13 de dezembro de 2018

CAPÍTULO Oito

CRESS MAL SENTIU A ÁGUA QUENTE BATENDO NA CABEÇA. FORA do banheiro, uma ópera da segunda era tocava em todas as telas. Com a voz poderosa da mulher nos ouvidos, dançando sob o chuveiro incessante, Cress era a estrela, a donzela, o centro daquele universo. Ela cantou junto a todo o volume, fazendo pausas só a fim de se preparar para o crescendo.
Ela não sabia a tradução completa de cabeça, mas as emoções por trás das palavras estavam claras.
Coração partido. Tragédia. Amor.
Um arrepio cobriu sua pele, contrastando intensamente com o vapor. Ela apertou a mão contra o peito, submersa na água do banho.
Dor. Solidão. Amor.
Sempre voltava ao amor. Mais do que liberdade, mais do que aceitação... amor. Amor verdadeiro, como cantavam na segunda era. Do tipo que enchia a alma. O tipo que permitia gestos dramáticos e sacrifícios. O tipo irresistível e envolvente.
A voz da mulher cresceu, intensa, com os violinos e violoncelos, um clímax cantado debaixo da água do chuveiro. Cress sustentou a nota o máximo que conseguiu, apreciando a forma como a música se espalhava por ela, preenchendo-a de poder.
Ela ficou sem fôlego primeiro, tonta de repente. Ofegante, caiu encostada na parede do chuveiro.
crescendo acabou em um final simples, cheio de saudade, na mesma hora em que a água parou. Todos os banhos de Cress eram cronometrados, para garantir que as reservas de água não acabassem antes da próxima visita da mestra Sybil com os suprimentos.
Cress se sentou e abraçou os joelhos. Ao perceber que havia lágrimas em suas bochechas, cobriu o rosto e riu.
Estava sendo ridiculamente melodramática, mas com razão.
Porque aquele era o dia. Ela vinha seguindo a trajetória da Rampion com atenção desde que eles concordaram em salvá-la quase quatorze horas antes, e eles não tinham desviado o curso. A Rampion atravessaria a trajetória do satélite dela em aproximadamente uma hora e quinze minutos terráqueos.
Ela teria liberdade, amizades e um objetivo. E estaria com ele.
Na sala ao lado, o solo de ópera recomeçou, baixo, lento e repleto de saudade.
— Obrigada — sussurrou Cress para a plateia imaginária, que estava enlouquecida de tanto aplaudir.
Ela se imaginou erguendo um buquê de rosas vermelhas e cheirando-o, apesar de não fazer a menor ideia de como era o cheiro de uma rosa.
Com esse pensamento, a fantasia se desintegrou.
Suspirando, ela se levantou do chão do banheiro antes que as pontas dos cabelos fossem sugadas pelo ralo.
Seu cabelo pesava muito. Era fácil ignorá-lo quando estava absorta em um solo tão poderoso, mas o peso ameaçava fazê-la tropeçar, e uma dor de cabeça latejante já surgia na base do crânio.
Aquele não era o dia para dores de cabeça.
Ela segurou as pontas do cabelo com uma das mãos, tirando um pouco da pressão da cabeça, e passou alguns minutos torcendo-o, uma parte encharcada de cada vez. Depois de sair do chuveiro, pegou uma toalha, uma coisa cinza e velha que tinha havia anos, gasta até ter buracos nos cantos.
— Volume, abaixar! — gritou para a sala principal.
A ópera sumiu ao fundo. Algumas gotas do chuveiro pingaram no chão.
Cress ouviu um apito.
Puxou o cabelo através de seus punhos novamente, reunindo outro punhado de água e sacudindo-o antes de se enrolar na toalha. O peso do cabelo ainda a incomodava, mas parecia contornável de novo.
Na sala principal, só a tela de comunicação do D-COMM mostrava as imagens do teatro. A cena era um close do rosto de uma mulher, com maquiagem pesada e sobrancelhas pintadas de lápis, uma juba de cabelo ruivo com uma coroa dourada em cima.
A tela do D-COMM tinha uma nova mensagem:
DO USUÁRIO: MECÂNICA. CHEGADA PREVISTA EM 68 MINUTOS.
Cress flutuava de alegria. Estava acontecendo. Eles iam mesmo salvá-la.
Ela largou a toalha no chão e pegou o vestido amassado que usava antes; estava um pouco pequeno e curto demais porque Sybil o levara para Cress quando ela tinha só treze anos, mas estava gasto ao ponto da maciez perfeita. Era o vestido favorito de Cress, não que ela tivesse muitos outros.
Colocou-o pela cabeça e voltou correndo para o banheiro a fim de começar o longo processo de pentear os nós molhados. Queria estar apresentável, afinal.
Não, queria parecer irresistível, mas não fazia sentido tentar isso. Não tinha maquiagem, nem joias, nem perfume, nem roupas que coubessem direito, e só o necessário para uma higiene diária básica e essencial. Era pálida como a lua, e seu cabelo secaria cheio de frizz independentemente do quanto o penteasse. Depois de um momento olhando-se no espelho, decidiu trançá-lo, a melhor forma de tentar mantê-lo domado.
Tinha acabado de dividi-lo em três partes atrás da nuca quando ouviu a voz da Pequena Cress.
— Mana?
Cress ficou paralisada. Viu seu olhar arregalado no espelho.
— Sim?
— Nave da mestra detectada. Chegada esperada em vinte e dois segundos.
— Não, não, não, hoje não — sussurrou ela.
Soltando as mechas molhadas do cabelo, ela correu para a sala principal. Pela primeira vez, seus pertences não estavam espalhados pelo chão e por toda parte, porque tinham sido arrumados dentro de uma gaveta em cima da cama. Vestidos, meias e roupas íntimas tinham sido dobrados com capricho ao lado de pentes e prendedores de cabelo e dos pacotes de comida que haviam sobrado da última visita de Sybil. Ela até colocara seu travesseiro e cobertor favoritos na cama.
Tudo evidência de que iria fugir.
— Ah, pelas estrelas.
Ela deu um pulo e pegou a gaveta com as mãos, tirando-a da cama. Pegou o cobertor e o travesseiro e jogou-os em cima da cama, depois arrastou a gaveta pesada até a escrivaninha de onde a tinha tirado.
00:14, 00:13, 00:12, cantarolou a Pequena Cress enquanto ela lutava para colocar a gaveta no lugar. Mas não fechava.
Cress se agachou ao lado da gaveta e olhou os trilhos dos dois lados. Precisou ajeitar a gaveta por mais sete segundos até fechá-la. Suor, ou água do cabelo ainda molhado, pingava em seu pescoço.
Ela puxou uma mecha de cabelo que tinha ficado presa na gaveta e ajeitou depressa a cama, da melhor forma que conseguiu.
— A mestra chegou. Está requisitando uma extensão de haste de pouso.
— Estou chegando — respondeu Cress, correndo na direção da tela de rampa de pouso e digitando o código.
Ela se virou para a sala enquanto a haste se esticava das paredes, a nave de Sybil atracava e o oxigênio enchia o espaço.
A cantora de ópera ainda estava lá, e a mestra ficaria irritada pela perda de tempo de Cress, mas pelo menos não era...
Ela ficou sem ar ao pousar os olhos na tela que se destacava do resto, junto com uma única mensagem em luz verde sobre um campo preto:
DO USUÁRIO: MECÂNICA. CHEGADA PREVISTA EM 68 MINUTOS.
Ela ouviu os passos de Sybil se aproximando quando disparou pela sala. Fechou a tela na hora em que a porta do satélite assobiou, anunciando sua abertura.
Com o coração na boca, Cress se virou e sorriu.
Da porta, Sybil olhou nos olhos dela. Já estava com uma expressão de raiva, mas Cress achou que seus olhos se apertaram ainda mais naquele momento entre ver Cress e reparar em seu sorriso radiante.
— Mestra! Que surpresa. Acabei de sair do banho. Estava só... ouvindo... ópera. — Ela tentou engolir, mas a boca tinha ficado seca de repente.
Os olhos de Sybil escureceram e ela observou a sala e as telas transmitindo baixinho a cantora de ópera absorta na música. Sybil fez expressão de desprezo.
— Música terráquea.
Cress mordeu o lábio inferior. Ela sabia que havia músicos e peças e todo tipo de entretenimento para a corte lunar, mas como raramente gravavam Cress não tinha acesso a nada daquilo. Os lunares em geral não gostavam que sua verdadeira aparência fosse transmitida para que toda a galáxia visse. Preferiam apresentações ao vivo, em que podiam alterar a percepção que a plateia tinha de suas habilidades.
— Todas as telas mudas — murmurou ela, tentando parar de tremer.
Após o silêncio, Sybil entrou e deixou que a porta se fechasse atrás de si.
Cress gesticulou para a caixa de metal familiar que Sybil carregava.
— Acho que não estou precisando de nenhum suprimento, mestra. Já está na hora de outra amostra de sangue? — perguntou, sabendo que não estava.
Sybil colocou a caixa na cama e lançou um olhar de desprezo para os cobertores bagunçados.
— Tenho uma nova tarefa para você, Crescente. Acredito que você tenha reparado que uma de nossas fontes principais do palácio de Nova Pequim foi desabilitada semana passada.
Cress se obrigou a fazer uma expressão natural. Controlada e despreocupada.
— Sim, o gravador do escritório do imperador.
— Sua Majestade a considerava uma das fontes mais lucrativas dentre as que havíamos colocado na Terra. Ela quer outra programada e instalada imediatamente. — Ela abriu a caixa e deixou à mostra uma coleção de chips e aparelhos de gravação. — Como antes, o sinal não pode ser rastreável. Não queremos que atraia a atenção.
Cress assentiu, talvez com entusiasmo demais.
— É claro, mestra. Não vai demorar. Posso terminar até amanhã, tenho certeza. Vai ser disfarçado como luminária, como o anterior?
— Não, arriscamos demais ao fazer lavagem cerebral no zelador da outra vez. Faça de forma que possa ser escondido com mais facilidade. Que possa ser escondido em algum enfeite de parede, talvez. Um dos outros taumaturgos deve, ele mesmo, cuidar da instalação na próxima visita.
A cabeça de Cress ainda estava balançando.
— Sim, sim, claro. Não tem problema.
Sybil fez cara de desprezo. Talvez Cress estivesse sendo agradável demais. Ela parou de assentir, mas era difícil se concentrar com os ponteiros do relógio girando em sua cabeça. Se Cinder e os outros vissem a nave lunar atracada na lateral do satélite, pensariam que Cress os levara a uma armadilha.
Mas a mestra Sybil nunca ficava por muito tempo. Sem dúvida já teria ido embora quando a hora chegasse. Sem dúvida.
— Mais alguma coisa, mestra?
— Você tem alguma coisa a relatar das outras fontes terráqueas?
Cress se esforçou para pensar em qualquer novidade que tivesse ouvido nos últimos dias. Suas habilidades de cyber espionagem iam além de pesquisar e invadir as fontes e bases de dados terráqueos, ou programar equipamento de espionagem para ser instalado estrategicamente em várias casas e escritórios de funcionários do alto escalão. Era também sua responsabilidade monitorar essas fontes e relatar qualquer coisa interessante para Sybil e Sua Majestade.
Era a parte mais voyeurista do trabalho dela, e ela odiava. Mas pelo menos, se Sybil estava perguntando, significava que ela e a rainha não tiveram tempo de monitorar as fontes pessoalmente.
— Todos estão concentrados no casamento — disse Cress. — Falam muito de planejar viagens e de marcar encontros diplomáticos já que tantos representantes estão juntos em Nova Pequim. — Ela hesitou antes de prosseguir: — Muitos terráqueos estão questionando a decisão do imperador Kaito de entrar na aliança e se isso vai sinalizar de verdade ou não o fim dos ataques. A Federação Europeia fez uma compra grande com um fabricante de armas. Parece que estão se preparando para uma guerra. Eu... Eu poderia obter os detalhes específicos dessa compra se você quiser.
— Não perca seu tempo. Nós sabemos do que eles são capazes. Mais alguma coisa?
Cress consultou sua memória. Pensou em contar para a mestra Sybil que um representante do Reino Unido, um certo sr. Bristol, estava tentando fazer uma declaração política ao rejeitar o convite para o casamento real, mas pensou que a decisão dele ainda poderia mudar. Conhecendo Sua Majestade, ela iria querer usar o homem como exemplo, e Cress não queria pensar no que ela faria a ele. E nem à família dele.
— Não, mestra. Isso é tudo.
— E a ciborgue? Algum progresso?
Ela havia contado a mentira tantas vezes que repeti-la já não exigia esforço algum.
— Me desculpe, mestra. Não descobri nada de novo.
— Você acha, Crescente, que a capacidade dela de não ser detectada é resultado de uma técnica similar à que usamos para esconder nossas naves?
Cress tirou o cabelo úmido do pescoço.
— Talvez. Pelo que soube, ela tem talento como mecânica. Suas habilidades talvez incluam desconfiguração de software.
— Se for esse o caso, você seria capaz de detectar?
Cress abriu a boca, mas hesitou. Provavelmente sim, mas dizer isso para Sybil seria um erro. Ela questionaria por que Cress não pensou em fazer isso antes.
— A-Acho que não, mestra, mas vou tentar. Vou ver o que consigo encontrar.
— Veja o que consegue. Estou cansada de inventar desculpas por você.
Cress tentou parecer triste, mas seus dedos formigavam de alívio. Sybil sempre dizia alguma variação dessa frase quando estava se preparando para ir embora.
— É claro, mestra. Obrigada por me trazer esse novo trabalho, mestra.
Um apito soou na sala.
Cress se encolheu, mas tentou imediatamente exibir uma expressão de indiferença. Era só outro apito. Só outro alerta nada suspeito de um dos hobbies nada suspeitos de Cress. Sybil não tinha motivo para questionar.
Mas a atenção de Sybil tinha se desviado para a tela negra que despertou com o alerta.
Uma nova mensagem tinha aparecido:
MENSAGEM RECEBIDA DE MECÂNICA: CHEGADA PREVISTA EM 41 MINUTOS. NECESSÁRIO COORDENADAS FINAIS.
O satélite balançou debaixo de Cress... mas, não, era seu equilíbrio falhando.
— O que é isso? — disse Sybil, aproximando-se da tela.
— É... é um jogo. Estou jogando com o computador.
Sua voz soou aguda. Seu rosto estava esquentando e só esfriava quando o cabelo úmido encostava na bochecha.
Houve um longo silêncio.
Cress tentou fingir indiferença.
— É só um jogo bobo, de imaginar que o computador é uma pessoa real... Você sabe como minha imaginação pode ser quando fico solitária. Às vezes é bom ter uma pessoa com quem conversar, mesmo que não seja...
Sybil agarrou o queixo de Cress e a empurrou contra uma janela com vista para o planeta azul.
— É ela? — sibilou Sybil. — Você andou mentindo para mim?
Cress não conseguiu falar com a língua pesada de pavor, como se estivesse presa por algum glamour. Mas isso não era magia. Era só uma mulher forte e furiosa o bastante para arrancar os braços de Cress do próprio corpo, para quebrar seu crânio na quina da mesa.
— É melhor você nem pensar em mentir para mim, Crescente. Há quanto tempo você se comunica com ela?
Seus lábios tremeram.
— D-Desde ontem — disse ela, meio choramingando. — Eu estava tentando ganhar a confiança dela. Achei que, se me aproximasse o bastante, poderia contar para você e...
Um tapa fez o mundo girar, e Cress caiu no chão. Sua bochecha ardia e seu cérebro demorou um momento até parar de balançar dentro do crânio.
— Você esperava que ela viesse salvar você — disse Sybil.
— Não. Não, mestra.
— Depois de tudo o que fiz por você. Salvei sua vida quando seus pais queriam que você fosse assassinada.
— Eu sei, mestra. Eu ia trazê-la para você, mestra. Estava tentando ajudar.
— Até dei permissão para você acessar a rede e assistir aos noticiários terráqueos nojentos, e é assim que você me retribui? — Sybil olhou para a tela, onde a mensagem ainda estava sendo exibida. — Mas pelo menos você finalmente fez uma coisa útil.
Cress tremeu. Seu cérebro começou a se enevoar com a necessidade instintiva de correr, de fugir. Ela se levantou, mas tropeçou no cabelo e deu de cara com a porta fechada. Seus dedos procuraram o teclado e digitaram a sequência. A porta se abriu. Ela não esperou para ver a reação de Sybil.
— Fechar porta!
Cress disparou pelo corredor com os pulmões ardendo. Não conseguia respirar. Estava hiperventilando. Tinha que sair.
Outra porta apareceu na sua frente, com uma tranca idêntica ao lado. Ela quase se chocou com a porta.
— Abrir!
A porta se abriu.
Ela cambaleou para a frente e seu abdômen se chocou contra uma grade. Ela grunhiu com a colisão e se segurou antes de cair por cima da grade, direto no cockpit.
Ofegante, observou com olhos arregalados a pequena nave. Luzes e painéis e telas brilhantes cintilavam ao seu redor. As janelas formavam uma parede de vidro que a separava de um mar de estrelas.
E havia um homem.
O cabelo dele era da cor de palha dourada e seu corpo era forte e amplo dentro do uniforme real. Ele talvez pudesse parecer ameaçador, mas, naquele momento, só parecia perplexo.
Ele se levantou do assento do piloto. Eles se olharam enquanto Cress lutava para encontrar as palavras em meio aos pensamentos desgovernados.
Sybil não tinha vindo sozinha. Um piloto a trouxera aqui.
Outro ser humano sabia que Cress existia.
Não... outro lunar sabia que Cress existia.
— Me ajude — tentou sussurrar, ofegando no esforço de formar as palavras. — Por favor. Por favor, me ajude.
Ele fechou a boca. As mãos de Cress tremeram na grade.
— Por favor?
A voz dela falhou.
O homem flexionou os dedos e ela pensou (será que foi só imaginação?) que os olhos dele pareceram ficar mais suaves. Mais solidários.
Ou calculistas.
Ele moveu a mão na direção dos controles. O comando para fechar a porta? Para desatracar a nave do satélite? Para tirá-la daquela prisão?
— Você a matou, por acaso? — perguntou ele.
As palavras pareciam vir de uma língua completamente diferente. Ele as disse sem emoção, como uma simples pergunta. Esperando uma resposta simples.
Matou? Matou?
Antes que ela pudesse formar uma resposta, os olhos do guarda se deslocaram para trás dela.
Sybil segurou um punhado do cabelo de Cress e puxou-a para trás pelo corredor. Cress gritou e caiu no chão.
— Jacin, logo teremos companhia — falou Sybil, ignorando o choro de Cress. — Separe-se deste satélite, mas fique perto o bastante para ter uma boa visão sem atrair desconfiança. Quando uma nave terráquea se aproximar, uma nave de passeio provavelmente será liberada. Espere até que o piloto tenha entrado a bordo deste satélite e atraque-se nele usando a entrada oposta. Vou garantir que a haste já esteja estendida.
Cress tremeu, e palavras sem sentindo saíam de sua boca em súplicas inúteis.
A solidariedade e a perplexidade do homem tinham sumido, desaparecido, como se nunca tivessem estado presentes. Talvez nunca tivessem mesmo.
Ele fez que sim com a cabeça. Sem perguntas. Sem intenção de desobedecer.
Embora Cress estivesse chutando e gritando, Sybil arrastou-a de volta à sala principal do satélite e jogou-a no chão como um saco de partes quebradas de androide.
A porta se fechou atrás delas e separou-as da saída, da liberdade, com um estalo familiar.
Ela jamais seria livre. Sybil a mataria, assim como mataria Linh Cinder e Carswell Thorne.
Quando Cress puxou o cabelo emaranhado para trás, um soluço a fez tremer até os ossos.
Sybil estava sorrindo.
— Imagino que eu deva agradecer a você. Linh Cinder virá até mim, e nossa rainha vai ficar tão satisfeita. — Inclinando-se, Sybil segurou o queixo de Cress como se sua mão fosse uma garra. — Infelizmente, acho que você não vai sobreviver o bastante para receber sua recompensa.

3 comentários:

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Boa leitura, E SEM SPOILER!