20 de dezembro de 2018

CAPÍTULO Vinte e quatro

O progresso pelos setores externos de Luna foi lento e tedioso. Às vezes, eles pegavam trens de levitação magnética; às vezes, andavam pelos túneis; às vezes, usavam a identidade de Lobo para enviar um trem vazio antes de entrar em outra plataforma e seguir na direção oposta. Às vezes, se separavam e se reencontravam alguns setores depois, para confundir qualquer equipe de segurança procurando um grupo de dois homens e duas mulheres viajando juntos.
Eles mantiveram as cabeças baixas. Iko deixou o cabelo escondido debaixo do chapéu. Cinder ficava mexendo nas luvas para ter certeza de que a mão de metal não seria vista por nenhuma das câmeras. Apesar de evitarem todas as câmeras de segurança que podiam, ela sabia que deviam estar capturando imagens deles. Ela esperava que houvesse tantos feeds de vigilância em Luna que não pudessem ser todos monitorados.
Apesar de ocasionalmente se aventurarem na superfície para pegar uma linha diferente, eles evitavam sempre que podiam. Lobo avisou que a maioria dos setores externos era patrulhada por guardas armados. Mesmo que em teoria estivessem lá para garantir a segurança das pessoas, parecia que passavam mais tempo punindo qualquer um que ousasse falar contra a coroa. Nas poucas vezes que se esgueiraram até os domos da superfície, eles prosseguiram sem incômodos com seus disfarces e posturas humildes, mas Cinder sabia que não demoraria para que as medidas de segurança fossem aumentadas em toda a Luna.
Eles quase não falavam. Cinder passou horas repassando a batalha na doca, relembrando cada erro em pensamento, tentando determinar um jeito de ter tirado todos de lá em segurança, de salvar Cress, de tirar Kai das garras de Levana.
Ela não encontrou uma solução boa.
A agitação constante dos pensamentos ameaçou levá-la à loucura.
Quanto mais se afastavam de Artemísia, mais os arredores mudavam. Começou a parecer que tinham entrado em um mundo diferente. A julgar pela opulência das docas reais, Cinder construiu uma imagem do quanto Luna devia ser linda. Mas logo ficou claro que os setores externos não recebiam nada dos luxos da capital. Cada plataforma pela qual passavam exibia sinais de negligência: paredes de pedra desmoronando e luzes oscilantes. As pichações que cobriam as paredes de um túnel falavam de inquietação.
ela está olhando… dizia uma mensagem pintada de branco nas paredes pretas. Outra perguntava: você viu meu filho?
— Como saberíamos se tivéssemos visto? — perguntou Iko. — Não deixaram descrição.
— Acho que é para levar você a pensar — disse Cinder.
Iko franziu a testa, sem parecer pensativa.
Eles paravam quando ouviam um trem se aproximando ou quando tinham que esperar uma plataforma esvaziar, aproveitando o breve descanso antes de seguir em frente.
Tinham levado alguns pacotes de ração, pois não sabiam quando teriam oportunidade de encontrar mais, e Cinder os dividia em pequenas quantidades, embora ninguém estivesse com tanta fome assim.
Apesar de Cinder saber que não devia ser a única com as costas e pernas doloridas, ninguém reclamou. Iko era a única que mantinha um andar gracioso, pois sua bateria tinha sido totalmente carregada antes de saírem da nave de Kai.
De trem, a viagem devia ter durado só umas duas horas. Quando enfim chegaram ao destino, o relógio interno de Cinder dizia que eles tinham saído de Artemísia mais de dezenove horas antes.
Quando deixaram o túnel escuro e entraram na plataforma da estação RM-9: mineração de regolito, a beleza elaborada de Artemísia pareceu um sonho distante. Os azulejos brilhantes e estátuas intrincadas sumiram, a madeira polida e as esferas iluminadas também. Essa plataforma era escura e fria e tinha gosto de ar estático e estéril. Cada superfície estava coberta por uma camada de poeira, anos de pegadas marcadas. Cinder passou a mão por uma parede e seus dedos ficaram acinzentados.
— Pó de regolito — disse Lobo. — Cobre tudo aqui.
Iko encostou as mãos em uma parede. Quando as tirou, duas marcas permaneceram, perfeitas, mas sem as linhas normais da palma da mão humana.
— Não parece saudável — murmurou Thorne.
— Não é. — Lobo passou a mão no nariz, como se a poeira estivesse fazendo cócegas. — Entra nos pulmões. A doença do regolito é comum aqui.
Cinder trincou os dentes e acrescentou vida e condições de trabalho insalubres à longa lista de problemas que ia ter que resolver quando fosse rainha.
Iko passou as mãos sujas de pó na calça.
— Parece abandonado.
— Todo mundo está trabalhando, nas minas ou nas fábricas.
Cinder verificou o relógio interno, que tinha sincronizado com o horário lunar antes de sair da Rampion.
— Temos uns oito minutos até o fim do dia de trabalho. — Ela se virou para Lobo. — Podemos esperar aqui ou tentar encontrar a casa dos seus pais. O que você quer fazer?
Ele pareceu em dúvida ao espiar por uma escadaria estreita e irregular.
— Devíamos esperar aqui. Não tem muitos motivos para as pessoas estarem nas ruas durante o horário de trabalho. Nós ficaríamos óbvios demais. — Ele engoliu em seco. — Além do mais, eles podem não estar lá. Meus pais podem estar mortos.
Ele tentou falar com indiferença, mas não conseguiu.
— Tudo bem — disse Cinder, voltando para as sombras do túnel. — A que distância estamos das fábricas?
Lobo estava com a testa franzida, e ela o viu tentando se lembrar de detalhes do lar da infância.
— Não muito longe. Eu me lembro de elas ficarem todas amontoadas perto do centro do domo. Acho que vamos conseguir nos misturar com os trabalhadores assim que o dia terminar.
— E as minas?
— Ficam mais longe. Tem duas entradas de mina do outro lado do domo. O regolito é um dos poucos recursos naturais que Luna tem, então é uma indústria grande.
— Então… — disse Thorne, coçando a orelha —, seu melhor recurso são… pedras?
Lobo deu de ombros.
— Tem muitas.
— Não só pedras — disse Cinder, enquanto sua base de dados oferecia uma abundância de informações não solicitadas. — O regolito é cheio de metais e outros compostos. Ferro e magnésio nas terras altas, alumínio e sílica nas terras baixas. — Ela mordeu o lábio. — Eu achava que o metal todo devia vir da Terra.
— Boa parte veio, séculos atrás — disse Lobo. — Nós nos tornamos especialistas em reciclar os materiais que foram trazidos da Terra durante a colonização. Mas também aprendemos a nos virar. A maioria das novas construções usa materiais minerados do regolito: pedra, metal, terra… Quase toda a cidade de Artemísia foi construída de regolito. — Ele fez uma pausa. — Bem, e madeira. Nós plantamos árvores nos setores madeireiros.
Cinder parou de prestar atenção. Já tinha estudado o máximo que podia sobre os recursos e indústrias de Luna. Se bem que, para os propósitos deles, ela tinha passado a maior parte do tempo pesquisando sobre a mídia e os transportes lunares.
Era tudo controlado pelo governo, claro. Levana não queria que os setores externos tivessem comunicação fácil entre si. Quanto menos interação os cidadãos estabelecessem uns com os outros, mais difícil seria que eles formassem uma rebelião.
Uma série de sinos ecoou pelo túnel, fazendo-a pular. Uma melodia curta veio em seguida.
— O hino lunar — disse Lobo, com expressão sombria, como se tivesse desenvolvido um ódio profundo da música.
O hino foi seguido de uma voz feminina agradável:
— O dia de trabalho terminou. Batam seus cartões e recolham-se às suas casas. Esperamos que tenham apreciado o serviço e aguardamos com ansiedade seu retorno amanhã.
Thorne grunhiu:
— Quanta consideração.
Em pouco tempo, eles ouviram passos altos de trabalhadores exaustos saindo para as ruas.
Lobo inclinou a cabeça, indicando que era hora, e os levou escada acima. Eles saíram na luz do dia artificial, onde o vidro curvo do domo bloqueava o brilho das estrelas. Esse setor não era muito melhor do que os túneis. Cinder estava olhando para uma colcha de retalhos marrom e cinza. Ruas estreitas e prédios maltratados sem vidros nas janelas. E poeira, poeira, tanta poeira.
Cinder percebeu que estava se encolhendo para longe dos primeiros grupos esparsos que eles viram, o instinto mandando-a ficar escondida, mas ninguém nem olhou para eles. As pessoas por quem eles passavam pareciam exaustas e imundas e quase não falavam.
Lobo revirou os olhos e olhou para os prédios, para as ruas cobertas de pó, para o céu artificial. Cinder se perguntou se ele estava constrangido por eles estarem vendo esse vislumbre do passado dele e tentou imaginar Lobo como uma criança normal, com pais que o amavam e uma casa na qual passou a infância. Antes de ser levado e transformado em predador.
Era impossível pensar que todos os integrantes do exército de Levana, cada um daqueles mutantes, também começaram assim. Quantos ficaram agradecidos por terem a oportunidade de se afastar daqueles lugares, com a poeira que cobria as casas e enchia os pulmões? Quantos ficaram arrasados de deixar as famílias para trás?
A pichação ecoou para ela: Você viu meu filho?
Lobo apontou para uma das ruas estreitas.
— Por aqui. As ruas residenciais ficam nos anéis externos do setor.
Eles foram atrás, tentando imitar os pés arrastados e as cabeças baixas dos trabalhadores. Era difícil com a adrenalina de Cinder a toda, com os batimentos começando a disparar.
A primeira parte do plano já tinha dado terrivelmente errado. Ela não sabia o que faria se aquilo também falhasse. Precisava que os pais de Lobo estivessem vivos e fossem aliados. Precisava da segurança que eles podiam oferecer: um lugar onde se esconder enquanto decidiam o que fazer sem Cress.
Era no mais à frente que ela conseguia pensar.
Encontrar um abrigo.
Depois, começaria a se preocupar com revoluções.
Eles não tinham se afastado muito do trem de levitação magnética quando Cinder viu os primeiros guardas, uniformizados, cada um segurando armas ameaçadoras.
Diferentemente dos civis, os narizes e as bocas estavam cobertos para protegê-los da poeira.
Cinder tremeu quando os viu e olhou ao redor, em busca da aura singular de um taumaturgo. Ela nunca soube de um guarda estar longe de um taumaturgo, mas não sentiu nenhum ali.
Como era possível que alguns guardas de mente fraca pudessem ter tanto poder sobre centenas de civis com dom? Apesar de ela achar que os lunares dos setores externos não tinham a mesma força que Levana e sua corte, seria possível que não conseguissem manipular uns poucos guardas?
Assim que fez a pergunta, a resposta surgiu.
Aqueles guardas podiam não estar acompanhados de um taumaturgo, mas a ameaça ainda estava lá, imbuída na presença deles. As pessoas daquele setor podiam se rebelar. Podiam matar ou escravizar aqueles guardas com facilidade. Mas um ato de desafio assim despertaria a ira da rainha sobre eles. Os guardas que viessem depois não estariam sem a proteção de um taumaturgo, e a retribuição não seria misericordiosa.
Quando eles passaram pelos guardas, Cinder teve o cuidado de manter o rosto virado.
Eles seguiram pelo centro do domo, onde havia um chafariz no meio de um pátio coberto de poeira, obrigando a multidão a contorná-lo. O chafariz era esculpido no formato de uma mulher, com a cabeça coberta por um véu e uma coroa, água limpa jorrando das mãos esticadas, como se ela estivesse oferecendo a própria vida para quem atravessava seu caminho.
A visão gelou o sangue nas veias de Cinder. Levana era rainha havia uma década, mas já tinha colocado sua marca nos setores mais distantes.
Um chafariz tão lindo e sereno, mas parecia uma ameaça.
Eles seguiram a multidão por quarteirões de fábricas e armazéns com cheiros de produtos químicos, até que construções industriais deram lugar a casas.
Se bem que casas era um termo relativo. Pareciam mais casebres, casas tão sem planejamento e improvisadas quanto o lotado edifício Phoenix Towers em Nova Pequim.
Cinder entendeu o que Lobo quis dizer quando falou que eles se tornaram especialistas em reciclar materiais. Cada parede e teto parecia ter sido cortado e ajustado e soldado e prendido e torcido e reconfigurado. Como não havia ação da natureza para enferrujar nem corroer os materiais, eles eram deteriorados pelas mãos das pessoas. As casas eram desmontadas e reconstruídas conforme as famílias se mudavam e cresciam. O bairro todo era uma variedade instável de folhas de metal e painéis de madeira e materiais abandonados nos espaços entre eles, esperando para serem usados de uma nova forma.
Lobo parou.
Com os nervos vibrando, Cinder observou as janelas próximas e abriu a ponta do indicador em preparação a um ataque.
— O que foi?
Lobo não falou. Não se mexeu. Estava concentrado em uma casa mais à frente, sem piscar.
— Lobo.
A respiração dele tremeu.
— Pode não ser nada, mas eu acho… achei que tinha sentido o cheiro da minha mãe. Um sabonete que pareceu familiar… apesar de eu não ter esses sentidos quando a vi pela última vez. Pode não ser…
Ele pareceu aflito e com medo.
Ele também pareceu esperançoso.
Alguns casebres tinham caixas de flores penduradas nas janelas, e algumas tinham até flores vivas. A casa para a qual Lobo estava olhando era uma dessas, um amontoado confuso de margaridas azuis caindo por cima da madeira mal cortada. Eram um ponto de beleza, simples e elegantes, destoando das cercanias horríveis.
Eles pararam na frente da casa. Não havia pátio, só uma área de concreto em frente a uma porta simples. Havia uma janela, mas sem vidro. Um tecido desbotado foi preso na moldura.
Lobo estava grudado no chão, então foi Thorne quem passou por ele e deu uma batidinha rápida na porta.
Com apenas o tecido servindo de barreira, eles ouviram cada estalo do piso quando alguém se aproximou da porta e abriu uma fresta tímida. Uma mulher pequena espiou e ficou alarmada quando viu Thorne. Ela era miúda por natureza, mas sua magreza não era natural, como se ela não comesse uma refeição completa havia anos. O cabelo castanho estava curto, e, apesar de ela ter pele morena do mesmo tom da de Lobo, os olhos eram preto-carvão, bem diferentes dos verdes dele.
Thorne deu seu sorriso mais enternecedor.
Não exerceu nenhum efeito.
— Sra. Kesley?
— Sim, senhor — disse ela com submissão, o olhar se direcionando para os outros. Ela olhou para Lobo primeiro, depois para Cinder e para Iko, antes de o olhar voltar de forma quase cômica. Ela sufocou um grito e encarou Lobo de novo, mas então seus lábios se curvaram para baixo com desconfiança.
— Meu nome é capitão Carswell Thorne — disse Thorne, com uma inclinação respeitosa de cabeça. — Acredito que você talvez conheça…
Um som estrangulado saiu pela boca da mulher. O choque e a desconfiança se multiplicaram em segundos, um lutando contra o outro enquanto ela olhava o filho. Ela abriu a porta toda e deu um passo hesitante para a frente.
Lobo tinha virado uma estátua. Cinder sentia a ansiedade emanando dele em ondas.
— Ze’ev? — sussurrou a mulher.
— Mãe — sussurrou ele de volta.
A incerteza sumiu dos olhos dela e foi substituída por lágrimas. Ela colocou as mãos na boca e deu outro passo para a frente. Parou de novo. Em seguida, percorreu o resto do caminho e enlaçou Lobo com os braços. Embora ele fosse muito maior do que ela de todas as formas, ele pareceu repentinamente pequeno e frágil, encolhido para caber melhor no abraço dela.
A mãe se afastou o bastante para aninhar o rosto de Lobo nas mãos. Vendo o quanto ele tinha ficado bonito e maduro, ou talvez se perguntando sobre as cicatrizes.
Cinder viu uma tatuagem no antebraço dela, no mesmo lugar em que Lobo tinha uma que o identificava como agente especial. Mas a da mãe dele só dizia MR-9. Lembrou a Cinder a forma como alguém pode marcar o bicho de estimação, para que seja devolvido caso se perca.
— Mãe — disse Lobo de novo, sufocando as emoções. — Podemos entrar?
A mulher desviou a atenção para os outros e parou em Iko por um instante. Cinder se perguntou se ficou confusa com a falta de bioeletricidade de Iko, mas ela não perguntou.
— Claro.
Com essa palavra simples, ela se soltou de Lobo e os levou para dentro.
Eles se viram em uma salinha com uma única poltrona e um sofá, a costura solta revelando o forro amarelo. Um nódulo holográfico do tamanho de um punho estava pendurado no meio da parede, com uma mesinha logo embaixo. Havia um copo cheio de mais margaridas azuis.
Uma porta levava a um corredor curto, onde Cinder supôs que ficavam os quartos e o banheiro. Uma segunda porta oferecia o vislumbre de uma cozinha igualmente pequena, com prateleiras e bancadas cheias de pratos.
Parecia que não era limpa havia um ano. E a mulher também.
Lobo se encolheu na sala, como não coubesse mais fisicamente lá, enquanto a mãe segurava as costas de uma cadeira.
— Pessoal — disse Lobo —, esta é minha mãe, Maha Kesley. Mãe, esses são Iko e Thorne e… Cinder. — Ele mastigou as palavras como se quisesse falar mais, e Cinder sabia que estava na dúvida se contava ou não para a mãe a verdadeira identidade dela.
Cinder se esforçou para parecer simpática.
— Obrigada por nos receber. Infelizmente, colocamos você em perigo ao virmos aqui.
Maha se empertigou um pouco, ainda cautelosa.
Thorne estava com as mãos nos bolsos, como se com medo de tocar em alguma coisa.
— Seu marido vai chegar logo?
Maha olhou para ele.
— Nós não queremos surpresas — acrescentou Cinder.
Maha franziu os lábios. Olhou para Lobo, e Cinder soube. Lobo ficou tenso.
— Sinto muito, Ze’ev — disse Maha. — Ele morreu quatro anos atrás. Houve um acidente. Na fábrica.
A expressão de Lobo não revelou nada. Lentamente, balançou a cabeça com aceitação. Ele pareceu mais surpreso de ver a mãe viva do que de saber da morte do pai.
— Está com fome? — perguntou Maha, sufocando o choque. — Você vivia com fome… antes. Mas acho que você era um garoto em fase de crescimento na época…
As palavras ficaram no ar entre eles, cheias de uma infância perdida, tantos anos.
Lobo sorriu, mas não o bastante para exibir os caninos afiados.
— Isso não mudou muito.
Maha pareceu aliviada. Ela prendeu uma mecha de cabelo atrás da orelha e foi para a cozinha.
— Fiquem à vontade. Acho que tenho uns biscoitos.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!