompe em ondas da mão dela. A magia se despeja sobre Hannah e desse movimento vem... isso. Todo esse conhecimento. O passado, por que os Condutores Reais foram realmente criados, o que Inverno está realmente enfrentando em Primavera.
Luto contra a vontade de me encolher e jamais deixar este lugar. É seguro aqui, não há Ruína, nenhum mal, e meu peito dói com tudo que me espera fora do sonho.
— Você entenderá como usar tudo isso quando estiver pronta — diz Hannah, e dou um salto. Achei que fosse uma lembrança dela, não Hannah de verdade, mas ela volta os olhos cheios de lágrimas para mim, quando solto um soluço que queima em minha garganta. — É com você agora, Meira. Acorde.
Dourado morno e tremeluzente pulsa além de minhas pálpebras, e semicerro os olhos para os raios de sol que passam acima de mim, colunas de luz dançante sob um céu azul sem nuvens. O vento agita o odor de grama morta e terra seca, tão pungente que imediatamente sei onde estou — as planícies Rania.
É com você agora.
Fecho os olhos, contendo o choro que vem quando o sonho com Hannah percorre minha mente. Por que ela me mostrou tudo isso? Por que eu?
Porque Sir está morto e Mather se foi. Sou a única que restou, aquela prestes a enfrentar um mal surgido há milhares de anos, há tanto tempo que nem mesmo mitos restaram daquela época.
Contenho outro soluço, inspirando devagar e profundamente. Não posso me preocupar com isso agora; preciso me concentrar em descobrir onde estou. Passo a passo, fôlego a fôlego, abro os olhos e observo o mundo em volta.
Estou em uma jaula. Barras de madeira me mantém presa enquanto um boi grande e preguiçoso me puxa. Homens seguem ao lado, as proteções peitorais deles exibem o sol negro de Primavera. Sou prisioneira de Herod. A história de Gregg surge em minha mente, cada detalhe claro e cristalino de quando ele voltou para o acampamento há tantos anos, um soldado arrasado que acabara de ver a esposa morrer. O modo como as palavras saíram aos tropeços de sua boca, como se nem mesmo soubesse que as estava dizendo, apenas continuavam saindo e saindo, nos contando cada detalhe sobre como Herod matou Crystalla...
Náusea surge e me viro, mal conseguindo chegar à beira da jaula antes que meu estômago empurre para fora os poucos pedaços de comida que ainda não digeri. Eu me agarro às barras, ofegante, e contenho lágrimas quando uma sombra familiar demais passa por mim.
— Bom dia, Meira. É Lady Meira agora, no entanto, não? Não tive a chance de parabenizá-la pelo noivado. Um reino Estação conseguiu agarrar o abastado príncipe cordelliano. Não sabia que os reinos Ritmo estavam se rebaixando à caridade agora.
Eu me concentro na grama que passa sob as rodas de metal da jaula, nos cheiros de plantas mortas na terra e de vômito azedo. Não nas botas de Herod, acompanhando meu ritmo, nos dedos dele fechados em volta de uma das barras.
— Estou subindo de vida. — Tenho ânsia de novo, sem colocar nada para fora. Pelo menos não restou nada para eu vomitar. Minhas costelas, silenciosas durante a vontade de vomitar, gritam comigo agora, até que eu me deite de costas. Nem isso as acalma.
Preciso de remédio, uma tipoia melhor do que o enchimento e a armadura. Duvido que consiga isso aqui.
Herod gargalha.
— Como os poderosos caem rápido.
Fecho os olhos, a luz do sol projeta vermelho e dourado por dentro de minhas pálpebras. Não darei a Herod a satisfação de me ver fraquejar. Serei forte.
As pessoas, um dia, tiveram condutores para torná-las fortes. Eu as vi, condutores como pedras e pingentes e cajados. Afasto o sonho, recusando-me a deixar que me envenene com mais preocupação, mas algo permanece comigo e não vai embora.
As pessoas tiveram condutores como pedras.
A pedra em meu bolso, aquela que Mather me deu, que ele queria acreditar que era mágica quando criança. Um pedaço de lápis-lazúli minerado em Inverno. Poderia ser...
Isso é loucura.
Mas não tenho mais nada a perder se tentar, tenho?
Fecho os olhos com mais força, concentrando-me na bola de lápis-lazúli, no que possa estar dentro dela. Imagino a força da pedra fluindo para meu corpo, espiralando pela cavidade de meu peito e preenchendo meu tórax com vitalidade e saúde.
Nada acontece.
Faço de novo, trincando os dentes, implorando que a coisa azul faça algo, por favor, para me ajudar de alguma forma — que cure apenas uma costela, apenas uma...
Algo espeta minha lateral. Com força. Perco o fôlego devido ao súbito choque de dor e engulo em seco uma onda de náusea, minha concentração é destruída pelo cabo da espada de Herod.
— Já dormiu bastante — diz ele. — Angra vai querer que esteja consciente quando chegarmos.
Fecho a boca com força depois que meu estômago se acalma, com o corpo encolhido para longe de Herod e as costelas muito além do ponto de gritar de dor. Vejo estrelas, que me ameaçam com um sono longo e lento, e tento segurar o peito de forma a fazer a dor parar. Não há alívio. Nenhuma ajuda da magia. O abafamento daquela única faísca de esperança me faz sentir ainda mais vazia, mas não consigo pensar nisso. Preciso ficar acordada. Preciso saber que perigos estão adiante.
Como magia muito mais poderosa e potente que jamais conhecemos, uma força imensa e destrutiva contida em um homem. Se entrou no ancestral de Angra... será que foi passada de geração em geração, como os próprios Condutores Reais? Por que não se espalhou pelo mundo de novo?
Há apenas um punhado de fontes de magia agora, no entanto, e a Ruína cresceu quando as pessoas usaram magia para o mal. Talvez não haja o suficiente para que se espalhe além do monarca de Primavera, então fica dentro dele, transbordando magia de Angra, apenas dele.
Estremeço. Não, é apenas Angra. Apenas o homem contra quem lutamos há anos, um monstro cruel e sádico que usa o Condutor Real dele para o mal. Apenas o Condutor Real dele. Nada mais.
Mas Angra jamais é apenas alguma coisa.
A jaula sobre rodas chacoalha, o giro constante das rodas dá lugar ao clomp-clomp do terreno rochoso. Passamos por uma ponte, uma das muitas que ligam as planícies Rania a Primavera sobre o rio Feni. A característica estreita da ponte me diz que não estamos mais com a multidão do exército de Primavera. Devemos ter nos separado para chegar a Abril, a capital de Primavera, mais rapidamente.
Conforme a jaula bate na grama, do lado de Primavera do rio, a paisagem vazia das planícies Rania muda para árvores em flor, do tipo com botões branco e rosa que lançam pétalas flutuando pelo ar. A floresta de Primavera é linda, na verdade. Mas de uma beleza maculada, uma máscara.
Herod me cutuca nas costas com o cabo da espada de novo.
— Sente-se. Estamos quase lá.
— É mais fácil de falar do que fazer — disparo, mas depois de outra pontada do cabo da espada dele, me agito e fico em uma posição semiereta, pontinhos pretos dançam em minha visão.
Abril está na ponta noroeste de Primavera, perto de Inverno. Não há aldeias no limite próximo, nenhum sinal de vida além das imensas muralhas de pedra, a não ser o campo ocasional de plantação interrompendo a floresta de árvores eternamente em flor. Representações risivelmente pacíficas de um reino que é qualquer coisa, menos isso.
O pequeno exército de homens ao redor de minha jaula desce de uma trilha lateral para uma estrada principal ampla que corta as árvores. As muralhas de Abril se erguem diante de nós, projetando a terra que as cerca em sombras, fileiras imponentes de preto por trás de árvores rosa e branco. Depois de alguns momentos de agitação, passamos por um portão e entramos na própria cidade. Eu me atenho aos detalhes ao nosso redor, obrigando a mente a permanecer ativa, em vez de me perder no pesar que pulsa no fundo de meu estômago.
A flâmula de Angra, o sol negro em um fundo amarelo, pende de prédios de quatro e cinco andares, as estruturas altas nos envolvem em uma sombra estranha. Conforme passamos, cabeças surgem em janelas sujas, olhos espiam por portas entreabertas, mas não vejo pessoas nas ruas e não ouço os murmúrios da vida urbana. Como se estivesse há tanto calados sob o uso sufocante da magia de Angra que se esqueceram de como se vive.
Atravessamos uma ponte e os prédios parecem um pouco melhores, as janelas estão mais limpas, as paredes pintadas e inteiras. Pessoas estão presentes agora, dando risadinhas devido a mais um prisioneiro inverniano, mais uma amostra do domínio do rei delas.
O medo é uma semente que, depois de plantada, jamais para de crescer.
A voz de Sir sussurra essa frase em minha memória, mantendo o medo longe.
Um portão de ferro preto está no fim da última estrada. Soldados marcham na muralha acima dele e nos vigiam de torres, um lembrete de que Primavera é um reino forjado pela guerra. Quando passamos pelo portão, um grande campo verde se estende ao nosso redor, seguindo para um palácio de obsidiana preta. Mesmo de tão longe quanto estamos, consigo ver entalhes coloridos na pedra, gavinhas verdes de trepadeira, flores amarelo-manteiga e rosa como o pôr do sol — Primavera na escuridão. É tanto poético quanto triste o quão bem isso personifica essa terra.
O portão se fecha atrás de nós, e Herod assente para os homens, que se aproximam da jaula. Contenho um grito quando me arrastam para fora, meus ossos rangem, pontadas lancinantes de dor conforme desabo, indefesa, apoiada em dois homens. Suor seco e resquícios de vômito se agarram à minha pele, rachando conforme me movo, e alguns cortes em minha perna ardem. Mas simplesmente estou aqui, pendurada entre dois dos soldados de Angra, inteiramente à disposição deles. Indefesa e inútil e sozinha...
O pedaço de lápis-lazúli ainda está em meu bolso. Um pedaço de Inverno. Estico o corpo um pouco, encolhendo-me. Posso estar sozinha, a pedra pode não ser mágica, mas não sou fraca.
Começamos a seguir adiante e algo tilinta à direita, uma pá acertando pedra. Faz Herod se encolher tanto que viro a cabeça na direção do barulho.
Queria não tê-lo feito. Queria ter continuado olhando para a frente, deixado que minhas preocupações com Angra me puxassem para uma apatia entorpecida.
À direita, em um jardim, um grupo de guardas de Primavera monta guarda sobre uma pilha de tijolos cinza, um profundo buraco e... invernianos.
Tudo em mim desaba, frágil e sem peso. Três invernianos, com os cabelos brancos sujos de suor e lama, os rosto pálidos e magros, estão de pé afundados em terra até a cintura deles. É surpreendente que os braços ossudos consigam segurar uma pá, ainda mais cavar com uma — estão tão frágeis, tão magros, que poderiam ser confundidos com fantasmas.
Tensão interrompe o ar aos meus pulmões. Quero gritar para eles, correr até eles, lutar contra os guardas, levar o grupo para segurança. Mas não posso fazer mais do que resmungar baixinho na direção deles.
Um dos invernianos para de cavar. Ela ergue a cabeça, com o rosto empastado de lama, e quando o olhar encontra o meu do outro lado da grama, compreensão percorre o rosto dela. Um raio nas sombras de Primavera que me deixa pesada com culpa — ela não deve ser mais velha do que eu.
— Volte a trabalhar! — grita um dos guardas, e prepara um chicote. Ele se enrosca no antebraço da jovem e a puxa para a frente, mas a moça mantém o olhar em mim, com o rosto alegre e maravilhado.
— Não — sussurro, quando o guarda ergue o chicote de novo. — Pare!
Herod se coloca entre os invernianos e eu. O chicote estala, e Herod se aproxima de forma que eu só consiga ver o rosto dele.
— Continue se movendo — grunhe Herod, e empurra os soldados que me seguram. Avançamos para cima de um lance de escadas negras reluzentes quando o chicote estala com mais força e mais rápido.
— Pare! — grito, quando entramos nas sombras do palácio de Angra. — Pare com isso!
Estendo a mão para ela, para todos eles. Quando o faço, uma vontade mortal de ajudá-los toma conta de mim. Tão forte e rápida quanto o chicote da jovem, tão brilhante quanto a esperança dela. Mas os soldados me puxam para dentro do palácio, me afastando de qualquer coisa, exceto da dor.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!