13 de dezembro de 2018

CAPÍTULO Trinta e cinco

CINDER CAMBALEOU PELA RAMPA DA NAVE ENQUANTO PUXAVA A camisa para longe dos quadris em um esforço de conseguir um pouco de ventilação na pele. O calor do deserto era seco em comparação à umidade sufocante de Nova Pequim, mas também era implacável. E tinha a areia, aquela areia irritante e odiosa. Ela passara o que pareceram horas tentando tirar a areia das juntas cibernéticas, descobrindo mais cantos e fendas na mão do que sabia que existiam.
— Iko, fechar rampa — disse ela, sentando-se sobre uma caixa.
Estava exausta. Seu tempo era todo passado em preocupação com Lobo e tentando ser gentil com os habitantes da cidade, que levaram tantos presentes de tâmaras açucaradas e rocamboles doces e curries temperados, que ela nem sabia se estavam tentando agradecer ou engordá-la para um banquete.
Além disso, havia as brigas constantes com o dr. Erland. Ele queria que ela se concentrasse em encontrar uma forma de chegar a Luna sem ser capturada, e, apesar de concordar que isso teria que acontecer em algum momento, ela ainda estava decidida a colocar um ponto final no casamento real primeiro. Afinal, que importância tinha se destronasse Levana em Luna depois que ela tivesse sido coroada imperatriz da Comunidade? Tinha que haver um jeito de fazer as duas coisas.
Mas faltava uma semana para o casamento real, e o relógio de Iko parecia passar mais rápido a cada hora.
— Como ele está? — perguntou Iko, que ficou sozinha dentro do sistema da nave durante horas quando Cinder estava no hotel.
— O doutor começou a diminuir os sedativos hoje de manhã — disse Cinder. — Ele está com medo de Lobo acordar quando não houver ninguém lá e ter um colapso mental e voltar a se machucar, mas falei que não podemos deixá-lo inconsciente para sempre.
A nave suspirou ao redor dela, oxigênio assoviando pelo sistema de respiração artificial.
Cinder esticou a mão para baixo, tirou as botas e virou a areia no piso de metal.
— Alguma novidade?
— Sim, dois desenvolvimentos interessantes, na verdade.
A tela na parede se acendeu. De um lado havia um formulário de pedido estático com CONFIDENCIAL impresso no alto. Apesar da fagulha de curiosidade que causou, a atenção de Cinder foi atraída imediatamente pelo outro artigo e uma foto de Kai.
IMPERADOR EXIGE DESCONTINUAÇÃO IMEDIATA DO RECRUTAMENTO CIBORGUE
Com o coração em saltos, Cinder pulou da caixa para ver melhor. A mera menção do recrutamento trouxe uma avalanche de lembranças de volta. De quando foi levada pelos androides, acordou em um quarto estéril de quarentena, amarrada a uma mesa, com um medidor de taxas enfiado na cabeça e uma agulha na veia.
O artigo começava com um vídeo de Kai em uma coletiva de imprensa, de pé em frente a um pódio.
— Tocar vídeo.
“Essa política não indica de modo algum que tenhamos perdido a esperança”, dizia Kai na tela. “Não vamos desistir de encontrar a cura para a letumose. Saibam que nossa equipe conseguiu um progresso incrível nos últimos meses, e estou confiante de estarmos à beira de uma descoberta. Quero que todos os que sofrem dessa doença ou que tenham entes queridos lutando contra ela agora saibam que isso não é sinal de derrota. Jamais vamos desistir enquanto a letumose não for erradicada de nossa sociedade.”
Ele fez uma pausa, o silêncio pontuado por flashes que iluminavam a bandeira da Comunidade atrás dele.
“No entanto, percebi recentemente que o uso do recrutamento ciborgue para dar prosseguimento à pesquisa era uma prática antiquada que não era necessária e nem justificável. Somos uma sociedade que valoriza a vida humana, toda vida humana. O propósito de nossos laboratórios de pesquisa é estancar a perda dessa vida da forma mais rápida e humana possível. O recrutamento ia contra esse valor e, acredito, diminuía tudo o que alcançamos nos cento e vinte e seis anos desde que nosso país foi formado. Nosso país foi construído sobre uma base de igualdade e união, não preconceito e ódio.”
Cinder o viu com fraqueza nas pernas. Sentia vontade de esticar a mão para a tela e passar os braços ao redor dele e dizer obrigada, obrigada. Mas, a milhares de quilômetros de distância, ela se viu abraçando a si mesma.
“Prevejo as críticas e reações que essa decisão vai gerar”, prosseguiu Kai. “Estou ciente de que a letumose é um problema que afeta cada um de nós e de que minha decisão de encerrar o recrutamento ciborgue sem consultar meu gabinete e seus representantes é inesperada e nada convencional. Mas não pude ficar parado enquanto nossos cidadãos estavam sendo obrigados a sacrificar as vidas devido a uma crença enganosa de que as vidas deles são menos valiosas do que as dos outros. A equipe de pesquisa de letumose vai desenvolver novas estratégias para a continuidade da pesquisa, e nós no palácio estamos otimistas de que essa mudança não vai atrapalhar nossa busca contínua pelo antídoto. Vamos continuar a aceitar candidatos a teste como voluntários. Existe um link de mensagem abaixo para quem quiser mais informações sobre o processo de voluntariado. Obrigado. Não vou responder a perguntas hoje.”
Quando Kai saiu do palco e foi substituído pela secretária de imprensa, já tentando acalmar uma multidão enlouquecida, Cinder se sentou no chão.
Mal acreditava no que tinha ouvido. O discurso de Kai não foi só sobre letumose e pesquisa e procedimentos médicos. O discurso foi sobre igualdade. Direitos. Ir além do ódio.
Com um discurso, menos de três minutos passados atrás do pódio, Kai começou a destruir décadas de preconceito contra ciborgues.
Será que tinha sido por ela?
Ela fez uma careta, perguntando-se se era um egocentrismo sem tamanho pensar isso. Afinal, a declaração dele salvaria incontáveis vidas ciborgue. Estabeleceria um novo padrão de direitos e tratamento ciborgue.
Não resolveria tudo, claro. Ainda havia o Ato de Proteção dos Ciborgues, que tornava os ciborgues propriedade dos guardiões e limitava a liberdade deles. Mas era alguma coisa. Era um começo.
E a pergunta ficava voltando. Será que ele fizera isso por ela?
— Eu sei — disse Iko, com um tom sonhador na voz, embora Cinder não tivesse dito nada. — Ele é fantástico.
Quando ela concentrou os pensamentos o bastante para passar os olhos pelo resto do artigo, Cinder viu que Kai estava certo. A hostilidade já tinha começado. Esse jornalista em particular havia escrito um artigo de crítica mordaz, defendendo o recrutamento ciborgue e acusando Kai de tratamento preferencial injusto. Embora não mencionasse Cinder diretamente, seria questão de tempo até que alguém o fizesse. Kai tinha convidado uma ciborgue para o baile anual, e eles usariam isso contra ele, que seria atacado por essa decisão. Com crueldade.
Mas ele o fizera mesmo assim.
— Cinder? — disse Iko. — Você já chegou nos androides-acompanhantes?
Ela piscou, sem entender.
— Me desculpe, o quê?
A tela mudou e trouxe o primeiro documento para a frente. Cinder balançou a cabeça para anuviá-la. Já tinha esquecido o segundo item que Iko queria contar para ela, o formulário marcado como “Confidencial”.
— Ah, certo. — Ela se levantou. Pensaria sobre Kai e a decisão dele posteriormente. Depois que tivesse encontrado um jeito de impedir que ele se casasse com Levana. — O que é isso?
— É um pedido feito pelo palácio dois dias atrás. Esbarrei nele sem querer quando estava tentando entender o pedido ao florista. Acontece que a rainha quer o buquê de lírios e folhas de hosta. Sem graça. Eu teria escolhido orquídeas.
— Você encontrou um pedido confidencial do palácio?
— Sim, encontrei, obrigada por reparar. Estou virando uma ótima hacker. Não que eu tenha alguma coisa melhor para fazer.
Cinder olhou o formulário. Era um acordo de aluguel enviado ao maior fabricante de androides-acompanhantes do mundo, que ficava nos arredores de Nova Pequim. O palácio queria sessenta acompanhantes para o dia do casamento, mas só da linha “Real”, que incluía modelos com cores de olhos normais e tipos de corpo variados. A ideia era que tais imperfeições (como a empresa chamava) possibilitavam uma experiência mais real ao acompanhante.
Ela levou uns quatro segundos para entender o motivo do pedido.
— Vão usar como criados durante o casamento — disse ela —, porque os lunares não conseguem manipulá-los. Inteligente.
— Foi o que também pensei — falou Iko. — O acordo diz que eles serão entregues ao florista e aos banqueteiros na manhã do casamento e contrabandeados para o palácio junto com a equipe humana. Bem, o acordo não usa a palavra contrabandeados.
Isso não fez Cinder se sentir melhor em relação ao casamento, mas ela ficou feliz que o palácio estava tomando algumas precauções contra os convidados lunares.
Conforme foi lendo o formulário de pedido e as instruções de entrega, ela deu um gritinho.
— O que foi? — disse Iko.
— Acabei de ter uma ideia. — Ela deu um passo para trás enquanto repassava na cabeça. A ideia estava crua e confusa demais para que tivesse certeza, mas por alto... — Iko, é isso. É assim que vamos chegar a Luna.
As luzes piscaram.
— Não estou computando.
— E se nos escondêssemos em uma nave que já estivesse indo para Luna? Poderíamos ser contrabandeadas, assim como esses androides estão sendo levados escondidos para o palácio.
— Só que todas as naves que vão para Luna são naves lunares. Como você vai entrar em alguma delas?
— Agora elas são naves lunares. Mas eu talvez saiba como podemos mudar isso.
A informação na tela mudou e voltou para o relógio em contagem regressiva no meio.
— Ainda envolve impedir o casamento?
— Sim. Mais ou menos. — Cinder ergueu o dedo. — Se conseguirmos atrasar o casamento e persuadir a rainha Levana de fazer a cerimônia em Luna em vez de na Terra, todos os convidados terráqueos terão que ir para lá, assim como todos aqueles aristocratas lunares virão para cá.
— E aí você vai em uma das naves deles?
— Se fizermos isso dar certo. — Ela começou a andar de um lado para outro pelo compartimento de carga, os pensamentos ardendo com o nascimento de um novo plano.
— Mas preciso que Kai confie em mim primeiro. Se ele puder convencer Levana a mudar o local... — Ela mordeu o lábio e olhou para o vídeo da coletiva de imprensa, para a manchete que confirmava que ele de fato acabara com o recrutamento. — Ainda precisamos entrar no palácio, mas não com grandes distrações nem atraindo a atenção da imprensa. Precisamos ser sutis. Sorrateiros.
— Ah! Ah! Você devia se passar por convidada! Aí teria uma desculpa para comprar um vestido de festa.
Cinder tentou protestar, mas hesitou. A ideia tinha potencial, se ela sustentasse o glamour tempo suficiente para ninguém reconhecê-la.
— Eu teria que tomar cuidado com os androides-acompanhantes. Além do mais, precisaríamos de convite.
— Eu topo. — O formulário desapareceu e foi substituído por uma lista infinita de nomes. — Um site de fofocas publicou uma lista de todos os convidados alguns dias atrás. Você sabia que estão distribuindo convites de papel? Coisa de classe.
— Me parece desperdício — murmurou Cinder.
— Pode ser — disse Iko. — Mas também é mais fácil de roubar. De quantos precisamos? Dois? Três?
Cinder marcou nos dedos. Um para ela. Um para Lobo... com sorte. Ou talvez fosse melhor ir sozinha, ou levar o doutor? Ou mesmo Jacin? Levana e seu grupo reconheceriam qualquer um deles, e ela não os achava capazes de criarem glamour forte o bastante para si mesmos.
Ela teria que torcer para que Lobo estivesse melhor.
— Dois — disse ela. — Espero.
Nomes e títulos desceram pela tela. Diplomatas e representantes políticos, celebridades e comentaristas de imprensa, empreendedores e os muito, muito ricos. Ela não conseguia deixar de pensar que parecia uma festa muito chata.
De repente, Iko deu um grito. Foi um grito de romper os tímpanos, de metal em metal, de processadores aquecidos e fios pegando fogo.
Cinder cobriu as orelhas.
— O quê? O que foi?
A lista de nomes parou, e Iko iluminou uma linha.
LINH ADRI E FILHA LINH PERAL, DE NOVA PEQUIM, C.N.O., TERRA
Boquiaberta, Cinder afastou as mãos dos ouvidos.
Linh Adri? E Pearl?
Ela ouviu passos no alojamento da tripulação, e Jacin apareceu no compartimento de carga, com olhos arregalados.
— O que aconteceu? Por que a nave está gritando?
— Nada. Está tudo bem — gaguejou Cinder.
— Não, as coisas não estão bem — falou Iko. — Como elas podem ter sido convidadas? Nunca vi maior injustiça em toda a minha vida programada, e, acreditem, já vi grandes injustiças.
Jacin ergueu uma das sobrancelhas para Cinder.
— Acabamos de descobrir que minha ex-guardiã recebeu convite para o casamento.
Ela abriu a aba ao lado do nome da madrasta, achando que era um erro.
Mas é claro que não era.
Linh Adri ganhou oitenta mil univs e um convite oficial para o casamento real como ato de gratidão pela ajuda na caçada atual pela filha adotada e foragida, Linh Cinder.
— Porque ela me entregou — disse ela com desprezo. — Faz sentido.
— Está vendo? Injustiça. Aqui estamos nós, arriscando nossas vidas para salvar Kai e todo esse planeta, e Adri e Pearl vão ao casamento real. Estou enojada. Espero que derrubem molho de soja nos vestidos chiques.
A preocupação de Jacin logo se transformou em irritação.
— Sua nave tem umas prioridades muito estranhas, sabia?
— Iko. Meu nome é Iko. Se você não parar de me chamar de ‘nave’, vou cuidar para que nunca tenha água quente nos banhos, está entendendo?
— É, espere um minuto enquanto desligo o sistema de alto-falantes.
— O quê? Você não pode me emudecer. Cinder!
Cinder ergueu as mãos.
— Ninguém vai desligar nada! — Ela olhou com irritação para Jacin, mas a única resposta que recebeu foi um movimento de descaso de um ombro só. Ela revirou os olhos.
— Vocês dois estão me dando dor de cabeça, e estou tentando pensar.
Jacin se encostou à parede e cruzou os braços sobre o peito.
— Você sabia que eu estava lá naquela noite, no baile da Comunidade?
A pálpebra dela tremeu.
— Como eu poderia esquecer?
Ela não pensava com frequência, não desde que ele se juntou a eles, mas, às vezes, quando olhava para Jacin, não deixava de lembrar que tinha sido ele quem a segurou enquanto Levana zombava de Kai, tentando barganhar com a vida de Cinder.
— Estou lisonjeado. A questão é que você também foi memorável naquela noite depois de ser publicamente humilhada, quase levar um tiro na cabeça e acabar sendo presa. Portanto, acho meio estranho você parecer estar fazendo tudo o que pode para encontrar um jeito de voltar para lá.
Ela levantou as mãos.
— E você não consegue pensar em nenhum motivo para eu querer estar naquele casamento?
— Mais um encontro com seu amorzinho de brinquedo antes de ele se tornar propriedade de Levana? Você estava caidinha por ele no...
Cinder deu um soco nele.
Jacin cambaleou contra a parede, já rindo ao levar a mão à bochecha.
— Toquei em um nervo, ou será que foi um fio? Você tem muito dos dois, certo?
— Ele não é brinquedo e não é propriedade dela — disse ela. — Se você insultar qualquer um de nós mais uma vez, vou bater com o punho de metal.
— Mostre para ele, Cinder! — comemorou Iko.
Jacin baixou a mão e deixou uma marca vermelha à mostra.
— Por que você se importa? Esse casamento não é problema seu.
— É claro que é problema meu! Caso você não tenha reparado, sua rainha é uma tirana. Talvez a Comunidade não me queira mais, mas isso não quer dizer que vou deixar Levana vir para cá e enfiar as garras no meu país e estragá-lo como estragou o seu.
— O nosso — lembrou ele.
— O nosso.
Ele tirou uma mecha de cabelo do rosto.
— Então é isso? Um excesso de zelo patriótico por um país que está caçando você neste instante? Você tem mesmo fios queimados. Caso não tenha percebido, assim que você botar o pé em território da Comunidade, está morta.
— Obrigada pelo voto estelar de confiança.
— E você não parece ser o tipo de garota que se sacrifica por uma ilusão exagerada de amor verdadeiro. O que não está me contando?
Cinder se virou.
— Ah, pare com isso. Não me diga que está obcecada por esse casamento porque acha mesmo que está apaixonada por ele?
— Eu estou — disse Iko. — Loucamente.
Cinder massageou as têmporas.
Depois de um silêncio constrangedor, Iko disse:
— Ainda estamos falando de Kai, né?
— Onde foi que você a encontrou? — perguntou Jacin, indicando os alto-falantes do teto.
— Não estou fazendo isso só por Kai. — Cinder baixou a mão para o lado do corpo. — Estou fazendo isso porque sou a única que pode fazer alguma coisa. Vou destronar Levana. Vou cuidar para que ela não machuque mais ninguém.
Jacin olhou boquiaberto, como se um braço androide tivesse brotado do alto da cabeça dela:
— Você acha que você é capaz de destronar Levana?
Gritando, Cinder ergueu os braços no ar:
— Essa é a ideia toda! Você não? Não é esse o motivo para estar nos ajudando?
— Pelas estrelas, não. Não sou maluco. Estou aqui porque vi uma oportunidade de fugir daquela taumaturga sem morrer, e...
Ele se obrigou a parar.
— E o quê?
Ele contraiu o maxilar.
— E o quê?
— E é o que Sua Alteza iria querer que eu fizesse, embora agora ela provavelmente vá morrer por causa disso.
Cinder franziu a testa.
— O quê?
— E agora estou preso com você e um plano horrível que vai nos fazer voltar para o começo, bem nas mãos da rainha Levana.
— O qu... mas... Sua Alteza? De que você está falando?
— Da princesa Winter. De quem você acha?
— Da princesa... — Cinder recuou um passo. — Você está falando da enteada da rainha?
— Aaaaaaaaaaaaaaaahhhh — disse Iko.
— É a única princesa que temos, se você não reparou. De quem você achou que eu estivesse falando?
Cinder engoliu em seco. O olhar dela se desviou para a tela, onde o plano original tinha sido escondido por notícias e por aquele maldito relógio. Jacin nunca soube da intenção que tinha de interromper o casamento e anunciar a identidade dela para o mundo.
— Hã. Ninguém — retrucou ela, gaguejando e coçando o pulso. — Então, hum... quando você diz que é leal à “sua princesa”... você está falando sobre ela. Certo?
Jacin olhou para ela como se não entendesse por que estava perdendo tempo com uma pessoa tão idiota.
Cinder limpou a garganta.
— Certo.
— Eu devia ter deixado Sybil acertar você — murmurou ele, balançando a cabeça. — Achei que talvez a princesa fosse sentir orgulho se ouvisse sobre o fato de que me virei contra Sybil. Que aprovaria minha decisão. Mas quem quero enganar? Ela nunca vai nem saber.
— Você... você a ama?
Ele olhou para ela com nojo.
— Não tente empurrar seu psicodrama louco para cima de mim. Eu jurei protegê-la. Não posso fazer isso daqui de baixo, posso?
— Protegê-la de quê? Levana?
— Dentre outras coisas.
Cinder desabou sobre uma das caixas, sentindo como se tivesse acabado de correr metade do deserto. O corpo estava esgotado, o cérebro estava em frangalhos. Jacin não se importava nada com ela; era leal à enteada da rainha. Ela nem sabia que a enteada da rainha tinha gente que era leal a ela.
— Me ajude — disse, sem esconder a súplica na voz ao olhar nos olhos de Jacin de novo. — Juro para você que posso deter Levana. Posso levar você de volta para Luna, onde você pode proteger sua princesa, ou fazer o que precisar fazer. Mas preciso de ajuda.
— Isso é bem óbvio. Você vai me deixar saber seu plano milagroso?
Ela engoliu em seco.
— Talvez. Em algum momento.
Ele balançou a cabeça, parecendo estar com vontade de rir ao indicar as ruas de Farafrah.
— Você só está desesperada porque o aliado mais forte que tem agora está em coma induzido.
— Lobo vai ficar bem — falou Cinder, com mais convicção do que sentia. Em seguida, suspirou. — Estou desesperada porque preciso do máximo de aliados que conseguir.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!