7 de dezembro de 2018

CAPÍTULO Seis

CARSWELL THORNE
ID #0082688359
NASCIDO EM 22 DE MAIO DE 106 T. E., NA REPÚBLICA DA AMÉRICA
FF 437 APARIÇÕES NA MÍDIA, ORDEM CRONOLÓGICA REVERSA
POSTADO EM 12 DE JANEIRO DE 126 T. E.:
O EX-CADETE DA FORÇA AÉREA CARSWELL THORNE FOI CONDENADO E SENTENCIADO A SEIS ANOS DE PRISÃO APÓS UM RÁPIDO JULGAMENTO DE DUAS SEMANAS...

O TEXTO VERDE FOI SURGINDO NA VISÃO DE CINDER, RELATANDO os crimes de Carswell Thorne, que já tinha tido uma vida bem produtiva infringindo a lei, apesar de ter acabado de completar vinte anos poucos meses antes: uma acusação de deserção militar, duas acusações de roubo internacional, seis acusações de venda de mercadoria roubada e uma acusação de roubo de propriedade pública.
A última acusação não parecia fazer justiça ao crime cometido. Ele tinha roubado uma espaçonave das Forças Armadas da República da América.
Por isso sentia tanto orgulho desta espaçonave.
Apesar de, no momento, estar cumprindo uma pena de seis anos na Comunidade das Nações Orientais por tentativa de roubo de um colar de jade da segunda era, ele também era procurado na Austrália e, é claro, na América, seu país natal, e seria julgado e, sem dúvida, também cumpriria pena nos dois países pelos crimes lá cometidos.
Cinder se encostou em um quadro de distribuição. Fugir da prisão já era uma coisa bem ruim, mas ajudar na fuga daquele criminoso, um criminoso de verdade, e fazer isso em uma espaçonave roubada?
Engoliu em seco e olhou pela abertura que fizera entre o aposento mecânico e a cela do prisioneiro. Carswell Thorne ainda estava sentado na cama com os cotovelos apoiados nos joelhos, girando os polegares.
Ela secou a palma da mão úmida no macacão impecavelmente branco. A questão não era Carswell Thorne. A questão era a rainha Levana e o imperador Kai e a princesa Selene. A criança inocente que Levana tentara assassinar treze anos antes, mas que tinha sido salva e levada escondida para a Terra. Que continuava sendo a pessoa mais procurada do mundo. Que por acaso era a própria Cinder.
Ela descobrira isso havia menos de vinte e quatro horas. O dr. Erland, que sabia havia semanas, decidiu informá-la que tinha feito exames de DNA que provavam sua hereditariedade depois de a rainha Levana tê-la reconhecido no baile anual e ameaçado atacar a Terra se Cinder não fosse jogada na prisão por ser uma imigrante lunar ilegal.
O dr. Erland entrou escondido na cela da prisão e deu a ela um novo pé (o dela tinha caído nos degraus do palácio), uma mão de ciborgue feita com tecnologia de ponta com ferramentas sofisticadas com as quais ela ainda estava se acostumando e o maior choque da vida dela. Em seguida, mandou que ela fugisse e fosse se encontrar com ele na África, como se isso fosse tão fácil quanto instalar um processador novo em um Gard 3.9.
Aquela ordem, ao mesmo tempo tão simples e tão impossível, deu a ela alguma coisa em que se concentrar em vez de na recém-descoberta identidade. Coisa boa, porque, quando ficava pensando naquilo, seu corpo todo tinha uma tendência de ficar paralisado, deixando-a inútil, e esse era um momento ruim para ficar sofrendo de indecisão. Independentemente do que decidisse fazer quando saísse, Cinder tinha certeza de uma coisa: não fugir significava morte certa quando a rainha Levana fosse buscá-la.
Ela olhou para o detento de novo. Ter um destino próximo em mente e uma espaçonave pronta para ser utilizada podia ser a chave para sua fuga.
Ele ainda estava girando os polegares, ainda obedecendo à ordem dela: só me deixe em paz.
As palavras saíram como fogo de sua boca, enquanto o sangue fervia e a pele queimava. A sensação de calor exagerado era um efeito colateral do novo dom lunar, poderes que o dr. Erland tinha conseguido liberar depois que um dispositivo implantado em sua coluna a impediu de usá-los durante tantos anos. Apesar de ainda parecer magia para ela, era na verdade um traço genético com o qual os lunares nasciam e que permitia que eles controlassem e manipulassem a bioeletricidade de outras criaturas vivas. Eles conseguiam enganar as pessoas para que vissem coisas que não eram reais ou sentissem falsas emoções. Conseguiam fazer lavagem cerebral e levar as pessoas a fazerem coisas que normalmente não fariam. Sem discussão. Sem resistência.
Cinder ainda estava aprendendo a usar o “dom” e não tinha certeza de como conseguira controlar Carswell Thorne, assim como não sabia direito como conseguira convencer um dos guardas da prisão a transferi-la para uma cela mais conveniente. Sabia apenas da vontade que lhe dera de estrangular o presidiário quando ele não parava de falar e que o dom lunar surgiu na base do pescoço, estimulado pelo estresse e pelo nervosismo. Ela perdeu o controle do dom por um momento, e foi assim que Thorne fez exatamente o que ela queria que ele fizesse. Ele parou de falar e a deixou em paz.
O sentimento de culpa foi instantâneo. Ela não sabia que tipo de efeito toda aquela manipulação cerebral poderia causar em uma pessoa. E, mais do que isso, não queria ser uma daquelas lunares que tiravam vantagem dos poderes só porque podiam. Não queria ser lunar em nada.
Ela bufou. Soprou uma mecha de cabelo do rosto e se abaixou para se enfiar no buraco que foi criado quando tirou o penico da parede.
Ele ergueu o olhar quando Cinder veio e parou na frente dele com as mãos na cintura. Thorne ainda estava tonto, e apesar de ela odiar admitir, era bem atraente. Isso se uma garota por acaso gostasse de queixos meio quadrados, olhos azuis intensos e covinhas demoníacas. Embora ele precisasse desesperadamente de um corte de cabelo e de uma lâmina de barbear.
Ela respirou para se acalmar.
— Forcei você a fazer o que eu queria que fizesse, mas não devia. Foi abuso de poder, e peço desculpas.
Ele piscou para a mão de metal dela e para a chave de fenda que saía da junta de um dos dedos.
— Você é a mesma garota que estava aqui ainda agora? — perguntou ele, com a voz surpreendentemente clara, mesmo com o pesado sotaque americano. Por algum motivo, ela esperava que ele arrastasse as palavras depois da manipulação cerebral.
— É claro que sou.
— Ah. — Ele franziu a testa. — Você parecia bem mais bonita antes.
Irritada, Cinder pensou em retirar o pedido de desculpas, mas preferiu cruzar os braços sobre o peito.
— Cadete Thorne, não era mesmo?
— Capitão Thorne.
— Seus registros dizem que você era cadete quando desertou.
Ele franziu a testa, ainda intrigado, mas acabou sorrindo e apontou um dedo para ela.
— Tablet na cabeça?
Ela mordeu a parte interna da bochecha.
— Bem, se você quiser falar tecnicamente — disse ele. — Mas agora sou capitão. Soa melhor. As garotas se impressionam muito mais.
Cinder, nada impressionada, apontou na direção da sala mecânica do outro lado da parede.
— Decidi que você pode vir comigo se conseguimos chegar à sua nave. Só... tente não falar demais.
Ele saiu da cama antes de ela terminar de falar.
— Foi meu charme irresistível que convenceu você, não foi?
Suspirando, ela entrou pelo buraco, tomando o cuidado de não pisar no encanamento desconectado.
— Essa sua nave... É a roubada, não é? Dos militares americanos?
— Não gosto de pensar nela como “roubada”. Ninguém tem provas de que não planejei devolvê-la.
— Você está brincando, né?
Thorne deu de ombros.
— Você também não pode provar.
Ela apertou os olhos para ele.
— Você estava planejando devolver?
— Talvez.
Uma luz laranja piscou no canto da visão de Cinder; sua programação ciborgue captando a mentira.
— Foi o que pensei — murmurou ela. — A nave é rastreável?
— É claro que não. Retirei todo o equipamento de rastreio séculos atrás.
— Ótimo. Isso me faz lembrar de uma coisa. — Ela ergueu a mão, recolheu a chave de fenda e, depois de duas tentativas, exibiu o estilete. — Precisamos remover seu chip de identificação.
Ele deu meio passo para trás.
— Não me diga que você é um fresco.
— É claro que não — disse ele, com uma gargalhada desconfortável, dobrando a manga esquerda. — É que... Essa coisa está esterilizada?
Cinder olhou com raiva.
— Quero dizer... tenho certeza de que você é bem higiênica e tudo, é só que... — Ele parou de falar, hesitou e esticou o braço para ela. — Deixa pra lá. Só tente não cortar nada importante.
Inclinada sobre o braço dele, Cinder virou a lâmina na direção do pulso com o máximo de cuidado e delicadeza que conseguiu. Já havia uma cicatriz leve ali, supostamente de quando ele retirou outro chip de identificação, quando fugiu pela primeira vez da polícia.
Os dedos de Thorne tremeram com o corte, mas ele manteve-se imóvel como pedra. Ela extraiu o chip de identificação coberto de sangue e o jogou em meio a uma pilha de cabos no chão, depois cortou uma tira de tecido da manga e deixou que ele enrolasse no ferimento.
— É impressão minha, ou este é um grande momento em nosso relacionamento?
Cinder riu com deboche. Ela se virou e apontou para uma grade perto do teto. Estava cercada de fios pendurados saindo do quadro de distribuição e desaparecendo em dezenas de buracos nas paredes.
— Você consegue me levantar até ali?
— O que é aquilo? — perguntou Thorne, entrelaçando os dedos.
— Sistema de ventilação. — Cinder pisou nas palmas das mãos dele e ignorou seu resmungo quando ele a levantou. Ela já esperava, sabendo que a perna de metal a deixava bem mais pesada do que aparentava.
Com essa ajuda, ela tirou a grade em segundos. Colocou-a silenciosamente em cima de alguns canos e se impulsionou pela abertura sem hesitar.
Enquanto esperava Thorne subir atrás dela, abriu o arquivo da planta da estrutura interior da cadeia para verificar a direção. Cinder acendeu a lanterna embutida e começou a engatinhar.
O caminho foi trabalhoso, quente e desajeitado, com a sua perna esquerda raspando no alumínio a intervalos de alguns centímetros. Duas vezes, ela parou para ouvir, pensando ter escutado passos embaixo. Será que um alarme seria disparado quando a fuga deles fosse descoberta? Ela estava surpresa de ainda não ter acontecido. Trinta e dois minutos. Tinha saído de sua cela trinta e dois minutos antes.
O suor pingando do nariz e o batimento acelerado do seu coração fizeram o tempo se arrastar, como se o relógio em sua cabeça tivesse quebrado. A presença de Thorne já a enchia de dúvidas. Já seria bem difícil sozinha. Como tiraria os dois dali?
O pensamento passou por sua mente, surpreendente e claro.
Ela podia fazer uma lavagem cerebral nele.
Podia convencê-lo de que ele queria contar a ela onde a nave estava e como chegar até lá, depois fazê-lo decidir que não queria ir, no fim das contas. Ela podia mandá-lo de volta. Ele não teria escolha além de obedecê-la.
— Tudo bem?
Cinder soltou o ar preso nos pulmões.
Não. Ela não tiraria vantagem dele nem de ninguém. Tinha vivido muito bem sem o dom lunar até então, e viveria bem agora.
— Desculpe — murmurou ela. — Estava só checando a planta. Estamos quase lá.
— Planta?
Ela o ignorou. Minutos depois, dobrou uma esquina e viu um quadrado de luz quadriculada no teto do duto. Uma pontada de alívio, de esperança, surgiu dentro dela quando esticou a cabeça sobre a grade e olhou para baixo.
O que viu foi uma área de concreto com uma pequena poça de água parada abaixo e, a menos de seis passos, outra grade, maior e redonda.
Um bueiro. Bem onde a planta dizia que estaria.
A queda era de um andar, mas, se eles conseguissem pular sem quebrar nenhuma perna, seria quase fácil.
— Onde estamos? — sussurrou Thorne.
— Em uma plataforma subterrânea de carga, por onde chegam a comida e os suprimentos. — Ela passou o mais graciosamente que conseguiu por cima da grade e deu a volta, para que tanto ela quanto Thorne pudessem olhar.
— Precisamos descer até lá, até aquele bueiro.
Thorne franziu a testa e apontou.
— Não é a rampa de saída bem ali?
Ela assentiu sem olhar.
— Por que não estamos tentando ir pra ?
Cinder olhou para ele, com a grade criando sombras peculiares em seu rosto.
— E simplesmente andar até sua espaçonave? Em plena luz do dia, vestindo nossos lindos uniformes brancos?
Ele franziu a testa, mas qualquer resposta que daria foi silenciada pelo som de vozes. Os dois recuaram, agachados.
— Eu não o vi dançando com ela, minha irmã que viu — disse uma mulher. As palavras vieram acompanhadas de passos, depois de uma porta rolante sendo erguida em trilhos enferrujados. — O vestido dela estava encharcado e enrugado como um saco de lixo.
— Mas por que o imperador dançaria com uma ciborgue? — perguntou um homem. — E, depois, ela atacar a rainha lunar daquele jeito... Impossível. Sua irmã estava sonhando. Aposto que a garota era só uma maluca, uma maluca de rua que entrou na festa. Devia estar amarga por causa de alguma injustiça ciborgue.
A conversa foi interrompida pelo ronco de uma nave de entrega.
Cinder ousou espiar pela grade de novo e viu uma nave debaixo deles, indo de ré em direção a um compartimento de carga e parando exatamente entre Cinder e Thorne e o bueiro.
— Bom dia, Ryu-jun — disse o homem quando o piloto desceu da nave. Os outros cumprimentos foram abafados pelo sibilar hidráulico de uma plataforma ajustável.
Aproveitando o barulho, Cinder usou a chave de fenda para remover a grade. Quando fez um aceno para Thorne, ele a ergueu cuidadosamente.
O suor escorria pelo pescoço de Cinder, e seu coração estava palpitando tanto que ela achou que poderia machucar o interior de sua caixa torácica. Colocando a cabeça pelo buraco, ela espiou a plataforma e procurou outros sinais de vida. E logo viu, a menos de um braço de distância, no teto de concreto, uma câmera giratória.
Ela pulou para dentro do buraco, a pulsação sibilando em seus ouvidos. Por sorte, a câmera tinha estado virada para o outro lado, mas não havia como eles conseguirem descer sem serem detectados. Havia também os três trabalhadores descarregando a entrega, e cada momento que passava deixava mais próximo o momento em que algum guarda descobriria as celas vazias.
Ela fechou os olhos e imaginou onde a câmera estava antes de colocar o braço para fora. Seu braço seguiu grudado no teto (a câmera estava mais longe do que parecia quando ela olhou), mas seus dedos acabaram por encontrá-la. Ela segurou a lente e apertou. O plástico foi esmagado como uma ameixa no seu punho de titânio, fazendo um som satisfatório que pareceu ensurdecedor e alto demais.
Ela ouviu com atenção e ficou aliviada ao ouvir os sons de movimento e conversa abaixo seguirem sem mudança.
Não tinham tempo a perder. Em pouco mais de um minuto, alguém perceberia que uma câmera tinha sido desativada.
Cinder ergueu a cabeça, assentiu para Thorne e se deslocou para a abertura. Ao pular no teto da nave de entrega, ouviu-se um estalo que tremeu debaixo de seu corpo. Thorne veio atrás, caindo com um grunhido abafado.
A conversa parou.
Cinder virou quando três pessoas saíram do compartimento de carga, com os rostos retorcidos de incompreensão.
Eles a viram junto com Thorne no alto da nave e ficaram paralisados. Cinder conseguia vê-los observando os uniformes brancos. A mão de ciborgue dela.
Um dos homens esticou a mão para o tablet na cintura.
Trincando os dentes, Cinder esticou a mão para ele, pensando apenas em como ele não podia pegar o tablet, não podia dar o alarme. Imaginando a mão dele petrificada no ar a centímetros do cinto.
Com a vontade dela, a mão do homem parou e ficou imóvel.
Os olhos dele se encheram de terror.
— Não se mexam — disse Cinder, com a voz rouca e a culpa já corroendo sua garganta. Sabia que estava tão em pânico quanto as três pessoas à sua frente, mas o medo nos rostos delas era inconfundível.
A sensação de queimação voltou, começando no alto da nuca, e se espalhou pelos ombros e quadris, ardendo nos pontos em que tocava nas próteses. Não foi doloroso nem repentino como quando o dr. Erland libertou o dom lunar pela primeira vez. Na verdade, foi bem reconfortante, quase agradável.
Ela conseguia sentir as três pessoas de pé na plataforma, com a bioeletricidade emanando delas em ondas, estalando no ar, pronta para ser controlada.
Virem de costas.
Os três viraram ao mesmo tempo, com corpos rígidos e desajeitados.
Fechem os olhos. Cubram os ouvidos. Ela hesitou e acrescentou: Cantarolem.
Imediatamente, o ruído de três pessoas cantarolando preencheu o que tinha se tornado uma plataforma de carga silenciosa. Ela torceu para que fosse o bastante para impedir que ouvissem a grade sendo aberta no piso de concreto. Sua única esperança era que eles concluiriam que ela e Thorne tinham saído pela porta ou se escondido em uma nave de carga.
Thorne estava olhando fixamente, com o queixo caído, quando Cinder virou para ele.
— O que eles estão fazendo?
— Obedecendo — disse ela com pesar, se odiando por ter dado a ordem. Odiando o cantarolar que enchia seus ouvidos. Odiando esse dom que não era nada natural, que era tão poderoso, tão injusto.
Mas a ideia de interromper o controle sobre eles jamais cruzou sua mente.
— Vamos — falou Cinder, meio pulando, meio deslizando para fora da nave. Ela rastejou por debaixo da nave e encontrou a grade entre as rodas do trem de pouso. Embora estivesse com as mãos tremendo, conseguiu girar a grade em noventa graus e levantá-la.
Uma poça rasa de água parada brilhou em seus olhos na escuridão.
A queda não era grande, mas, ao pular de pés descalços em uma água oleosa, ela se encheu de nojo. Thorne apareceu ao seu lado em um segundo e recolocou a grade na abertura.
Havia um túnel redondo de concreto na parede, que mal chegava à barriga de Cinder, tomado pelo fedor de lixo e mofo. Torcendo o nariz, ela se agachou e rastejou para dentro dele.

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