26 de janeiro de 2019

Capítulo 11

Mather

O ESCRITÓRIO DE William era, de longe, o cômodo mais sombrio do palácio, com acesso por uma passarela a céu aberto. Qualquer um que passasse por ela veria o que um dia fora um jardim nos fundos do palácio, com fontes de pedras cinza cobertas de gelo, plantas mortas congeladas sob camadas de flocos gélidos, e os prédios cobertos de neve da parte sul de Jannuari. Uma linda vista, completamente de acordo com uma sala escura e sem janelas, cercada por prateleiras de livros vazias e dois candelabros tristes sobre os quais se apoiavam cotocos irregulares de vela. Uma escrivaninha cercada por três cadeiras, toda superfície livre coberta por papéis e pergaminhos. Estava igualmente bagunçado sempre que Mather ia até lá.
As outras pessoas na sala — Brennan Crewe e uma idosa chamada Deborah, que era a mestra da cidade de Jannuari antes da invasão e que retomara o papel sem qualquer objeção de ninguém —, pareciam dispostas a ficar longe dele, algo pelo qual Mather não poderia se sentir mais grato. Phil tinha conseguido mais algumas caixas de cerveja com os cordellianos, permitindo que todos que tinham evitado a comemoração de algumas noites atrás a revivessem no chalé todas as noites desde então. O que era muito divertido durante a bebedeira, mas quando a manhã chegava...
Mather pressionava o punho sobre uma veia latejante que percorria o meio de sua testa. A cerveja o deixara se sentindo como se tivesse sido arrastado para uma batalha sem armadura, os olhos lancinando de dor, o corpo inerte devido à dor de cabeça devastadora. Mather se apoiou em uma das prateleiras e encolheu o corpo para manter no estômago o pão que engolira no café da manhã. Graças ao gelo no céu que a partida de Meira tinha atrasado o treinamento habitual do exército inverniano — Mather não tinha certeza se conseguiria esconder de William mais uma manhã de ressaca.
Alysson entrou na sala, as mãos pálidas em concha em volta de uma taça. Ela foi até Mather sem qualquer das amabilidades que ele esperava, e antes que ele conseguisse dissipar a confusão da ressaca, Alysson empurrou a taça para ele.
— Beba isso — ordenou ela.
Mather semicerrou os olhos para Alysson, então para a taça nas mãos.
— Eu... O quê?
Alysson colocou a palma da mão no rosto dele, a pele estava fria na bochecha suada de Mather.
— Beba isso — disse ela, de novo, dessa vez com o tom de voz paciente e cuidadoso com o qual Mather estava acostumado. A mulher que cuidou dos ferimentos deles e lhes devolveu a saúde e os enviou em missões com aquele mesmo tapinha carinhoso na bochecha.
Odiar William era fácil. Odiar Alysson exigia mais esforço de que Mather era capaz.
Mather ergueu a taça aos lábios e entornou um gole antes de o gosto horrível o atingir. Como ovos deixados por tempo demais ao sol, como carne rançosa. Ele arquejou e dobrou o corpo, prestes a colocar para fora tudo que tinha consumido na noite anterior.
Mather teve ânsia de vômito.
— O que é isso?
Alysson apertou o ombro de Mather.
— Um remédio para sua doença. Vai acabar com sua dor de cabeça e sua náusea, mas lembre-se desse sabor delicioso caso insista em beber tanto de novo. O que não será tão cedo, não é? — O tom de voz de Alysson estava ríspido de uma forma que deixava claro que ela não aceitaria qualquer coisa que não uma concordância. Alysson deu mais um tapinha na bochecha de Mather enquanto ele permanecia com o corpo curvado diante dela, braços envolvendo a barriga, o estômago revirado como um mar revolto. — Beba, querido. Cada gota.
Mather desabou no tapete franjado com uma explosão de poeira. Ele ergueu o olhar para Alysson com os olhos entreabertos enquanto ela tirava papéis de uma cadeira para se sentar ao lado de Deborah, que sacudiu a cabeça em reprovação. Brennan, por outro lado, se apoiou nas prateleiras e conteve um sorriso, sem dúvida deliciando-se com o tormento de Mather.
Quando encarou Alysson de novo, Mather soube que aquela bebida deveria ser mais uma punição do que uma cura. Sinceramente, Mather estava surpreso por ter saído impune de quatro noites daquele comportamento — embora tivesse esperado que o castigo viesse de William.
Por sorte, a porta do escritório se abriu de novo e William entrou. Toda a atenção se voltou para ele, todos se esticaram, mas Mather apenas curvou mais o corpo em direção ao chão e bebeu da mistura repulsiva na mão. Suas bochechas se inflaram com uma ânsia de vômito incontrolável. Aquilo era terrível mesmo em pequenas quantidades.
William foi para trás da escrivaninha, puxou a cadeira restante e parou, como se não conseguisse decidir se sentava ou corria de volta para fora. Sua testa enrugada e sua palidez pesarosa, tão parecido com o William que Mather costumava conhecer.
Mather apoiou a taça no chão e ficou de pé, dando um único passo adiante no silêncio. Antes que pudesse fazer qualquer pergunta, William se virou para o grupo.
— O capitão Crewe solicitou esta reunião — começou William. — Embora eu esteja surpreso por rei Noam não ter atrasado a viagem dele para se juntar a nós.
Brennan contraiu os ombros.
— Como pode esperar, meu rei está ansioso para fortificar a mina Tadil, e já está a caminho de Gaos. Ele me deixou com instruções explícitas a serem seguidas com relação ao futuro de Inverno diante dessa tão feliz mudança.
Mather resmungou. Uma coisa de que ele não sentia falta com relação a ser rei eram manobras políticas inúteis. Como todos naquela sala sabiam exatamente o que significava a descoberta do abismo de magia — mais um nó para Inverno na arapuca de Cordell —, mas ninguém podia enfrentar Brennan sem desafiar Noam.
Brennan insistiu.
— Meu rei decidiu que não é do interesse de Inverno a esta altura da reconstrução do reino treinar um exército. Cordell continuará defendendo Inverno, e vocês concentrarão tudo em construção ou mineração, para beneficiar sua economia e estabilidade como um reino. Devem cessar os treinamentos imediatamente.
William enterrou os dedos no encosto da cadeira, o único sinal externo do ódio que sentia.
— Essa não é uma mudança com a qual podemos concordar sem aprovação de nossa rainha.
Mather quase gargalhou.
— Essa não é uma mudança com a qual podemos concordar e ponto!
Tanto Brennan quanto William olharam para ele: Brennan com divertimento e desdém; William com uma súplica nos olhos semicerrados para que Mather ficasse calado.
Mather franziu a testa. Certamente William o apoiaria naquilo. Certamente não deixaria que Noam os engessasse ainda mais.
Brennan limpou um grão de poeira invisível da manga.
— A aprovação de sua rainha não importa. Nessa questão meu rei é inflexível. — Brennan ergueu o olhar para William. — E depois do incidente da cerimônia, seria de fato do interesse de Inverno obedecer. Devo voltar para meus homens. — Brennan seguiu para a porta. — Obrigado por seu tempo.
Silêncio envolveu o ar depois que Brennan se foi. Mather hesitou na entrada da sala, com os olhos fixos em William, aguardando, esperançoso, precisando que ele disparasse atrás de Brennan e refutasse as ordens.
Mas William apenas afundou na cadeira, com o corpo rígido.
Mather não aguentou mais.
— Sabe que essa é a forma de Noam de nos manter fracos.
William saiu do estupor.
— É claro que sei — disparou ele. — Por que acha que esperou até que ele e a rainha tivessem partido para dar a ordem? Não queria enfrentar qualquer possibilidade de nosso condutor rejeitá-lo.
Mather recuou.
— Nosso condutor? Está falando de Meira?
William franziu a testa para Mather.
— É assim que devemos vê-la, como nossa conexão com o medalhão. É assim que os reinos do mundo operam; os monarcas são elos com a magia, enquanto um grupo seleto realmente governa. Somos um reino do mundo agora.
— Quando Meira descobrir a ordem de Noam, vai matá-lo — replicou Mather. — Nunca permitirá isso. Deveríamos continuar treinando. Maldito Noam.
William sacudiu a cabeça.
— Agir contra uma ordem explícita só vai nos ferir depois... — Ele parou, encolhendo o corpo ao se lembrar da cerimônia, quatro dias antes. Mather se odiara ainda mais por ter ido embora depois que soube como Noam reagira à mudança de pagamento de Meira, ele deveria ter ficado, deveria ter ido até ela, dado mais apoio.
Mas Mather queria aquilo. O que tinha dito a ela naquele quarto — que estava cheio de ser parte da vida dela.
— Obedeceremos esse pedido até podermos nos recompor de uma forma a não desafiar Cordell abertamente — continuou William. — Divida os recrutas para ajudar com a reconstrução ou a mineração, mas nenhum inverniano deve erguer uma lâmina até eu dar a ordem.
Mather grunhiu.
— Quer dizer até Noam dar a ordem?
Os nós dos dedos de William se contraíram no braço da cadeira.
— Você não vai falar comigo assim. Sou o governante deste reino na ausência de nossa rainha, e como tal, você me obedecerá.
Alysson e Deborah permaneceram em silêncio, e qualquer réplica de Mather foi sufocada sob os anos de obediência cega a William. Ele se perguntava agora se talvez não devesse ter obedecido àquele homem tão às cegas. Se deveria ter sido mais como Meira.
— Foi por isso que a deixou partir? — Mather sentiu a insubordinação como um soco na cabeça. Percebeu, no silêncio que pairou, o quanto queria que William o agredisse, que ficasse com raiva e colocasse Mather no lugar, para que fosse ele mesmo de novo.
Mas William não disse nada, e conforme os olhos de Mather percorreram a pele enrugada dele, Mather sentiu tudo que Feige tinha dito se encaixar na mente. Ela estava certa, aquela garota doente. Estava certa sobre William carregar uma culpa tão pesada que se recusava a ver qualquer coisa que o magoasse. Estava certa sobre todos em volta de Mather estarem presos em uma rede de remorso.
Essa rede faria com que todos fossem mortos.
— É claro que não — respondeu William, por fim. — Nossa rainha se foi porque é o que precisa fazer agora, forjar alianças. Você, de todas as pessoas, deveria entender melhor de política.
Mather fez uma careta. Sim, ele deveria. Mas só entendia a própria culpa no momento, os próprios fracassos, a própria dor, e o quanto queria se livrar de tudo aquilo.
Cada parte de Mather tremia.
— Você tem vergonha de ter fracassado com Inverno há 16 anos, mas deveria ter mais vergonha ainda de não ter coragem de encarar isso. Não vou ignorar. Não vou acabar como você.
Ele empurrou Deborah, que levou as mãos à boca, passou por Alysson, que observou Mather, sem nada dizer. Deixaram que ele fosse, todos eles. Exatamente como tinham deixado Meira partir, porque doía demais se concentrar nos próprios problemas.


Os ruídos da construção soavam do lado de fora, martelos e serras criando uma melodia constante. Mather correu na direção do celeiro de treinamento, disparou por homens carregando baldes de pregos, mulheres empurrando carrinhos de mão com madeira recolhida. Pois por mais que o ar estivesse tenso no escritório de William, estava leve demais na cidade. As pessoas conversavam, seguiam com o dia como se sempre tivessem sido normais daquele jeito. Quando Mather chegou à porta do celeiro, parou, com um pensamento triste na mente.
Será que a maioria dos invernianos era como William? Será que tudo que faziam apenas cobria cicatrizes?
Meira não deveria ter partido. Se Mather estivesse com a mente mais clara, não teria saído do quarto dela quatro noites antes. Não teria evitado Meira todos os dias desde então, arrastando-se de volta para Phil e os garotos toda noite. Teria procurado Meira, ficado com ela por quanto tempo fosse necessário, exigindo que permanecesse em Inverno — pelo reino deles. Não por ele.
A mente de Mather retornou para uma das últimas vezes em que Meira tinha partido. Ele observou com um terror entorpecente conforme o general de Angra erguia o corpo dela, olhando-a com desprezo, com uma expressão que dizia mais do que qualquer ameaça poderia dizer. E Mather não tinha feito nada além de gritar por Meira enquanto soldados cordellianos o arrastavam de volta a Bithai.
Ele não falharia com Meira de novo.
Mather interrompeu os pensamentos e murmurou. Inverno. Não falharia com Inverno de novo. Meira não era mais dele para que se preocupasse, além da posição dela como rainha.
Mather disparou para o celeiro. O treinamento deveria ter começado há uma hora; a maioria dos homens estava caminhando de um lado para outro, cansados de esperar tanto tempo. Exceto Phil, Hollis, Trace, Kiefer e Eli — eles pareciam perfeitamente felizes com os momentos a mais de descanso. Ódio tinha expulsado a ressaca de Mather — bem, isso, ou possivelmente a maldita bebida que Alysson dera a ele —, mas o grupo ainda parecia arrasado e exausto.
Mather enfiou as mãos nos bolsos.
— Cordell ordenou que o treinamento cesse imediatamente.
Um murmúrio percorreu o celeiro, alguns resmungos de insatisfação. Mather abriu a boca para dividir o grupo em mineradores e construtores, ou mesmo para explicar por que, para pensar em um motivo que fizesse sentido. Mas, ao encarar as rachaduras no piso de madeira desgastado, não conseguiu pensar em nada, e quanto mais ficava de pé, em silêncio, mais os recrutas se entreolhavam, até que alguns começaram a ir embora, deixando uma névoa de resmungos confusos.
— O que causou isso? — perguntou Phil, quando estavam sozinhos.
Mather desviou o olhar do chão.
— Negação.
— Estranho, não é? — exclamou Kiefer, com a atenção em um grupo de cordellianos que passou olhando para o celeiro e rindo porque sabiam o quanto Inverno era fraco. O quanto estava aos cacos.
Trace deitou o rosto nos joelhos onde estava sentado, em um barril.
— O que é estranho?
Kiefer fez um gesto de ombros, apoiado na parede do celeiro.
— Estamos em casa, mas não parece muito diferente de Bikendi. Sobrevivendo, governados por outro reino.
Phil encolheu o corpo, erguendo a cabeça de onde ela pendia, inerte, junto ao peito.
— Isso não é... — Ele engasgou, a boca se escancarando. — É melhor aqui. Estamos livres.
— Não deveríamos ter esperado que a rainha fosse melhor do que Angra. Exatamente como a realeza, acho — continuou Kiefer. — Se importam mais com suas vidas confortáveis do que com os súditos inferiores.
— Ela não é assim. — Mather se arrependeu de falar logo que as palavras lhe deixaram os lábios, mas Kiefer se empertigou, obviamente esperando que Mather respondesse. Mesmo à noite, quando a cerveja deixava a maioria deles relaxados, Kiefer estampava uma expressão de ódio sempre que Mather o olhava.
Mather não podia culpar o rapaz por ter raiva. Todos queriam alguém para odiar.
— Bem, parece que ela é — disparou Kiefer de volta. — Onde está agora? Saiu para ser mimada pelos imprestáveis dos outros reinos de Primoria enquanto passamos os dias banqueteando, certo? — Kiefer fez uma reverência. — Ex-rei Mather, por favor, me indique as mesas do banquete. Quero muito um prato da generosidade de nossa rainha.
O sangue esquentou na cabeça de Mather, os resquícios do ódio dele contra William alimentando-o.
— Pare.
Kiefer gargalhou.
— Diga que ao menos recebeu um pouco da generosidade de nossa rainha em algum momento.
Trace ergueu o rosto dos joelhos, Phil se levantou de onde estava agachado no chão, até mesmo Eli piscou na direção do irmão, chocado. Os ombros de Hollis se ergueram e um movimento do corpo dele indicou a Mather que teria apoio caso decidisse derrubar Kiefer.
Mather inspirou profundamente. Era apenas um sinal externo e fraco da batalha interna de Kiefer. Estavam todos cansados, todos sentindo dor, e lutar com Kiefer não ajudaria em nada.
Mas seria tão, tão bom.
— Deixe Meira em paz — tentou Mather. — Você deve sua vida a ela.
— Meira — repetiu Kiefer. — Usando o primeiro nome dela. Ela nem mesmo sabia que era a rainha quando você estava com ela, sabia? Achou que você fosse o rei. Poderoso rei Mather. Provavelmente fazia qualquer coisa que você pedisse.
— Calado!
— Admita. Ajudaria saber que alguém a colocou em seu lugar enquanto nós éramos colocados nos nossos.
Mather não se lembrava de, conscientemente, se mover; só sabia que sentiu uma ínfima pontada de alívio quando Kiefer se arriscou daquela forma. Baterem uns nos outros com espadas de treino só dissipava parte da frustração — brigar de verdade, golpear de verdade, liberava muito mais, e quando o punho de Mather acertou o maxilar de Kiefer, todas as preocupações que sentia evaporaram, mesmo que por um momento.
Kiefer disparou pelo ar, a força do soco de Mather o atirou na parede do celeiro e Kiefer caiu de barriga no chão. Mather deixou que o garoto tivesse dois segundos para se endireitar antes de prender o pescoço de Kiefer com o joelho. Não com força o bastante para quebrar nada, e então golpeou com o cotovelo as costas de Kiefer, que foi empurrado para o chão emitindo um ruído, o ar foi sugado de seus pulmões, e Mather se virou para travar os braços do garoto às costas.
— Pare! — gritou Eli. Alguns socos fracos saltitaram pelos ombros de Mather antes que outra força arrancasse Eli do caminho. O garoto mais novo desabou no chão e ficou ali, encarando com um olhar apavorado o irmão e Mather, e agora Hollis.
— Fique longe — rosnou Hollis, e o garoto mais novo se acovardou.
Hollis pegou os cabelos de Kiefer e puxou a cabeça dele para cima, torcendo-a com tanta força que ele gritou, o primeiro sinal de dor que ousou soltar. Mather o admirou por conseguir se segurar por tanto tempo, mas então Hollis falou, e ódio preencheu o corpo de Mather.
— Você viu aqueles Sóis atacarem sua mãe — grunhiu Hollis, cada palavra era sombria e terrível e tão cheia de dor que Mather temeu pela vida de Kiefer, mesmo enquanto segurava os braços do garoto às costas dele. — Você os viu fazerem aquilo com mais do que apenas ela, sei que viu. Como ousa desejar isso para a pessoa que salvou sua vida patética?
Kiefer gemeu, se contorcendo contra os garotos que o seguravam, e quando o fez, Hollis bateu com a cabeça de Kiefer no chão, antes de se levantar. Mather se colocou de pé em um salto, soltando os braços de Kiefer e dando quatro passos para trás para dar espaço entre si e o garoto prostrado.
Eli tentou cambalear até o irmão, mas recuou quando Kiefer rosnou para ele. Trace e Phil olhavam de Kiefer para Hollis e então Mather, um brilho de orgulho nos olhos.
Mather passou a mão no rosto. Os demais ex-recrutas podiam ter, cedo ou tarde, se tornado bons soldados, mas aqueles garotos sem dúvida seriam bem-sucedidos. E agora, quem sabia quando Noam revogaria a ordem? Ou será que se certificaria de que Inverno permanecesse um reino inválido para sempre?
Os olhos de Mather se semicerraram enquanto ele observou cada um dos garotos. Havia apenas seis deles, incluindo Mather. Já tinham conseguido por quatro noites sair de fininho e aparecer de ressaca todas as manhãs — poderiam facilmente passar despercebidos durante a confusão ainda maior que eram construção e mineração agora que o treinamento estava cancelado.
— Novas ordens — disse Mather, e os garotos diante dele se puseram em atenção, atraídos pela severidade na voz de Mather, ou pelo brilho nos olhos dele, ou pela forma como sorriu, sorriu de verdade. — Não vamos obedecer àquelas. Vamos fazer as nossas.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!