21 de janeiro de 2019

Capítulo 13

METADE DO CELEIRO é feita de estábulos, com cavalos colocando as cabeças curiosas para fora das baias, enquanto a outra metade é um cômodo amplo, cheio de mesas de carvalho e armários e estantes de armas de ferro enferrujadas. As portas abertas do celeiro deixam o lugar arejado e frio, enquanto a pouca palha espalhada pelo piso de pedra confere uma sensação caracteristicamente masculina.
Mather entra no cômodo determinado, mas para quando chega à parede direita e indica algo com o queixo.
— Achei que talvez quando Inverno tiver um lugar assim... — A voz de Mather falha, os olhos dele perdem um pouco da irritação de momentos antes.
Paro ao lado dele e imito sua pose de braços cruzados. Um mapa cobre a parede. Detalhado e praticamente do nosso tamanho, mostra cada parte de Primoria, desde as montanhas Paisel, mais ao norte, até as montanhas Klaryn, mais ao sul. A floresta Eldridge e as planícies Rania no centro, um borrão de verde e amarelo com os rios Langstone e Feni quase cortando todo o mapa ao meio.
O que torna esse mapa único, no entanto, é o modo como os reinos são retratados: uma pequena ilustração de cada condutor real brilha no centro do limite territorial dos respectivos reinos.
Resmungo.
— Era sobre isso que queria falar? Geografia?
Mather faz que não com a cabeça, as sobrancelhas se franzem.
— Não, eu... — Ele para e passa a mão pelo rosto, buscando as palavras certas. Quando começa a falar de novo, está com raiva, as palavras saem ágeis e contidas. — Queria que visse isto. Visse tudo. Queria explicar a você, pela neve do céu, será que pode me ouvir?
Resmungo para Mather.
— Por que você merece que eu ouça?
— Não — admite Mather, e me espanto. — Porque você merece ouvir o que tenho a dizer. Você merece, Meira. Isso não tem nada a ver comigo.
Reviro os olhos, mas não faço menção de sair ou falar de novo, o que Mather entende como permissão para falar. Ele olha de volta para o mapa, os olhos permanecem em Cordell. No centro dos limites territoriais de Cordell, uma adaga reluz sob a legenda de um M, significando sangue masculino.
— O escudo de sangue feminino de Paisly — diz Mather, quase consigo mesmo, um murmúrio baixo quando os olhos dele percorrem o mapa. — A coroa de sangue masculino de Ventralli. O machado de sangue feminino de Yakim, o punho de sangue masculino de Verão, o anel de sangue feminino de Outono, o cetro de sangue masculino de Primavera e...
Ele dá um passo adiante e estica a palma da mão para repousar sobre Inverno.
Ladeado por Primavera ao leste, montanhas ao sul, Outono a oeste e o rio Feni ao norte, o medalhão de Inverno pende sobre a extensa massa de terra, o pingente em formato de coração entalhado com um único floco de neve branco no centro. O F logo acima dele é debochado. Uma representação visual de uma de nossas lutas vitalícias.
— Entre reuniões, mal tive tempo de respirar — diz Mather. — Porém, há alguns dias, vim até aqui tomar ar e vi isto. O capitão Dominick disse que colocaram este mapa aqui para lembrar aos homens do lugar de Cordell no mundo. Assim, podem erguer o rosto e sempre saberem quem são. Um pedaço no quebra-cabeça maior de Primoria.
Franzo a testa.
— Isso não parece algo que Noam encorajaria.
Os ombros de Mather ficam tensos.
— Noam não encomendou o mapa. — Ele olha para trás, com a mão na imagem do medalhão. — Foi Theron.
O modo como Mather diz o nome de Theron não possui o tom de reverência de antes. Como se esse único detalhe fosse uma mancha negra em uma linda tapeçaria.
Mather fecha os dedos no mapa, puxando a imagem do medalhão. A metade de trás do verdadeiro está ao redor do pescoço dele. Ao lado da imagem do tamanho de uma palma da mão, parece triste. Vazio.
— Noam pode gostar de fingir que Cordell é o único reino no mundo — continua ele, a voz ficando cada vez mais firme —, mas parte do que faz com que os homens dele tenham tanta paixão por Cordell é este mapa. Este lembrete de que poderiam ser Ritmo ou Estação, yakimianos, ventrallianos, veranianos – mas não são. São cordellianos. E esse fato é o que os impulsiona a lutar pela terra. — Mather sorri de uma forma triste que não é exatamente um sorriso. — Quero que Inverno tenha isso.
Ele recua do mapa e dá um passo em minha direção, mais perto, ainda mais, até que esteja a menos de um palmo de distância. Estamos sozinhos, todos os outros soldados estão no pátio de treino.
— Eu não quis isso — sussurra ele, as palavras cortam o ar entre nós. — Quero Inverno livre, mas não quero... não quero ele. Para você. Não quero que pense que você não tem valor, que este é o único lugar para você, porque não é, Meira... jamais poderia ser, não com tudo que você é.
Meu coração se agita entre costelas, ansiedade e ódio percorrem meu corpo, e não consigo encarar Mather. Apenas pare de falar. Apenas, por favor, pare de falar, seu grande e idiota...
— Não sei mais o que fazer. — O hálito de Mather sopra meu rosto. — Antes de deixarmos o acampamento, Sir me puxou para o lado e me contou o que eu faria. Me senti vazio de um modo que jamais senti. Foi a primeira vez que realmente entendi o quanto precisamos sacrificar para derrubar Angra, quanto nossas vidas não importam diante da tarefa maior adiante. Sempre achei que encontraríamos uma forma de... de superar isto. De ficarmos juntos e, juro a você — Mather pega meu queixo entre o polegar e o indicador e me puxa para que eu o encare —, juro a você, vou encontrar uma forma de consertar isto. Disse que restauraria o equilíbrio e vou.
— Não.
A palavra paira no ar. Pisco, confusa, mas sei que a diria de novo. Por quê? Quis que Mather dissesse isso a vida inteira, não quis? Por que eu sentiria outra coisa que não Sim! depois das palavras dele?
Mather semicerra os olhos para mim.
— Eu vou. Eu consigo. Não deixarei que Angra destrua ainda mais nossas vidas. Não importa o que William diga, deve haver outra forma...
— Não!
Eu me afasto de Mather, mas parte de mim se desvencilha e permanece nas mãos dele. Cada palavra dói. Elas se empilham sobre as palavras de Sir na noite anterior, se misturando em uma grande onda de confusão. E só sei que a esperança de Mather de outra solução é uma tentação provocadora e exaustiva que não posso me dar o luxo de sentir; já consigo sentir o gosto das primeiras ondas de alívio despontando nas palavras dele. Mas não há outro modo. Não há outra esperança. Sir passou 14 anos tentando encontrar outro caminho a tomar. Permitir que eu acredite que Mather pode conseguir me salvar, apenas para que ainda acabe neste jogo de casamento...
Acho que eu não sobreviveria.
— Farei isso, Mather — digo, com a voz baixa e cansada. — Por nosso reino, por nosso povo. Por você. Precisamos de Cordell. Precisamos disso.
Mather recua um pouco, como se eu o tivesse estapeado. Rubor cobre o pescoço dele, suor reluz na testa.
— Quer se casar com Theron?
Semicerro os olhos.
— O quê?
— Quer se casar com Theron — diz ele, de novo, e tudo no corpo de Mather desaba. — Você não...
Me quer.
As palavras não ditas de Mather recaem sobre mim, empurrando-me cada vez mais para baixo, até que eu pense que talvez desabe no chão coberto de palha.
— Você é um idiota — disparo, embora ouça o quanto fiz questão de não refutar a acusação. — Não tem nada a ver com isso. É sobre aliados e salvar nosso reino. Você precisa parar, nada mudou; nada está diferente entre nós. É tão impossível quanto sempre foi e é assim que tem que ser.
— Encontrarei um modo de contornar — replica Mather. Ele dá um passo em minha direção, recuo, uma dança estranha pelo celeiro. — Sempre estive determinado a encontrar uma forma. Eu disse antes de partirmos, eu disse que consertaria isso!
— Como eu saberia que era disso que estava falando? A única coisa que ouvi foi a voz de Sir martelando em minha mente que você era importante demais para ser desperdiçado comigo!
— Eu jamais me senti dessa forma! Você sempre foi tudo para mim. Não sabia como lidar com o quanto eu precisava de você quando estava crescendo, pela neve; ainda não sei, está bem? Mas estou tentando. Acha que sou tão arrogante assim? Que deixei que William me fizesse acreditar que eu era bom demais para você?
— O que mais eu deveria pensar? — Estou gritando agora, minha voz chacoalha as tábuas do celeiro. Dou um passo para trás, dois, sabendo que jamais conseguirei me afastar o bastante dele. — Você pode conseguir ver além da realidade da sua situação e imaginar outro final, mas tudo o que sempre vi, tudo o que sempre vejo é um lembrete de que nossas vidas não são nossas.
— Acha que não sei que nossas vidas não são nossas? — Mather segura a metade do medalhão em um punho. — Sou o rei, Meira!
Fecho as mãos em concha sobre as orelhas e sacudo a cabeça, bloqueando qualquer outra coisa que ele possa dizer, qualquer coisa que possa me impedir de falar.
— Nada disso importa. Não importa o que eu quero ou preciso ou o que amo, porque Sir sempre estará lá para me lembrar que Inverno precisa vir primeiro.
Mather para. O rosto dele relaxa, apenas um pequeno músculo e, apesar de estar com as mãos sobre as orelhas, ouço Mather repetir uma palavra que eu disse.
— Ama?
Não, eu não disse isso. Não sou burra a esse ponto.
Um passo me faz disparar para trás. Por trás de todos os outros ruídos, homens resmungando no pátio, o clangor de espadas e flechas sendo disparadas, não deveria ter importado, não deveria ter se sobressaído.
Theron está de pé à porta, com o corpo rígido, como se nos tivesse surpreendido rolando no chão.
— Está tudo bem?
Ergo a mão, boquiaberta. Sim. Não. Nunca esteve, jamais estará.
Theron não espera por uma resposta. Ele se vira para Mather, o brilho do suor na pele de Theron reflete a luz do sol atrás dele.
— Rei Mather. — Theron dá um passo adiante. Passos para trás. Parece que ele quer correr para o pátio de treino e começar a golpear alguém a machadadas. — Ouvi dizer que é habilidoso com uma espada?
Franzo a testa. Isso não deve ser bom.
Não é. Mather para, talvez considerando o quanto Sir ficará furioso, mas, um momento depois, ele lança um sorriso contido que me faz temer pela vida de Theron.
— Não se preocupe, Príncipe Theron. Vou pegar leve com você.
Puxo o braço de Mather, mas ele se desvencilha, sai do alcance e marcha até Theron, desviando do caminho no último segundo para passar direto pelo príncipe e seguir para o pátio de treino. Theron segue com as próprias passadas pesadas.
O pátio cai mais uma vez em um silêncio espantado quando nós três seguimos para os ringues de espadas. Mather passa por baixo da corda de um ringue e puxa uma espada de treino de uma bainha, bufando pelo perímetro como um touro cativo.
— Não pode fazer isso! — Seguro Theron apenas porque Mather já está no ringue. Theron é meu prometido, afinal de contas. Eu deveria me preocupar com ele. Preocupar mais com ele. Certo? — Não faça isso. Vocês dois são... hã... importantes.
A boca de Theron relaxa e acho que ele pode desistir. Mas uma voz ecoa, e preciso morder a língua para evitar pegar o chakram e cortar fora a cabeça de um dos soldados.
— Mostre a ele, meu príncipe! — grita o soldado, do lado oposto do ringue das espadas. — Mostre como lutamos em Cordell!
Theron fecha os olhos com um sorriso rápido, quase doloroso. Quando abre de novo, coloca a mão sobre a minha, onde estou segurando o braço dele.
— Se quer que a gente pare, pararemos.
Mais homens animam Theron agora. Gritam o nome dele — “Theron!” — tão alto e com tanta confiança que consigo ver Mather desabar diante de mim.
Era isso que Mather queria dizer. O que ele quer para nosso povo. Não apenas um poema murmurado para duas árvores ridículas ou um mapa que os lembra do lugar deles no mundo. Orgulho. Tradição. Algo como a felicidade no rosto dos soldados quando eles voltaram a Bithai de Outono, como o orgulho quando torcem agora pelo príncipe deles.
Mather anda para trás e para a frente, soltando terra das botas. Quanto mais alto torcem, mais irritado fica Mather.
— Vamos lá, Cordell! — grita ele. A voz de Mather ecoa pelos homens aos berros, elevando os gritos deles a alturas caóticas. — Mostre do que é capaz!
Olho com raiva para ele e o queixo de Mather abaixa, a intensidade dele se dissipa levemente. Mas não o suficiente. Não completamente. Ele vai fazer isso.
E Theron também. Os homens imploram para que faça. Gritam por ele, por Cordell.
— Prove nossa força, meu príncipe! Prove nosso poder e nossa coragem!
Nenhum homem pode se recusar a responder a esse chamado. E, ao observar Mather do outro lado do ringue, sentindo o quanto estamos sozinhos e somos fracos e pequenos quando cercados por pessoas que têm um reino e uma identidade...
Eu responderia a esse chamado. Por mais que fosse idiota ou egoísta ou errado, eu responderia. Perco o fôlego ao perceber isso, levo uma das mãos ao peito e inspiro porções de ar pesado com suor. Responderia ao chamado de meu reino, dos invernianos, gritando para que eu provasse meu valor a eles.
Que provasse que eles realmente vêm primeiro, sempre, não importa o quê.
Quando Theron solta minha mão e se desvencilha de mim, não digo nada. Deveria. Deveria implorar que ele desse as costas àquilo e voltasse para dentro do celeiro e ignorasse os gritos do povo dele, mas minha voz grita dentro da mente, ecoando as palavras dos cordellianos de volta para mim.
Prove seu valor, Meira! Prove seu valor para Inverno. Quer ser importante para seu reino e quer que seu reino seja importante para você?
Então prove.
Faça o que precisa. Não o que QUER. Faça o que precisa.
Prove!
Um dos homens de Theron entrega a ele uma espada de treino. Meus olhos se fixam no movimento quando Theron hesita, com os dedos agitando-se, e aceita a arma.
Assim que Theron toca o cabo, Mather mergulha. Silencioso e mortal, ele avança com o corpo em um floreio gracioso, apesar de agressivo demais, com um golpe longo da espada contra a cabeça de Theron. Theron se abaixa, rola para o lado oposto do ringue, poeira rodopia quando ele se endireita e usa a energia para golpear as pernas de Mather. O joelho esquerdo de Mather fraqueja por tempo o suficiente para que Theron consiga tração para ficar de pé — então, vira uma loucura.
É o tipo de luta com espadas sobre o qual Sir contou histórias, com dois oponentes determinados a fazer picadinho um do outro, mas ambos tão semelhantes que nenhum consegue vantagem. Theron chega antes de Mather a um dos lados do ringue; Mather chuta as pernas de Theron e o joga no chão; Theron dá uma cambalhota para trás e desvia o golpe de Mather para o lado; Mather usa esse golpe para atingir o joelho de Theron...
Os vivas dos soldados crescem a cada golpe. Nem sei para quem estão torcendo, apenas que entram em um frenesi devido a dois membros de famílias reais estarem se enfrentando. Quanto mais altos ficam os gritos, mais meu coração palpita, levado pela febre da luta de espadas e por como estou me equilibrando na ponta daquelas duas espadas que ainda me apunhalam.
Prove.
Mather cruza a espada com a de Theron e a tira do príncipe, atirando a arma à multidão. Pânico percorre meu corpo, pânico de ir longe demais, diante da insanidade ofuscante da multidão, do modo como os soldados gritam em antecipação e Mather chuta o peito de Theron. Theron cai no chão, sem fôlego, e Mather se aproxima, com a espada nas duas mãos erguida sobre a cabeça, a momentos de abrir o crânio de Theron.
Passo por baixo da corda e entro no ringue antes que consiga respirar.
— Se entregue! — grito, quando disparo para os dois. — Theron, se entregue!
Nenhum dos dois me ouve. Nenhum dos dois hesita ou respira ou vê qualquer coisa além da luta.
Eu me coloco, aos tropeços, entre os dois, com os braços estendidos para Mather enquanto as pernas passam por cima de Theron. A espada de Mather dispara pelo ar, erguendo-se mais e mais, cortando a brisa adiante da última ameaça berrada quando seguro os braços dele, a espada, qualquer coisa para evitar isso.
Então para. A área inteira congela, como se Noam tivesse enrijecido cada cordelliano com o condutor dele.
Expiro, com o corpo ainda estendido, em uma última tentativa de evitar que Mather cometa um erro bem grande, e o barulho que silenciou todos retorna.
— MATHER!
Sir. A cabeça grisalha dele aparece e some em meio aos soldados cordellianos amontoados, entremeando a multidão até chegar a nós.
— Folhas douradas — sussurra Theron do chão.
Não vejo o rosto de Mather. Não vejo muito de nada quando me viro e Theron ergue o rosto para mim, com sangue manchando o peito dele, alguns borrões preto-avermelhados com o formato da bota de espinhos de Mather.
— Médico!
É Dominick. Ele arrasta um minúsculo homem, com uma sacola transbordando de ataduras, e os dois passam por baixo da corda, imediatamente puxando a mão de Theron do peito.
Dominick se vira para os homens que ainda olham boquiabertos para o príncipe e para o rei estrangeiro de um reino Estação.
— Acabou a brincadeira. De volta ao treino agora!
Os homens saem correndo. É uma mudança tão violenta de prioridades que meu cérebro não consegue acompanhar, eu me concentro no sangue de Theron e no ódio de Mather e no eco dos gritos dos cordellianos, de minha voz na mente, gritando para que eu escolha.
Que escolha Inverno. Que sempre escolha Inverno. A Mather, a Theron, a... mim.
Uma espada cai atrás de mim, o metal tilinta com um ruído oco na terra. Viro e o mundo espirala mais ainda.
— Meira. — Mather estende as mãos, encarando-as como se ele estivesse coberto de sangue. — Não tive a intenção... Não sei o que...
O pátio de treinamento inteiro sacode quando Sir salta para o ringue de espadas. Ele caminha com vigor para a frente, pronto para avançar contra nós com as próprias ameaças. Mas os olhos de Sir recaem sobre Theron caído no chão, sobre Mather de pé sobre sua espada e sobre mim no meio de tudo.
Uma onda de fúria percorre o rosto de Sir quando ele volta o olhar para Mather. Não diz nada, apenas dá dois breves passos adiante e segura o braço de Mather, arrastando-o para fora do ringue de espadas, nenhum dos dois olha para trás. Quando eles se distanciam bastante, longe o suficiente para que eu não consiga ouvir o que dizem, Sir rosna algo que faz Mather sacudir a cabeça uma vez, duas, então gritar alguma coisa de volta.
Dedos roçam o dorso de minha mão. Theron está de pé ao meu lado, e não sorri ou assente nem faz nada que eu espero que faça; ele apenas fica ali, ao meu lado, com sangue manchando a atadura no peito. Um lembrete calmo e permanente de que não estou sozinha.
— Você está bem? — pergunto, indicando as ataduras.
Theron abaixa o olhar para o ferimento e lança um sorriso travesso para mim.
— É preciso mais do que uma bota para me impedir. — Ele toca o tecido e contrai os lábios. — Mas eu provavelmente deveria esconder. Para o caso de meu pai...
Os olhos de Theron vão até Mather e Sir, ainda em uma discussão calorosa a algumas dezenas de passos. Quando Theron olha de volta para mim, ele inspira e estica mais o corpo.
— Não há necessidade de causar mais problemas — diz Theron, e aponta para o palácio. — Gostaria de vir comigo? Vou me limpar e mostro o lugar para você, se quiser. Atividades bem menos — Theron pausa — perigosas.
Meu olhar desvia de Theron para Sir e Mather, então de volta. Será que eu deveria ficar e conversar com Sir? Deveria ir até lá tentar defender Mather?
Endireito os ombros.
— Adoraria.

3 comentários:

  1. Theron mim parece legal mas... ele da aquela sensação de que pode se tornar um Maven. Só sou eu que tenho essa sensação???

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Boa leitura, E SEM SPOILER!