7 de dezembro de 2018

CAPÍTULO Vinte e Três

O MUNDO GIROU. SCARLET PROCUROU NO ROSTO DE LOBO O INDÍCIO de brincadeira que nunca surgiu.
— Meu pai.
— Sinto muito — murmurou ele. — Eu achava que ela teria lhe contado... alguma coisa sobre isso.
— Mas... como você sabe de tudo isso?
— Está tudo relacionado à princesa. As evidências sugerem que ela foi tirada de Luna por um homem chamado Logan Tanner, um médico lunar. — Procurou algum sinal de reconhecimento, mas o nome não significava nada para Scarlet. Lobo prosseguiu: — Os únicos terráqueos com quem o dr. Tanner teria tido contato antes de levar a princesa seriam os que estavam na mesma missão que a sua avó. As pessoas que o conheciam desconfiavam de que o dr. Tanner teve uma ligação com Michelle Benoit durante a estada delas. Essas teorias pareceram mais plausíveis quando descobrimos que Michelle deu à luz um filho sem pai registrado nove meses depois.
Incapaz de permanecer de pé, Scarlet desabou no chão. Se Lobo estivesse falando a verdade... se essas teorias estivessem corretas... o avô dela era lunar.
Uma série de pensamentos passou pela cabeça dela. Pistas que nunca soubera estar registrando começaram a fazer sentido. Por que a avó tinha tanta solidariedade por lunares. Por que nunca falava sobre o avô de Scarlet. Por que insistira para que nem Scarlet nem o pai nascessem em hospitais, pois os exames de sangue obrigatórios revelariam seus ancestrais.
Como conseguiu guardar esse segredo por tanto tempo?
De repente, ela percebeu com um susto que sempre foi intenção da avó manter segredo. Nunca pretendeu contar a verdade a Scarlet.
Uma coisa tão grande. Uma coisa tão importante. E sua avó escondera dela.
— Não temos segredos — sussurrou para si mesma, com a cabeça girando quando as lágrimas começaram a surgir em seus olhos de novo. — Não temos segredos uma com a outra.
— Sinto muito — disse Lobo, se ajoelhando na frente dela. — Pensei que você sabia disso tudo.
— Eu não sabia. — Esfregou os olhos para afastar as lágrimas. Por que a avó não teria contado sobre aquele Logan Tanner? Para protegê-la da desconfiança e do preconceito que acompanhariam o fato de ela ser parcialmente lunar ou será que havia mais alguma coisa? Um segredo ainda mais improvável que ela protegia...
Seu peito doeu quando se perguntou quantos outros segredos haviam sido escondidos dela.
A atenção de Lobo se desviou para o sul, uma orelha virada para o céu.
Imediatamente, os pensamentos de Scarlet se acalmaram. Ouviu com atenção, mas só havia uma brisa na floresta, um coral encantador de grilos.
Apesar de não ouvir nada, Lobo sussurrou:
— Um trem está chegando.
Fixou o olhar nela, de novo, a preocupação estampada na testa. Scarlet viu que ele pensava ter falado demais, mas estava louca para saber mais.
Com um aceno, apoiou a mão no chão e ficou de pé.
— E essas pessoas acham que minha avó sabe alguma coisa sobre a princesa porque...?
Lobo foi até a beirada do pequeno precipício e olhou para os trilhos.
— Acreditam que o dr. Tanner pediu ajuda para sua avó quando trouxe a princesa para a Terra.
— Acreditam, mas não têm como ter certeza.
— Talvez não, mas foi por isso que a levaram — disse ele, testando o tronco caído com o pé de novo. — Para descobrir o que ela sabia.
— E já pensaram que talvez ela não soubesse de nada?
— Estão convencidos de que ela sabe. Ou pelo menos estavam quando saí de lá, apesar de não saber o que descobriram desde então...
— Bem, por que não encontram esse tal dr. Tanner e perguntam a ele?
Lobo trincou os dentes.
— Porque ele está morto. — Inclinando-se para a frente, ele pegou a bolsa caída e pendurou no braço. — Cometeu suicídio no começo deste ano. Em um hospício na Comunidade das Nações Orientais.
Um pouco da raiva de Scarlet desapareceu e foi substituída por pena por um homem que minutos antes nem sequer existia para ela.
— Hospício?
— Era paciente de lá. Ele mesmo se internou.
— Como? Ele era lunar. Por que não foi capturado e enviado de volta para Luna?
— Deve ter descoberto como se misturar na sociedade terráquea.
Lobo esticou a mão, e Scarlet segurou por instinto, mas levou um susto quando dedos quentes envolveram os seus. Um momento depois, ele afrouxou o aperto de mão e subiu no tronco caído.
Scarlet inclinou o tablet na direção do tronco traiçoeiro e lutou para organizar os pensamentos com o latejar nos ouvidos.
— Deve ter alguma outra pessoa com quem ele teve contato na Terra. As pistas não podem terminar na minha avó. De acordo com meu pai, ela não tinha contado nada depois de semanas de... de sabe-se lá o que andaram fazendo com ela. Devem ter percebido que pegaram a pessoa errada!
Lobo foi tomado de um controle peculiar quando respondeu.
— Tem certeza disso?
Ela olhou para ele com raiva. A herdeira lunar era um mito, uma conspiração, uma lenda... como sua avó trabalhadora e orgulhosa, que morava na pequena Rieux, poderia estar envolvida nisso?
Mas não podia ter certeza absoluta de mais nada. Não se a avó já tinha escondido dela uma coisa tão grande.
Um zumbido leve interrompeu o sussurro da floresta. Os ímãs despertando.
Um aperto nos dedos dela despertou um choque na coluna de Scarlet.
— Scarlet — disse Lobo —, é para o bem dela e para o seu dar alguma coisa a eles. Por favor, pense. Se souber de qualquer coisa, talvez possamos usar a nosso favor.
— Sobre a princesa Selene.
Ele assentiu.
— Não sei de nada. — Scarlet deu de ombros, impotente. — Não sei de nada.
Ela se sentiu presa sob o olhar dele até que, com a testa franzida, Lobo a soltou. Sua mão desceu lentamente até a lateral do corpo.
— Tudo bem. Vamos pensar em outra coisa.
Scarlet sabia que ele estava errado. Não estava tudo bem. Aqueles monstros estavam caçando um fantasma, e a avó dela estava no meio disso tudo por causa de um envolvimento amoroso que supostamente aconteceu quarenta anos atrás... e não havia nada que Scarlet pudesse fazer. Ela olhou para baixo, e seu estômago deu um salto quando viu a altura em que estavam. Com a escuridão ao redor, parecia a beira de um abismo.
— Temos talvez trinta segundos — disse Lobo. — Quando o trem chegar, vamos ter que agir rápido. Sem hesitar. Você consegue?
Scarlet tentou umedecer a língua seca, que mais parecia o tronco debaixo dos seus pés. Tentou desacelerar o coração. Os segundos se passavam em sua cabeça. Passavam rápido demais. O barulho dos ímãs ficando mais alto. Então, ouviu o assobio do ar nos trilhos.
— Vai me deixar pular por conta própria desta vez? — perguntou, vendo um brilho intenso na curva mais próxima. As luzes iluminaram as árvores e se refletiram nos troncos. Os ímãs abaixo deles estalaram.
— Você quer pular sozinha? — Ele colocou a bolsa entre os dois.
Scarlet observou os trilhos e imaginou um trem em disparada abaixo. Vibrações sutis fizeram seus pés tremerem. Os joelhos ficaram paralisados.
Ela jogou o tablet na bolsa e subiu em um nó protuberante no tronco.
— Vire de costas.
Lobo começou a sorrir, mas ainda havia uma ruga entre as sobrancelhas, uma distração que permanecia. Ele a deixou subir em suas costas e puxou as pernas mais para o alto até Scarlet conseguir se segurar nele com firmeza.
Ao passar os braços ao redor dos ombros de Lobo, ocorreu a Scarlet que tinha todo o direito de desprezá-lo. Ele teve a chance de salvar a avó dela, mas preferiu fugir. Mentiu para ela e guardou segredos enormes que tinha todo direito de saber...
Mas isso não mudava o fato de que ele ainda estava ali. Ainda estava arriscando a vida e encarando os próprios perseguidores para ajudá-la. Ainda a estava levando em busca da avó.
Ela mordeu o lábio e se inclinou para a frente.
— Estou feliz que você tenha me contado tudo.
O corpo dele pareceu murchar.
— Devia ter contado antes.
— Sim, devia. — Scarlet inclinou a cabeça e encostou a têmpora na dele. — Mas não desprezo você. — Ela deu um beijo na sua bochecha e sentiu o corpo de Lobo ficar tenso. Os batimentos dele dispararam sob seu pulso quando ela uniu as mãos em cima do peito dele.
O trem fez a curva, suave como uma cobra. O corpo branco e reluzente vinha disparado na direção deles, e o vácuo criava uma rajada de vento que sacudia as árvores dos dois lados dos trilhos.
Scarlet afastou a cabeça do ombro de Lobo, olhou de lado para ele e reparou em outra cicatriz, no pescoço. Ao contrário das outras, era pequena e perfeitamente reta, parecendo mais o trabalho de um bisturi do que o resultado de uma briga.
Lobo se agachou e o coração dela deu um salto, voltando sua atenção para o trem. Lobo segurou a bolsa com firmeza. Seus músculos ainda estavam rígidos, a pulsação disparada, e ela não conseguiu evitar a comparação com a calma excepcional de quando eles pularam pela janela do trem.
O trem estava abaixo deles, fazendo o tronco e os dentes de Scarlet tremerem. Lobo lançou a bolsa do tronco e pulou. Enfiando as unhas na camisa dele, Scarlet travou o maxilar para não gritar.
Caíram pesadamente no teto liso como vidro. O trem nem tremeu com o impacto, e Scarlet imediatamente teve a sensação de que havia algo errado. Lobo deslizou, seus ombros se inclinaram para a esquerda e o equilíbrio dele falseou sob o peso dela.
Scarlet gritou, e a queda a empurrou para longe, quase na beirada. Ela afundou os dedos nos ombros dele, mas a camisa rasgou e ela caiu, o mundo girando ao seu redor.
A mão de Lobo segurou o pulso dela, e sua queda foi impedida com um puxão no ombro. Ela gritou e bateu os pés enquanto o chão passava disparado embaixo. Cega pelo cabelo que voava no rosto, Scarlet levantou a mão livre na direção dele e segurou no antebraço, apertando o mais desesperadamente que conseguiu com dedos escorregadios.
Ela ouviu o gemido dele, quase um rugido, e foi puxada. Bateu com os pés nas laterais do trem em busca de um apoio qualquer, mas foi puxada para cima. Lobo rolou para longe da beirada e caiu em cima dela. As mãos dele afastaram os cachos do rosto dela rapidamente, seguraram os ombros, esfregaram o pulso machucado, e toda a energia frenética dele pareceu dedicada a verificar que ela estava ali. Que ela estava bem.
— Sinto muito. Sinto muito mesmo. Perdi o foco. Eu escorreguei... Sinto muito. Scarlet. Você está bem?
Ela soltou a respiração trêmula. O mundo lentamente parou de girar, mas cada nervo zumbia com adrenalina, cada pedaço dela tremia até o osso. Olhou boquiaberta para Lobo e envolveu os dedos dele, fazendo-os parar.
— Estou bem — ofegou ela, tentando dar um sorriso cansado. Ele não retribuiu. Seus olhos estavam tomados de pavor. — Eu talvez tenha distendido alguma coisa no ombro, mas... — Ela parou de falar ao notar uma marca vermelha no curativo de Lobo. Ele a segurou com o braço ferido, o que fez o ferimento se abrir. — Você está sangrando.
Ela esticou o braço na direção do curativo, mas Lobo segurou sua mão e apertou com bastante força. Scarlet se sentiu presa sob o olhar dele, intenso e apavorado. Ele ainda estava respirando com força. Ela ainda estava tremendo, e não conseguia parar.
Sua mente ficou vazia de tudo, menos do vento e da aparência frágil de Lobo naquele momento, como se um movimento pudesse parti-lo ao meio.
— Estou bem — disse, tranquilizando-o, passando o braço livre pelas costas dele e puxando-o para perto de si até conseguir se encolher sob a proteção do corpo dele e apoiar a cabeça no pescoço. Ela o sentiu engolir em seco, e logo os braços dele a estavam envolvendo, esmagando-a contra o peito.
O trem se dirigia para o oeste, e a floresta parecia uma mancha dos dois lados. Séculos pareceram se passar até a adrenalina sumir dos membros de Scarlet, até conseguir respirar sem os pulmões soluçarem com o esforço. O abraço de Lobo não afrouxou. A sensação da respiração dele contra seu ouvido era a única prova de que ele era um ser vivo, e não feito de pedra.
Quando finalmente parou de tremer, Scarlet se afastou. Os braços fortes a soltaram com relutância, e ela ousou olhar para o rosto dele de novo.
O horror chocado tinha sumido e foi substituído por calor, desejo e incerteza. E medo, tanto medo, mas ela achava que isso não tinha nada a ver com ela quase ter caído do trem.
Com os lábios formigando, ela inclinou o pescoço na direção dele.
Mas Lobo logo se afastou, e o espaço entre os dois se encheu com o vento intenso e frio.
— Precisamos descer antes de chegarmos a um túnel — disse, com a voz trêmula e rouca.
Scarlet se sentou e um calor subiu ao seu rosto quando foi tomada de uma vontade quase irresistível de engatinhar até ele, não para descer do teto do trem, mas para se aconchegar. Para se sentir quente, segura e feliz só por mais um momento.
Ela sufocou essa vontade. Lobo não estava olhando para ela, e Scarlet sabia que ele estava certo. Não estavam em segurança ali em cima.
Sem confiança para ficar de pé, ela meio deslizou, meio engatinhou em direção à frente do vagão, se ajustando aos movimentos sutis do trem. Lobo ficou ao seu lado, sem tocá-la, mas nunca longe demais, para conseguir agarrar seu ombro se ela chegasse perto demais da beirada.
Quando chegaram no final, Lobo desceu até a plataforma entre os vagões. Scarlet olhou para ele e viu a bolsa no chão. Tinha esquecido, mas agora uma gargalhada de surpresa saiu pelos seus lábios. A mira dele tinha sido perfeita.
E talvez, se ela não tivesse beijado a bochecha dele logo antes do pulo, o equilíbrio também tivesse sido.
Ela estremeceu com a ideia e se perguntou se tinha sido a causa da distração dele.
Scarlet se sentou com as pernas balançando na lateral do trem.
— Exibido — brincou, esticando os braços e permitindo que ele a segurasse quando pulou. As mãos delicadas e gentis a trouxeram até a plataforma e permaneceram um segundo a mais ali, depois que os pés dela estavam firmemente plantados. Ou talvez não por tempo suficiente.
A expressão dele estava assombrada e confusa, e a testa tensa. Sem olhar diretamente para ela, ele pegou a bolsa e entrou no vagão.
Scarlet ficou olhando para a porta, esperando que o vento baixasse sua temperatura, a lembrança quente das mãos dele na cintura, nos ombros, nos pulsos. Sua cabeça estava tomada pela lembrança, pela agonia recente demais de querer beijá-lo.
Se encostando no corrimão, enfiou o cabelo no capuz. Tentou dizer a si mesma que foi bom Lobo ter se afastado. Estava sempre fazendo coisas por impulso sem pensar direito e por isso acabava se metendo em confusão. Esse era só mais um exemplo de quando foi levada pelas emoções e ficou caída por um sujeito que só conhecia havia... Ela se esforçou para fazer a conta e percebeu com certa surpresa que só se conheciam havia um dia.
Só um dia. Seria isso mesmo? Aquela horrível luta podia ter acontecido na noite anterior? O ataque do pai dela ao hangar podia mesmo ter sido naquela manhã?
Mas, mesmo sabendo disso, seus sentimentos não mudaram. Sua pele não esfriou. A fantasia de se aconchegar nos braços dele não sumiu.
Quis que ele a beijasse. Ainda queria.
Scarlet suspirou e, quando os joelhos pararam de tremer de novo, entrou no vagão.
Era um vagão de carga, aberto e com pilhas de caixas plásticas. Um quadrado de luar entrava pela porta aberta. Lobo tinha subido em uma pilha de caixas e estava ocupado empurrando-as para abrir espaço.
Scarlet subiu e se juntou a ele. Apesar de o silêncio ser doloroso, qualquer coisa que ela conseguisse pensar em dizer parecia banal e artificial. Tirou um pente da bolsa e começou a desembaraçar os nós dos cabelos. Por fim, Lobo parou de empurrar caixas e se sentou ao lado dela. Com pernas dobradas. Mãos apertadas no colo. Ombros caídos. Sem tocar nela.
Scarlet o analisou com o canto do olho, tentada a diminuir a distância entre eles, nem que fosse só para apoiar a cabeça no ombro de Lobo. Mas o que fez foi esticar a mão e passar o dedo pela tatuagem que mal conseguia ver na luz fraca. Ele ficou rígido.
— Ran estava falando a verdade? Você acha que vão matar você por abandoná-los?
Um silêncio momentâneo fez a pulsação dela disparar até as pontas dos dedos que tocavam no braço dele.
— Não — respondeu. — Não precisa se preocupar comigo.
Ela acompanhou com o dedo uma longa cicatriz que já tinha sido um corte fundo do pulso até o cotovelo.
— Vou parar de me preocupar quando isso tudo acabar. Quando todos nós estivermos longe deles, em segurança.
Lobo olhou para ela, para a cicatriz e para os dedos apoiados no pulso dele.
— De onde veio essa cicatriz? — perguntou. — Uma das lutas?
Ele balançou a cabeça quase imperceptivelmente.
— De burrice.
Scarlet mordeu o lábio, chegou mais perto e passou o dedo de leve por uma cicatriz ainda mais clara na têmpora dele.
— E esta?
Ele se curvou para trás e foi forçado a levantar a cabeça para se afastar dela.
— Essa foi ruim — respondeu, e não disse mais nada.
Scarlet cantarolou pensativa, depois passou o nó do dedo em uma levíssima cicatriz no lábio dele.
— E essa...?
Ele agarrou a mão dela e a fez parar com as carícias. Não segurava forte demais, mas era firme mesmo assim.
— Por favor, pare — pediu, enquanto o olhar descia para os lábios dela.
Scarlet os umedeceu por instinto e viu os olhos dele ficarem febris.
— Qual é o problema?
Um segundo.
— Lobo?
Ele não a soltou.
Scarlet levou a outra mão até ele e passou o polegar nos dedos dobrados.
Ele inspirou rapidamente.
Os dedos subiram pelo braço dele, passaram pelo curativo e pelo ponto com sangue seco. Ele estava tão rígido quanto uma estátua, grudado na parede. Os dedos segurando a mão dela tremeram.
— São apenas... ao que estou acostumado — disse com a voz tensa.
— Como assim?
Ela o viu engolir em seco. Nenhuma explicação se seguiu.
Scarlet se inclinou para a frente e olhou o contorno do maxilar. As maçãs proeminentes. O cabelo, tão selvagem e suave ao toque quanto parecia. Por fim, ele inclinou a cabeça, tocando delicadamente nos dedos dela.
— Foi de uma luta — murmurou ele. — Só mais uma luta sem sentido. Todas elas. — Seus olhos se dirigiram para os lábios dela de novo.
Ela hesitou. Como Lobo continuou na mesma posição, Scarlet se inclinou para a frente e o beijou. De leve. Só uma vez.
Quase sem conseguir respirar, com o coração disparado, Scarlet se afastou o bastante para o ar morno correr entre eles, e Lobo se dissolveu à frente dela, com um suspiro resignado contra seus lábios.
Então, ele a puxou e a aninhou nos braços. Scarlet suspirou quando Lobo afundou uma das mãos no seu emaranhado de cachos e a beijou.

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