20 de dezembro de 2018

CAPÍTULO Trinta e um

Winter ficou hipnotizada pelas mãos confiantes de Scarlet passando pelos controles da nave. Atrás delas, portas de ferro enormes se fecharam, trancando-as em uma câmara fechada a vácuo com mais de dez outras naves esperando para serem liberadas do porto subterrâneo de Artemísia. Desviando a atenção de Scarlet e dos instrumentos piscantes, Winter olhou por cima do ombro para as portas, tão antigas que quase pareciam existir na Lua antes da colonização.
As portas a separavam do porto, da cidade, do palácio.
E de Jacin.
Scarlet estava muito nervosa, batendo os dedos nos instrumentos.
— Quanto tempo vai demorar?
— Não sei. Só saí de Artemísia pelos trens de levitação magnética.
— Eles só precisam lacrar algumas portas, certo? — Scarlet levou a mão ao teto e mexeu em alguns botões. As luzes dentro da nave se apagaram. — Seria uma hora ruim para alguém olhar e reconhecer você. Provavelmente pensariam que eu estou sequestrando você.
— De certa forma, está.
— Não. Eu estou salvando você da sua madrasta psicótica. Tem uma diferença.
Winter afastou a atenção das portas e observou as naves próximas. A maioria parecia ser de carga. Ela se perguntou quantas estavam levando suprimentos ou mais soldados da rainha para a guerra na Terra. Ainda assim, a maioria estaria indo para os setores externos para entregas ou carregamentos de bens para serem trazidos para a capital. Era bem mais rápido ir voando do que usar os trens de levitação magnética para dar a volta em metade da Lua.
— Nós vamos para a Terra?
Scarlet franziu mais a testa.
— Jacin disse que essa nave não iria tão longe. Disse para irmos ao setor MR-9.
Jacin. O corajoso Jacin. Sempre a protegendo.
Ela o abandonara.
Scarlet puxou um dos cordões do casaco de moletom, com a ponta desfiada e suja.
— Jacin disse que esse setor para onde vamos é onde Lobo passou a infância. A família dele pode ainda estar lá.
Winter passou o dedo pelo cinto e cantarolou em pensamento: A Terra está cheia esta noite, esta noite, e os lobos todos uivam, auuuuuuu…
— Precisamos de um aliado. Alguém em quem possamos confiar. Talvez eu consiga persuadir os pais de Lobo a nos abrigar. A nos esconder até termos um plano melhor, e... em nome de todas as estrelas, por que está demorando tanto?
Winter olhou para ela.
— Aauuuu?
Scarlet bufou.
— Você pode se concentrar? Precisamos encontrar um lugar para nos escondermos da rainha.
— Ela vai nos encontrar em qualquer lugar. Nós não estaremos seguras.
— Não diga isso. O povo gosta de você, não gosta? Vai proteger você. Vai nos proteger.
— Eu não quero colocar ninguém em perigo.
— Você precisa deixar essa forma de pensamento para trás. Somos nós contra ela, Winter. De agora em diante, preciso que você pense como alguém que quer sobreviver.
Winter inspirou e tremeu, com inveja das brasas que ardiam dentro de Scarlet. Ela se sentia vazia e fria por dentro. Fácil de quebrar.
Scarlet colocou um dos cordões do capuz do moletom na boca e mordeu a ponta de plástico.
— MR-9 — murmurou ela baixinho. — O que MR-9 quer dizer?
— Mineração de Regolito Setor 9. É um setor perigoso.
— Perigoso? Perigoso como?
— Doença do regolito. Muitas mortes.
Scarlet curvou os lábios.
— Parece o tipo de lugar em que Levana não procuraria você. — Scarlet clicou em uma tela e abriu um mapa. — Perfeito.
Um segundo par de portas enormes começou a se abrir e desapareceu nas paredes pretas da caverna. Uma luz leve entrou.
— Scarlet?
— O quê? — Scarlet levantou o rosto e ofegou. — Finalmente.
Quando a abertura entre as portas aumentou, Winter viu que elas estavam em uma caverna na lateral de uma cratera. Depois das beiradas havia o terreno rochoso de Luna, com pedras irregulares e superfície marcada, tão receptivas quanto um buraco negro.
— Jacin salvou nós duas — sussurrou ela, com o peito doendo.
Scarlet limpou a garganta e pilotou a nave para a frente, entrando em fila com as outras. Adiante, os propulsores da nave mais próxima da saída se acenderam e a impulsionaram para o espaço.
— Ele poderia ter sido um pouco mais generoso com as informações. Mas, é. Depois me lembre de agradecer.
— Levana vai matá-lo. — Ela olhou para baixo. Havia sangue seco embaixo de suas unhas, manchando o vestido, encharcando os sapatos. Ela piscou, e manchas de sangue começaram a se espalhar no tecido.
Winter soltou o ar com fraqueza. Não é real, princesa.
— Tenho certeza de que ele teve motivo para ficar — disse Scarlet. — Ele deve ter um plano.
A nave chegou à frente da fila, e a galáxia inteira se abriu para elas. Um sorriso ousado surgiu nos lábios de Scarlet.
— Aí vamos nós.
Quando os dedos de Scarlet voaram acima dos controles e a nave zumbiu, Winter olhou para trás uma última vez. Houve um sacolejo. O estômago dela despencou, e elas saíram voando da antecâmara, e Scarlet começou a rir, e o domo de cristal que abrigava Artemísia ficou para trás e foi ficando menor e menor e…
Winter soluçou e levou a mão à boca.
— Ei, ei, nada disso — disse Scarlet, sem se dar ao trabalho de esconder sua alegria efusiva. — Nós conseguimos, Winter, e tenho certeza de que Jacin vai ficar bem. Ele parece ser forte.
O pescoço de Winter começou a doer por ela estar virada no assento, mas ela não queria afastar o olhar de Artemísia, mesmo quando o palácio e as construções começaram a se misturar e as luzes piscaram e sumiram, invisíveis embaixo da superfície do domo.
— Ela vai matá-lo.
— Sei que você está preocupada, mas olhe. Estamos fora daquela cidade esquecida pelas estrelas. Estamos vivas e estamos livres, então chega de ficar pra baixo.
Winter encostou a bochecha nas costas da cadeira. Mais lágrimas ameaçavam escorrer, mas ela as segurou e se concentrou na respiração irregular.
Depois de um longo silêncio, sentiu certa mão sobre a sua.
— Desculpe — disse Scarlet. — Não foi justo. Eu sei que você gosta dele.
Winter engoliu em seco.
— Eu o amo como amo minha própria fábrica de plaquetas.
— Sua o quê?
— Sei lá. Meu coração, eu acho. Meu corpo. Eu o amo, cada parte dele.
— Tudo bem, você o ama. Mas, Winter, ele pareceu saber o que estava fazendo.
— Me protegendo — sussurrou Winter. — Ele sempre está me protegendo.
Ela levou um susto com o odor inesperado de sangue que invadiu seus pulmões. Olhou para baixo e ofegou.
— O quê? O que foi?
Winter afastou o vestido da barriga. O sangue tinha encharcado o tecido branco cintilante e o deixado vermelho-escuro. Até a toalha que elas tiraram da criada estava coberta. O fedor era tão denso que ela sentia o gosto.
— Winter?
— É… não é nada — gaguejou ela, tentando fazer tudo sumir. O sangue escorreu pelas pernas.
— Você está tendo uma alucinação, não está?
Winter se encostou na cadeira. Envolveu as tiras do cinto de segurança com os dedos.
É só coisa da sua cabeça, princesa. Não é real.
— Eu estou bem. Vai passar logo.
— Sinceramente — cortou Scarlet —, por que você não usa seu glamour? Por que se deixa enlouquecer assim?
— Eu não quero usar. — Winter inspirou com dificuldade.
— Eu entendi, mas por quê?
— É um dom cruel. Eu queria não ter nascido com ele.
— Mas você nasceu com ele. Olhe para você, Winter. Está péssima. Por que não… sei lá… me faz pensar que seu cabelo é laranja ou alguma coisa assim? Alguma coisa inofensiva?
— Nunca é inofensivo.
O cinto foi puxado. Os dedos apertaram as tiras.
— Se eu tivesse o dom, eu teria mostrado àqueles imbecis metidos uma coisa ou duas — continuou Scarlet, alheia ao aperto do cinto, ao sangue jorrando. — Para ver o que eles achavam de ficarem mandando que fizessem truques.
As mãos de Winter estavam molhadas e escorregadias e grudentas.
— Meu avô era lunar — disse Scarlet. — Eu não o conheci, mas sei que morreu em um manicômio. Tenho que supor que foi porque fez a mesma escolha que você está fazendo agora. Ele estava na Terra e tentava esconder o que era, então talvez tivesse motivo. Mas você? Por que você faz isso com você mesma? Como melhora as coisas?
— Não piora nada.
— Piora você. Por que você não… faz coisas boas com seu dom?
Winter riu mesmo em meio à alucinação.
— Todos acreditam que estão fazendo o bem. — Ela inclinou a cabeça para o lado e observou Scarlet com os olhos cansados. — Minha madrasta não é poderosa só porque as pessoas têm medo dela, ela é poderosa porque pode fazer com que as pessoas a amem quando precisa. Nós achamos que, se escolhemos fazer só o bem, somos apenas bons. Podemos fazer as pessoas felizes. Podemos oferecer tranquilidade ou alegria ou amor, e achamos que isso deve ser bom. Nós não vemos a falsidade se tornando um tipo particular de crueldade.
A nave tremeu quando a velocidade aumentou. Luna virou um borrão embaixo delas.
— Uma vez... — continuou Winter, forçando as palavras a saírem. — Uma vez, eu acreditei de coração que estava fazendo o bem. Mas estava enganada.
Scarlet desviou o olhar para ela e depois novamente para a paisagem.
— O que aconteceu?
— Houve uma criada que tentou se matar. Eu a impedi. Eu a obriguei a mudar de ideia. Eu a deixei feliz. Tinha tanta certeza de que estava ajudando. — A respiração dela saiu entrecortada, mas ela continuou falando, torcendo para afastar a alucinação se a ignorasse. — Mas só dei a ela mais tempo para ser torturada por Aimery. Ele gostava bastante dela, sabe.
Scarlet ficou em silêncio, mas Winter não ousou olhar para ela.
— Na segunda vez que tentou tirar a vida, ela conseguiu. Só então percebi que não tinha ajudado em nada. — Ela engoliu em seco. — Naquele dia, jurei nunca mais manipular ninguém. Mesmo se acreditasse estar fazendo o bem… pois quem sou eu para presumir o que é bom para os outros?
O cinto apertou de novo, forçando o esterno de Winter, espremendo as costelas. O sangue estava escorrendo agora. Em pouco tempo, formaria poças ao redor dos tornozelos. O cinto a cortaria, a partiria em pedacinhos em formato de garota. Rasgaria toda a sua pele.
Winter fechou os olhos.
Fique comigo, princesa.
Depois de um silêncio sufocante, Scarlet murmurou:
— Sinto que deveria haver um jeito de controlá-lo sem… isso.
O cinto se apertou mais e forçou o ar para fora dos pulmões dela. Com um choramingo, inclinou a cabeça para trás a fim de evitar que apertasse a traqueia.
— O quê… Winter?
Estrelas dançavam atrás de suas pálpebras. Os pulmões estavam queimando. Sangue pingava dos cachos do cabelo e encharcava as tiras do cinto. Ela parou de lutar e deixou o corpo pender para a frente. As tiras esmagaram o esterno, quebraram as costelas.
Scarlet falou um palavrão, mas o som foi distante e abafado.
Mãos tocaram nela como dedos enluvados, empurrando-a para trás e tateando seu pescoço. Ela ouviu seu nome, mas foi distante, tentando chegar a ela por um mar de estrelas, e tudo estava sumindo rápido…
Houve uma série de estalos altos e o movimento do cinto sendo enrolado no teto na nave.
Winter desabou nos braços de Scarlet, as duas caídas sobre o console central. Scarlet lutou para levantar a cabeça de Winter e abrir a passagem de ar enquanto impedia que a nave colidisse com o terreno irregular de Luna.
O ar voltou com tudo para os pulmões de Winter. Ela ofegou e inspirou com voracidade. A garganta ainda ardia, mas as dores no peito estavam sumindo nas profundezas perdidas da alucinação. Ela tossiu e forçou os olhos a se abrir. O sangue tinha diminuído, e só sobravam os resquícios da morte de Ryu, secos e sujando a saia.
— Você está bem? — gritou Scarlet, meio histérica.
Winter olhou para o rosto atordoado, ainda tonta pela falta de ar, e sussurrou:
— O cinto tentou me matar.
Passando a mão pelo cabelo, Scarlet se sentou na cadeira do piloto. Pela janela, seis domos distantes estavam ficando maiores, um crescimento lento, começando a revelar o contorno sutil das construções abaixo.
— O cinto não fez nada — resmungou Scarlet. — O problema é seu cérebro.
Winter começou a rir, mas as risadas foram interrompidas pelo choro.
— V-Você está certa — gaguejou ela, ouvindo a voz de Jacin em pensamento.
Fique comigo, princesa. Fique comigo…
Mas ela já estava tão longe.


— Minha rainha, estamos tendo alguns pequenos problemas no sistema de vigilância. Está havendo falhas aleatórias de energia por todo o palácio.
Levana estava de pé em frente às amplas janelas do solar, ouvindo o taumaturgo de terceiro nível apresentar seu relatório diário, apesar de não estar com a concentração habitual. Seus pensamentos eram um labirinto de distrações. Mesmo usando todos os recursos disponíveis e exigindo que sua equipe de segurança repassasse horas e horas de filmagens dos setores externos, Linh Cinder e seus companheiros ainda não haviam sido encontrados. Os preparativos para o casamento estavam em andamento, mas ela estava furiosa demais para olhar na cara do futuro marido desde que ele chegara.
Agora, ela tinha Winter com que se preocupar. A princesa ingrata e infeliz não passava de um grande constrangimento desde o dia em que Levana se casou com o pai dela. Se Jacin fosse bem-sucedido, ela nunca mais teria que se defender das gargalhadas debochadas da corte. Nunca mais teria que ver as expressões de desejo para a garota pateta pelos corredores do palácio.
Levana queria que a princesa sumisse. Queria deixar para trás o ressentimento que a atormentava havia tanto tempo. Sua vida estava enfim recomeçando, e ela merecia esse novo início sem a garota incômoda arrastando-a para baixo, lembrando-a de um passado doloroso demais.
Mas, se Jacin falhasse…
Levana não conseguiria engolir outro fracasso.
— Minha rainha?
Ela se virou para o taumaturgo.
— Sim?
— Os técnicos precisam saber como agir. Eles estimam que no máximo em duas horas dá para localizar a fonte desses defeitinhos no sistema e restaurar os padrões. Talvez precisem desabilitar porções do sistema enquanto trabalham.
— Isso vai tirá-los da procura pela ciborgue?
— Tiraria, Vossa Majestade.
— Então, pode esperar. A ciborgue é nossa prioridade.
Ele se curvou.
— Vamos mantê-la informada sobre as novidades.
Aimery fez um gesto na direção da porta.
— Isso é tudo. Obrigado pelo relatório.
O taumaturgo foi embora, mas outra pessoa estava no elevador quando as portas se abriram.
Levana se empertigou ao ver Jacin Clay. Havia uma sombra na expressão dele, um desprezo que ele normalmente se esforçava muito para esconder. O olhar de Levana desceu para as mãos dele. Estavam cobertas de sangue. Havia também uma mancha no joelho da calça, seca e escura.
Ele saiu do elevador, mas Jerrico o impediu de prosseguir, com a mão espalmada em seu peito.
— Sir Clay? — disse ela.
— Está feito. — O tom dele carregava todo o horror que as palavras escondiam.
Um sorriso fez a boca de Levana tremer. Ela se virou para escondê-lo, um ato de generosidade.
— Sei que não deve ter sido fácil para você — disse ela, torcendo para transmitir solidariedade com a voz. — Sei que você gostava dela, mas fez a coisa certa pela sua coroa e pelo seu país.
Jacin não disse nada.
Quando retomou o controle do rosto, Levana se virou. Aimery e Jerrico estavam impassíveis, enquanto Jacin parecia prestes a arrancar o coração ainda pulsante de Levana se tivesse oportunidade.
Ela teve pena dele e preferiu perdoar esses instintos rebeldes. Ele amou a garota, afinal, por mais que fosse difícil compreender.
— O que você fez com o corpo?
— Levei para o incinerador do jardim, para onde levam os animais mortos. — A raiva dele não diminuiu conforme relatava o serviço, mas também não fez movimento nenhum na direção de Levana. Mesmo assim, Jerrico não relaxou. — Também matei o lobo branco para disfarçar o sangue e deixei o corpo lá. Os guarda-caças vão achar que foi um ataque aleatório.
Levana franziu a testa e seu humor se agravou.
— Eu não mandei você destruir o corpo, Sir Clay. As pessoas precisam ver provas da morte dela, já que não é mais uma ameaça ao meu trono.
O maxilar dele se contraiu.
— Ela nunca foi ameaça ao seu trono — rosnou ele. — E eu não ia deixá-la para que fosse destruída por um daqueles animais de rapina albinos que você mantém lá. Vossa Majestade pode encontrar outra forma de dar a notícia ao povo.
Ela apertou os lábios para reprimir o gosto amargo que tinha na boca.
— É o que farei.
Jacin engoliu em seco e recuperou parte da compostura.
— Espero que também não se importe de eu ter me livrado de uma testemunha, minha rainha. Achei que seria contrário aos seus objetivos se um boato se espalhasse de que um guarda real assassinou a princesa. As pessoas poderiam questionar se foi por ordem sua, afinal.
Ela ficou tensa.
— Que testemunha?
— A garota terráquea. Achei que ninguém sentiria falta dela.
— Ah, ela. — Com um som de desprezo, Levana correu a mão pelo ar. — Ela deveria estar morta há semanas. Você prestou um serviço ao me livrar dela. — Ela inclinou a cabeça e o examinou. Era divertido ver tantas emoções reveladas, considerando que normalmente era impossível incomodá-lo. — Você excedeu minhas expectativas, Sir Clay. — Levana colocou a mão na bochecha dele. Um músculo tremeu debaixo da palma de sua mão, e ela tentou ignorar o brilho de raiva que ardia nos olhos de Jacin. A raiva era esperada, mas logo ele perceberia que era melhor assim.
Se não percebesse, ela sempre poderia obrigá-lo.
Levana já se sentia mais leve por saber que nunca mais teria que ver a cara da enteada.
Ela baixou a mão e flutuou de volta até as janelas. Além do domo curvo, ela via a paisagem inóspita de Luna, crateras e penhascos brancos contra o céu negro.
— Mais alguma coisa?
— Sim — disse Jacin.
Ela levantou uma das sobrancelhas.
— Quero pedir desligamento da guarda real. Quero ser transferido para o setor para onde meu pai foi enviado anos atrás. Este palácio me traz lembranças demais.
A expressão de Levana se suavizou.
— Tenho certeza de que traz, Jacin. Lamento ter precisado pedir isso a você. Mas seu pedido será negado.
As narinas dele se dilataram.
— Você se mostrou leal e de confiança, características que eu seria negligente de desperdiçar. Você pode tirar folga pelo resto do dia, com minha gratidão, mas amanhã vai se apresentar para sua nova tarefa. — Ela sorriu. — Muito bem, Jacin. Você está dispensado.

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