7 de dezembro de 2018

CAPÍTULO Oito

OS MOREL ESTAVAM TODOS MORTOS. A FAZENDA ESTAVA ABANDONADA havia sete anos, desde que os pais e uma pequena tropa de seis filhos haviam sido transportados para as quarentenas da peste de Toulouse durante um outubro, deixando para trás uma coleção de estruturas apodrecendo (a fazenda, o celeiro, um galinheiro), além de cem acres de plantações abandonadas para crescerem por conta própria. Uma construção de depósito em forma de arco, que um dia abrigara tratores e fardos de feno, permanecia intacta, solitária em meio a um campo de grãos com plantas altas.
Uma fronha velha e empoeirada, tingida de preto, ainda balançava ao vento na varanda, avisando aos vizinhos para ficarem longe da casa infectada. Por muitos anos, a fronha fez seu serviço, até os maus elementos que organizavam as lutas encontrarem a casa e a tomarem para si.
As lutas já estavam acontecendo quando Scarlet chegou. Ela mandou uma mensagem apressada para o departamento de polícia de Toulouse quando estava na nave, imaginando que teria pelo menos vinte ou trinta minutos até que os agentes respondessem, inúteis como eram.
Tempo suficiente para obter a informação de que ela precisava antes de Lobo e o resto dos renegados da sociedade serem levados presos.
Respirando fundo o ar frio da noite que não ajudou em nada a acalmar seu coração acelerado, ela marchou para dentro do depósito abandonado.
Uma plateia enlouquecida gritava em volta de um palco improvisado, onde um homem estava socando o oponente no rosto, seu punho voando sem parar com uma regularidade doentia. Sangue começou a jorrar do nariz do oponente. A plateia berrava, estimulando o lutador que vencia.
Scarlet deu a volta por trás, permanecendo perto das paredes tortas, cuja superfície estava coberta de pichações das mais vibrantes cores. O chão estava coberto de palha, pisoteada até quase virar poeira. Fileiras de lâmpadas baratas estavam penduradas em fios alaranjados, uma boa quantidade piscava e ameaçava queimar. O ar quente fedia a suor e corpos e a uma doçura dos campos que não combinava.
Scarlet não esperava que houvesse tanta gente. Havia bem mais de duzentos espectadores, e ela não reconheceu nenhum. Aquelas pessoas não eram da pequena cidade de Rieux. Provavelmente, muitas tinham vindo de Toulouse. Havia uma grande quantidade de piercings e tatuagens e manipulações cirúrgicas. Uma garota com cabelo pintado como o pelo de uma zebra e um homem de coleira sendo arrastado por um androide-acompanhante curvilíneo. Havia até ciborgues na plateia, a raridade ainda mais estranha porque nenhum estava escondendo suas características robóticas. Eles exibiam tudo, desde braços de metal polido a globos oculares pretos e espelhados que se destacavam de forma sinistra do rosto. Scarlet olhou duas vezes quando passou por um homem exibindo um pequeno tablet implantado no bíceps flexionado, rindo do âncora de noticiário formal que havia dentro dele.
A plateia urrou de repente, um som gutural e alegre. Um homem com a tatuagem de uma coluna vertebral e uma caixa torácica nas costas ficou de pé no palco. Scarlet não conseguia ver o oponente dele em meio a tanta gente.
Ela enfiou as mãos nos bolsos do moletom com capuz e continuou a procurar em meio aos rostos desconhecidos, aos sujeitos estranhos. Scarlet chamava atenção com a calça jeans simples com joelhos rasgados e moletom vermelho surrado que a avó tinha lhe dado anos antes. Em geral, o capuz era como uma camuflagem em uma cidade de pessoas igualmente malvestidas, mas agora ela estava parecendo um camaleão em meio a um bando de dragões-de-komodo.
Para todos os lados que ela virava, olhares curiosos a acompanhavam. Com resistência implacável, ela retribuía todos os olhares e continuava a busca.
Scarlet chegou à parede dos fundos da construção, ainda com pilhas altas de caixas de plástico e metal na frente, sem ter encontrado Lobo. Recuou até um canto para ver melhor e puxou o capuz por cima do rosto. A arma apertou seu quadril.
— Você veio.
Ela deu um pulo. Lobo tinha se materializado do nada na sua frente, com os olhos verdes brilhando sob a intermitente luz das lâmpadas empoeiradas.
— Me desculpe — disse ele, dando meio passo para trás. — Eu não queria assustar você.
Scarlet ignorou o pedido de desculpas. Nas sombras, conseguia identificar apenas um pedaço da tatuagem no braço dele, que parecera tão sem importância horas antes, mas que agora estava gravada em sua memória.
O que me entregou o atiçador tinha uma tatuagem...
Seu rosto foi tomado de calor quando a fúria, que ela havia enterrado em troca de uma praticidade calma, lhe subiu à cabeça. Aproximando-se dele, ela deu um soco no seu esterno, ignorando o fato de ele ser uma cabeça mais alto do que ela. Seu ódio a fazia sentir que seria capaz de esmagar o crânio dele com as mãos.
— Onde ela está?
A expressão de Lobo estava vazia, as mãos frouxas ao lado do corpo.
— Quem?
— Minha avó! O que você fez com ela?
Ele piscou, sua expressão imediatamente confusa e interrogativa, como se ela estivesse falando em outra língua que ele tivesse dificuldade para compreender.
— Sua avó?
Trincando os dentes, ela deu-lhe outro soco, no peito. Ele se encolheu, mas pareceu ser mais pela surpresa do que por dor.
— Sei que foi você. Sei que você a levou e está com ela em algum lugar. Sei que foi você quem torturou meu pai! Não sei o que você está tentando provar, mas quero minha avó de volta e quero agora!
Ele lançou um olhar furtivo por cima da cabeça dela.
— Desculpe... Estão me chamando para o palco.
Com a pulsação latejando nas têmporas, Scarlet simultaneamente segurou o pulso esquerdo dele e sacou a arma. Apertou o cano na tatuagem dele.
— Meu pai viu sua tatuagem apesar de suas tentativas de mantê-lo drogado. Acho improvável existirem duas tatuagens idênticas assim, e também que você tenha aparecido na minha vida no mesmo dia em que os sequestradores do meu pai o libertaram depois de uma semana de tortura.
Os olhos dele clarearam por um momento, mas a expressão foi logo seguida de um franzir profundo da testa, que acentuou uma cicatriz pálida na lateral da boca.
— Alguém sequestrou seu pai... e sua avó — disse ele lentamente. — Alguém com uma tatuagem como a minha. Mas soltaram seu pai hoje?
— Você acha que sou idiota? — gritou ela. — Vai mesmo tentar me convencer que não teve nada a ver com isso?
Lobo olhou para o palco de novo, e Scarlet apertou mais o pulso dele, mas ele não se moveu.
— Vou à Taverna Rieux todos os dias há semanas. Qualquer um dos garçons e garçonetes pode confirmar. E venho pra cá todas as noites. Qualquer um pode dizer pra você.
Scarlet fez uma expressão de raiva.
— Desculpe se as pessoas aqui não parecem exatamente do tipo que desperta confiança.
— Não são — concordou ele. — Mas todo mundo me conhece. Observe. Você vai ver.
Ele tentou passar por ela, mas Scarlet virou com ele, e seu capuz deslizou para trás. Ela afundou as unhas na pele dele.
— Você não sai daqui até... — Ela parou e olhou além de Lobo, para as pessoas em frente à plataforma.
Todas estavam olhando para eles, avaliando o corpo de Scarlet com olhares predatórios de cima para baixo.
Um homem na plataforma estava encostado nas cordas com um sorrisinho debochado no rosto. Ele ergueu as sobrancelhas quando viu que tinha atraído a atenção de Lobo e Scarlet.
— Parece que o lobo encontrou uma carninha mais macia pra hoje — disse ele, com a voz amplificada por caixas de som escondidas em algum lugar no alto.
Um outro homem estava no palco atrás dele, olhando com malícia para Scarlet. Tinha o dobro da largura e trinta centímetros a mais do que o que tinha falado antes e era completamente careca. O cabelo tinha sido substituído por duas fileiras de dentes de urso implantados como uma boca aberta em sua cabeça.
— Acho que vou levar essa aí pra casa, depois que destruir o rostinho bonito do garoto cachorrinho!
A plateia riu da provocação, assobiou e gritou. Alguém perto deles perguntou se Lobo estava com medo de testar sua sorte.
Impassível, Lobo virou para Scarlet.
— Ele nunca foi vencido — disse em tom de explicação. — Assim como eu.
Irritada por ele achar por um segundo sequer que ela se importava, Scarlet inspirou com fúria.
— Já mandei uma mensagem pra polícia, e eles chegarão aqui a qualquer minuto. Se me contar onde minha avó está, pode ir embora, pode até avisar seus amigos se quiser. Não vou atirar em você e não vou contar à polícia sobre você. Só... só me diga onde ela está. Por favor.
Ele olhou para ela, com calma apesar da agitação crescente da multidão. As pessoas tinham começado a cantarolar alguma coisa, mas as palavras estavam abafadas pelo sangue que pulsava nos ouvidos de Scarlet. Ela pensou por um segundo que Lobo estava desmoronando. Que ia contar a ela, e ela poderia manter a palavra pelo tempo suficiente de encontrar a avó e tirá-la dos monstros que a tinham sequestrado.
Depois, ela iria atrás da cabeça dele. Quando a avó estivesse em segurança em casa, ela o procuraria e a qualquer outra pessoa que o tivesse ajudado, e os faria pagar pelo que haviam feito.
Talvez ele tenha reparado na amargura sombria no rosto dela, porque esticou a mão, segurou a dela e delicadamente abriu seus dedos. Por instinto, ela empurrou a arma nas costelas dele, embora soubesse que não ia atirar. Não enquanto não recebesse respostas.
Ele não pareceu preocupado. Talvez também soubesse disso.
— Acredito que seu pai tenha visto mesmo uma tatuagem como a minha. — Ele baixou a cabeça para perto dela. — Mas não era eu.
Ele se afastou. Scarlet baixou o braço, deixando a arma pender inerte na lateral do corpo, observando a plateia, que cantarolava, abrir caminho para ele. Os espectadores estavam intimidados, mas também entretidos. A maioria deles sorria e cutucava uns aos outros. Alguns andavam em meio às pessoas, escaneando pulsos, recolhendo apostas.
Lobo podia nunca ter sido derrotado, mas estava claro que a maior parte das apostas estava a favor de seu oponente.
Ela apertou a arma até a textura do cabo de metal deixar uma marca na palma da mão.
Uma tatuagem como a minha...
O que ele quis dizer com isso?
Ele só estava tentando confundi-la, determinou ela enquanto Lobo subia pelas cordas do palco, ágil como um acrobata. Era coincidência demais.
Não importava. Tinha dado uma chance a ele, mas a polícia chegaria logo e o levaria preso. Ela teria suas respostas, de uma forma ou de outra.
Tremendo de frustração, ela colocou a arma de volta na cintura da calça. O latejar em suas têmporas estava começando a diminuir, e ela conseguiu entender o cantarolar da plateia.
Caçador. Caçador. Caçador.
Tonta pelo calor e pela onda de adrenalina, ela olhou para a enorme abertura da construção, onde conseguia ver uma área de mato alto e outra com uma plantação de trigo, iluminadas, ambas, pela lua. Reparou em uma mulher de cabelo curto olhando com raiva para ela, como uma namorada ciumenta. Scarlet retribuiu o olhar antes de voltar a atenção para o palco. Ficou atrás de todo mundo e puxou o capuz sobre a cabeça de novo, escondendo o rosto sob as sombras.
A multidão se moveu para a frente, levando Scarlet para mais perto do palco.
Caçador tinha tirado a camisa, expondo um amontoado de músculos enquanto atiçava a plateia. A fileira de dentes incorporada à cabeça brilhou quando ele caminhou de um lado do palco até o outro.
Lobo era alto, mas parecia uma criança em comparação com o Caçador. Ainda assim, era pura compostura em seu canto da plataforma, irradiando arrogância com um dos pés nas cordas, praticamente relaxando.
Caçador o ignorou e andou de um lado para o outro como um animal enjaulado. Rosnando. Xingando. Atiçando a multidão até o frenesi.
O que me entregou o atiçador...
Scarlet sentiu um nó no estômago. Ela precisava de Lobo. Precisava de respostas. Mas, naquele momento, não se importaria de vê-lo tomar uma surra naquele palco.
Como se tivesse sentido sua onda de fúria, o olhar de Lobo se dirigiu a ela. O ar de diversão arrogante sumiu.
Scarlet torceu para que estivesse claro em seu rosto para quem ela estava torcendo.
Um holograma ganhou vida em cima da cabeça do apresentador. As palavras giraram e piscaram lentamente.

CAÇADOR [34] X LOBO [11]

— Esta noite, nosso atual campeão invicto... Caçador! — gritou o apresentador. A plateia vibrou. — Ele enfrenta o novato invicto, Lobo! — Uma mistura de vaias e gritos. Evidentemente, nem todo mundo tinha apostado contra ele.
Scarlet mal prestava atenção, mas se esforçava para ver para o holograma. Lobo [11]. Onze vitórias, desconfiava ela. Onze lutas.
Onze noites?
A avó estava desaparecida havia dezessete dias. Mas o pai... ele não disse que só ficaram com ele durante uma semana? Ela franziu a testa, frustrada com os cálculos.
Caçador gritou:
— Vamos jantar carne de lobo esta noite!
Centenas de mãos bateram na beirada da plataforma fazendo um barulho de trovão.
A concentração de Lobo se transformou em alguma coisa sedenta, mas paciente.
O holograma piscou em tom vermelho intenso, depois evaporou com o som de um gongo.
O árbitro desceu para o meio da plateia e a luta começou.
Caçador deu o primeiro soco. Scarlet sufocou um grito com a velocidade do movimento, mas Lobo desviou com facilidade e escapou da sombra de Caçador. Caçador era incrivelmente ágil para seu tamanho, mas Lobo era mais. Evitou uma série de golpes, até que o punho de Caçador por fim acertou o outro com um estalo doentio. Scarlet se encolheu.
A plateia vibrou, empurrando-a e gritando ao lado dela. O frenesi era palpável, e as pessoas salivavam por sangue.
Movendo-se como se tudo fosse coreografado, Lobo mirou um chute sólido no peito de Caçador. Um baque alto fez o chão tremer quando Caçador caiu de costas. Ele só ficou um momento no chão antes de pular de pé de novo. Lobo se afastou e esperou. Sangue pingava dos lábios dele, mas não parecia incomodá-lo. Seus olhos brilhavam.
Caçador atacou com vigor renovado. Lobo levou um soco no estômago e se dobrou com um resmungo. Em seguida, levou um golpe que o mandou cambaleante para a beirada da plataforma. Ele caiu apoiado em um dos joelhos, mas se levantou antes que Caçador pudesse se aproximar.
Ele balançou a cabeça de uma estranha maneira, como um cão, o cabelo voando, depois se agachou com as mãos enormes ao lado do corpo e olhou para Caçador com aquele sorriso peculiar.
Scarlet apertou os dedos no zíper do moletom, se perguntando se esse tique tinha dado origem ao apelido de Lobo.
Quando Caçador veio correndo pela plataforma, Lobo se jogou para o lado e mirou um chute bem nas costas dele. Caçador caiu de joelhos. A plateia vaiou. Um chute amplo, desta vez na orelha de Caçador, o derrubou de lado, estatelado.
Caçador tentou se levantar, mas Lobo mirou nas costelas dele e o derrubou de novo. A plateia estava fervendo, berrando e gritando falta.
Lobo recuou para permitir que Caçador tivesse tempo de se levantar apoiando nas cordas e se reposicionar para a luta. Havia um novo brilho nos olhos de Lobo, como se ele estivesse gostando daquilo, e quando sua língua saiu da boca para lamber o sangue dos lábios, Scarlet fez uma careta.
Como um touro atacando, Caçador partiu para cima. Lobo bloqueou um soco com o antebraço, mas levou outro na lateral do corpo. Seu cotovelo disparou e acertou o maxilar de Caçador, e Scarlet percebeu que ele tinha levado o golpe de propósito. Caçador cambaleou para trás. Um calcanhar no peito quase o derrubou de novo. Lobo deu um soco no nariz dele, e um jorro de sangue desceu pelo queixo de Caçador. Uma joelhada na lateral do corpo de Caçador o fez se agachar, gemendo.
Scarlet se encolhia a cada golpe, com o estômago embrulhado. Estava perplexa por as pessoas conseguirem ver isso, apreciar isso.
Caçador caiu de joelhos, e Lobo estava atrás dele em um piscar de olhos, com o rosto violentamente contorcido, as mãos uma de cada lado da cabeça do oponente.
... me entregou o atiçador...
E aquele homem, aquele monstro, estava com sua avó.
Scarlet colocou as mãos na boca para sufocar o grito enquanto seus ouvidos esperavam o estalo do pescoço de Caçador.
Lobo parou e olhou para ela. Seus olhos brilharam, vazios e loucos em um momento, e em seguida quase confusos. Surpresos em vê-la ali. As pupilas dele se dilataram.
A repulsa queimou os nervos de Scarlet. Ela queria afastar o olhar, queria correr, mas estava ancorada ao chão.
E então Lobo pulou para trás, deixando que Caçador caísse para a frente com o próprio peso.
O gongo soou de novo. Da plateia soava uma mistura de gritos e vaias, apreciação e raiva. Alegria explícita por ver o grande Caçador derrotado. Nenhuma daquelas pessoas se importava com a crueldade cega, nem com o fato de quase terem testemunhado um assassinato.
Quando o árbitro subiu pelas cordas para anunciar Lobo como vencedor, o lutador afastou o foco de Scarlet, passou pelo homem e pulou as cordas. A plateia se afastou dele, empurrando Scarlet para trás. Ela por pouco não perdeu o equilíbrio e quase foi esmagada pela multidão.
Lobo saltou, usando as mãos e os pés para dar impulso. Correndo em alta velocidade, ele fugiu noite adentro e desapareceu em meio ao mato prateado.
Vermelho e azul piscavam ao longe.
A multidão fervilhou, zumbindo de confusão e curiosidade. O consenso murmurado parecia ser que Lobo era um novo herói, mas um herói selvagem.
Não demorou muito até que alguém reparasse nas luzes, e o pânico se espalhou pela multidão. Primeiro, gritavam palavras de desafio para a polícia, mas logo saíram correndo pela porta e se espalharam pela fazenda abandonada.
Scarlet estava tremendo quando puxou o capuz por cima da cabeça e fugiu com a multidão.
Nem todo mundo estava correndo. Alguém atrás dela estava tentando botar ordem no caos. Houve um disparo e uma gargalhada louca. À frente, a garota com cabelo de zebra estava de pé em uma caixa de depósito, apontando e rindo para os covardes que fugiam da polícia.
Scarlet fugiu no ar da meia-noite, o barulho sumindo aos poucos, longe do eco do depósito ao redor dela. Conseguia ouvir as sirenes agora, misturadas com o cricrilar dos grilos. Na estrada de terra fora do prédio, ela fez um círculo completo quando a multidão passou por ela empurrando.
Não havia sinal de Lobo.
Ela achava que o tinha visto virar à direita. Sua nave estava estacionada à esquerda. Seu coração estava disparado, dificultando a respiração.
Ela não podia ir embora. Não tinha conseguido o que fora buscar.
Disse a si mesma que conseguiria encontrá-lo de novo. Quando tivesse tido tempo de se acalmar. Depois que conversasse com os detetives e os convencesse a procurar Lobo e prendê-lo, e descobrir para onde ele tinha levado sua avó.
Enfiando as mãos nos bolsos, ela correu em volta da construção, em direção à nave.
Um uivo doentio a fez parar, sugando todo o ar de seus pulmões. A falação da noite caiu em silêncio, e até uma multidão imunda de ratos da cidade parou para ouvir.
Scarlet tinha ouvido lobos selvagens antes, revirando o campo em busca de presa fácil nas fazendas.
Mas nunca um uivo de lobo tinha provocado um arrepio na espinha dela assim.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!