21 de janeiro de 2019

Capítulo 16

CONFORME DISPARO PARA fora da biblioteca, pelo corredor, Theron se afasta da parede ao lado da porta e passa para meu lado.
— Você não me contou que já estavam planejando nosso casamento — resmungo, conforme marcho, seguindo para o salão de baile e, dali, para o escritório de Noam. — Acho que deveria ter percebido que não teríamos muito tempo para nos conhecermos.
Theron me acompanha. Ele olha para trás e sigo o olhar, meus olhos se fixam no bando de refugiados invernianos atrás de nós. Sir está à frente, e quando olho para trás, a expressão dele fica sombria.
— Meira, pare! — grita Sir. Mather segura o braço dele e diz algo que evita que a procissão me siga. Uma onda de gratidão percorre meu corpo por meio segundo antes de eu disparar por uma esquina e eles ficarem para trás.
— Desculpe — diz Theron, quando somos apenas nós correndo pelo corredor. — Não queria contar até ter a chance de convencer meu pai a atrasar. — Ele vira em uma esquina atrás de mim e quase se choca contra uma criada que carrega uma bandeja de vasos. A criada grita, ambos disparam em direções opostas e, milagrosamente, nada cai quando Theron continua pelo corredor, ao meu lado.
— Por que ele acha que pode puxar as cordas e nos fazer dançar assim? — resmungo.
Theron não diz nada.
Quando chegamos ao salão de baile, desço as escadas mais rápido. Na metade do andar, Theron percebe aonde vou e se coloca diante de mim, andando de costas, porque eu não paro.
— Meira, isso não vai consertar nada...
— Não me importo.
— Falei com ele todos os dias desde que anunciou o noivado; se não consigo fazer com que mude de ideia...
Trinco os dentes.
— Não. Me. Importo.
Theron para de andar e desvio dele. Não penso; não faço nada quando o escritório de Noam surge diante de mim. Só sei, quando bato com o punho na porta fechada, que estou tão, tão cansada disso. Tão cansada de Noam e de Herod e de Sir e de Angra e desses homens arrogantes e manipuladores que detêm todas as rédeas e se recusam a abrir mão delas. A vida poderia ser tão fácil se eles simplesmente deixassem para lá, se apenas me deixassem para lá, porque estou tão cansada disso...
Bato o punho na porta de novo.
— Noam! — grito.
Nenhuma resposta.
Tento a maçaneta. Destrancada. Rei idiota.
— Meira, espere...
Sir finalmente me alcançou, assim como todos atrás deles, todos encarando como se eu fosse um animal que fugiu da coleção de Bithai. Sir dá um passo adiante e solto um grunhido. Talvez eu seja um animal desgarrado e talvez eles devessem me olhar com aquela chama de medo. É isso que eu sou, não? A órfã indomada, inútil e imprevisível. Não quero odiá-los tanto. Não quero culpá-los por isso. Mas culpo, e esse ódio e a culpa fazem meu peito queimar até que eu ache que possa me incinerar de dentro para fora.
— Parabéns a todos — anuncio, quando abro a porta do escritório de Noam. — Finalmente destruíram Meira, a garota soldada maluca e órfã. Ela perdeu a cabeça, tudo graças à menção de arranjos de flores.
Dendera choraminga, mas eu a deixo para trás quando entro no escritório. Noam não está ali. Ninguém está. Uma mesa está diretamente diante da porta, com estantes altas de madeira por toda parte, imitando a aura escura e aconchegante da entrada logo atrás de mim. Papéis e penas e frascos de nanquim entulham o topo da mesa, livros estão empilhados sobre outros livros e um livro contábil está aberto sobre um apoio.
— Ele não está aqui, Meira — diz Sir, atrás de mim. — Deixe isso...
Ele coloca a mão em meu braço, alcançando-me além da soleira da porta.
Não ouse me tocar.
Rosno para Sir.
— Não pode me dar ordens. Não é meu pai, Sir.
Bato a porta na cara de Sir antes que ele responda. Antes que qualquer um responda. Antes que percebam que tranquei a porta e me barriquei no escritório de Noam, e meu pequeno escândalo acaba de passar de pequeno para muito, muito grande.
— Meira! — grita Sir, do outro lado da porta. Ele bate o punho contra a porta e agita a maçaneta e bate de ovo. — Abra esta porta agora! Tem alguma ideia das consequências de invadir o escritório do Rei de Cordell...
Alysson e Dendera começam a gritar também. Juro que ouço Finn, Henn e Greer darem risadas, mas poderia estar apenas imaginando em meu estado delirante do escândalo.
Sento na cadeira de Noam. O que estou fazendo? Conheço as consequências de invadir o escritório do Rei de Cordell e me trancar aqui, porque se ele descobrir — quando ele descobrir — tenho quase certeza de que meu tempo em Cordell será passado na prisão, nada menos. Não que Noam nos esteja ajudando agora.
Ou está?
Pego o livro contábil do suporte e folheio, procurando alguma pista de que ele possa estar, de fato, no ajudando, mas as únicas entradas são cálculos de colheitas e montantes de comércio. Coloco o livro de volta no apoio e olho por cima da pilha mais próxima de papéis. Correspondência com um duque em Ventralli, reclamações de uma fazenda no entorno de Bithai que foi alagada. Afasto tudo e começo a abrir gavetas.
Penas sobressalentes e papéis em branco e...
A gaveta do topo à esquerda está trancada.
Puxo de novo. Ela não cede. Pego um abridor de cartas da mesa e arrombo a fechadura no momento em que uma nova voz se junta à balbúrdia do lado de fora.
Noam.
— Ela o quê? — berra ele. — Ela é sua responsabilidade, William; sua responsabilidade. Dou abrigo e ajuda a você e permito que ande livremente por meu palácio, e é assim que Inverno me paga? Pelas folhas douradas de Cordell, eu juro que vou...
Abro a gaveta e vejo papéis, muitos papéis, e pego o primeiro. Cálculos de ferro? O seguinte parece semelhante, mas mostra estimativas de pedras preciosas. Outro é um mapa de... minas? As minas de Inverno, dezenas de linhas percorrendo as montanhas Klaryn. Então...
Uma carta.
Cada pingo de frustração, o escândalo que acabo de fazer, fluem para fora de mim. Tudo que resta é a pulsação calma da percepção, as batidas monótonas e vazias que ecoam por meu peito com cada palavra em cada página da carta.

Cópia: Original Enviado no Primeiro Mês do Verdadeiro Outono.

Ao Rei do Reino de Primavera,
Cordell agora se uniu a Inverno sob a promessa de matrimônio. Meu filho e herdeiro, Príncipe Theron Haskar, tomará como esposa uma refugiada sobrevivente de Inverno. Pela presente, afirmo a posse de Cordell sobre Inverno e todas as posses do reino que agora estão sob domínio de Primavera por meio de um contrato de propriedade pelo casamento, vinculante e inalienável.
Devido à nova autoridade de Cordell sobre Inverno, também estou preparado a oferecer a Primavera o herdeiro de Inverno, Mather Dynam, como prova de boa-fé de que Inverno está completamente sob influência cordelliana.

Estou tremendo tanto que não consigo ver mais as palavras na carta.
Noam nos traiu. Ele vai nos vender — não, não nós. Mather. Vai vender Mather a Angra para que Angra deixe que Noam controle nossas... posses. Para que Noam possa tomar as riquezas de nossas minas e estripar nosso reino até que a magia escorra para fora. Para que Noam obtenha o que quer, porque ele sempre consegue o quer — não está nos ajudando, está usando nossa conexão para começar a destruir as montanhas Klaryn.
Eu sabia que ele estava nos usando... mas não tão cruelmente assim.
A porta do escritório se abre, chocando-se contra a parede e derrubando livros de prateleiras. Noam me olha com ódio, o rosto tão vermelho que parece roxo, uma das mãos na porta e a outra no batente.
— Isso está além do inaceitável... — começa ele, então os olhos recaem sobre a gaveta aberta, a carta em minha mão, as outras em meu colo. A expressão de Noam fica ainda mais sombria e ele percorre o espaço entre a porta e a escrivaninha com um passo imenso.
Não consigo formar palavras devido ao choque quando a mão de Noam recua. Os dedos dele se fecham em punho, tudo no corpo de Noam se transforma em músculos e força e a adaga no cinto pulsa em roxo, brilhando, quando o punho de Noam desce pelo ar na minha direção...
— Pare! — grita Theron.
A cor se esvai, braços e pernas fraquejam. Noam está pressionado contra uma estante de livros, Mather o segura ali pelo colarinho, Theron está logo atrás de Mather. Ambos olham para o Rei de Cordell com ódio, como se nenhum dos dois tivesse objeções a que o outro o desmembrasse.
— Às armas! — grita um soldado do lado de fora do escritório, e o tilintar de metal preenche o ar, espadas sacadas e facas desembainhadas. O restante dos invernianos e cinco soldados cordellianos entram no escritório com armas em punho.
Theron vira para os homens dele.
— Alto!
Noam grunhe contra os punhos de Mather, que pressionam o pescoço dele.
— Garoto ingrato! Sou seu pai!
— Você é um covarde — sussurra Theron, tão grave e tão baixo que mal ouço por cima do ruído em meus ouvidos. Ele se vira para mim, com as sobrancelhas franzidas. — Meira, por que... — Mas Theron não termina, apenas me encara, calmo e assustado e esperando.
Noam nos traiu.
— Meira — resmunga Sir. Ele empurra os soldados cordellianos para se colocar diante de mim, com os braços trêmulos, os olhos semicerrados para segurar o ódio dentro de si.
— O que você fez? — sussurra Sir.
Fervilho de ódio ao ouvir as palavras.
— O que eu fiz? — digo, ofegante. — O que eu fiz foi ignorar suas ações irritantes, arrogantes e controladoras por um momento de felicidade, e descobri o plano de Noam contra nós.
Meu corpo fica frio quando percebo que se fosse do jeito de Sir, eu estaria escolhendo estampas de vestido ou assistindo a outra aula de etiqueta, e não segurando uma carta incriminadora. Não colocando um fim nessa farsa.
Eu seria quem ele quer que eu seja, e aquela garota fraca e inocente jamais teria encontrado isso.
Eu me levanto da cadeira de Noam e atiro a carta contra Sir.
— Não estou arrependida.
Mather olha de volta para mim, então para a carta. O ódio dele se torna confusão e Mather solta as mãos do colarinho de Noam. Noam se desvencilha, alisa a camisa, mas não revida, um sorriso de satisfação recai sobre o rosto dele quando Mather se junta a Sir na leitura da carta. Todo mundo espera, os soldados cordellianos ainda armados e prontos para nos matar, caso Noam dê a ordem.
Observo Sir entender. Observo a frustração contra mim desaparecer sob a pontada dolorosa de saber que ele fracassou, nós fracassamos, Noam falhou conosco. Cordell era nossa única esperança e aqui está a prova de que somos, sempre seremos, escravos predados por outros reinos.
Sir entrega a carta a Mather e se vira para Noam. Ele não diz nada, apenas encara aquele grande rei que deveria nos ajudar. O silêncio no cômodo parece opressivo quando Mather entrega a carta a Finn, e logo os demais se aglomeram ao redor dela, lendo e arfando, os músculos se contraindo de ódio.
Noam ajeita os ombros.
— Um ano depois de Inverno cair, Yakim mandou um regimento para seu reino. Tentou tomá-lo da Sombra das Estações à força e Ventralli tentou o mesmo. Sabiam disso? Nenhum dos reinos deixou ir a público. Ficaram envergonhados, porque os fracassos foram idênticos, Angra os massacrou. Até o último homem. O clima inverniano era severo demais, e porque Ventralli e Yakim estavam com os condutores tão longe, nos respectivos países, Angra tinha a vantagem, pois o reino dele era adjacente a Inverno e o condutor estava perto. Depois de observar meus irmãos Ritmo morrerem tão espetacularmente, me decidi por uma abordagem menos agressiva.
Os ombros de Mather se erguem e caem a cada fôlego, ele está com as mãos fechadas em punhos. Mas os olhos parecem derrotados, distantes, assim como os de Sir e de Alysson e dos demais refugiados, derrotados e perdidos e incapazes de falar em meio ao estresse de tudo isso.
E Theron está de pé diante do pai. A carta está nas mãos dele agora, Theron tem o rosto pálido conforme o olhar dele passa das palavras para Noam. Como se não conseguisse decifrar o significado ou não quisesse.
— Eu forjaria uma conexão inegável com Inverno — continua Noam. — Uma que Primavera não pudesse ignorar. Uma que os outros reinos de Primoria não pudessem contestar. Esperei 14 anos para que você voltasse rastejando para Bithai e aceitasse minha oferta, William. Assim que esse seu menino-rei surgiu à minha porta, mandei a carta para Angra para suavizar qualquer obstáculo que Cordell possa enfrentar em nosso caminho na tomada de Inverno, e para começar a fazer uma ponte entre Primavera e Cordell, para que, caso nem Outono nem Inverno revelem uma entrada para o abismo de magia, Primavera nos deixe entrar no reino deles também. — Noam sorri, tão completamente poderoso. — Era de se pensar que massacrar Hannah teria satisfeito a sede de sangue de Angra, mas os reinos Estação jamais foram outra coisa que não bárbaros. E o barbarismo é simples demais de prever.
Quando Mather faz menção de se mover, passo meu corpo para a frente dele e o seguro no lugar, com as mãos nos pulsos dele, a cabeça inclinada na direção de seu peito. Grunhidos baixos soam da garganta dele, mas Mather não tenta revidar.
— Agora que todo esse negócio sujo foi revelado — Noam coloca as mãos em minhas costas —, não temos um casamento para planejar?
Emito um rosnado e me viro para ele, mantendo o corpo entre Mather e Noam.
— Por que concordaríamos com isso agora? — grito. — Não temos mais nada a perder!
O sorriso de Noam não hesita, mas os olhos dele passam de satisfeitos a ameaçadores quando alguns músculos na testa do rei estremecem.
— Há somente oito de vocês, Lady Meira. E estão em meu domínio. Pode se casar com meu filho voluntariamente ou à força. Não esperei esse tempo todo e trabalhei tanto para não controlar Inverno e só precisa parecer oficial, caso vocês escolham se tornar prisioneiros de Bithai; depois, fica totalmente a seu critério.
Não sei dizer se estou segurando Mather ou se ele está me segurando. Não consigo sentir mais nada no cômodo, não sei o que Sir está fazendo ou se é Alysson que está chorando, ou qualquer outra coisa além do riso de deboche horrível de Noam, e me arrependo pela enésima vez nessa manhã de ter deixado o chakram no quarto.
— Mas estou divagando. — Noam gesticula com a mão como se estivesse enxotando um inseto pela janela. — Darei um momento para que se recomponham, mas, então, Lady Meira, acredito que tenha aulas a assistir, e Rei Mather e General William têm reuniões, não têm? Os duques das províncias da costa de Cordell estão muito ansiosos por conhecer nosso novo aliado.
Noam continua tagarelando sobre o que precisamos fazer, sobre reuniões armadas para fazer com que tudo pareça real. Como se ele soubesse que aceitaremos esse destino e o pior é que... aceitaremos. Conforme Sir nos arrebanha pela porta, vejo nos olhos dele. A mesma derrota que vi quando o confrontei pela primeira vez sobre o acordo do casamento. Todos esses anos lutando, todos esses anos mal sobrevivendo aos ataques de Angra, e ele desiste porque um rei arrogante destruiu nossas vidas?
A porta do escritório bate atrás de nós, separando os refugiados invernianos dos homens de Noam. Theron ficou dentro do escritório e percebo que talvez devesse me preocupar com ele, mas só sinto um vazio retumbante quando encaro os demais e vejo que o mesmo choque os deixa imóveis.
Sacudo a cabeça com incredulidade.
— Angra vem atrás de nós, não vem?
Minha pergunta faz o véu de choque parecer mais pesado, e ninguém sequer respira em concordância. Ninguém exceto Mather, que endireita mais os ombros, e quando o encaro, seu olhar é da emoção mais assustadora que ele jamais exibiu. Um misto violento de medo e derrota e um sorriso lento que é negado pelas lágrimas nos olhos.
— Não atrás de nós — corrige Mather. — Atrás de mim.
Sir resmunga.
— Mather...
Mas Mather dá um passo para trás e minhas mãos se estendem na direção dele como se eu já soubesse o que ele vai dizer, como se as palavras dele fossem um terremoto e meu corpo chacoalhasse com os tremores.
— Se é esse o desfecho — começa Mather —, se é esse o destino que Noam escolheu para nós, não vou deixar que todos vocês morram na batalha. Cansei de colocar todos em risco por uma causa sobre a qual só temos palpites. Cansei de ser um peão.
Os olhos de Mather encontram os meus e meu coração fica pesado.
— Vou cumprir o acordo de Noam — diz ele. — Vou me certificar de que Angra não dê a mínima para o restante de vocês, e finalmente poderão libertar os invernianos. Não precisamos de magia, não se puderem conseguir que Noam derrote Angra. Não se...
— Mather! — O nome dele sai de minha garganta como um lamento que me arranha, me fere. — Noam não vai nos ajudar, não importa o acordo que cumprirmos...
— Então eu não deveria ao menos tentar? Se Angra deixar de procurar você, imagine o bem que poderia fazer! Todas as atribulações, toda essa dor, por... por quê? Magia que pode ou não voltar? Magia que não podemos sequer usar, mesmo se a conseguirmos de volta? Não, para mim basta. Para mim...
O punho de Sir surge do nada, uma rocha sólida e branca que se choca contra a bochecha de Mather. Mather se encolhe no chão, o corpo dobrado sobre mãos e joelhos, enquanto o restante de nós permanece boquiaberto, encarando e arquejando com o fôlego entrecortado. Sir socou Mather. Não consigo sentir nada além de choque, incredulidade, meus olhos não conseguem dizer a minha mente o que viram.
Borrões vermelhos cruéis tingem o rosto de Sir enquanto ele se abaixa e puxa a cabeça de Mather para trás para que possa sibilar ao rosto dele.
— Você é o Rei de Inverno, não é um covarde — murmura Sir, e a angústia que sai com a voz dele desperta a mesma emoção em meu corpo. — A única vez em que algum dia enfrentará Angra será para enterrar uma espada no peito dele, e se eu ouvir você falar assim de novo, lhe ensinarei o verdadeiro significado da palavra sacrifício. Nós daremos um jeito e não envolverá você se entregar a Angra.
Mather encara Sir boquiaberto, simplesmente tão chocado quanto o restante de nós. A maior parte do que Sir diz está certa, exceto por uma coisa. Mather não sugeriu cumprir o acordo de Noam porque é um covarde, sugeriu porque é nosso rei, porque está cansado de nossas vidas serem dessa forma, porque viu uma forma de acabar com tudo isso.
Sir segura o braço de Mather e o coloca de pé. Mather leva a mão ao rosto, cobrindo o hematoma que já está roxo, e olha para Sir com a expressão cautelosa de alguém que se arrepende do que acabou de fazer.
Abro a boca para interceder, quando um soldado cordelliano irrompe pelas portas no fim do corredor, aquelas que dão para fora do palácio. Ele mal nos olha, quando dispara até a porta do escritório de Noam, escancara-a e cai de joelhos do lado de dentro. Noam, Theron e os soldados do lado de dentro se viram para a porta aberta, o rosto de Noam está contraído de ódio.
— Meu rei — dispara o soldado, ofegante. — Trago notícias sombrias. É Primavera. Eles...
Noam caminha pesadamente adiante.
— O que foi, homem? Um mensageiro? A porcaria do rei não...
— Não, meu rei — interrompe o soldado. — Um batalhão de Primavera cruzou nossa fronteira ao sul há uma hora, eles queimaram três fazendas e se recusam a negociar. Estão marchando até nós, meu rei. Os homens de Angra estão marchando para Bithai.

4 comentários:

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Boa leitura, E SEM SPOILER!