20 de dezembro de 2018

CAPÍTULO Oito

A porta do elevador se abriu no solar da rainha, uma sala octogonal feita de janelas em todos os lados. O elevador cilíndrico era envolto em vidro e ficava no meio da sala, de forma que nenhuma parte da vista fosse obstruída. A decoração era simples: pilares brancos finos e um domo de vidro, imitando o domo acima da cidade. Aquela torre, aquela exata sala, era o ponto mais alto de Artemísia, e a visão de todos aqueles prédios brancos e cintilantes abaixo e de uma caixa de joias inteira de estrelas acima era toda a decoração de que a sala precisava.
Jacin já tinha ido lá três dezenas de vezes com Sybil, mas nunca para uma audiência própria com a rainha. Ele se forçou a não se preocupar. Se estivesse preocupado, a rainha poderia detectar, e a última coisa que ele queria era que alguém questionasse sua lealdade à coroa.
Embora uma cadeira elaborada estivesse posicionada em uma plataforma, a rainha estava de pé em frente às janelas. O vidro era claro como cristal e não mostrava sinal de reflexo. Jacin não sabia como conseguiam fazer vidro assim, mas o palácio era cheio dele.
Sir Jerrico Solis, o capitão da guarda e tecnicamente superior de Jacin, também estava presente, mas Jacin nem olhou para ele.
— Minha rainha — disse Aimery —, Vossa Majestade solicitou a presença de Jacin Clay.
Jacin se apoiou em um joelho quando a rainha se virou.
— Pode se levantar, Jacin. Que bom que você veio.
Ah, não era fofo?
Ele se levantou e ousou encontrar o olhar dela.
A rainha Levana era horrivelmente bonita, com lábios vermelho-coral e pele impecável como mármore branco. Era coisa do glamour dela, claro. Todo mundo sabia, mas não fazia diferença. Olhar para ela podia roubar o ar de qualquer homem mortal.
No entanto — e Jacin manteve esse pensamento muito, muito silencioso na cabeça —, a princesa era capaz de roubar o ar o coração de qualquer homem.
— Sir Clay — prosseguiu a rainha, com a voz soando como uma cantiga em comparação à aspereza do julgamento. — Aimery e eu andamos discutindo sua volta surpreendente e fortuita. Eu gostaria de vê-lo reincorporado à sua posição anterior em breve. Nossa guarda fica mais fraca sem você.
— Estou sempre às ordens.
— Levei em consideração a mensagem que você mandou à taumaturga Mira antes da morte dela, bem como dois anos de serviço leal. Também mandei uma equipe investigar suas alegações relacionadas a esse… dispositivo que Linh Garan inventou, e parece que você estava certo. Ele apresentou um protótipo que chamou de dispositivo de segurança bioelétrica em uma convenção muitos anos atrás. Na verdade, essa descoberta também solucionou um mistério com o qual meu grupo de agentes em Paris tinha se deparado no começo do ano. Agora, sabemos que Linh Cinder não era a única pessoa que tinha esse dispositivo instalado, mas que a antiga protetora dela, uma mulher chamada Michelle Benoit, também tinha. Só nos resta imaginar quantos mais ainda existem.
Jacin não disse nada, mas seu coração estava se expandindo com a notícia. Cinder pareceu segura de que nenhum outro dispositivo daqueles tinha sido feito, mas talvez estivesse errada. E, se estivesse… se houvesse mais deles por aí… ele poderia conseguir um para Winter. Poderia salvá-la.
— Não importa — disse Levana, passando a mão pelo ar. — Já estamos encontrando formas de garantir que essa invenção não chegue ao mercado terráqueo. O motivo de eu tê-lo chamado aqui foi para discutir o que vai acontecer com você agora. E tenho um papel especial em mente, Sir Clay. Um papel que acho que você não vai achar desagradável.
— Minha opinião não significa nada.
— Verdade, mas as opiniões de minha enteada ainda carregam algum peso. A princesa Winter pode não ter nascido com meu sangue, mas acho que as pessoas reconhecem que ela é parte da família, uma verdadeira querida na corte. E eu amava muito o pai dela. — Ela disse isso com um pequeno suspiro, embora Jacin não tenha percebido se era falso ou não.
A rainha se virou.
— Você sabe que eu estava presente quando Evret foi assassinado — continuou Levana, espiando a Terra pela janela. — Ele morreu nos meus braços. Seu último pedido foi que eu cuidasse de Winter, nossa doce filha. Quantos anos você tinha quando ele morreu, Jacin?
Ele obrigou os ombros a relaxarem.
— Onze, Vossa Majestade.
— Você se lembra bem dele?
Ele trincou os dentes, sem saber o que ela queria que ele dissesse. O pai de Winter e o pai de Jacin foram guardas reais e amigos íntimos. Jacin cresceu com muita admiração por Evret Hayle, que manteve a posição mesmo depois de se casar com Levana, princesa na época. Continuou sendo guarda mesmo depois que a rainha Channary morreu e Selene desapareceu, e Levana subiu ao trono. Ele dizia que não tinha desejo de se sentar no trono ao lado dela e menos ainda de ficar sentado tomando vinho e engordando entre as famílias pomposas de Artemísia.
— Eu me lembro muito bem dele — disse por fim.
— Ele era um bom homem.
— Era, Vossa Majestade.
O olhar dela escorregou para os dedos da mão esquerda. Não havia aliança de casamento lá, pelo menos não que ela deixasse que ele visse.
— Eu o amava muito — repetiu ela, e Jacin teria acreditado se acreditasse que ela era capaz dessas coisas. — A morte dele quase me matou.
— Claro, minha rainha.
Evret Hayle fora assassinado no meio da noite por um taumaturgo faminto por poder, e Jacin ainda lembrava o quanto Winter havia ficado arrasada. Como foram inadequadas todas as tentativas dele de reconfortá-la e distraí-la. Ele se lembrava de ouvir a fofoca triste: Evret morreu protegendo Levana e ela o vingou enfiando uma faca no coração do taumaturgo.
Disseram que Levana chorou histericamente por horas.
— Sim. — Levana suspirou de novo. — Enquanto o segurava morrendo, prometi proteger Winter. Não que eu não fosse protegê-la se não tivesse feito isso. Ela é minha filha, afinal.
Jacin não disse nada. Suas reservas de concordâncias vazias estavam acabando.
— E que jeito melhor há de protegê-la do que decretar como guarda uma das pessoas cuja preocupação com o bem-estar dela é comparável à minha? — Ela sorriu, mas havia um toque de deboche. — Na verdade, a própria Winter pediu que você ganhasse a posição de membro da guarda pessoal dela. Normalmente, as sugestões dela são baseadas em besteiras, mas, desta vez, até eu tive que reconhecer que a ideia tem mérito.
O coração de Jacin disparou, apesar de seus melhores esforços de permanecer distante. Ele? Na guarda pessoal de Winter?
Era ao mesmo tempo um sonho e um pesadelo. A rainha estava certa: ninguém poderia ser mais de confiança do que ele para garantir a segurança dela. De muitas formas, ele já se considerava guarda pessoal de Winter, com ou sem o título.
Mas ser guarda dela não era a mesma coisa que ser amigo, e ele já tinha muita dificuldade em não atravessar a linha entre as duas coisas.
— A troca da guarda dela acontece às dezenove horas — disse a rainha, virando-se novamente para as janelas. — Você vai se apresentar nesse horário.
Ele molhou a garganta.
— Sim, minha rainha. — Ele se virou para sair.
— Ah, e, Jacin?
O medo escorreu pela sua coluna. Contraindo o maxilar, ele olhou para a rainha de novo.
— Você pode não estar ciente de que tivemos… dificuldades no passado com a guarda de Winter. Ela pode ser difícil de cuidar, dada a brincadeiras de criança e a fantasias. Ela parece ter pouco respeito por seu papel como princesa e integrante desta corte.
Jacin sufocou sua repugnância no fundo do estômago, onde nem ele conseguiria sentir.
— O que devo fazer?
— Quero que você a mantenha sob controle. Minha esperança é que a afeição dela por você ajude-a a demonstrar mais autocontrole. Tenho certeza de que você está ciente de que a garota está se aproximando da idade de se casar. Tenho esperanças para Winter e não vou tolerar que ela traga humilhação para este palácio.
Idade de se casar. Humilhação. Autocontrole. A repugnância virou uma pedrinha dura, mas o rosto estava calmo quando ele fez uma reverência.
— Sim, minha rainha.


Winter estava com o ouvido encostado na porta dos aposentos particulares, tentando desacelerar a respiração a ponto de ficar tonta. A expectativa rastejava pela pele dela como mil formiguinhas.
Silêncio no corredor. Silêncio doloroso e agonizante.
Ela soprou um cacho do rosto e olhou para a holografia de Luna perto do teto do quarto, mostrando a progressão de luz do sol e sombras, e o relógio digital padronizado embaixo. 18:59.
Ela secou as palmas úmidas no vestido. Prestou mais atenção. Contou os segundos em pensamento.
Pronto. Passos. As batidas fortes e firmes de botas.
Ela mordeu o lábio. Levana não deu indicação se seu pedido seria aceito, ela nem sabia se a madrasta ia considerar o pedido, mas era possível. Era possível.
O guarda que estava parado como uma estátua do lado de fora do quarto nas últimas quatro horas, liberado do serviço, foi embora. Os passos eram ecos perfeitos dos que tinham acabado de chegar.
Houve um momento de confusão enquanto o novo guarda se posicionava junto à parede do corredor, a última linha de defesa caso um espião ou um assassino fizesse um ataque à princesa, e a primeira pessoa responsável por protegê-la, caso a segurança do Palácio Artemísia entrasse em risco.
Ela fechou bem os olhos e abriu os dedos sobre a parede, como se pudesse sentir os batimentos dele pela pedra.
O que sentiu foi uma coisa quente e grudenta.
Ofegando, ela se afastou e viu a palma da mão manchada de sangue.
Exasperada, usou a mão suja de sangue para empurrar o cabelo para trás, apesar de as mechas caírem para a frente de novo na mesma hora.
— Agora, não — sibilou ela para o demônio que achava que era uma hora apropriada para lhe dar visões.
Ela fechou os olhos de novo e contou de dez até zero. Quando os abriu, o sangue tinha sumido e a mão estava limpa.
Com um suspiro agudo, Winter ajustou o vestido e abriu a porta o bastante para colocar a cabeça para fora. Virou para o guarda-estátua junto à porta e seu coração inchou.
— Ah… ela disse sim! — gritou ela, escancarando a porta agora. Ela se aproximou e olhou para Jacin.
Se ele a ouviu, não reagiu.
Se ele a viu, não deu sinal.
A expressão era pétrea, com os olhos azuis fixados em algum ponto acima da cabeça dela.
Winter murchou, mas foi tanto de irritação quanto de decepção.
— Ah, por favor — disse ela, ficando bem na frente dele, dedão do pé com dedão do pé, peito com peito, o que não era coisa simples. A postura impecável de Jacin lhe dava a impressão de que estava caindo para trás, a um segundo de bater no chão. — Isso não é necessário, é?
Cinco segundos completos e agonizantes se passaram, nos quais ela poderia estar olhando um manequim, até que Jacin inspirou devagar e soltou tudo de uma vez. O olhar dele baixou para o dela.
Isso foi tudo. Só a respiração. Só os olhos.
Mas o tornou humano de novo, e ela sorriu.
— Fiquei esperando o dia inteiro para lhe mostrar uma coisa. Venha aqui.
Winter dançou ao redor dele de novo e voltou para a sala. Pulou até a mesa do outro lado do aposento, onde tinha coberto a criação com um lençol. Segurando as duas pontas, ela se virou para a porta.
E esperou.
— Jacin?
Ela esperou mais um pouco.
Bufando, ela soltou o lençol e andou até o corredor. Jacin não tinha se mexido. Winter cruzou os braços e se encostou na moldura da porta para inspecioná-lo. Ver Jacin com o uniforme da guarda era sempre agridoce. Por um lado, era impossível não reparar o quanto ele ficava lindo e imponente com ele. Por outro, o uniforme o marcava como propriedade da rainha. Ainda assim, ele estava particularmente bonito, todo curado depois do julgamento e com cheiro de sabonete.
Ela sabia que Jacin sabia que ela estava de pé ali, olhando para ele. Era irritante como era bom em ignorá-la.
Batendo um dedo na pele do cotovelo, ela disse:
— Sir Jacin Clay, tem um assassino debaixo da minha cama.
Os ombros dele se contraíram. O maxilar ficou tenso. Mais três segundos se passaram até ele se afastar da parede e entrar no quarto sem olhar para ela, passando pela surpresa coberta na mesa e indo direto para o quarto. Winter foi atrás e fechou a porta.
Assim que chegou perto, Jacin se ajoelhou e levantou a saia da cama.
— O assassino parece ter escapado desta vez, Vossa Alteza. — Levantando-se, ele se virou para olhar para ela. — Avise-me se ele voltar.
Ele voltou para a porta, mas Winter entrou na frente dele e deu um sorriso paquerador.
— Vou mesmo — disse ela, se equilibrando nas pontas dos pés. — Mas já que você está aqui…
— Princesa.
O tom dele era um aviso, mas ela o ignorou. Recuando para a sala, ela puxou o lençol e exibiu um modelo do tamanho da mesa do sistema solar deles, com os planetas suspensos por fios de seda.
— Tchã-nã!
Jacin não chegou mais perto quando ela começou a mexer nos planetas, mas também não saiu.
Winter empurrou as esferas pintadas para que entrassem em uma órbita lenta, cada uma se movendo em separado das outras.
— Eu tive a ideia quando o noivado foi anunciado — disse ela, vendo a Terra completar um círculo ao redor do Sol antes de parar. — Ia ser um presente de casamento para o imperador Kaito antes… bem. De qualquer modo, tem sido uma ocupação desde que você partiu. — Com os cílios oscilando, ela arriscou um olhar nervoso para Jacin. Ele estava olhando para o modelo. — Ajuda a se concentrar em alguma coisa, sabe. Pensar nos detalhes.
Ajudou a manter os pensamentos em ordem, ajudou a manter a sanidade. Ela tinha começado a ter as alucinações quando tinha treze anos, um pouco mais de um ano depois que tomou a decisão de nunca mais usar o glamour, de nunca mais manipular os pensamentos e as emoções de alguém, de nunca mais se enganar para acreditar que esse uso nem um pouco natural de poder poderia ser inofensivo. Jacin, que ainda não era guarda, passou muitas horas com ela, distraindo-a com jogos e projetos e quebra-cabeças.
A desocupação foi inimiga dela durante anos. Era nesses momentos, quando sua mente estava mais concentrada em uma tarefa, por mais trivial que fosse, que ela se sentia mais segura.
Fazer o modelo sem ele não foi tão divertido, mas ela gostou da sensação de estar no controle daquela pequena galáxia, uma vez que tinha controle de tão pouca coisa na própria vida.
— O que você acha?
Com um suspiro resignado, Jacin deu um passo à frente para examinar o aparato que dava a cada planeta seu próprio caminho orbital.
— Como você fez isso?
— Eu encarreguei o sr. Sanford do AR-5 de desenhar e construir o suporte. Mas fiz toda a pintura. — Ela ficou satisfeita de ver o aceno impressionado de Jacin. — Eu esperava que você pudesse me ajudar com Saturno. É o último a ser pintado, e eu pensei… posso ficar com os anéis se você quiser fazer o planeta… — Ela parou de falar. A expressão dele tinha endurecido de novo. Seguindo os dedos de Jacin, ela o viu empurrando Luna ao redor da Terra. O jeito como o sr. Sanford deu a Luna sua própria órbita ao redor do planeta azul era brilhante, na opinião de Winter.
— Desculpe, Alteza — disse Jacin, se empertigando de novo. — Estou a trabalho. Não deveria nem estar aqui dentro, e você sabe.
— Tenho certeza de que não sei nada sobre isso. Parece que você pode me proteger melhor aqui dentro do que lá fora. E se alguém entrar pelas janelas?
Os lábios dele formaram um sorriso irônico. Ninguém ia entrar pelas janelas, os dois sabiam, mas ele não discutiu. O que fez foi chegar mais perto e colocar as mãos nos ombros dela. Foi um toque raro e inesperado. Não era nenhuma Valsa do Eclipse, mas a pele dela formigou mesmo assim.
— Estou feliz de estar na sua guarda agora — disse ele. — Eu faria qualquer coisa por você. Se tivesse um assassino embaixo da cama, eu receberia a bala dele sem pensar duas vezes, sem ninguém precisar me manipular.
Ela tentou interrompê-lo, mas ele continuou falando:
— Mas, quando estou a serviço, isso é tudo o que posso ser. Seu guarda. Não seu amigo. Levana já sabe que sou próximo demais de você, que gosto de você mais do que deveria…
Winter franziu a testa e mais uma vez tentou interromper, achando que essa declaração merecia mais explicações, mas ele continuou falando:
— … e não vou dar a ela mais nada para usar contra mim. Nem contra você. Não vou ser mais um peão no jogo dela. Entendeu?
Finalmente, uma pausa, e a cabeça dela girava, tentando se agarrar à declaração dele (o que você quer dizer com gosta de mim mais do que deveria?) sem contradizer as preocupações dele.
— Já somos peões no jogo dela — disse Winter. — Eu sou um peão no jogo dela desde que ela se casou com meu pai, e você desde o dia que foi convocado para a guarda.
Os lábios dele se tensionaram e ele tentou se afastar, pois o contato prolongado já ultrapassava mil fronteiras profissionais, mas Winter levantou as mãos e envolveu as dele com as suas. Ela as segurou com força entre seus corpos.
— Eu só pensei… — Ela hesitou, com a atenção voltada para o quanto as mãos dele estavam maiores em comparação com a última vez que ela as segurou. Era surpreendente. — Achei que poderia ser legal sair do tabuleiro do jogo de vez em quando.
Um dos polegares de Jacin roçou nos dedos dela, só uma vez, como um tique que precisava ser sufocado.
— Seria bom — disse ele —, mas não pode ser quando eu estiver em serviço, e muito menos atrás de portas fechadas.
Winter olhou para trás dele, para a porta que fechou quando ele entrou para procurar o assassino fictício.
— Você está dizendo que vou ver você todos os dias, mas tenho que continuar fingindo que não vejo?
Ele soltou as mãos.
— Mais ou menos isso. Desculpe, princesa. — Com um passo para trás, ele virou novamente o guarda estoico. — Estarei no corredor se você precisar de mim. Se precisar de mim de verdade.
Depois que ele saiu, Winter ficou mordendo o lábio inferior, incapaz de ignorar os pedacinhos momentâneos de euforia que escorreram pelas rachaduras do encontro, de modo geral, decepcionante.
Gosto de você mais do que deveria.
— Tudo bem — murmurou ela baixinho. — Consigo viver com isso.
Ela pegou o estojo compacto de tintas, alguns pincéis e o modelo de Saturno do tamanho de um punho que estava esperando o caleidoscópio de anéis.
Desta vez, Jacin levou um leve susto quando ela saiu no corredor. Na primeira vez, ele a estava esperando, mas essa deve ter sido surpresa. Ela sufocou um sorriso quando andou até o outro lado dele e deslizou pela parede, se posicionando no chão com pernas cruzadas. Cantarolando baixinho, ela espalhou o material de pintura à frente.
— O que você está fazendo? — murmurou Jacin baixinho, apesar de o corredor estar vazio.
Winter fingiu dar um pulo.
— Ah, desculpe — disse ela, olhando para ele. — Acho que não tinha visto você aí.
Ele fez cara feia.
Piscando, ela voltou a atenção para o trabalho, mergulhando um pincel no intenso azul-cerúleo.
Jacin não disse mais nada. Nem ela. Depois que o primeiro anel foi completado, ela encostou a cabeça na coxa dele, ficando mais à vontade enquanto pegava o laranja solar.
Acima, Jacin suspirou, e ela sentiu um leve roçar de dedos no cabelo. Um toque, uma sugestão de proximidade antes de ele virar estátua novamente.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!