21 de janeiro de 2019

Capítulo 17

PRIMAVERA ESTÁ AQUI. Em Cordell.
Noam dispara para fora do escritório, passando direto por nós, sumindo antes que qualquer um possa dizer uma palavra. Porque, se pudéssemos opinar, teríamos observado que os planos dele foram em vão. Primavera está atacando Noam, o que significa que não há acordo. Angra não apenas não concordará com entregar Inverno a ele, mas não concordará com nada.
Todos os joguetes de Noam conosco, todas as mentiras, tudo inútil, porque agora Angra o traiu. Mather estava errado também — entregar-se a Angra não teria impedido nada. Angra não vai descansar até que Inverno inteiro seja dele, completamente, até o último pedaço.
Inspiro, engolindo uma onda repentina de ansiedade, quando os soldados saem em fileira do escritório atrás de Noam. Estamos sozinhos, os invernianos de pé no corredor e o príncipe herdeiro de Cordell ainda de pé ao lado da mesa do pai.
Theron não sabia sobre o plano do pai. Ele não tinha como saber, não da forma como me olha agora, enquanto amassa a carta no punho, que se fecha devagar, o rosto dele é uma mistura de arrependimento, ódio e empatia. Dou um salto quando os dedos de Mather se movem contra os meus e percebo que o estou segurando como se ele fosse a única coisa nesse palácio que me impede de desabar em centenas de pedacinhos.
Quando peguei a mão de Mather? Depois que Sir o socou? Ainda não acredito que aconteceu de verdade. Que Mather sugeriu, pelo mais breve momento, morrer por nós.
Minha mão aperta a dele, meu peito pulsa com uma mistura de emoções. Medo pelo que Mather queria fazer; tristeza porque, por um momento, eu poderia ter perdido um de meus amigos; alívio porque Sir não concordou com a sugestão insana. Mas de todas as emoções que sinto, estou mais chocada com as que não sinto. Não há felicidade em segurar a mão dele, nenhuma das coisas que eu costumava sentir por ele. Mather é meu rei, meu amigo — meu melhor amigo — e sou uma soldada dele. Seguraria a mão de Dendera ou de Finn da mesma forma, se eles precisassem, se ameaçassem se deixar morrer por nós.
Os motivos pelos quais seguro a mão de Mather mudaram muito rápido. Mas a questão não é ele ou qualquer coisa que tenha acontecido entre nós. Isso se trata de uma soldada protegendo seu rei. A questão é Inverno. E Mather é Inverno.
Sir é o primeiro a despertar do choque. É claro que é. Ele começa a disparar ordens para todos.
— Finn, Greer, Henn, Dendera, Mather, para o arsenal. Se algum dos cordellianos causar problemas por vocês pegarem equipamentos, venham falar comigo. Alysson, fique com Meira. Nenhuma de vocês deve sair deste palácio. Príncipe Theron... — começa Sir, então percebe que não tem responsabilidade para dar ordens a Theron.
O príncipe olha para ele, com os dentes trincados.
— Para o arsenal também.
Sir se volta para Mather.
— Quero você pronto para a batalha em 15 minutos.
Mather assente, o rosto dele está determinado em uma máscara que poderia esconder uma infinidade de emoções. Medo. Ódio. Arrependimento. Tudo. Ele solta minha mão e sai correndo pelo corredor atrás de Finn, Greer, Dendera e Henn, sem olhar para mim ou me deixar saber em que está pensando. Talvez ele não esteja pensando, talvez não possa pensar depois de tudo isso.
Sir aponta para mim.
— Meira...
Faço uma careta.
— Fique no palácio... eu sei.
O maxilar dele se contrai.
— Eu ia dizer para tomar cuidado também.
Minha boca se escancara. Mas Sir já disparou pelo corredor, na direção das portas da frente, pelas quais Noam acaba de sair.
Theron coloca a carta na escrivaninha do pai.
— Eu não sabia — promete ele, quando somos apenas nós e Alysson e alguns soldados no fim do corredor.
Inspiro, surpresa com o quanto me sinto vazia. Como se o caos dos últimos segundos tivesse drenado tudo de dentro de mim.
— Não importa muito agora, não é?
Theron ergue o olhar para mim, maquinando algo por trás dos olhos. Depois de alguns passos rápidos pelo escritório, ele surge no corredor, segurando minha mão.
— Lady Alysson, pode nos acompanhar, por favor? Vou colocá-la sob os cuidados de minha guarda pessoal.
Alysson olha boquiaberta para Theron.
— Vossa Alteza... — começa ela, mas Theron já está andando, me arrastando pelo corredor. Alysson segue, mas soldados surgem pela esquina e se posicionam atrás de Theron e eu, nos separando da esposa de Sir conforme montam guarda sobre o herdeiro deles.
Theron me puxa para mais perto dele e paramos à entrada do salão de baile.
— Vamos para o arsenal? — pergunta ele. A voz de Theron está tão baixa que é bloqueada de Alysson pela muralha de soldados dele.
Ergo o olhar para Theron. Ele mantém os olhos sobre mim, uma luz estranha brilha por trás deles.
— Mas Sir... — Minha voz some quando o brilho no olhar de Theron se intensifica.
Depois de tudo que aconteceu, em meio à confusão do que está acontecendo, é um alívio tão aconchegante que sorrio de volta.
Theron sacode a cabeça.
— Quer ficar no palácio? Nós dois sabemos que não é aqui que você será mais útil.
Eu o encaro, permitindo que as palavras de Theron me percorram.
— Vai me deixar lutar?
— Depois que chegarmos ao portão, lutar ou retornar ao palácio fica a seu critério. Mas não vou impedi-la, se é o que está pensando.
— Por quê?
A boca de Theron se contrai.
— Porque estive a vida inteira à disposição de meu pai — sussurra ele. — E não vou aturar esse jogo de monarcas. Estas são nossas vidas. Não vou deixar que meu pai ou que o General Loren ou mesmo Angra continuem nos dizendo que elas não são.
O poema de Theron me vem à mente, a letra inclinada dele no pergaminho, na biblioteca. Theron repuxa o canto da boca, me avaliando de uma forma que não parece possessiva ou condescendente. Parece igual.
Calor se acumula em meu estômago quando sorrio de volta. Não é o momento para sorrisos e olhares demorados, mas não consigo impedir. Isso afasta um pouco da ansiedade de enfrentar Primavera, como se ter Theron ao meu lado me mantenha a salvo durante aquilo. Não como um protetor — como um igual. Não sou a única envolvida nisso. Não estou sozinha.
Minha mente dispara até a última vez em que alguém me ajudou assim, quando Mather fingiu um ferimento para que pudesse ser eu aquela a ir para Lynia e obter a metade do medalhão. Mather fez isso porque sabia que eu queria, mas Theron está fazendo isso porque sabe que ele iria querer.
Ergo o olhar para Theron. São tão semelhantes. E ao mesmo tempo não são.
Theron acena para os soldados atrás dele.
— Acompanhem Lady Alysson até a segurança.
— Sim, meu senhor — diz um deles, e se vira. Alysson começa a caminhar com eles, supondo que estamos em algum lugar entre os homens. Assim que ela vira as costas, Theron e eu seguimos pela direção oposta, mergulhando por uma porta até o corredor dos criados.
Sei o que preciso fazer para provar que posso ser útil tanto como futura rainha cordelliana e como eu mesma — lutar nessa batalha. Proteger essa cidade e os invernianos. Sir odiará.
A essa altura, já não me importo.


Esperamos que Mather, Greer, Henn, Finn e Dendera peguem o equipamento deles e saiam antes de entrarmos no arsenal. Mas, pelo visto, Cordell não tem uma armadura adequada à minha pequena estatura, então, depois de uma camada sobressalente de enchimento, marcho ao lado de Theron para fora do arsenal com uma das lindas bestas de metal presa às costas. Poucos soldados de Cordell usam a arma outoniana, e eu me destacaria entre os regimentos do exército. Quanto mais tempo passar sem que Sir me note, melhor.
— Você parece pronta para a batalha.
Não me viro quando Mather caminha ao nosso lado. Ele está usando uma armadura igual à de Theron — completa, desde a proteção peitoral até as grevas, malha de ferro tilintando sob tudo. E Mather tem tantas armas quanto Theron também, uma espada e facas e até mesmo um machado preso às costas, e o ferimento na bochecha agora está de um vermelho-arroxeado intenso.
Mather me olha, mas me recuso a olhar para ele.
— Você jamais ouviu William, não é? Não quando éramos crianças, e não agora.
Não respondo, mesmo ao perceber que Theron está a minha esquerda, Mather à direita. Ambos estão tão inquietos quanto eu fico antes de atirar o chakram pelo ar, e lançam olhares afiados como facas um para o outro.
Lidaremos com isso depois. Só espero que depois não seja depois que Bithai tenha sido saqueada por Primavera e nós estejamos rastejando em meio a escombros.
Quanto mais perto chegamos da entrada principal de Bithai, mais as coisas ficam caóticas. Soldados correm na direção do portão enquanto cidadãos fogem dele, arrastando carroças ou animais de pasto carregados com quaisquer que sejam os bens que consigam. Residentes das cidades externas de Bithai que vieram se abrigar nas muralhas de pedra da cidade.
— Há uma torre ao lado do portão. Meu pai estará lá, junto com seu general — diz Theron. Ele olha para Mather como se estivesse tentando decidir o que mais acrescentar.
Mather assente.
— Quantos homens tem na cidade?
— Cinco mil. Nem perto do total de nosso exército, mas o suficiente.
— Condutor?
Theron sorri, deixando passar um pingo de orgulho.
— Meu pai pode ser conhecido por direcionar a magia do condutor dele para a oportunidade, mas também dá muito do poder para a defesa quando necessário. Acho que você ficará satisfeito, Rei Mather.
O sorriso de Theron não consegue arrancar um de Mather. Ele encara Theron, sem vê-lo, e assente.
— Espero, pelo bem de Bithai, que você esteja certo.
Se as ruas que dão no portão de entrada estão cheias, o portão em si está caótico. Cidadãos chegam em massa das terras adiante, gado muge, bebês choram. Alguns soldados tentam impor algum tipo de ordem, mas a impressão geral na área é entrar o mais rápido possível, de qualquer forma possível.
A torre que Theron mencionou se ergue à nossa esquerda, espiralando alta, além da muralha, para dar àqueles dentro dela uma vista do sul. Alguns capitães permanecem em torno da porta conforme nos aproximamos, os gritos abafados do líder destemido deles faz com que até o ar pareça nervoso.
Capitão Dominick é um dos poucos à porta. Os cabelos pretos dele oscilam em mechas suadas, e quando se vira para nós, o rosto tenso relaxa quase imperceptivelmente.
— Meu príncipe, um mensageiro relatou que a velocidade atual de Primavera os colocará em nosso portão no fim da tarde.
— Obrigado, capitão — diz Theron. Ele olha para Mather, um olhar ríspido e desafiador. — Vamos?
Finalmente, finalmente, Mather permite que a boca se incline em um leve sorriso.
— Seu reino, você primeiro.
Theron inclina a cabeça e dispara para a torre, a armadura retinindo conforme ele sobe a escada espiralada. Mather começa a seguir, então vou atrás, quase me chocando contra ele, quando Mather para subitamente.
— Não pode vir assim — dispara ele para mim.
Meu lábio se contorce em confusão. Estava preparada para me esconder em algum lugar da torre para evitar Sir e Mather me deve ao menos o silêncio dele, não?
— Se me mandar para o palácio, simplesmente vou sair às escondidas e você não saberá onde estou, nem conseguirá me vigiar. Confie em mim, esta opção é melhor para todos.
Mather ergue uma sobrancelha.
— Eu sei.
— O quê?
Ele suspira e acena para um soldado que corre.
— Seu capacete, por favor.
O homem tira o capacete. Mather o pega com uma das mãos e prende minha trança em um nó na altura da nuca, para colocar o capacete em minha cabeça. O visor ainda está levantado e sinto como se estivesse olhando para Mather, enevoado e distante, por um túnel, lembranças se sobrepõem ao momento como todas aquelas vezes em que treinei luta com ele. Todas aquelas lutas de treino quando éramos apenas nós dois, duas crianças fingindo ser soldados. Ou dois soldados fingindo ser crianças.
— Não fale — diz Mather. — Não chame atenção nenhuma para si. Se William perceber que é você, está por conta própria.
— Nada com que eu não tenha lidado antes.
Isso faz com que Mather pare, uma das mãos em cada lado do capacete. Acho que talvez ele queira dizer outra coisa, mas apenas abaixa o visor com os polegares.
— Quando começar, fique perto de mim ou, prometo, Meira, vou pessoalmente marchar com você de volta para Bithai.
Assinto, o fundo oco do capacete oscila para trás e para a frente. Tem cheiro de suor e ferro velho ali dentro. Ferro que provavelmente foi minerado nas montanhas Klaryn, o que me faz sentir um pouco mais em casa.
Mather some dentro da torre sem dizer mais uma palavra. Espero que meu disfarce seja convincente o bastante, que a ameaça da proximidade de Primavera distraia o bastante, que Sir não repare no jovem soldado um pouco magro na sala. Não tenho certeza do que mais temo: a ira de Sir ou de Angra.
Semicerro os olhos pelas fendas estreitas do visor do capacete e sigo Mather escada acima.
Sete andares depois, Noam vocifera contra nós pela porta aberta. O grande quarto circular é o mais alto da torre, permitindo vistas de todas as direções das terras além de Bithai. Generais de alta patente estão por toda parte, inclinados sobre mapas ou tentando, sem sucesso, desviar o olhar do rei aos berros.
Saliva dispara da boca de Noam, os braços dele gesticulam, o corpo coberto com a armadura caminha nervosamente de um lado para outro. O condutor de Noam está em um cinto de metal no quadril do rei, no lugar de honra de sempre.
— Desgraçado, William. Desgraçado você e todos do seu séquito de cabelos brancos. Eu sabia que jamais deveria ter permitido que cruzassem minhas fronteiras, ainda mais ter sacrificado meu filho em tudo isso. Malditos reinos Estação. Bárbaros inúteis que se recusam a se render a forças mais fortes...
Eu me recosto à parede ao lado de dois guardas. Eles assentem para mim como se eu devesse estar ali. Até então, tudo bem.
— Seu tipo é irracional demais para negociar — continua Noam. — Eu devia ter percebido antes. Mas não, tentei dar a você misericórdia, rebaixei meu reino ao me unir a um reino Estação, e é assim que sou recompensado? Agora Angra marcha contra mim! Me dê um bom motivo pelo qual eu não deveria entregar todos vocês para Primavera agora mesmo.
O escândalo que dei horas antes parece nada em comparação com a forma com que Noam perambula, insultando e tagarelando o raciocínio dele. Noam realmente acredita que estava nos fazendo um favor? Ele acha que deveríamos ser gratos a ele. Que nada que fez causou isso, como se não tivesse sido ele mesmo quem tentou negociar com a Sombra das Estações.
Sir não reage a nada disso, ele se recosta contra a parede mais afastada e massageia a pele logo acima do nariz. Ele jamais se rebaixou para responder a gritos ou ameaças — não que eu tenha experiência própria com isso.
Theron interrompe, já cansado, embora a batalha real esteja a horas de acontecer.
— Pai, pare...
Noam se vira para ele como se tivesse esquecido que o filho poderia estar presente.
— Sim! É claro, filho. Rompa. Rompa agora. Basta de Inverno. O noivado está dissolvido.
— Não — murmura Theron, um ruído grave que faz com que todos na sala fiquem atentos.
Noam franze a testa para ele.
— O quê?
— Não — repete Theron. — Quis dizer, pare de parecer ridículo, pai.
Sir ergue a cabeça, a mão ainda erguida distraidamente diante do corpo, os olhos arregalados com um interesse chocado.
Noam recua.
— Não me diga que você... Primavera está vindo... eles fizeram isso, eles os trouxeram para cá...
— Não, você os trouxe para cá. Quando escreveu aquela carta, contou a Angra exatamente onde estavam. O que achou que aconteceria? — Enquanto Theron grita, loucura lampeja nos olhos dele, algo que desperta depois de anos observando o pai em silêncio. Os homens ao redor dele encaram, espantados, obviamente em choque ao verem o príncipe gritar com o rei deles. — Que Angra se curvaria a você? Que ele negociaria e faria a troca e agiria de forma justa? Angra quer matá-los. Ele não vai parar por nada até conseguir o que quer, e negociar jamais funcionou com ele. Acha que Inverno não tentou negociar antes de cair? Acha que Outono não tentou fazer um acordo com Angra desde que Primavera se voltou contra eles? Saberia o quanto ele é vingativo se tivesse se incomodado em ir para Outono.
Franzo a testa. Noam jamais sequer foi a Outono, o lar da irmã e da sobrinha dele, o lugar para o qual manda milhares de homens para lutar?
— Não pode falar comigo assim. — Noam ergue a mão para silenciar o filho, mas Theron a afasta.
— Eu posso. Você já desperdiçou tempo demais. Nossos homens precisam de um líder agora, alguém para dizer a eles como sobreviver ao exército que se aproxima, não um idiota tagarela. Seu grande plano falhou, pai. Admita.
A boca de Noam se escancara. A minha também. Todas as bocas na sala se escancaram.
Pela luz trêmula nos olhos de Theron, até a forma como as mãos dele tremem levemente na lateral do corpo, ele parece perceber o quanto ultrapassou os limites.
— Precisa fazer isso. — A voz de Theron se abaixa até virar um sussurro. — Tomaria essa adaga de você agora mesmo se pudesse, mas você ainda é o mais velho herdeiro vivo de Cordell. Então aja de acordo.
Noam parece um cão encurralado, perdido e selvagem, desesperado por uma saída. Depois de longos minutos, ele relaxa, endireita os ombros e encara o filho.
— Você dará um bom rei. Um dia. — Noam acrescenta o final como uma ameaça.
Theron faz uma reverência com a cabeça.
Noam se vira para o general mais próximo e leva a mão à adaga.
— Seu regimento será nosso flanco esquerdo. Prepare-os. E você... flanco direito.
Ele dispara comandos como se nada tivesse acontecido. Como se propositalmente tivesse armado aquele pequeno chilique como um esquisito ritual pré-batalha.
Os ombros de Theron se curvam quando o pai dele se vira, mas Sir se coloca ao lado do príncipe e murmura algo que faz Theron se aprumar.
Mather também opina.
— Aquilo foi corajoso.
Theron passa a mão pelo rosto. Ele parece exausto, como se pudesse desabar e dormir por uma semana. Mas há outra coisa nos olhos dele agora, algo rugindo sob a superfície.
— E não deveria ter sido necessário. — Theron se vira para Sir. — Sinto muito. Por tudo. Cordell é muito melhor do que... — Os olhos dele se voltam para Noam. — Peço desculpas, Rei Mather. General Loren.
Sir gesticula para indicar que está tudo bem. Atrás deles, Noam aponta para o campo além da torre e grita uma ordem para um dos generais.
— Concordo com uma coisa que ele disse — observa Sir. — Você dará um bom rei, Príncipe Theron.
Elogios de Sir e Mather em um intervalo de cinco minutos. Se fosse eu, desmaiaria de gratidão, mas Theron apenas encara o piso de pedra.
Sir também se enterra nele. Jamais entenderei os homens.
— Nesse momento, Mather e eu somos necessários ao lado de nosso povo.
Theron assente.
— É claro.
Sir dispara escada abaixo, Mather um segundo atrás dele. Quando Mather passa por mim, ele me encara e diz, sem emitir som, “Tente ficar aqui”.
É um dos lugares mais seguros para estar. A não ser que os canhões de Angra derrubem a torre e, nesse caso, será uma queda longa e lenta até o chão.
Engulo em seco e fico de pé um pouco mais ereta. Noam está ocupado canalizando poder para diversos regimentos, direcionando a magia do condutor sobre homens aqui, oficiais ali. O zumbido da torre mudou drasticamente, não está mais fervilhando com preocupação e ansiedade. Incrível o que um líder calmo pode fazer com um grupo de homens.
Mas não é apenas a magia de Noam que os acalma. Theron se move pela sala, conversando com cada general, enviando alguns para que preparem os soldados deles. A serenidade do príncipe tranquiliza os homens ao ponto da submissão, enquanto o rei usa força bruta. A firmeza de Theron, a determinação dele, me lembra alguém.
Ele me lembra Sir. Têm a mesma certeza solene quando diante de situações de vida ou morte. A mesma postura de rocha no oceano.
Na metade da sala, Theron olha para mim. Será que reconhece a armadura cheia de enchimento que me ajudou a vestir?
Um momento se passa e um breve sorriso se forma nos lábios dele — não grande o suficiente para levantar suspeitas, apenas um pequeno sinal que diz Estou cuidando de você também.
Sorrio de volta, embora Theron não consiga ver.

Um comentário:

  1. Eu amo um Theron! Que homem! Mas que belo, formoso e corajoso homem! Onde compro um desses? KKKK

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Boa leitura, E SEM SPOILER!