13 de dezembro de 2018

CAPÍTULO Vinte e cinco

CINDER ABRIU AS CORTINAS E ENTROU NA LOJA, SEGURANDO-AS abertas para Jacin enquanto observava as prateleiras ao redor. Havia jarros lotados de ervas e líquidos, muitos rotulados em uma língua que ela não conhecia, embora, se olhasse por tempo suficiente, sua ligação à rede fosse começar a procurar uma tradução. Esses ingredientes exóticos estavam espalhados entre caixas de remédios e frascos de comprimidos que ela reconhecia de farmácias da Comunidade, junto com rolos de gaze e ataduras, pomadas pesadas, acessórios elaborados de tablet para examinar sinais vitais, óleos de massagem, velas e modelos anatômicos. Partículas de poeira estavam visíveis nos poucos raios de luz que entravam pelas janelas sujas, e um ventilador girava preguiçosamente no canto, sem ajudar muito a dispersar o calor. No canto, uma holografia mostrava o desenvolvimento de uma hemorragia interna resultante de um ferimento lateral e tremia ocasionalmente.
Jacin foi até os fundos da loja, ainda mancando um pouco ao andar.
— Olá — chamou Cinder.
Outra cortina pendia em frente a uma porta na parede oposta, junto a um velho espelho e uma pia com uma planta dentro.
A cortina balançou e uma mulher passou por ela, prendendo um avental por cima de uma calça jeans e uma blusa estampada.
— Estou chegando, estou cheg... — Ela viu Cinder. Seus olhos se arregalaram e a mulher abriu um enorme sorriso ao prender as cordas do avental nas costas. — Bem-vinda! — disse com o sotaque pesado com o qual Cinder estava se acostumando.
— Oi, obrigada. — Cinder colocou um tablet na bancada entre as duas e mostrou a lista que o dr. Erland tinha gravado para ela. — Estou aqui em busca de algumas coisas. Me disseram que você teria aqui.
— Cinder Linh.
Ela ergueu a cabeça. A mulher ainda estava sorrindo.
— Sim?
— Você é corajosa e linda.
Ela ficou tensa, sentindo mais como se a mulher a tivesse ameaçado do que elogiado.
Nos momentos seguintes à declaração inesperada, ela esperou que seu detector de mentira entrasse em ação, mas isso não aconteceu. Corajosa, talvez. Pelo menos, ela entendia por que alguém diria isso depois de ouvir as histórias do baile.
Mas linda?
A mulher continuou a sorrir.
— Hã. Obrigada? — Ela empurrou o tablet na direção da mulher. — Meu amigo me deu esta lista...
A mulher segurou suas mãos e apertou. Cinder engoliu em seco, surpresa não só pelo toque repentino, mas pela forma como a mulher não fez uma careta ao segurar a mão de metal.
Jacin se inclinou por cima da bancada e empurrou o tablet na direção da mulher tão de repente que ela precisou soltar a mão de Cinder para segurar.
— Precisamos dessas coisas — disse ele, apontando para a tela.
O sorriso da mulher sumiu quando ela olhou para Jacin, que estava usando a camiseta do uniforme da guarda, limpa e costurada de forma que as marcas de sangue quase não apareciam no tecido vinho.
— Meu filho também foi recrutado para se tornar guarda de Levana. — Ela apertou os olhos. — Mas ele não era tão grosso.
Jacin deu de ombros.
— Alguns de nós têm coisas a fazer.
— Espere — falou Cinder. — Você é lunar?
A expressão dela se suavizou quando ela olhou para Cinder de novo.
— Sou. Como você.
Ela sufocou o mal-estar que veio junto com uma admissão tão aberta.
— E seu filho é guarda real?
— Não, não. Ele preferiu se matar a se tornar uma marionete na mão dela.
Ela lançou um olhar de raiva para Jacin e se empertigou um pouco mais.
— Ah. Sinto muito — disse Cinder.
Jacin revirou os olhos.
— Acho que ele não devia se importar muito com você.
Cinder sufocou um grito.
— Jacin!
Balançando a cabeça, ele tirou o tablet da mão da mulher.
— Vou começar a procurar — declarou ele, passando por Cinder. — Por que você não pergunta a ela o que aconteceu depois?
Cinder olhou com raiva para as costas de Jacin até ele desaparecer em um dos corredores.
— Me desculpe por isso — disse ela, procurando alguma desculpa. — Ele é... você sabe. Lunar também.
— Ele é um dos dela.
Cinder se voltou novamente para a mulher, que parecia ofendida pelas palavras de Jacin.
— Não é mais.
Resmungando, a mulher se virou para reposicionar o ventilador a fim de que Cinder recebesse a maior parte da brisa.
— A coragem existe em muitas formas. Você sabe disso.
O rosto da mulher se encheu de orgulho.
— Acho que sim.
— Talvez seu amigo tenha tido coragem suficiente para entrar para a guarda dela. Meu filho teve coragem suficiente para não entrar.
Massageando distraidamente o pulso, Cinder se apoiou na bancada.
— Aconteceu alguma coisa? Depois?
— É claro. — Ainda havia orgulho no rosto dela, mas também raiva e tristeza. — Três dias depois que meu filho morreu, dois homens foram à minha casa. Eles levaram meu marido para a rua e o obrigaram a implorar pelo perdão da rainha por ter criado um filho tão desleal. E depois o mataram de qualquer jeito, como punição. E como aviso para qualquer outro convocado que estivesse pensando em desobedecer à coroa. — Os olhos estavam começando a se encherem de água, mas ela sustentou um sorriso sofrido. — Eu demorei quase quatro anos para encontrar uma nave vindo para a Terra e disposta a me aceitar como clandestina. Quatro anos fingindo que eu não a odiava. Fingindo ser mais uma cidadã leal.
Cinder engoliu em seco.
— Sinto muito.
A mulher esticou a mão e aninhou a bochecha de Cinder.
— Obrigada por desafiá-la de uma forma que nunca fui capaz. — A voz dela virou aço. — Espero que você a mate.
— Você vende fentanil de 10mg? — perguntou Jacin, voltando para a bancada e colocando três caixas pequenas em cima.
A mulher apertou os lábios e tirou o tablet da mão dele.
— Deixe que eu faço isso — disse ela, contornando a bancada e seguindo para o canto da frente da loja.
— Foi o que pensei — murmurou ele.
Cinder apoiou o queixo no punho de metal e olhou para ele.
— Eu nunca soube que ser guarda real era uma posição obrigatória.
— Não para todo mundo. Muita gente quer ser escolhida. É uma grande honra em Luna.
— Você quis?
Ele olhou para ela.
— Não. Eu sempre quis ser médico.
O tom dele estava cheio de sarcasmo, mas o dispositivo óptico biônico de Cinder não detectou como mentira. Ela cruzou os braços.
— Certo. Quem você estava protegendo?
— O que você quer dizer?
Alguma coisa arrastou no chão; a vendedora estava empurrando caixas poeirentas.
— Quando você foi convocado para ser guarda real. Quem Levana teria assassinado se você tivesse recusado?
Os olhos claros ficaram gélidos. Ele esticou a mão por cima da bancada e virou o ventilador para si.
— Não importa. Eles vão acabar mortos mesmo.
Cinder afastou o olhar. Como ele decidiu se juntar ao lado dela, seus entes queridos poderiam sofrer.
— Talvez não — disse ela. — Levana não sabe que você a traiu. Pode pensar que eu usei meu glamour com você. Que estou forçando você a nos ajudar.
— E você acha que isso vai fazer diferença?
— Talvez. — Ela viu a vendedora revirar uma caixa. Uma mosca zumbiu perto de sua cabeça, e Cinder a espantou. — E como se escolhe um guarda real?
— Há certas características que eles procuram.
— E lealdade não é uma delas?
— Por que seria? Ela pode imitar lealdade. É como com seu amigo agente especial. Ele pode ter reflexos rápidos, bons instintos e uma certa quantidade de bom senso. Mas, se você juntá-lo a um taumaturgo capaz de transformá-lo em um animal selvagem, não vai mais importar o que ele pensa ou quer. Ele apenas faz o que mandam.
— Já vi Lobo lutar contra isso — falou Cinder, sentindo vontade de defendê-lo uma vez que Scarlet não estava ali para isso.
Na primeira vez que Cinder viu Lobo, ele estava coberto de sangue e agachado de forma ameaçadora por cima de Scarlet, embora ela tenha sempre insistido que ele não a machucaria. Que era diferente dos outros, mais forte.
É claro que isso foi antes de Lobo ter levado um tiro no lugar de uma taumaturga, momentos antes de Scarlet ser sequestrada.
— Obviamente, não é uma coisa fácil de fazer — acrescentou ela. — Mas eles podem lutar contra o controle mental.
— Parece ter feito muito bem a ele.
Cinder travou o maxilar e apertou a mão de metal na nuca, esperando que a acalmasse.
— Ele preferiu lutar e perder a se tornar um peão dela. Todos nós preferiríamos.
— Que bom. Nem todo mundo tem essa opção.
Ela reparou que ele tinha pousado a mão confortavelmente na faca embainhada ao lado da coxa.
— Está claro que Levana não escolheu você pela sua capacidade de manter uma boa conversa. Quais eram as características que você tinha que a fizeram pensar que você seria um bom guarda?
Aquela expressão de diversão arrogante voltou, como se ele estivesse compartilhando com ela uma piada particular.
— Meu rosto bonito — disse ele. — Não deu para perceber?
Ela riu.
— Você está começando a falar como Tho-Thorne. — Ela gaguejou no nome dele.
Thorne, que jamais voltaria a fazer piadas sobre o próprio carisma.
Jacin não pareceu reparar.
— É triste, mas é verdade.
Cinder engoliu o remorso repentino.
— Levana escolhe os guardas pessoais com base em quem vai decorar melhor o ambiente? De repente me sinto melhor quanto às nossas chances.
— Isso e nossas mentes muito fracas.
— Você está brincando.
— Não. Se eu fosse bom com meu dom, talvez tivesse chegado a taumaturgo. Mas a rainha quer que seus guardas sejam controlados facilmente. Somos como marionetes que ela mexe por aí. Afinal, se demonstramos a menor resistência ao controle dela, isso poderia significar a diferença entre a vida e a morte para Sua Majestade.
Cinder pensou no baile, quando estava com a arma e tentou atirar em Levana. O guarda ruivo pulou na frente da bala sem hesitar. Ela sempre achara que ele estava fazendo seu dever de proteger a rainha, que fez por vontade própria, mas reconheceu que os movimentos dele foram desajeitados demais, nada naturais. E que a rainha nem piscou.
Ela o estava controlando. Jacin estava certo. Ele funcionou como uma marionete.
— Mas você resistiu ao controle na nave.
— Porque a taumaturga Mira estava ocupada com seu amigo agente. Senão, eu teria sido o mesmo manequim sem cérebro que costumo ser.
Havia humor em seu tom autodepreciativo, mas Cinder detectou amargura por baixo. Ninguém gostava de ser controlado, e ela achava que ninguém se acostumava com isso.
— E você acha que eles não desconfiam que você é...
— Um traidor?
— Se é isso que você é.
O polegar dele contornou o punho da faca.
— Meu dom é praticamente inútil. Eu não seria capaz de controlar nem um terráqueo, muito menos um lunar habilidoso. Eu jamais conseguiria fazer o que você faz. Mas desenvolvi a capacidade de manter os pensamentos vazios quando a rainha ou um taumaturgo estão por perto. Para eles, eu tenho tanto cérebro e força de vontade quanto um cotoco de árvore. Não sou exatamente ameaçador.
Perto da frente da loja, a mulher começou a cantarolar baixinho enquanto reunia a lista de Cinder.
— Você está fazendo isso agora mesmo, não está? — disse Cinder, cruzando os braços. — Mantendo os pensamentos vazios.
— É hábito.
Cinder fechou os olhos e o procurou com os pensamentos. A presença dele estava lá, mas só de leve. Ela sabia que poderia controlá-lo sem esforço, mas a energia que emanava do corpo dele não revelava nada. Nenhuma emoção. Nenhuma opinião. Ele simplesmente se misturava ao pano de fundo.
— Hã. Eu sempre achei que seu treinamento devia ter ensinado isso.
— É só autopreservação saudável.
Ela franziu a testa e abriu os olhos. O homem à frente era um buraco negro emocional, de acordo com seu dom lunar. Mas, se ele conseguia enganar Levana...
Ela apertou os olhos.
— Minta para mim.
— O quê?
— Me conte uma mentira. Não precisa ser nada grandioso.
Ele ficou em silêncio por bastante tempo, e ela imaginou ser capaz de ouvi-lo revirando todas as mentiras e verdades, pesando-as em relação umas às outras.
Por fim, ele disse:
— Levana não é tão ruim depois que você passa a conhecê-la.
Uma luz laranja piscou no canto da visão dela.
Ao ver o sorriso debochado de Jacin, Cinder começou a rir, e a tensão sumiu dos ombros dela como ondas de calor que sobem da areia do deserto. Pelo menos sua programação ciborgue ainda detectava se ele estava mentindo para ela ou não. O que queria dizer que não tinha mentido quando disse que era leal à princesa e só a ela.
A vendedora voltou e colocou vários remédios diferentes na bancada, olhou o tablet e se afastou de novo.
— Agora que você sabe tudo sobre mim — falou Jacin, como se isso fosse alguma coisa perto da verdade —, eu tenho uma pergunta para você.
— Pode falar — disse ela, organizando os vidros em fileiras arrumadas. — Meus segredos são quase todos de conhecimento público atualmente.
— Posso ser capaz de esconder minhas emoções da rainha, mas não consigo esconder o fato de que sou lunar e posso ser controlado por ela. Mas, quando você chegou naquele baile, seu dom parecia não existir. Sinceramente, no começo pensei que você fosse terráquea. E sei que foi por isso que a rainha e a taumaturga Mira estavam zombando de você... tratando-a como uma cascuda, o que você poderia muito bem ser, por não ter poder nenhum. — Ele ficou olhando para Cinder, como se tentando ver dentro da confusão de fios e chips dentro da cabeça dela. — E então, de repente, você não estava mais sem poderes. Seu dom era praticamente cegante. Talvez até pior que o de Levana.
— Nossa, obrigada — murmurou Cinder.
— Como você fez isso? Como conseguiu esconder tanto poder? Levana deveria ter percebido imediatamente... todos nós. Agora, quando olho para você, é praticamente só o que vejo.
Cinder mordeu o lábio e olhou para o espelho acima da pequena pia da loja. Viu seu reflexo e não ficou surpresa de encontrar uma mancha de sujeira no maxilar (há quanto tempo estava ali?) e fios de cabelo caindo desgrenhados do rabo de cavalo. O espelho a mostrava exatamente como sempre foi. Comum. Suja. Um ciborgue.
Ela tentou imaginar como seria se ver como via Levana: assustadoramente bonita e poderosa. Mas era impossível com aquele reflexo olhando para ela.
Era por isso que Levana desprezava tantos espelhos, mas Cinder achava seu reflexo quase reconfortante. A vendedora a chamou de corajosa e linda. Jacin a chamou de cegante. Era bom saber que os dois estavam errados.
Ela ainda era apenas Cinder.
Depois de prender uma mecha de cabelo atrás da orelha, ela se esforçou para explicar a Jacin o “sistema de segurança bioelétrico” que seu pai adotivo inventou e instalou em sua espinha dorsal. Durante anos, isso a impediu de usar o dom, e era por isso que, até recentemente, ela não sabia que era lunar. O dispositivo servia para protegê-la, não só impedindo-a de usar o dom para que os terráqueos não soubessem o que ela era, mas também para impedir os efeitos colaterais que a maioria dos lunares sentia quando não usava o dom por longos períodos, as alucinações, a depressão e a loucura.
— É por isso que você talvez ouça o dr. Erland falando sozinho às vezes — disse ela. — Ele não usou o dom durante anos depois de vir para a Terra, e agora a sanidade dele está...
— Espere.
Ela fez uma pausa, não só porque Jacin falou, mas porque alguma coisa mudou no ar ao redor dele. Houve um pico repentino de emoção que pegou Cinder desprevenida.
— Esse dispositivo impediu você de perder sua estabilidade mental? Mesmo você não usando seu dom durante... anos?
— Bem, ele me impediu de usar o dom antes de tudo, e também me protegeu dos efeitos colaterais.
Ele virou o rosto para o outro lado e levou um minuto para recompor as feições de volta à indiferença, mas era tarde demais. Havia uma nova intensidade por trás dos olhos dele conforme se dava conta das implicações.
Um dispositivo que podia anular o dom lunar de uma pessoa faria com que todos fossem iguais.
— Pois então — disse Cinder, massageando a nuca onde o dispositivo ainda estava instalado, embora estivesse quebrado. — O dr. Erland o desligou. Meu dom ficou indo e vindo durante algumas semanas antes do baile, mas todo o estresse emocional sobrecarregou meu sistema, e o dispositivo, e... ali estava eu. Completamente lunar. No momento certo.
Ela se encolheu ao relembrar da sensação de uma arma encostada na cabeça.
— Existe mais algum dispositivo desses? — perguntou ele, os olhos estranhamente brilhantes.
— Acho que não. Meu padrasto morreu antes de ter sido completamente testado, e até onde eu sei, não fez nenhum outro. Embora ele possa ter deixado papéis ou desenhos que expliquem como funciona.
— Não parece possível. Uma invenção assim... poderia mudar tudo.
Ele balançou a cabeça de novo, olhando para o nada, quando a vendedora voltou e colocou uma cesta cheia de compras sobre a bancada. Ela pegou os vidros de antes e colocou por cima, junto com o tablet de Cinder.
— Isso é perfeito — disse Cinder, puxando a cesta. — Muito obrigada. O doutor disse que você podia colocar na conta dele. Tudo bem?
— Nada de pagamento de Cinder Linh — retrucou a mulher, balançando uma das mãos enquanto tirava um tablet do bolso do avental. — Mas... posso tirar sua foto para meu perfil da rede? Minha primeira celebridade!
Cinder se encolheu para longe dela.
— Er... me desculpe. Não ando tirando fotos ultimamente.
A mulher murchou de decepção e guardou o tablet no bolso.
— Me desculpe, de verdade. Vou falar com o doutor sobre o pagamento, certo?
Ela tirou a cesta da bancada sem esperar ouvir outro argumento.
— Não anda tirando fotos ultimamente? — murmurou Jacin enquanto eles saíam apressadamente da loja. — Que lunar de sua parte.
Cinder apertou os olhos contra a luz do sol repentina e intensa.
— Muito criminoso procurado da minha parte também.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!