7 de dezembro de 2018

CAPÍTULO Nove


— ARGH, TIRA, TIRA!
Cinder girou, se apoiando nas paredes curvas e escorregadias de concreto enquanto apontava a lanterna para trás. Thorne estava se contorcendo e se remexendo no túnel apertado, batendo nas costas e emitindo uma série de xingamentos e gritinhos não muito masculinos.
Ela apontou um facho de luz para o teto e viu uma massa de baratas em movimento correndo em todas as direções. Ela tremeu, mas virou as costas e continuou a andar.
— É só uma barata — disse a ele. — Não vai te matar.
— Está no meu uniforme!
— Quer ficar quieto? Tem uma saída à frente.
— Por favor, me diga que vamos sair por aquele buraco.
Ela deu um riso debochado, mais preocupada com o mapa do sistema de esgotos em sua cabeça do que com a frescura do seu companheiro. Apesar de a ideia de ter uma barata debaixo da blusa deixá-la incomodada, ela achava que ainda era preferível a andar por aquela poça nojenta com um pé descalço e água até o tornozelo, e ela não estava choramingando por isso.
Eles passaram debaixo da saída, e Cinder percebeu o som regular de água ficando mais alto.
— Estamos quase na linha principal combinada — disse, a princípio ansiosa para chegar lá, pois estava tão quente quanto em Marte naquele túnel apertado, e suas coxas estavam queimando de tanto andar agachada. Mas então um fedor de revirar o estômago a atingiu, tão forte que ela quase vomitou.
Não seria mais pela rede de escoamento de água da superfície que eles andariam.
— Ah, droga — disse Thorne, gemendo. — Me diz que isto não é o que penso que é.
Cinder torceu o nariz e se concentrou em respirar ar quente pela boca.
O cheiro ficou quase insuportável quando eles passaram pelo lodo e saíram no cruzamento do esgoto, pela abertura de uma parede de concreto.
A lanterna embutida de Cinder iluminou o túnel abaixo, percorrendo as paredes viscosas. O canal principal era alto o bastante para eles ficarem de pé. A luz refletiu em uma grade estreita de metal, bastante estável e coberta de bosta de rato. Entre eles e a grade, um rio de esgoto crescia e corria, com pelo menos dois metros de largura.
Ela lutou contra outra onda de náusea quando o fedor pungente do esgoto entupiu suas narinas, garganta, pulmões.
— Pronto? — disse ela, se inclinando para a frente.
— Espere... o que você vai fazer?
— O que você acha?
Thorne olhou para ela, depois para o esgoto que mal conseguia enxergar na escuridão.
— Você não tem nenhuma ferramenta nessa sua supermão que possa nos ajudar a atravessar?
Cinder lançou-lhe um olhar irritado, meio tonta por conta da respiração superficial instintiva de seu corpo.
— Ah, uau, como pude me esquecer do meu gancho com corda?
Ela girou o corpo, inspirou outra lufada superficial de ar e se abaixou na gosma. Alguma coisa deslizou por entre os dedos de seus pés. A correnteza batia em suas pernas quando Cinder seguiu pela água, que chegava até suas coxas. Contorcendo-se por dentro, Cinder atravessou o mais rápido que pôde, sufocando a ânsia de vômito. O peso do pé de metal a mantinha firme no chão, e a correnteza não conseguia tirar seu equilíbrio. Em pouco tempo, ela estava do outro lado, subindo na grade. Apoiou as costas na parede do túnel e olhou para o falso capitão.
Thorne estava olhando para as pernas dela sem disfarçar seu nojo.
Cinder olhou para baixo. O macacão branco impecável estava agora tingido de marrom-esverdeado, encharcado e grudado às pernas dela.
— Olha só — gritou ela, apontando a lanterna para Thorne —, você pode vir até aqui ou pode voltar e cumprir o resto da sua pena em paz. Mas precisa tomar uma decisão agora.
Depois de uma série de palavrões e cuspes, Thorne atravessou o esgoto a duras penas, levantando bem os braços. Passou o tempo todo fazendo careta enquanto seguia até a grade e subia ao lado de Cinder.
— É isso que eu ganho por reclamar do sabonete — murmurou ele, se encostando à parede.
A grade já estava furando o pé descalço de Cinder, e ela transferiu seu peso para a perna ciborgue.
— Tudo bem, cadete. Pra que lado?
— Capitão.
Ele abriu os olhos e observou o túnel nas duas direções, mas, além da luz pálida que entrava pela saída mais próxima, os esgotos estavam mergulhados na escuridão. Cinder ajustou a intensidade da luz da sua lanterna, direcionando-a para a superfície espumosa da água e para as paredes de concreto molhadas.
— Está perto do velho parque Beihai — disse Thorne, coçando a barba do queixo. — Pra que lado fica?
Cinder assentiu e virou para o sul.
O relógio interno dela dizia que eles só estavam ali havia doze minutos, mas pareciam horas. A grade machucava seu pé a cada passo. A calça molhada estava grudada nas panturrilhas, e o suor escorria pela nuca, às vezes levando-a a pensar que era uma aranha que caíra dentro de um macacão e fazendo-a se sentir culpada por ter sido dura com Thorne antes. Apesar de não terem visto nenhum rato, ela ouvia seus passinhos apressados, correndo para longe da luz, por incontáveis túneis que se abriam por baixo da cidade.
Thorne falava sozinho enquanto andava, tentando reativar a memória. Sua nave estava perto do parque Beihai. No bairro industrial. A menos de seis quadras ao sul dos trilhos do trem de levitação magnética... Bem, talvez fossem oito quadras.
— Estamos a uma quadra do parque — disse Cinder, parando em uma escada de metal. Um raio de luz caía sobre eles. — Esta saída dá na West Yunxin.
— Yunxin me soa familiar. Mais ou menos.
Ela rezou para ter paciência e começou a subir.
Os degraus da escada machucavam seu pé, mas o ar estava deliciosamente fresco perto do topo. O som da água correndo foi substituído pelo zumbido dos trilhos do trem de levitação magnética. Ao chegar ao alto, Cinder parou para ouvir sinais de vida antes de empurrar a tampa para o lado.
Um aerodeslizador flutuava acima dela.
Cinder se abaixou com o coração a mil. Ousando levantar um pouco a cabeça, ela viu luzes silenciosas acima do veículo branco. Era um aerodeslizador de emergência. Imagens de androides com armas de eletrochoque de anulação de interface cerebral provocaram um tremor nela, antes de o aerodeslizador virar a esquina e ela ver a cruz vermelha na lateral. Era um aerodeslizador médico, não policial. Cinder quase desabou de alívio.
Eles estavam no antigo bairro de armazéns, perto das quarentenas da peste. Aerodeslizadores médicos eram de se esperar.
Ela olhou para os dois lados da rua deserta. Apesar de ainda estar cedo, o dia já estava quente e miragens oscilantes saíam do asfalto, a tempestade de verão de dois dias atrás esquecida.
— Limpo. — Ela se empurrou para fora do buraco e inspirou o ar úmido da cidade. Thorne foi atrás, com o uniforme brilhando no sol, exceto pelas pernas, que ainda estavam verde-musgo e fediam a esgoto. — Pra que lado?
Protegendo os olhos com o braço, Thorne olhou com dificuldade os prédios de concreto fazendo um giro completo. Olhou para o norte. Coçou o pescoço.
O otimismo de Cinder desmoronou.
— Me diga que reconhece alguma coisa.
— Reconheço, reconheço — disse ele, gesticulando para afastar as preocupações dela. — É só que não venho aqui faz tempo.
— Pense rápido. Não estamos exatamente camuflados no ambiente aqui.
Acenando com a cabeça, Thorne começou a andar pela rua.
— Por aqui.
Cinco passos depois, ele parou, pensou e se virou.
— Não, não, por aqui.
— A gente vai morrer.
— Não, agora já sei. É por aqui.
— Você não sabe o endereço?
— Um capitão sempre sabe onde está sua nave. É como um laço psíquico.
— Se pelo menos tivéssemos um capitão aqui.
Ele a ignorou e seguiu pela rua com uma confiança espetacular. Cinder o seguiu, três passos atrás, pulando a cada ruído: lixo rolando pela rua, um aerodeslizador atravessando um cruzamento duas ruas depois. O sol brilhava nas janelas empoeiradas dos armazéns.
Três quadras vazias depois, Thorne diminuiu o ritmo e olhou para a fachada de cada prédio por onde eles passavam, coçando o queixo.
Cinder começou a pensar desesperadamente em um plano B.
— Ali! — Thorne se lançou para o outro lado da rua, em direção a um armazém idêntico a todos os outros, com gigantescas portas de rolamento e anos de pichação colorida. Ao dobrar a esquina, ele tentou abrir a porta principal. — Trancada.
Ao ver o escâner de identificação ao lado da porta, Cinder falou um palavrão.
— Óbvio. — Ela se ajoelhou e tirou a capa de plástico do escâner. — Talvez eu consiga desativar. Você acha que tem alarme?
— Acho bom que tenha. Não venho pagando aluguel há tanto tempo para minha queridinha ficar em um armazém desprotegido.
Cinder tinha acabado de fazer o download do manual de programação do número de série do escâner quando a porta ao lado se abriu e um homem gorducho com um cavanhaque preto saiu no sol. Cinder ficou paralisada.
— Carswell! — disse o homem. — Acabei de ver o noticiário! Achei que você poderia aparecer por aqui.
— Alak, como está você? — Um sorriso se abriu no rosto de Thorne. — Estou mesmo nas notícias? Estava bonito?
Sem responder, Alak desviou a atenção para Cinder. Sua simpatia congelou, escondida atrás de uma parede de desconforto. Engolindo em seco, Cinder recolocou a capa do escâner e ficou de pé. Sua rede já estava se conectando ao noticiário, e já havia uma série de avisos exibindo a foto dela, tirada quando tinha sido levada para a prisão. PRISIONEIRA FUGITIVA. CONSIDERADA ARMADA E PERIGOSA. SE LOCALIZADA, MANDE MENSAGEM IMEDIATA PARA ESTE LINK.
— Também vi você no noticiário — disse Alak, olhando para o pé de aço dela.
— Alak, estou aqui pra pegar minha nave. Estamos com um pouco de pressa.
Rugas de solidariedade surgiram nos cantos da boca de Alak, mas ele balançou a cabeça.
— Não posso ajudar você, Carswell. A polícia federal já vive de olho em mim. Guardar uma nave roubada é uma coisa, sempre posso alegar que não sabia. Mas ajudar um criminoso condenado... e ajudar... um deles. — Ele torceu o nariz para Cinder, mas simultaneamente deu um passo para trás, como se tivesse medo de retaliação. — Se rastrearem você até aqui e descobrirem que ajudei vocês, vou ter mais problemas do que posso arriscar ter. É melhor ficarem um tempo escondidos. Não vou contar que vi vocês. Mas não vou deixar que peguem a nave. Não agora. Não até isso passar. Você entende, não é?
Thorne ficou vermelho de irritação.
— Mas... é minha nave! Sou um cliente pagante! Você não pode me impedir de pegá-la.
— Cada um cuida de si. Você sabe disso melhor do que ninguém. — Alak olhou para Cinder, seu medo se transformando mais e mais em repulsa. — Vão embora agora, e não vou comunicar à polícia. Se eles aparecerem, vou dizer que não vejo você desde que deixou a nave aqui ano passado. Mas, se ficar aqui por mais tempo, eu mesmo vou chamá-los, juro que vou.
Assim que ele terminou de falar, Cinder ouviu um aerodeslizador na rua. Seu coração deu um pulo ao ver um aerodeslizador de emergência, esse sem a cruz vermelha na lateral, mas ele desapareceu em outra rua. Ela virou para Alak.
— Não temos para onde ir. Precisamos daquela nave!
Ele recuou ainda mais, para se afastar dela, seu corpo enquadrado no batente da porta.
— Olha aqui, mocinha — retrucou ele, com tom determinado, apesar de ficar olhando para a mão de metal dela. — Estou tentando ajudar porque Carswell é um bom cliente, e não delato meus clientes. Mas não é um favor pra você. Eu nem piscaria antes de enviar você pra apodrecer na cadeia. É o mínimo que sua espécie merece. Agora se afastem do meu depósito antes que eu mude de ideia.
O desespero cresceu dentro de Cinder. Ela apertou os punhos. Uma onda de eletricidade tomara conta dela e a cegava. Uma dor branca e quente surgiu na base da nuca, inundando seu crânio, mas foi abençoadamente breve e deixou pontos piscando em sua visão.
Ofegante, ela retraiu a energia ardente bem a tempo de ver os olhos de Alak se revirarem. Ele caiu para a frente e tombou nos braços de Thorne.
Cinder cambaleou e se apoiou na parede, tonta.
— Ah, estrelas... ele está morto?
Thorne gemeu por causa do peso.
— Não, mas acho que está tendo um ataque cardíaco!
— Não é ataque cardíaco — murmurou ela. — Ele... ele vai ficar bem — falou, tanto para convencer a si mesma, quanto para convencê-lo, pois tinha que acreditar que essas explosões do dom lunar não eram perigosas, que ela não estava se tornando o terror para a sociedade como todos pensavam acreditar.
— Caramba, ele pesa uma tonelada.
Cinder segurou os pés de Alak, e juntos eles o arrastaram para dentro do prédio. Um escritório à esquerda tinha duas telas. Uma delas exibia imagens de uma câmera de segurança que filmava o exterior do depósito, mostrando a porta se fechando atrás de duas pessoas de branco e um homem inconsciente. A outra mostrava um âncora de noticiário no mudo.
— Ele pode ser um idiota egoísta, mas tem bom gosto pra joias. — Thorne ergueu a mão de Alak pelo polegar, mexendo em uma corrente de prata ao redor de seu pulso, um tablet em miniatura.
— Quer se concentrar? — Cinder puxou Thorne para que ficasse de pé. Ao virar, ela avaliou o enorme depósito. Ocupava o quarteirão inteiro e estava cheio de naves espaciais, grandes e pequenas, novas e velhas. Naves de carga, naves de passeio, naves individuais, naves de corrida, naves de transporte, naves de luxo.
— Qual delas?
— Ei, olha, teve outra fuga da prisão.
Cinder olhou para a tela, que agora mostrava o chefe de segurança nacional falando com um grupo de jornalistas. Na parte de baixo da tela rolavam as palavras: LUNAR FOGE DA PRISÃO DE NOVA PEQUIM. CONSIDERADA EXTREMAMENTE PERIGOSA.
— Que ótimo! — disse Thorne, quase derrubando-a com um tapa nas costas. — Não vão se preocupar conosco se têm uma lunar para procurar.
Cinder parou de assistir à transmissão, e o sorriso dele sumiu.
— Espere. Você é a lunar?
Você é um gênio do crime? — Ela girou nos calcanhares e entrou no depósito. — Onde está a nave?
— Pera lá, pequena traidora. Fugir da prisão é uma coisa, mas ajudar uma lunar psicótica está meio que fora da minha área.
Cinder se voltou para ele.
— Primeiro, não sou psicótica. E, segundo, se não fosse por mim, você ainda estaria sentado naquela cela de prisão brincando com o seu tablet. Portanto, você me deve uma. Sem contar que já é considerado meu cúmplice. Aliás, você parece um idiota naquela foto.
Thorne seguiu o gesto de Cinder indicando a tela. Sua foto da prisão foi ampliada ao lado da dela.
— Acho que não estou nada mal...
— Thorne. Capitão. Por favor.
Ele piscou para ela, com um toque de arrogância substituído por um aceno rápido.
— Certo. Vamos sair daqui.
Cinder suspirou aliviada e marchou atrás de Thorne pelo labirinto de naves.
— Espero que não esteja lá no meio.
— Não importa — disse ele, apontando para o alto. — O teto abre.
Cinder olhou para cima, para a marca no meio do teto.
— Que conveniente.
— E ali está ela.
Cinder seguiu o gesto de Thorne. A nave era maior do que ela esperava, bem maior. Uma nave de carga Rampion 214, classe 11.3. Cinder ativou o escâner de retina e fez o download da planta da nave, boquiaberta com tudo que ela era capaz de fazer. A casa de máquinas e uma plataforma completamente preparada com duas naves-satélite ocupavam o nível inferior, enquanto o nível principal continha a área de carga, o cockpit, a cozinha, seis alojamentos para a tripulação e um banheiro coletivo.
Ela contornou a nave até a escotilha de entrada e viu que a marca da República da América tinha sido coberta apressadamente pela silhueta de uma moça deitada e nua, pintada à mão.
— Belo toque.
— Obrigado. Eu que fiz.
Apesar de suas preocupações de que a pintura pudesse deixá-los mais fáceis de identificar, ela não conseguiu evitar uma leve admiração.
— É maior do que eu esperava.
— Houve uma época em que ela abrigava uma tripulação de doze homens — disse Thorne, acariciando o casco.
— Deve haver espaço suficiente para evitarmos um ao outro, então. — Cinder andou embaixo do casco, esperando que Thorne abrisse a escotilha, mas, quando olhou para trás, viu-o encostando a cabeça amorosamente na lateral da nave e falando o quanto tinha sentido sua falta.
Cinder revirou os olhos quando uma voz desconhecida ricocheteou pelo depósito.
— Aqui!
Ao virar, ela viu uma pessoa agachada perto do corpo de Alak, envolta por um quadrado de luz. Ela usava o uniforme inconfundível dos militares da Comunidade das Nações Orientais.
Cinder soltou um palavrão.
— Hora de ir. Agora.
Thorne se agachou e seguiu em direção à escotilha.
— Rampion, senha: O capitão é rei. Abra a escotilha.
Eles esperaram, mas nada aconteceu.
Cinder ergueu as sobrancelhas em pânico.
O capitão é rei. O capitão é rei! Rampion, acorde. É Thorne, o capitão Carswell Thorne. O quê...?
Cinder o mandou fazer silêncio. Atrás do casco da nave, quatro homens estavam atravessando o depósito lotado, com lanternas refletindo em vários trens de pouso.
— Talvez a bateria esteja arriada — disse Cinder.
— Como? Ela só está parada aqui.
— Você deixou o farol aceso? — perguntou ela.
Thorne fez um som de reprovação e se agachou encostado na nave. Os passos ficaram mais altos.
— Pode ser o sistema de controle automático — refletiu Cinder, revirando o cérebro. Nunca tinha trabalhado em nada maior do que uma nave de passeio, mas não deviam ser tão diferentes assim. — Você tem a chave mestra?
Ele olhou para ela, incrédulo.
— Claro, me deixa só pegá-la no bolso deste uniforme da prisão e vamos embora.
Cinder olhou para ele com raiva, mas ficou em silêncio quando um soldado passou a dois corredores de onde estavam.
— Fique aqui — sussurrou ela. — Fique tentando entrar e decolar o mais rápido possível.
— Aonde você vai?
Sem responder, ela deu a volta na nave, a planta já na sua tela da retina. Encontrou a escotilha de acesso e abriu-a o mais rápido que pôde, depois entrou na base da nave, contorcendo-se toda para evitar vários fios e cabos. Fechou a escotilha atrás de si com cuidado e se viu envolta em escuridão. A segunda porta interior foi mais difícil de arrombar, mas, usando a lanterna e a chave de fenda, ela logo saiu da camada de baixo e entrou na sala de máquinas.
O facho da lanterna percorreu o motor gigantesco. Ela encontrou a placa-mãe do computador nas linhas azuis que ocupavam sua visão e foi se contorcendo em sua direção. Depois de puxar o cabo conector universal da mão, ela o enfiou no terminal do computador principal.
Sua lanterna ficou fraca quando sua energia foi desviada. Letras verde-pálidas piscaram em sua visão.
DIAGNOSTICANDO SISTEMA DO COMPUTADOR, MODELO 135V8.2
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