20 de dezembro de 2018

CAPÍTULO Trinta e três

Lobo ajudou Scarlet a limpar e fazer curativo no dedo ferido sem pedir que ela contasse exatamente o que aconteceu. Apesar de a expressão dele dizer que estava pronto para arrancar a jugular da rainha Levana, as mãos foram extremamente delicadas. Depois, Scarlet pediu um tempo para tomar banho, e, apesar de Lobo parecer quase arrasado, os momentos que passaram distantes valeram a pena. O banheirinho de sua casa de infância não era luxuoso, mas era incrivelmente superior ao que ela tinha no jardim, e Scarlet se sentiu renovada quando terminou. Ela e Winter receberam roupas novas do estoque limitado de Maha Kesley enquanto as delas eram lavadas, embora Scarlet já estivesse ansiosa para pegar o casaco de volta. Tinha se tornado sua armadura pessoal.
— Não consigo acreditar que vocês sequestraram o príncipe Kai — disse ela, puxando a cortina da janela para espiar lá fora. As margaridas azuis na jardineira eram um ponto solitário de cor.
— Imperador Kai — corrigiu Lobo. Ele estava encostado na parede, segurando a barra da camisa dela. Winter estava tomando banho enquanto os outros se amontoavam na cozinha, tentando reunir comida para todo mundo. Scarlet ouviu alguém mencionar rações, e lhe ocorreu que aquela casinha não era feita para hóspedes, principalmente naquela quantidade. A mãe de Lobo voltaria logo da saída para buscar a comida da semana, mas claro que era só para uma mulher.
Scarlet tentou imaginar como devia ser para Lobo. Voltar para casa mais de uma década depois de ser levado, um homem adulto com cicatrizes e presas e o sangue de incontáveis vítimas nas mãos.
E… com uma garota.
Scarlet estava tentando não pensar em conhecer a mãe dele. A sensação era estranha demais.
— Imperador, certo. — Ela prendeu a cortina novamente. — É estranho dizer isso depois de dezoito anos ouvindo as fofocas sobre celebridades falando sobre o “príncipe favorito da Terra”. — Ela se sentou em uma das almofadas caroçudas do sofá e cruzou as pernas embaixo do corpo. — Eu tinha uma foto dele na minha parede quando tinha quinze anos. Grand-mère cortou de uma caixa de cereal.
Lobo fez cara feia.
— Claro que metade das garotas do mundo devia ter a mesma foto, da mesma caixa de cereal.
Lobo encolheu os ombros para perto do pescoço, e Scarlet sorriu, provocadora.
— Ah, não. Você não vai ter que lutar com ele pela liderança da matilha agora, né? Venha aqui — chamou-o ela com um aceno, e após meio segundo ele já estava ali, a cara feia sumindo enquanto a puxava para o peito.
A ousadia dele era novidade, muito diferente da timidez com a qual ela se acostumou. Na Rampion, Lobo estava sempre tagarelando sobre os sentimentos, como se não quisesse arriscar a confiança hesitante que eles começaram a reconstruir depois de Paris.
Agora, quando ele a beijava ou abraçava, Scarlet sentia que estava reivindicando posse.
Normalmente, isso geraria nela um discurso sobre independência no relacionamento, mas ela sentia que tinha reivindicado posse dele muito tempo antes. No momento em que esperou que ele a escolhesse no lugar da matilha, no momento em que o arrastou para aquela nave e o levou para longe de tudo o que ele conhecia, ela tomou a decisão para os dois. Ele era dela, assim como ela era dele.
Só que ela se perguntava se tudo tinha mudado entre eles. Ela achava que ele a acompanharia para a fazenda quando aquilo tudo acabasse, mas ele tinha reencontrado a mãe, a única parente que ainda tinha. Scarlet não podia mais supor que era a coisa mais importante para ele, e sabia que não seria justo pedir que escolhesse entre ela e a família da qual foi tirado. Não naquele momento, e talvez nunca.
Na cozinha, a porta de um armário bateu, resgatando-a de pensamentos para os quais não estava pronta. Não considerando que tinha acabado de reencontrá-lo. Ela ouviu Thorne dizer alguma coisa sobre papelão liofilizado, e Iko o acusou de ser insensível com quem não tinha papilas gustativas.
Scarlet aninhou a cabeça no ombro de Lobo.
— Eu estava tão preocupada com você.
— Você estava preocupada? — Lobo a afastou dele. — Scarlet… eles levaram você e eu não pude fazer nada. Eu não sabia se você estava morta ou se eles… — Ele tremeu. — Eu teria matado cada um deles para chegar a você. Teria feito qualquer coisa para ter você de volta. Saber que estávamos vindo para cá foi a única coisa que manteve minha sanidade. — Ele franziu a testa. — Se bem que teve uma vez ou outra que me senti meio insano de qualquer modo.
Scarlet o cutucou com o cotovelo.
— Isso não devia soar tão romântico assim.
— O jantar está servido — disse Thorne, saindo da cozinha com um prato em cada mão. — E, quando digo jantar, quero dizer arroz integral empapado e carne salgada demais com biscoitos velhos. Vocês, lunares, sabem mesmo viver a vida.
— Nós estávamos tentando pegar coisas só da despensa — disse Cinder quando ela e Iko entraram na sala, apesar de quase não haver espaço para todo mundo. — Não tem muita comida fresca, e Maha já nos deu coisas demais.
Scarlet olhou para Lobo.
— Eu supus que você nunca tinha comido tomate nem cenoura porque essas coisas não podiam ser cultivadas aqui em Luna, mas não é bem isso, certo? É só que não são enviadas para os setores externos.
Ele deu de ombros, sem o menor sinal de autopiedade.
— Não sei o que pode e o que não pode ser plantado nos setores agrários. Mas, seja o que for, tenho certeza de que não pode competir com a Benoit Fazendas e Jardins. — Os olhos dele brilharam, e Scarlet, para sua própria surpresa, começou a corar novamente.
— Vocês dois estão me dando dor de barriga — resmungou Thorne.
— Tenho quase certeza de que foi a carne — disse Cinder, arrancando um pedaço de carne-seca misteriosa com os dentes.
A comida não era atraente, mas não era pior do que ela tinha no jardim, e Scarlet comeu sua pequena porção com satisfação. Winter saiu do banheiro; os cachos escuros ainda pingando, a calça curta demais e a blusa desengonçada não diminuíam em nada sua beleza. O grupo ficou em silêncio quando ela se juntou a eles, ajoelhando-se no chão junto à pequena mesa e olhando para a comida com um olhar triste e distante.
Scarlet falou primeiro, enquanto empurrava dois biscoitos pela mesa:
— Sei que não é o tipo de coisa com que você está acostumada — disse ela. — Mas você tem que comer alguma coisa.
Uma expressão de ofensa surgiu no rosto de Winter.
— Eu não sou fresca. — A expressão dela se suavizou quando olhou para os biscoitos. — Só nunca tinha me dado conta do quanto recebi. Eu sabia que as condições eram ruins nos setores externos, mas não que eram tão ruins assim. Outros passaram fome para que meu estômago pudesse estar cheio todas as noites. — Suspirando, ela se sentou sobre os calcanhares e cruzou os braços no colo. — Não estou mesmo com fome. Um de vocês pode comer minha parte.
— Winter…
— Eu não estou com fome. — A voz dela soou mais austera do que Scarlet já tinha ouvido. — Não conseguiria comer nem se tentasse.
Scarlet franziu a testa, mas deixou o assunto de lado. Lobo acabou comendo os biscoitos, com expressão de culpa pelo que estava fazendo.
— Você disse que Jacin falou para você onde nos encontrar? — perguntou Cinder. Os ombros dela estavam tensos, e ficou claro, desde o momento que Scarlet explicou tudo o que sabia sobre a fuga delas, que Jacin não era popular com os amigos. — Como ele sabia?
— Imagino que sua amiga em miniatura tenha contado para ele — disse Winter.
— Amiga em miniatura? — perguntou Cinder.
Winter assentiu.
— Cress, não é?
O silêncio se espalhou entre eles e tomou todo o oxigênio da sala.
Thorne se inclinou para a frente primeiro.
— Cress? Você viu Cress?
— Eu não a vejo há dias, mas Jacin a estava abrigando.
— Ah! Isso me lembra uma coisa. — Scarlet pegou o pequeno cilindro. — Jacin me deu isso e disse que tinha uma mensagem de uma amiga. Talvez ele estivesse falando dela. De Cress.
Thorne pegou da mão dela antes que terminasse de falar e girou o cilindro em sua palma.
— O que é? Como funciona?
Cinder pegou o cilindro da mão dele e inseriu no nódulo holográfico na parede. Um holograma ganhou vida no centro da sala.
Scarlet não reconheceria a hacker da rainha, pois só a tinha visto uma vez por mensagem. O cabelo comprido e desgrenhado da garota foi cortado curto e a pele dela, embora ainda pálida, tivera ao menos um certo contato com o sol no passado recente.
Thorne pulou da cadeira e deu a volta na sala para ficar na frente do holograma na hora em que ela começou a falar.
— Oi, pessoal. Se vocês estão vendo isso, nossas amigas do palácio devem ter chegado a vocês. Eu queria poder ter ido com elas. Meu protetor atual me deu a opção de ir, mas tive que ficar para ajudar com o percurso delas. Sei que vocês vão entender. Mas queria que soubessem que estou bem. Estou em segurança e não estou ferida, e sei que vocês virão me buscar. Quando vierem, estarei pronta. Até lá, prometo ser cuidadosa e ficar escondida. — Ela fez uma pausa. Um sorriso leve surgiu nos lábios dela, como prova de coragem, embora os olhos continuassem ansiosos. Depois de respirar fundo, ela prosseguiu: — Minha ausência deve ter mudado algumas coisas para vocês, e sei que estavam contando comigo para ajudar com parte dos planos. Eu inseri um programa neste arquivo. Insiram este cilindro no conector universal no receptor de transmissões do domo e sigam as instruções que deixei. Para o caso de isto cair nas mãos erradas, tranquei o programa com a mesma senha que usamos na nave. — Ela baixou o olhar, e ali estava aquele sorriso fraco de novo. — Espero que esta mensagem chegue com segurança. Eu… sinto falta de vocês. — Ela abriu a boca para dizer mais, mas hesitou e voltou a fechá-la.
Um segundo depois, a mensagem foi encerrada.
Eles ficaram olhando para o espaço vazio onde Cress estava. Scarlet ficou mexendo no zíper do casaco e teve certeza de que a garota foi quem estava de olho nela e Winter durante a fuga. Ela as salvou e sacrificou a própria segurança para isso.
— Garota corajosa e burra — murmurou Thorne. Ele se sentou no chão, com expressão dividida entre alívio e perturbação crescente.
— Então ela ainda está com Jacin — disse Cinder. — Acho que… estou agradecida pelo que ele fez, mas… não gosto de pensar que ele sabe onde estamos nem de ser responsável por Cress. Eu não confio nele.
Winter olhou para ela com perplexidade.
— Jacin é uma boa pessoa. Ele nunca trairia você ou Cress.
— Tarde demais — disse Thorne. — Ele já traiu uma vez.
Winter entrelaçou os dedos.
— Ele lamenta. Não foi a intenção. Ele só… tinha que voltar para Luna. Por mim.
Iko fez um ruído que devia ter a intenção de ser de deboche. Scarlet inclinou a cabeça para observar a androide. O que eram tiques fofos quando ela era o sistema de controle da Rampion ficavam um pouco desconcertantes no corpo humanoide.
— É verdade — insistiu Winter, apertando os olhos. — Entendo por que vocês não confiam nele, mas ele está tentando compensar. Ele quer você de volta ao trono tanto quanto qualquer pessoa.
— Ele salvou minha vida — acrescentou Scarlet. Depois de uma pausa, ela deu de ombros. — Provavelmente só porque precisava de mim para salvar a vida dela, mas, mesmo assim, tem que contar para alguma coisa.
Thorne cruzou os braços e disse com ressentimento:
— Eu queria que ele tivesse se esforçado um pouco mais para mandar Cress junto com vocês.
— Pelo menos sabemos que ela está viva — disse Cinder.
Thorne grunhiu.
— Só sabemos que ela ainda está em Artemísia e sob a proteção de um cara que nos traiu uma vez. A princesa acha que ele está do nosso lado? Tudo bem. Mas isso não muda o fato de que ele nos entregou em Nova Pequim, e não duvido de que vá fazer de novo se quiser salvar a própria pele.
— Ao contrário, ele não liga muito para a própria pele. — A voz de Winter soou aguda e os ombros estavam tremendo. — É só com minha segurança que ele se preocupa, e nunca mais estarei em segurança enquanto minha madrasta for rainha. — Ela se virou para Cinder. — Acredito que ele vá fazer qualquer coisa que possa para ajudar sua revolução a dar certo. Nós dois vamos.
Um longo silêncio foi seguido de Thorne resmungando:
— Ainda planejo dar um soco nele, se um dia voltar a vê-lo.
Scarlet revirou os olhos.
Cinder bateu com os dedos na mesa.
— Não entendo por que Levana mandou matar você agora. Ela está com Kai. Ela tem o que quer.
— Acredito que tenha medo de perder o controle de Luna, principalmente com os boatos de que nossa verdadeira rainha ainda está viva — disse Winter. — Ela ficou paranoica, com medo de todas as ameaças em potencial.
Cinder balançou a cabeça.
— Mas você não é filha dela de verdade. Não existe alguma superstição sobre linhagens de sangue?
— Existe. Só uma pessoa de sangue real pode se sentar no trono de Luna. Acredita-se que, se uma pessoa de sangue não real subir ao trono, o dom concedido ao nosso povo vai deixar de existir. Houve incontáveis estudos provando isso.
Scarlet riu.
— Deixe-me adivinhar: os estudos foram pagos pela família real.
— Importa? — perguntou Winter. — Quer as pessoas acreditem ou não, minha madrasta está com medo. Está desesperada para manter o poder. Foi por isso que tentou me matar.
— Ótimo — disse Cinder. — As pessoas cometem erros quando estão desesperadas, e tentar matar você pode ter sido um dos grandes. — Ela se apoiou nas mãos. — Pelo que percebo, o povo adora você. Se soubesse que Levana mandou matá-la, isso poderia ser a coisa certa para persuadi-los de me escolher no lugar dela. Escute, Vossa Alteza, nós temos um vídeo. Se o programa de Cress funcionar, vamos poder transmitir por todos os setores externos. O vídeo vai dizer para as pessoas quem eu sou e vai pedir para que se juntem a mim para acabar com o reinado de Levana. — Ela inspirou. — Eu gostaria de incluir uma mensagem sua, para mostrar ao povo que você está viva e dizer a eles que foi Levana que mandou matar você. Ter seu apoio seria importante. Para o povo e para mim.
Winter sustentou o olhar dela por bastante tempo enquanto pensava, mas suspirou.
— Desculpe, mas não posso. Levana descobriria, e ela não pode saber que estou viva.
— Por quê? — indagou Scarlet. — O povo gosta de você. Merece saber a verdade.
— Jacin recebeu a ordem de me matar — contou Winter, com a voz fraca. — E teve muito trabalho para fazer parecer que conseguiu. Não vou colocá-lo em risco ao anunciar a verdade. Quanto mais tempo acreditar que Jacin é leal a ela, mais em segurança ele vai estar. — Ela levantou o rosto. — Mais em segurança sua Cress também vai estar.
Thorne olhou para o outro lado.
— Desculpe se não posso ajudar com isso. Se ajuda em alguma coisa, você tem meu apoio, mesmo que tenha que ser em segredo. — Winter murchou os ombros.
Scarlet a viu se recolhendo aos próprios pensamentos e à preocupação com a segurança de Jacin. Ela queria poder oferecer algum consolo, mas tinha passado tempo suficiente sob o controle de Levana para saber que não havia nada que pudesse dizer para fazer Winter se sentir melhor.
— Tudo bem — respondeu Cinder. — Eu entendo. Vamos ter que torcer para que o vídeo funcione sem você, então.
A porta da frente se abriu, e todos levaram um susto. Scarlet se virou na hora em que uma mulher entrou e fechou a porta. Estava usando um macacão coberto de partículas de regolito e carregava uma caixa de madeira gasta cheia de comida. Tinha o cabelo escuro de Lobo e a mesma pele morena, mas também tinha a estrutura óssea de um pássaro. Lobo seria capaz de esmagá-la com as pontas dos dedos.
Scarlet se sentiu estranha por ter esse pensamento.
Todo mundo relaxou. Todo mundo, menos Scarlet e Lobo, cujos braços se transformaram em ferro ao redor dela.
Encostada na porta, Maha observou a sala com um sorriso trêmulo.
— Estão distribuindo açúcar — contou ela —, em comemoração ao fato de que a rainha vai virar… — Ela parou de falar ao reparar em Scarlet com os braços de Lobo nos ombros.
Winter se levantou e atraiu a surpresa de Maha. Scarlet também se levantou, mas a atenção de Maha estava grudada na princesa. Sua boca estava aberta.
Winter fez uma reverência.
— Você deve ser Mamãe Kesley. Eu sou a princesa Winter Hayle-Blackburn e lamento imensamente pelos biscoitos.
Maha ficou só olhando, sem palavras.
— Espero que você não se importe com nossa invasão à sua hospitalidade. Seu filhote lobo nos recebeu. Ele é surpreendentemente gentil, considerando os dentes. E os músculos. — Winter levantou o olhar para o gesso rachado ao redor da porta. — Ele me lembra um lobo que conheci.
Scarlet fez uma careta.
— Vossa… Vossa Alteza — gaguejou Maha, parecendo incerta se devia estar com medo ou honrada.
— Mãe, esta é Scarlet — disse Lobo. — Foi dela que eu falei; foi tirada da nossa nave pela taumaturga. Ela estava como prisioneira no palácio, mas… fugiu. Esta é ela. Esta é Scarlet.
Maha ainda não tinha conseguido fechar a boca.
— A terráquea.
Scarlet assentiu.
— Em boa parte. Meu avô era lunar, mas eu não o conheci. E não tenho… hã, dom.
Com essa declaração, ocorreu a Scarlet que Maha provavelmente tinha o dom. Todos tinham em algum grau, não tinham? Mesmo Lobo tinha, antes que a alteração científica o retirasse.
Mas era impossível imaginar aquela mulher pequenina abusando do dom como acontecia na capital. Seria ingenuidade achar isso? Devia ser muito difícil viver em sociedade ali, sem saber quem estava controlando e quem estava sendo controlado.
— Oi, Scarlet — disse Maha, se recompondo o bastante para sorrir. — Ze’ev se esqueceu de mencionar que estava apaixonado por você.
Scarlet sentiu as bochechas ficando da cor do cabelo.
Thorne murmurou:
— Como você não percebeu?
Cinder deu um chute nele.
Lobo agarrou a mão de Scarlet.
— Nós não sabíamos se ela estava viva. Eu não queria contar sobre ela se… se você nunca a conhecesse…
Scarlet apertou a mão dele. Ele apertou a dela.
No fundo da mente, ela ouviu a voz da avó, lembrando-a dos bons modos.
— É um grande prazer conhecer você. Eu… hã. Obrigada pela hospitalidade.
Maha colocou a caixa de comida perto da porta e atravessou a salinha para envolver Scarlet em um abraço.
— Estou ansiosa para poder conhecer você. — Ao soltar Scarlet, ela se virou para Lobo e colocou as mãos nos ombros dele. — Quando levaram você, fiquei com medo de você nunca conhecer o amor. — Ela o abraçou, e seu sorriso estava tão iluminado quanto um buquê de margaridas azuis. — Isso tudo tem sido intenso. Muito intenso.
— Estamos acabando com a babação e o choro? — perguntou Thorne, massageando a têmpora. — Quando vamos voltar a planejar uma revolução?
Desta vez, foi Iko quem deu um chute nele.
— Eu sabia que você estava apaixonada por ele. — Winter bateu com os dedos no cotovelo. — Não entendo por que ninguém me escuta.
Scarlet a encarou, mas não havia raiva por trás da expressão.
— Você está certa, Winter. É um mistério mesmo.

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