7 de dezembro de 2018

CAPÍTULO Quarenta e Quatro

QUANDO A NAVE ENTROU EM ÓRBITA NEUTRA, SCARLET SOLTOU o ar dos pulmões doloridos e desabou no banco do piloto. Gemendo, todas as dores a atacando ao mesmo tempo, virou e olhou a nave.
Linh Cinder estava sentada no chão com as pernas esticadas à frente do corpo. Lobo, inconsciente, estava deitado de costas, esparramado. Um rastro de sangue o seguia da rampa por onde fora arrastado. O outro homem estava caído de barriga para baixo.
— Você pilota — disse Cinder.
Linh Cinder.
A princesa Selene.
— Minha avó me ensinou. Ela foi piloto na... — As palavras evaporaram com a dor que Scarlet sentiu no coração. — Mas sua nave voa muito bem por conta própria.
— Fico feliz em ser útil — disse uma voz incorpórea. — Sou Iko. Tem alguém ferido?
— Todo mundo está ferido — respondeu Cinder, gemendo.
Scarlet andou com dificuldade até o corpo de Lobo e sentou ao seu lado.
— Eles vão ficar bem?
— Espero que sim — disse Cinder —, mas nunca esperei para ver os efeitos desses dardos.
Scarlet abriu o zíper do moletom sujo e o amarrou acima do ferimento aberto no braço de Lobo.
— Você disse que tinha ataduras?
Viu o medo de Cinder por ser forçada se mover de novo, mas ela logo se levantou e desapareceu por uma porta no outro lado do compartimento de carga.
Um gemido baixo atraiu a atenção dela para o estranho. Ele rolou de costas, fazendo uma careta.
— Ondeagentestá? — murmurou, confuso.
— Ah, você já acordou — disse Cinder ao voltar trazendo pomada e gaze. — Eu tinha esperanças de que você ia ficar desacordado por mais tempo. A paz e o silêncio foram uma mudança agradável.
Apesar do tom dela, Scarlet conseguiu sentir o alívio emanando da garota quando pousou um tubo de pomada na barriga do homem. Ela passou a gaze para Scarlet, junto com outro tubo de pomada e um bisturi.
— Precisamos retirar seus chips de identificação e destruí-los antes que rastreiem vocês.
Depois de se sentar, o homem lançou um olhar torto e desconfiado para Scarlet, achou por um momento que ele tinha se esquecido de onde ela surgira, antes de a atenção dele se voltar para Lobo.
— Conseguiu colocar o maluco a bordo, hein? Quem sabe conseguimos arrumar uma jaula para ele em uma dessas caixas. Eu odiaria que nos matasse quando estivéssemos dormindo depois disso tudo.
Scarlet olhou para ele cheia de raiva enquanto desenrolava um pedaço de gaze.
— Ele não é um animal — retrucou, se concentrando nas marcas de garra nas laterais do rosto de Lobo.
— Tem certeza?
— Detesto concordar com Thorne — disse Cinder. — Quero dizer, realmente odeio concordar com ele, mas está certo. Não sabemos se ele está do nosso lado.
Scarlet apertou os lábios e puxou outra tira de gaze.
— Vocês vão ver quando ele acordar. Ele não é... — Hesitou e percebeu tarde demais que não conseguia nem convencer a si mesma de que Lobo estava do lado deles.
— Ah — disse o homem. — Me sinto bem melhor.
Depois de abrir um buraco na calça, passou pomada no ferimento causado pelo tranquilizante. Scarlet tirou o cabelo do rosto, abriu a camisa de Lobo e passou o unguento medicinal nos cortes profundos no abdome.
— Quem é você?
— Capitão Carswell Thorne. — Depois de fechar o tubo de pomada, ele se recostou na parede do compartimento de carga. Pousou a mão na arma. — De onde veio isso?
— Scarlet encontrou em uma das caixas — respondeu Cinder, olhando para a tela na parede. — Tela, ligar.
A tela mostrou uma imagem trêmula de um homem ensanguentado correndo em direção à câmera. Houve gritos, depois estática. Um âncora atrás de uma mesa substituiu o vídeo, com o rosto pálido.
— Essa filmagem mostra os ataques em Manhattan no começo desta noite, e fontes confirmaram que mais de dez cidades em toda a União também estão cercadas.
Scarlet se inclinou para cortar o chip de identificação do pulso de Lobo. Reparou que já havia uma cicatriz ali, como se não houvesse muito tempo que o chip fora colocado nele.
O âncora prosseguiu.
— O governo pede que os cidadãos fiquem em casa e tranquem todas as portas e janelas. Agora vamos receber imagens ao vivo de Capitol City, onde o presidente Vargas fará um pronunciamento.
Um gemido chamou a atenção de todos para Lobo. Com o canto do olho, Scarlet viu o capitão Thorne engatilhar a arma e apontar para o peito do homem.
Scarlet colocou o bisturi de lado, junto com os chips de identificação dos dois, e virou o rosto de Lobo na direção do dela.
— Você está bem?
Ele abriu olhos turvos para Scarlet, então de repente se afastou e virou de lado para vomitar no chão da nave. Ela fez cara de nojo.
— Me desculpe — disse Cinder. — Deve ser efeito colateral do tranquilizante.
Thorne teve ânsia de vômito.
— Ainda bem que não aconteceu comigo. Que constrangedor.
Limpando os lábios, Lobo caiu de novo deitado de costas, fazendo caras de dor a cada movimento. Franziu a testa e olhou para Scarlet. Os olhos tinham voltado ao verde vibrante normal, não mais tomados de fome animal.
— Você está viva.
Ela prendeu uma mecha de cabelo atrás da orelha, surpresa com o próprio alívio. Aquele era o homem que a tinha entregado àqueles monstros. Devia odiá-lo, mas só conseguia pensar no desespero dele quando a beijou no trem, quando implorou que não fosse procurar a avó.
— Graças a você.
Thorne riu com deboche.
— Graças a ele?
Lobo tentou olhar para Thorne, mas não conseguiu virar o pescoço o bastante.
— Onde estamos?
— Você está a bordo de uma nave de carga na órbita da Terra — respondeu Cinder. — Me desculpe pelo tranquilizante. Achei que você ia devorá-la.
— Eu também achei. — A expressão dele se tornou sombria quando reparou na mão de metal de Cinder. — Acho que minha rainha está procurando você.
Thorne ergueu uma sobrancelha.
— Isso é para me fazer sentir melhor por ele estar a bordo?
— Ele está melhor agora — disse Scarlet. — Não está?
Lobo balançou a cabeça.
— Vocês não deviam ter me trazido para cá. Só vou botar vocês em perigo. Deviam ter me deixado lá embaixo. Deviam ter me matado.
Thorne soltou a trava da arma.
— Não seja ridículo — disse Scarlet. — Eles fizeram isso com você. Não é sua culpa.
Lobo olhou para ela como se estivesse falando com uma criança teimosa.
— Scarlet... se alguma coisa acontecesse com você por minha causa...
— Você pretende machucar alguém nesta nave ou não? — perguntou Cinder, interrompendo a conversa.
Lobo olhou para ela, para Thorne e para Scarlet, onde seu olhar se demorou mais.
— Não — sussurrou.
Três segundos depois, o corpo de Cinder relaxou.
— Ele está falando a verdade.
— O quê? — disse Thorne. — E isso deve me fazer sentir melhor?
— Kai vai fazer um pronunciamento! — A voz de Iko ressoou pela nave, e o volume na tela aumentou.
Um âncora estava falando de novo.
— ... parece que todos os ataques pararam. Vamos manter o público informado conforme os eventos se desenrolarem. Agora, vamos conectar vocês à transmissão da Comunidade das Nações Orientais, de onde esperamos um pronunciamento emergencial do imperador Kai, a começar em...
Ele foi interrompido, e a imagem que surgiu foi da sala de imprensa da União Terráquea, onde Kai estava atrás de um púlpito. Cinder apertou o tecido da calça com as mãos.
— Cinder tem uma certa quedinha por ele — Thorne fingiu sussurrar.
— Todas nós temos, não? — comentou Iko.
Kai pareceu momentaneamente desconcertado pelas luzes intensas, mas essa impressão passou no momento em que empertigou os ombros.
— Todos vocês sabem por que pedi esta coletiva no meio da noite, e agradeço a todos por virem em tão pouco tempo. Espero poder responder a algumas das perguntas feitas desde que os ataques começaram, quase três horas e meia atrás.
Lobo sibilou de dor quando se sentou para ver melhor. Os dedos de Scarlet se apertaram em sua mão.
— Posso confirmar que aqueles homens são de Luna. Alguns de nossos cientistas já começaram a fazer exames no corpo de um deles, morto por um policial em Tóquio, e confirmamos que são soldados geneticamente projetados. Parecem ser machos lunares cuja estrutura física foi combinada com o circuito neural de algum tipo de híbrido lupino. Parece claro que o ataque surpresa foi orquestrado de forma a provocar terror, confusão e caos em todas as grandes cidades da Terra. Nisso, acho que é seguro dizer que foi bem-sucedido.
“Muitos de vocês estão cientes de que a rainha Levana vem ameaçando declarar guerra à Terra durante quase todo o seu reinado. Se estão questionando por que a rainha Levana escolheu este momento para iniciar o ataque depois de tantos anos de ameaça... É por minha causa.
Scarlet reparou que Cinder puxou os joelhos até o peito e os apertou até os braços começarem a tremer.
— A rainha Levana está com raiva da minha incapacidade de aderir a um tratado entre Luna e a Terra que declara que todos os fugitivos lunares devem ser apreendidos e devolvidos a Luna. A rainha Levana deixou suas expectativas bem claras nesse ponto, e eu não consegui satisfazê-las.
Um som estranho escapou da garganta de Cinder, algo como um gemido ou um choramingo, e ela levou a mão metálica à boca para sufocá-lo.
— Por isso, sinto que é minha responsabilidade acabar com esses ataques e impedir uma guerra de proporções gigantescas enquanto ainda está a meu alcance. E foi o que fiz, da única maneira que podia. — O olhar dele perfurou a parede dos fundos da sala de imprensa, como se Kai estivesse envergonhado demais para olhar nos olhos dos jornalistas. — Aceitei a aliança de casamento com a rainha de Luna, Levana.
Cinder deu um grito de choque e ficou de pé.
— Não. Não!
— Em troca — continuou Kai —, a rainha Levana concordou em suspender os ataques. O casamento foi marcado para a próxima lua cheia, no vigésimo quinto dia de setembro, com a coroação imediata da rainha Levana como imperatriz da Comunidade das Nações Orientais em seguida. A retirada de todos os soldados lunares de território terráqueo começará no dia seguinte.
— Não! — gritou Cinder. Ela arrancou a bota do pé e a jogou na tela. — Idiota! Seu idiota!
— Meu gabinete e eu teremos mais atualizações nos próximos dias. Não responderei a nenhuma pergunta agora. Obrigado. — O aposento se encheu de gritos mesmo assim, mas Kai ignorou todos e desceu da plataforma como um general derrotado.
Cinder virou e chutou a caixa mais próxima com o pé de metal descoberto.
— Ele sabe que a culpa é dela, mas vai lhe dar tudo que quer mesmo assim! Ela é responsável pela morte de milhares de terráqueos e agora vai ser imperatriz! — Andou de um lado para outro, viu os dois chips de identificação manchados de sangue ao lado de Scarlet e esmagou-os com o pé sem pena, apertando com força com o calcanhar. — E por quanto tempo ela vai ficar satisfeita com isso? Um mês? Uma semana? Já falei para ele! Falei que ela planejava usar a Comunidade das Nações Orientais como ponto de partida para declarar guerra ao resto da Terra, e mesmo assim vai se casar com ela! Ela vai ter controle completo sobre todos nós, e vai ser tudo culpa dele!
Scarlet cruzou os braços sobre o peito.
— Ao que me parece — disse ela, erguendo a voz para competir com a de Cinder —, isso tudo vai ser sua culpa.
Cinder parou com o ataque de ira e olhou boquiaberta para Scarlet. Entre as duas, Thorne apoiou o queixo na palma da mão como se assistisse a um grande show, embora a mão livre ainda segurasse a arma apontada para a cabeça de Lobo.
— Você sabe por que ela fez isso — disse Scarlet, ficando de pé apesar dos protestos dos músculos furiosos. — Você sabe por que ela está atrás de você.
A fúria de Cinder diminuiu.
— Sua avó lhe contou.
— Sim. O que me dá nojo é você deixar isso tudo acontecer!
Com uma expressão de raiva, Cinder se inclinou e tirou a outra bota. Scarlet se encolheu, mas Cinder só a jogou em um canto.
— O que você acha que eu deveria fazer? Me entregar? Me sacrificar na esperança de que isso a satisfizesse? Acabaria sendo assim de qualquer forma.
— Não estou falando de quando você foi presa no baile. Estou falando de antes. Por que não fez nada para impedi-la? As pessoas contam com você. As pessoas acham que você pode fazer a diferença, e o que você está fazendo? Fugindo e se escondendo! Minha avó não morreu para você viver como fugitiva, covarde demais para fazer alguma coisa!
— Hum, estou confuso — disse Thorne, levantando um dedo no ar. — Do que estamos falando?
Scarlet olhou para o capitão.
— Quer parar de apontar essa arma pra ele?
Thorne jogou a arma para o lado e cruzou as mãos no colo.
— Ele nem sabe, não é? — Scarlet se dirigiu a Cinder. — Você colocou a vida dele em perigo, as vidas de todos nós, e ele nem sabe por quê.
— É mais complicado do que isso.
— É?
— Eu só sei há uma semana! Descobri quem eu era no dia depois do baile, quando estava sentada em uma cela de prisão me preparando para ser entregue a Levana como um troféu. Então, entre fugir da prisão, escapar de todos os militares da Comunidade das Nações Orientais e tentar salvar a sua vida, não tive muito tempo para derrubar um regime inteiro. Lamento se decepcionei você, mas o que quer que eu faça?
Scarlet recuou, sentindo uma dor de cabeça latejar nas têmporas.
— Como você podia não saber?
— Porque sua avó me mandou para a Comunidade sem se dar o trabalho de me contar.
— Mas não foi por isso que você foi ao baile?
— Pelas estrelas, não. Você acha que eu teria sido burra o suficiente para encarar Levana se soubesse a verdade? — Hesitou. — Bem. Não sei. Por Kai, talvez, mas... — Ela segurou a cabeça com as mãos. — Eu não sei. Eu não sabia.
De repente Scarlet ficou tonta de raiva, do sangue disparado nas veias, da exaustão. A única resposta que conseguiu formar foi um muxoxo desnorteado.
— Ah.
Thorne tossiu.
— Ainda estou confuso.
Com um suspiro, Cinder se apoiou em uma caixa e olhou para as mãos descombinadas. Contraiu o rosto todo, como se estivesse se preparando para um golpe, e murmurou:
— Eu sou a princesa Selene.
Thorne riu com deboche, e todos se viraram para ele.
Ele olhou sem entender.
— O que, é sério?
— É.
O sorriso debochado pareceu congelar nos lábios dele.
Um silêncio pesado foi seguido por uma vibração sob os pés deles, e então se ouviu a voz de Iko.
— Eu não computo.
— Então somos dois — disse Thorne. — Desde quando?
Cinder deu de ombros.
— Me desculpe. Eu devia ter contado, mas... não sabia se podia confiar em você, e achei que se conseguisse encontrar Michelle Benoit e pedisse que ela me explicasse algumas coisas, me contasse como vim parar aqui, como passei a ser isso... — Ela levantou as mãos antes de largá-las, imóveis, no colo de novo. — ... talvez pudesse começar a entender as coisas. — Suspirou. — Iko, me desculpe. Eu juro que não sabia antes.
Thorne fechou a boca e coçou o queixo.
— Você é a princesa Selene — repetiu, avaliando as palavras. — A garota ciborgue maluca é a princesa Selene.
— Seu dom está intacto? — perguntou Lobo, que estava sentado meio torto, tentando não colocar muito peso na lateral.
— Acho que sim — respondeu Cinder, se mexendo com desconforto. — Ainda estou aprendendo a usá-lo.
— Ela controlou um dos... agentes especiais — disse Scarlet. — Eu vi.
Cinder olhou para baixo.
— Foi difícil. Não consegui manter o controle.
— Você conseguiu manipular um integrante da matilha? Com Jael presente?
— É, mas foi horrível. Só consegui alcançar um deles e quase desmaiei...
Uma gargalhada alta a silenciou, mas logo Lobo começou a tossir com dor. Ainda assim, uma expressão divertida permaneceu no rosto dele.
— Então é por isso que Levana quer você. Você é mais forte do que ela. Ou... pode vir a ser, com treino.
Cinder balançou a cabeça.
— Você não entende. Aquele taumaturgo estava controlando sete homens, e eu mal consegui controlar um. Não chego nem perto da força deles.
— Não, você não entende — interrompeu Lobo. — Cada matilha é liderada por um taumaturgo, que controla quando nossos instintos animais tomam conta, quando só conseguimos pensar em matar. Eles manipularam nosso dom lunar e o usaram para nos transformar nos monstros que somos, com algumas modificações físicas. Mas tudo é ligado ao nosso mestre. A maioria dos lunares não conseguiria nos controlar, seríamos como cascudos para eles, e até nossos mestres, que conseguem controlar centenas de cidadãos normais de uma vez, só conseguem controlar uns doze agentes de uma vez. É por isso que nossas matilhas são tão pequenas. Entende?
— Não — responderam Cinder e Thorne ao mesmo tempo.
Lobo ainda estava sorrindo.
— Mesmo o mais talentoso dos taumaturgos só consegue controlar doze agentes, no máximo quinze, e isso depois de anos de modificações genéticas e treinamento. Mas você conseguiu tirar um do mestre em sua primeira tentativa? Com um pouco de treino... — Ele parecia estar com vontade de rir. — Não achava antes, mas agora acho que Sua Majestade pode ter mesmo motivo para ter medo de você, princesa.
Cinder fez uma careta.
— Não me chame assim.
— Estou supondo, é claro, que você pretende lutar contra ela — prosseguiu Lobo —, a julgar por sua reação ao pronunciamento do imperador.
Cinder balançou a cabeça.
— Não tenho a menor ideia de como fazer isso... Não sei nada sobre ser governante ou líder ou...
— Mas muitas pessoas acham que você pode detê-la — disse Scarlet. — Minha avó morreu para que você pudesse ter essa chance. Não vou deixar que o sacrifício dela seja em vão.
— Eu ajudaria você — acrescentou Lobo. — Você poderia treinar suas habilidades comigo. — Ele se encolheu, com o corpo cansado de ficar sentado ereto por muito tempo. — Além do mais, se você for quem alega ser, isso a torna minha verdadeira rainha. Portanto, você tem minha lealdade.
Cinder balançou a cabeça e pulou de cima da caixa.
— Não quero sua lealdade.
Scarlet colocou as mãos nos quadris.
— O que você quer?
— Eu quero... quero um tempo para pensar nisso tudo e resolver o que fazer sem todo mundo resmungando no meu ouvido! — Cinder saiu batendo os pés na direção do corredor principal, com um estalo alto a cada dois passos, quando o pé de metal batia no chão.
Depois que ela foi embora, Thorne deu um assobio baixo.
— Eu sei, eu sei. Ela parece meio — ele ficou meio vesgo e girou um dedo ao lado de cada orelha —, mas é parte do charme dela depois que você a conhece.

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