13 de dezembro de 2018

CAPÍTULO Vinte e dois

— O TAUMATURGO LUNAR AIMERY PARK, VOSSA MAJESTADE.
Kai e Torin ficaram de pé quando o taumaturgo passou por Nainsi e entrou no escritório de Kai. Embora Aimery Park tenha feito uma reverência respeitosa para Kai ao chegar do outro lado da escrivaninha, tão baixa que as longas mangas do casaco quase tocaram no tapete, havia no jeito dele alguma coisa extremamente desrespeitosa que sempre deixava Kai irritado. Ele nunca identificava o que havia com esse homem; talvez fosse a forma como ele sempre ficava com um sorriso leve nos cantos dos lábios, ou o fato de o sorriso só chegar aos olhos quando ele estava usando o dom para manipular alguém.
— Obrigado por se juntar a nós — disse Kai, indicando a cadeira em frente a ele. — Fique à vontade, por favor.
— O prazer é meu — falou Aimery, acomodando-se graciosamente na cadeira oferecida. — Qualquer coisa pelo futuro rei de Luna.
A designação deixava Kai arrepiado. Era fácil esquecer que ele assumiria um novo título da mesma forma que Levana, mas a diferença era que Luna tinha leis muito rígidas para controlar quem ficaria em posição de poder, e os terráqueos certamente não se encaixavam. Ele seria coroado rei consorte, o que significava que seria um belo enfeite sem poder nenhum.
Infelizmente, a Comunidade das Nações Orientais não tinha as mesmas regras de segurança. O tataravô de Kai, o primeiro imperador do país, devia ter acreditado que seus descendentes tomariam decisões sábias quanto aos cônjuges.
— Eu queria discutir com você uma descoberta recente feita pela União Terráquea — disse Kai, assentindo para Torin.
Seu conselheiro chegou mais perto da escrivaninha e colocou um tablet no meio. Com um clique, a holografia da Terra com trezentas e vinte e sete naves lunares ao redor ganhou vida sobre a mesa.
Kai observou o taumaturgo com atenção, mas o homem não mostrou nem uma fração de reação à holografia, nem com as centenas de pontos amarelos brilhando como vagalumes em seus olhos escuros.
— Essa é uma imagem em tempo real da Terra e seu espaço ao redor — disse Kai. — Tivemos a confirmação de que os pontos são espaçonaves lunares.
A bochecha de Aimery pareceu tremer, como se ele estivesse prestes a gargalhar, mas sua voz permaneceu macia como caramelo quando ele falou:
— É uma imagem muito impressionante mesmo, Vossa Majestade. Obrigado por compartilhar comigo.
Kai trincou os dentes e se sentou. Ficou tentado a ficar de pé para demonstrar poder, mas já conhecia lunares havia tempo suficiente para saber que jogos mentais assim raramente surtiam efeito, e pelo menos sentado ele podia fingir estar à vontade. Fingir não ter passado o dia com medo dessa conversa.
— De nada — respondeu Kai. — Agora talvez você pudesse me explicar o que todas elas estão fazendo lá em cima.
— Recreação. — Aimery se encostou e cruzou as pernas tranquilamente. — Temos muitas famílias ricas de Luna que gostam de um passeio ocasional de férias por nossa galáxia. Ouvi dizer que pode ser muito relaxante.
Kai apertou os olhos.
— E esses passeios de férias costumam trazê-los para dez mil quilômetros da Terra? Onde ficam ancorados durante dias?
— Tenho certeza de que a vista que eles têm nessa localização deve ser linda. — Um dos lados da boca de Aimery tremeu. — Os nasceres do sol são de tirar o fôlego, pelo que ouvi.
— Interessante. Porque todas as trezentas e vinte e sete dessas naves têm a insígnia da coroa lunar. Me parece que são naves da coroa fazendo alguma espécie de vigilância na União Terráquea ou preparando um ataque caso seja declarada guerra.
A expressão de Aimery permaneceu neutra.
— Erro meu. Talvez eu devesse ter dito que temos muitas famílias ricas da coroa lunar que apreciam férias ocasionais.
Eles sustentaram o olhar um do outro por bastante tempo, enquanto os oceanos holográficos cintilavam sob o sol e as nuvens brancas giravam pela atmosfera.
— Não sei por que a rainha Levana decidiu nos ameaçar neste momento e desta forma — disse Kai, por fim —, mas é uma demonstração desnecessária de força que trivializa tudo o que estamos tentando alcançar com nossas negociações pacíficas. Quero que essas naves voltem para Luna nas próximas vinte e quatro horas.
— E se Sua Majestade recusar?
Os dedos de Kai tremeram, mas ele os obrigou a relaxar.
— Aí não poderei ser responsável pelas ações do resto da União. Depois dos ataques lunares que aconteceram no território de todos os países terráqueos, qualquer um de meus colegas teria o direito de encarar essa ameaça ousada de guerra com a demonstração de força que preferir.
— Me perdoe, Vossa Majestade. Você não disse antes que essas naves lunares tinham entrado nos limites territoriais da União Terráquea. Claro, se Sua Majestade estivesse ciente de que invadimos seu espaço atmosférico designado por lei, ela os teria retirado imediatamente. — Ele se inclinou para a frente e mostrou um vislumbre de dentes brancos. — Você está insinuando que Luna invadiu seus limites legais, não está?
Dessa vez, Kai não conseguiu impedir que as mãos se apertassem embaixo da mesa.
— Neste momento, elas estão fora dos limites territoriais. Mas isso não...
— Você está dizendo que Luna não cometeu crime nenhum de acordo com as próprias leis da União? Então como exatamente uma demonstração de força contra essas naves poderia acontecer?
— Não vamos ser forçados a aceitar mais nenhuma de suas exigências — declarou Kai. — Sua Majestade sabe que já está caminhando sobre uma corda bamba muito fina. Minha paciência está desaparecendo, e a União está cansada de ceder a cada desejo de Levana para, logo em seguida, levar na cara as demonstrações gratuitas de poder dela.
— A rainha Levana não tem mais exigência nenhuma — disse o taumaturgo. — A Comunidade foi extremamente prestativa com nossos pedidos, e acho uma pena que você veja como uma ameaça a presença dessas naves lunares pacíficas até o momento.
— Se isso não é um recado, então por que elas estão ali?
Aimery deu de ombros.
— Talvez estejam esperando a finalização da aliança de paz entre Luna e a Comunidade. Afinal, depois que Sua Majestade assinar seu Tratado de Bremen, viagens pacíficas entre nossas duas nações serão possíveis e até encorajadas. — Ele deu um sorrisinho. — E a Comunidade fica tão linda esta época do ano.
O estômago de Kai deu um nó quando o taumaturgo descruzou as pernas e ficou de pé.
— Imagino que isso seja tudo, Vossa Majestade — disse ele, enfiando as mãos nas mangas largas e vermelhas. — A não ser que você também queira discutir os números sinfônicos aprovados para serem tocados durante a festa do casamento.
Corando, Kai se levantou da cadeira e desligou a holografia.
— Este não é o fim da discussão.
Aimery inclinou a cabeça com educação.
— Se você insiste, Majestade. Vou informar minha rainha de que você quer discutir esse assunto com ela em seu devido momento; embora talvez fosse prudente esperar até depois da cerimônia, não? No momento, ela está bastante ocupada. — Ele fez uma reverência, e, quando ficou novamente ereto, seu rosto exibia um sorriso provocante. — Direi à rainha que você mandou um beijo.
Kai estava tremendo de raiva quando Aimery saiu do escritório. Como era possível que os lunares nem precisassem usar os poderes mentais para deixá-lo louco de raiva cada vez que falava com um deles?
Ele teve uma vontade repentina de jogar alguma coisa no chão, mas o tablet que tinha na mão era de Torin, então o devolveu gentilmente para o conselheiro.
— Obrigado por toda a sua ajuda — murmurou ele.
Torin, que não falara nada durante a reunião, afrouxou a gravata.
— Você não precisou da minha ajuda, Vossa Majestade. Eu não poderia ter argumentado melhor do que você. — Ele suspirou e prendeu o tablet no cinto. — Infelizmente, o taumaturgo Park fez observações muito sólidas. Aos olhos da lei intergaláctica, Luna ainda não cometeu crime nenhum. Pelo menos, não no caso dessas naves.
— Talvez as leis intergalácticas precisem ser revistas.
— Talvez, Vossa Majestade.
Kai desabou novamente na cadeira.
— Você acha que ele só estava tentando me irritar ou todas aquelas naves vão mesmo invadir a Comunidade quando a aliança estiver consolidada? Por algum motivo, eu só tinha suposto que Levana ficaria satisfeita em se intitular imperatriz. Não pensei que fosse querer trazer o exército inteiro para cá e fazer com que se sentissem em casa. — Dizer as palavras em voz alta o fez se encolher por se sentir tão ingênuo. Kai falou um palavrão baixinho. — Sabe, estou começando a achar que entrei nessa história de casamento de forma meio apressada.
— Você tomou a melhor decisão que podia naquele momento.
Kai esfregou as mãos para tentar afastar a sensação de vulnerabilidade que a presença do taumaturgo provocou.
— Torin — disse ele, dirigindo o olhar para seu conselheiro —, se houvesse uma forma de evitar esse casamento nos impedir de entrar em guerra conseguir o antídoto... você concordaria que seria a melhor escolha de ações, não concordaria?
Torin se sentou devagar na cadeira onde antes estava o taumaturgo.
— Tenho quase medo de perguntar, Vossa Majestade.
Depois de limpar a garganta, Kai chamou Nainsi. Um segundo depois, sua pequena figura branca e reluzente apareceu à porta.
— Nainsi, você descobriu alguma novidade?
Quando ela se aproximou da mesa, seu sensor piscou uma vez para ele e para Torin.
— Peço permissão para o conselheiro Konn Torin.
As sobrancelhas de Torin se uniram em incompreensão, mas Kai ignorou.
— Permissão concedida.
Nainsi parou ao lado da mesa.
— Fiz um relatório completo sobre Michelle Benoit, incluindo uma linha do tempo detalhada com suas atividades, ocupações, realizações e serviço militar, além de informações biográficas sobre onze pessoas que pareceram próximas dela o suficiente para merecerem atenção. Meu sistema de coleta de dados está ampliando a busca para vizinhos e conhecidos em potencial, começando no ano 85 T.E.
— Quem é Michelle Benoit? — perguntou Torin, com um tom que sugeria que não queria na verdade saber a resposta.
— Michelle Benoit nasceu no ano 56 T.E. — disse Nainsi — e é mais admirada por seus vinte e oito anos de serviço nas forças armadas da Federação Europeia, vinte dos quais como tenente-coronel. Ela recebeu uma Medalha por Serviços Prestados por ser piloto na missão diplomática para Luna no ano 85 T.E. A missão incluía...
— Achamos que ela pode ter alguma coisa a ver com a princesa Selene — interrompeu Kai, digitando instruções rápidas nas telas embutidas em sua escrivaninha. Um momento depois, uma foto de satélite de uma fazenda no sul da França apareceu na tela. E ele apontou para um ponto escuro, onde a grama tinha sido queimada recentemente. — Ela era dona dessa fazenda, e esse campo é onde Cinder pousou na última vez que voltou para a Terra, logo antes do ataque. Portanto, supomos que Cinder acredita que Michelle Benoit esteja ligada à princesa também.
O rosto de Torin ficou sombrio, mas ele pareceu estar segurando a crítica até Kai terminar.
— Entendo.
— Nainsi, você descobriu alguma coisa útil?
— Útil é um termo subjetivo relativo às ações tomadas antes do recebimento das informações e do resultado...
— Nainsi. Você descobriu alguma coisa relevante?
— Relevante como? — perguntou Torin. — O que vocês esperam encontrar?
— A princesa Selene.
Torin suspirou.
— De novo?
— Sim. De novo — disse Kai. Ele fez um gesto para o céu. — Não foi você quem me disse que tínhamos que tentar enfrentar Levana?
— Não caçando fantasmas.
— Mas pense bem. Ela é a verdadeira herdeira do trono lunar. Você acha mesmo que encontrá-la não nos daria vantagem?
Torin apertou bem a boca, mas, para alívio de Kai, pareceu estar pensando na pergunta.
— Não quero que você se distraia e deixe de lado as coisas que são realmente importantes.
Kai deu uma risada debochada.
— As coisas importantes, como centros de mesa de jade e se minha faixa de casamento deve ter morcegos voadores ou um par de grous bordados?
— Isso não é piada.
— Obviamente.
Torin massageou a testa e olhou Nainsi por um longo momento, para depois desviar o olhar para o teto.
— Vossa Majestade. De acordo com os avisos da própria Linh Cinder, a rainha Levana já pretende assassinar você por tentar encontrar a princesa antes. Qual vai ser a retaliação dela quando descobrir que você ainda não parou?
— Não importa; ela já pretende me matar, então o que mais pode fazer? E a princesa Selene seria a herdeira verdadeira. A existência dela acabaria com qualquer direito de Levana ao trono.
Torin deixou os ombros penderem.
— E você acha que se encontrar uma garota que tem o quê? Quinze anos?
— Dezesseis.
— Uma garota de dezesseis anos. Você acredita que encontrá-la é o que a Comunidade precisa agora, mais do que qualquer outra coisa?
Kai engoliu em seco, mas sua resposta foi firme:
— Acredito.
Torin se encostou na cadeira, resignado.
— Tudo bem. Certo. Não vou tentar dissuadir você. — Ele olhou para Nainsi de novo, dessa vez com desconfiança, como se tudo fosse culpa da androide. — Por favor, continue.
Nainsi voltou ao relatório.
— Michelle Benoit desapareceu da fazenda no dia 11 de agosto; seu chip de identidade foi deixado em casa depois de removido do pulso. As evidências não indicavam se houve luta ou não. Duas semanas depois, a neta dela, Scarlet, que morava com Benoit havia onze anos, viajou da casa delas em Rieux, na França, para Paris. Os registros indicam que ela ficou em Paris durante dois dias antes de seu chip de identificação sumir. Presumivelmente, o chip foi removido e destruído. Cruzamentos de linhas temporais indicam que o chip de identificação dela foi visto pela última vez perto de um teatro de ópera abandonado de Paris, ao mesmo tempo que uma máquina próxima registrou o que parece ser o pouso e decolagem de uma Rampion 214. Mas transmissões de satélite não captaram essa nave naquele local. O raciocínio lógico me leva a acreditar que era a nave em que Linh Cinder está escondida e que Scarlet Benoit pode ter ido para a espaçonave naquele momento.
Kai franziu a testa e ficou feliz de até Torin parecer intrigado com essa informação.
— Cinder fez uma viagem especial para Paris por causa dessa garota?
— Minha aptidão lógica sugere que é uma possibilidade.
— O que mais sabemos sobre essa... Scarlet?
— De acordo com os registros de identidade, ela foi morar com Michelle Benoit em 115 T.E., dois anos depois do registro de morte da princesa Selene. A data de nascimento indica que tem dezoito anos. No entanto, não existe registro hospitalar do nascimento de Scarlet Benoit, e os dados dela só foram inseridos quando tinha quatro anos, então não temos como confirmar a validade de nenhum dos registros.
— Não estou entendendo.
— Scarlet Benoit não nasceu em um hospital. Nem o pai dela, Luc Raoul Benoit. Sem registros oficiais, temos que tratar com cautela qualquer informação sobre os nascimentos deles. É possível que tudo o que saibamos sobre Scarlet Benoit seja informação falsa.
Kai apertou as mãos na mesa.
— Você está dizendo que há uma chance de essa garota, essa Scarlet Benoit... ser na verdade a princesa Selene?
— É uma possibilidade que não pode ser provada nem refutada no momento, mas não encontrei nenhuma evidência que permita o descarte dessa hipótese.
Kai encheu os pulmões, sentindo que não respirava direito havia semanas.
— E Cinder sabe. Cinder descobriu... e agora... está com ela. Cinder encontrou a princesa.
— Vossa Majestade — disse Torin —, você está tirando conclusões muito precipitadas.
— Mas faz sentido, não faz?
Torin fez expressão de desprezo.
— Prefiro não dar minha opinião sobre o assunto até termos informações baseadas em mais do que especulação.
— Especulação de um androide — disse Kai, apontando para Nainsi. — É melhor do que uma especulação qualquer.
Ele se levantou da cadeira e começou a andar na frente do janelão. A princesa Selene estava viva. Ele sabia.
E Cinder a tinha encontrado.
Ele quase riu.
— Estou surpreso de vê-lo encarando isso tudo com humor tão bom, Majestade — comentou Torin. — Eu imaginaria que você ficaria horrorizado com essa virada nos acontecimentos.
— Por quê? Ela está viva!
— Se essa garota for a princesa desaparecida, ela é refém de uma criminosa perigosa, Majestade.
— O qu... Cinder não é perigosa!
Torin pareceu ficar inesperadamente furioso ao também permanecer de pé.
— Você esqueceu que ela é lunar? Ela é lunar e tem contatos trabalhando dentro deste palácio. Ela coagiu você, a pessoa mais protegida do país, a dar a ela um convite pessoal para nosso baile anual, depois se infiltrou nele com a suposta intenção de provocar a rainha Levana. Fugiu de uma prisão de alta segurança e esquivou-se de toda a nossa força militar, o que levou a um ataque que matou milhares de terráqueos. Como você pode dizer que ela não é perigosa?
Kai endireitou a coluna.
— Levana nos atacou, não Cinder.
Gemendo, Torin esfregou os dedos nas têmporas. Fazia muito tempo que Kai não via aquela expressão no conselheiro. A expressão que indicava que Kai era um imbecil.
A indignação cresceu dentro dele.
— E que fique registrado que ela recusou meu convite para o baile. Ela só foi para me avisar. E o dr. Erland... — Ele hesitou. Ainda não sabia o que pensar do relacionamento dela com o dr. Erland. — Levana quer que ela seja morta. Não demos a ela nenhuma outra escolha além de fugir.
— Vossa Majestade, tenho medo de que... seus sentimentos por essa garota estejam atrapalhando de forma a botar em risco sua capacidade de tomar decisões lógicas no que diz respeito a ela.
O rosto de Kai ficou quente. Será que era tão transparente?
— Ainda estou tentando encontrá-la, não estou? Os militares ainda estão procurando-a.
— Mas você está tentando encontrá-la ou encontrar essa princesa?
Ele fez um gesto para Nainsi.
— Se elas estiverem juntas, que importância tem? Podemos encontrar as duas!
— E você dará a Luna uma nova rainha, e Linh Cinder será perdoada?
— Não sei. Talvez. É uma coisa tão horrível de se desejar?
— Ela ainda é um deles. Você mesmo disse que mentiu para você sobre tudo. O que você sabe sobre ela? Ela roubou um chip de identificação do pulso de uma garota morta. Ajudou um ladrão conhecido a fugir da prisão. Preciso continuar?
Com uma careta, Kai se virou para a janela e cruzou os braços com teimosia. Ele odiava que todas as palavras que Torin disse foram indiscutíveis, enquanto todas as esperanças que Nainsi lhe deu eram baseadas em vagas observações e palpites incertos.
— Entendo que você se sinta parcialmente responsável por condená-la à morte — falou Torin, com tom mais gentil. — Mas você precisa parar de idolatrá-la.
— Idolatrar... — Kai olhou para ele de novo. — Eu não a idolatro.
Torin lançou um olhar especulativo, até que Kai começou a ficar desconfortável.
— Eu posso admirá-la às vezes, mas até você tem que admitir que o que ela fez foi bem impressionante. Além do mais, ela enfrentou Levana no baile. Você não ficou impressionado com aquilo? Nem um pouco?
Torin abotoou o paletó do terno.
— Minha questão, Vossa Majestade, é que você parece estar colocando fé demais em uma garota sobre quem não sabe nada e que nos causou um monte de problemas.
Kai fez expressão de irritação. Torin estava certo, claro. Ele não sabia nada sobre Cinder, por mais que achasse que sabia.
Mas ele era o imperador. Podia não saber muito sobre Cinder, mas, se ela descobrisse sobre a princesa lunar perdida, ele poderia conhecer mais sobre ela. E ele sabia muito bem onde começar a procurar.

2 comentários:

  1. Não fala assim da minha Cinder seu besta. Desconfio de você até hoje. Não me esqueci disso não.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!